{"id":34497,"date":"2016-01-03T16:00:00","date_gmt":"2016-01-03T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34497"},"modified":"2016-01-03T13:28:36","modified_gmt":"2016-01-03T16:28:36","slug":"festa-celebra-a-abertura-da-pesca-do-mapara-peixe-apreciado-no-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/festa-celebra-a-abertura-da-pesca-do-mapara-peixe-apreciado-no-para\/","title":{"rendered":"Festa celebra a abertura da pesca do mapar\u00e1, peixe apreciado no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34498\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A pescaria do peixe mapar\u00e1 \u00e9 um evento grandioso que atrai milhares de pessoas para a regi\u00e3o das ilhas do baixo Tocantins, no Par\u00e1. As fam\u00edlias de ribeirinhos trabalham nos preparativos para esperado dia de abertura da pesca.<\/p>\n<p>Na Ilha de Sarac\u00e1, rio Tocantins, Par\u00e1, todos os anos, no \u00faltimo dia de fevereiro, alguns moradores se re\u00fanem para planejar a abertura da pesca, que ocorre no dia seguinte.<\/p>\n<p>Terminada a reuni\u00e3o de trabalho, as mulheres entram em cena cantando o o siri\u00e1, um tipo de m\u00fasica tradicional dessa regi\u00e3o do Par\u00e1. No centro da roda ficam objetos ligados aos principais produtos das ilhas: uma peneira, usada para coar a\u00e7a\u00ed; a armadilha, para pegar camar\u00e3o; e uma rede de pesca.<\/p>\n<p>Enquanto a cantoria continua no barrac\u00e3o, outro grupo j\u00e1 come\u00e7a a embarcar o material que ser\u00e1 usado pra captura do mapar\u00e1.<\/p>\n<p>O pescador Raimundo Ferreira explica que a rede precisa ser forte porque um certo visitante pode aparecer no meio dos peixes. \u201cA rede sendo fina, se o boto pegar, ele rasga\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em seguida, j\u00e1 na igrejinha, ocorre uma cerim\u00f4nia cat\u00f3lica. O objetivo \u00e9 pedir prote\u00e7\u00e3o, fartura na pesca e respeito a natureza. A l\u00edder da comunidade Maria de Jesus comanda o encontro. A m\u00fasica que encerra o encontro foi criada pelos pr\u00f3prios ribeirinhos.<\/p>\n<p>No primeiro de mar\u00e7o, dia da abertura da pesca, o sol vai raiando pregui\u00e7oso e o pessoal de Sarac\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 na ativa. O trabalho de pesca come\u00e7a com um servi\u00e7o complicado: procurar os cardumes de mapar\u00e1 na imensid\u00e3o do rio. Para isso, os pescadores contam com uma equipe especializada, comandada pelo taleiro, personagem fundamental dessa atividade.<\/p>\n<p>Experiente, o pescador Jos\u00e9 Barra, o seu Zequinha, vai na frente da canoa mergulhando a vara comprida, chamada de tala. O trabalho precisa ser feito com muito cuidado. Enquanto os taleiros tentam localizar os cardumes de mapar\u00e1, os outros pescadores do grupo ficam no aguardo, prontos para entrar em a\u00e7\u00e3o. A espera pode levar horas.<\/p>\n<p>De repente, a calmaria se transforma em agita\u00e7\u00e3o. Esse momento \u00e9 decisivo. Os taleiros j\u00e1 deram o sinal, os cardumes j\u00e1 foram localizados e o grupo segue em fila para fazer o bloqueio do mapar\u00e1.<\/p>\n<p>O bloqueio, ou borqueio, como dizem na regi\u00e3o, nada mais \u00e9 do que cercar o cardume no rio. A rede \u00e9 lan\u00e7ada por dois barcos que v\u00e3o fazendo um grande c\u00edrculo. Quando os dois grupos se encontram, os ribeirinhos amarram as pontas da rede e o cercado est\u00e1 pronto. Com o mapar\u00e1 preso, os pescadores v\u00e3o fechando o c\u00edrculo e, aos poucos, deixando o peixe com menos espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o precisa do apoio de um time de mergulhadores. Al\u00e9m das boias em cima, a rede tem chumbo na parte de baixo. O bloqueio \u00e9 normalmente feito em \u00e1reas onde a profundidade do rio n\u00e3o passa de dez metros. Conforme o trabalho avan\u00e7a, v\u00e1rios barcos turistas e moradores da regi\u00e3o se aproximam do bloqueio.<\/p>\n<p>Aos poucos, o bloqueio vai mudando de forma e o volume de curiosos aumenta. \u00c9 tanto barco e tanta gente tirando foto que a pol\u00edcia precisa ser acionada para evitar acidentes.<\/p>\n<p>Uma hora e meia depois do in\u00edcio do bloqueio, finalmente o trabalho vai chegando ao fim com a rede mais apertada e os barcos em volta. Em instantes, \u00e9 poss\u00edvel ver os peixes. Para retirar o cardume do rio, alguns dos pescadores entram no cercado e enchem os cestos.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 pesado e leva tempo. A produ\u00e7\u00e3o do dia, com mais de uma tonelada de peixe, \u00e9 despejada em um barco da comunidade. Com tanto mapar\u00e1, muitos visitantes ficam ouri\u00e7ados e fazem de tudo para conseguir um pouco. A doa\u00e7\u00e3o, em pequena quantidade, faz parte da tradi\u00e7\u00e3o. Mas a pol\u00edcia continua presente para evitar exageros.<\/p>\n<p>A agita\u00e7\u00e3o da abertura da pesca se repete, ao mesmo tempo, em v\u00e1rios pontos do rio Tocantins. Terminado o bloqueio, os barquinhos retornam para a ilha de Sarac\u00e1. O mapar\u00e1 \u00e9 dividido entre os pescadores e os membros da associa\u00e7\u00e3o de pesca. Cada fam\u00edlia da ilha tamb\u00e9m recebe um pouco de peixe para consumo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O pessoal de Sarac\u00e1 faz o bloqueio do mapar\u00e1 umas duas ou tr\u00eas vezes por m\u00eas. O trabalho \u00e9 realizado sempre fora do per\u00edodo do defeso e com redes autorizadas por lei, evitando, por exemplo, o uso de malha fina para n\u00e3o pegar peixe pequeno. O mapar\u00e1 costuma ser vendido numa faixa de R$ 7 a R$ 10 o quilo. Os compradores s\u00e3o atravessadores, que normalmente, revendem o peixe mesmo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o peixe na brasa e uma boa conversa, as fam\u00edlias de Sarac\u00e1 comemoram o in\u00edcio de mais uma temporada de pesca do mapar\u00e1, uma fonte de renda e alimento para milhares de pessoas nas ilhas do baixo Tocantins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pescaria do peixe mapar\u00e1 \u00e9 um evento grandioso que atrai milhares de pessoas para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A pescaria do peixe mapar\u00e1 \u00e9 um evento grandioso que atrai milhares de pessoas para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34497"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34497\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}