{"id":34344,"date":"2016-01-01T09:00:35","date_gmt":"2016-01-01T12:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34344"},"modified":"2015-12-31T20:50:51","modified_gmt":"2015-12-31T23:50:51","slug":"como-a-industria-farmaceutica-responde-as-doencas-tropicais-negligenciadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-a-industria-farmaceutica-responde-as-doencas-tropicais-negligenciadas\/","title":{"rendered":"Como a ind\u00fastria farmac\u00eautica responde \u00e0s doen\u00e7as tropicais negligenciadas?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34345\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nos primeiros anos deste s\u00e9culo, apenas quatro em cada cem novos medicamentos produzidos foram dedicados a doen\u00e7as que atingem principalmente popula\u00e7\u00f5es em pa\u00edses tropicais de baixa renda.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros concretos, s\u00f3 37 (cerca de 4%) dos 850 novos rem\u00e9dios registrados entre 2000 e 2011 eram indicados para mal\u00e1ria, diarreia, tuberculose e o rol das chamadas &#8220;doen\u00e7as tropicais negligenciadas&#8221; listadas pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade).<\/p>\n<p>Os dados, compilados num estudo colaborativo que incluiu pesquisadores de ag\u00eancias privadas e da pr\u00f3pria OMS, s\u00e3o de 2013 e foram publicados pela revista cient\u00edfica The Lancet.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, a cada ano 1,5 bilh\u00e3o de pessoas em 149 pa\u00edses sofrem com esse tipo de doen\u00e7as, que n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o. A lista inclui alguns males bastante conhecidos (e at\u00e9 em alta) no Brasil, como dengue, chikungunya e chagas.<\/p>\n<p>Por um lado, h\u00e1 a cr\u00edtica de que, embora afetem muita gente, essas doen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o prioridade para as pesquisas farmac\u00eauticas, que historicamente preferem se dedicar ao desenvolvimento de rem\u00e9dios que garantam retorno financeiro.<\/p>\n<p>De outro, o mesmo estudo mostra que houve um avan\u00e7o: entre 1975 a 1999, somente 1,1% dos novos tratamentos eram dedicados aos males tropicais que afligem popula\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia e baixa renda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, gigantes da ind\u00fastria farmac\u00eautica consultadas garantem estar investindo no desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es para essas doen\u00e7as.<\/p>\n<h3>O fator emergente<\/h3>\n<p>Algumas das maiores empresas mundiais do setor dizem estar de olho no mercado de pa\u00edses emergentes, cujas economias se expandiram na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>A gigante GlaxoSmithKlein, por exemplo, pesquisa com a brasileira Fiocruz (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) uma vers\u00e3o de vacina para a dengue. Em outra frente, sua vacina contra mal\u00e1ria, a Mosquirix, foi recomendada pelo \u00f3rg\u00e3o de sa\u00fade da Uni\u00e3o Europeia e aguarda pol\u00edticas da OMS para o uso em popula\u00e7\u00f5es carentes.<\/p>\n<p>Segundo seu porta-voz, Aoife Pauley, a empresa tamb\u00e9m acompanha as epidemias causadas pelos v\u00edrus chikungunya e zika e investiga possibilidades de vacinas.<\/p>\n<p>A francesa Sanofi Pasteur lan\u00e7ou neste m\u00eas em outro emergente, o M\u00e9xico, a primeira vacina contra a dengue, que aguarda libera\u00e7\u00e3o da Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) para uso no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a primeira vez que temos uma vacina que \u00e9 primeiramente registrada e autorizada em um pa\u00eds em desenvolvimento, o M\u00e9xico&#8221;, diz o diretor do programa para dengue da empresa, Cesar Mascare\u00f1as. &#8220;N\u00e3o \u00e9 novidade apenas por irmos a popula\u00e7\u00f5es maiores, mas tamb\u00e9m por desenvolvermos infraestrutura e pesquisa cl\u00ednica (em pa\u00edses em desenvolvimento)&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Outras companhias, como a su\u00ed\u00e7a Novartis, dizem ter centros dedicados a pesquisa de males tropicais.