{"id":34307,"date":"2015-12-31T13:00:53","date_gmt":"2015-12-31T16:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34307"},"modified":"2015-12-30T20:57:09","modified_gmt":"2015-12-30T23:57:09","slug":"cientistas-brasileiros-tentam-desvendar-como-foi-verao-na-antartica-ha-80-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-brasileiros-tentam-desvendar-como-foi-verao-na-antartica-ha-80-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros tentam desvendar como foi ver\u00e3o na Ant\u00e1rtica h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34308\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores brasileiros embarcam neste fim de ano em um desafio e tanto: tentar descobrir como foi o ver\u00e3o h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos na Ant\u00e1rtica. Parece roteiro de filme de aventura, mas \u00e9 o projeto Paleoantar, que come\u00e7ou em 2007, e tem agora a sua segunda etapa.<\/p>\n<p>O principal objetivo da expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 resgatar f\u00f3sseis de dinossauros que viveram no continente e buscar pistas sobre como era a fauna e a flora por l\u00e1 no per\u00edodo Cret\u00e1ceo.<\/p>\n<p>Atualmente, a m\u00e9dia de temperatura registrada no ver\u00e3o ant\u00e1rtico \u00e9 de at