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica brasileira Fabiana Alves, pesquisadora da DNDi &#8211; ONG que atua no desenvolvimento de medicamentos para doen\u00e7as negligenciadas -, reconhece avan\u00e7os vindos da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o posso negar que atualmente, dentro da nossa \u00e1rea de trabalho, h\u00e1 v\u00e1rios projetos com colabora\u00e7\u00e3o de diferentes ind\u00fastrias farmac\u00eauticas. Principalmente no acesso \u00e0s bibliotecas de compostos que podem ser usados. Isso j\u00e1 \u00e9 um grande passo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mas faz uma ressalva: &#8220;A ind\u00fastria farmac\u00eautica funciona na base do lucro, e n\u00e3o do que \u00e9 o bem para a humanidade&#8221;, diz.<\/p>\n<h3>A quest\u00e3o do acesso (e da qualidade)<\/h3>\n<p>Al\u00e9m de criticar a falta de investimento suficiente em solu\u00e7\u00f5es para as doen\u00e7as que atingem popula\u00e7\u00f5es carentes, especialistas e ativistas chamam aten\u00e7\u00e3o para outro obst\u00e1culo: a falta de acesso a tratamentos eficazes e de qualidade.<\/p>\n<p>Um dos exemplos \u00e9 a mal\u00e1ria, que, embora n\u00e3o conste da lista da OMS de males negligenciados, \u00e9 end\u00eamica nos pa\u00edses da \u00c1frica Subsaariana, gigantesca parte do continente localizada ao sul do deserto do Saara e que concentra alguns dos pa\u00edses mais pobres do mundo.<\/p>\n<p>Embora tenha havido, desde a virada do mil\u00eanio, uma queda de 37% nos casos e de 60% nos \u00f3bitos, a OMS estima o surgimento de 214 milh\u00f5es de novos casos da doen\u00e7a neste ano, dos quais 438 mil resultaram em mortes &#8211; cerca de 90% delas na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Gabriel Alcoba, conselheiro para doen\u00e7as tropicais da ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras, diz ser frustrante tentar fazer medicamentos contra a doen\u00e7a chegarem a todos os atingidos nessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dios suficientes, em especial quando h\u00e1 um grande surto e precisamos fazer a administra\u00e7\u00e3o em massa&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Segundo ele, o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 levar medicamentos a esses locais, mas tamb\u00e9m o tipo de droga oferecida.<\/p>\n<p>Alguns rem\u00e9dios mais antigos n\u00e3o surtem efeito e chegam, segundo o especialista, a atrapalhar o tratamento, pois podem levar \u00e0 resist\u00eancia do parasita.<\/p>\n<p>&#8220;As ind\u00fastrias farmac\u00eauticas precisam liquidar os estoques de rem\u00e9dios antigos antes de produzir os novos (.) O fato \u00e9 que ainda encontramos formula\u00e7\u00f5es antigas, que n\u00e3o s\u00e3o muito eficazes, ainda sendo produzidas.&#8221;<\/p>\n<p>A M\u00e9dico Sem Fronteiras \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es que advoga pelo acesso das popula\u00e7\u00f5es carentes aos chamados medicamentos ACTs (terapia combinada de artemisinina, na sigla em ingl\u00eas) de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o considerados os mais eficientes no combate ao parasita.<\/p>\n<p>Alcoba reconhece, por\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de ser alcan\u00e7ado. &#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de pre\u00e7o &#8211; os ACTs s\u00e3o caros. Quando falamos de acesso, pre\u00e7o \u00e9 obviamente um das grandes barreiras.&#8221;<\/p>\n<p>A empresa su\u00ed\u00e7a Novartis afirma ter entregue, sem obter lucro, mais de 300 milh\u00f5es de tratamentos com ACTs para o combate \u00e0 mal\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos primeiros anos deste s\u00e9culo, apenas quatro em cada cem novos medicamentos produzidos foram dedicados<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34345,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mosquito.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos primeiros anos deste s\u00e9culo, apenas quatro em cada cem novos medicamentos produzidos foram dedicados","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34344\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}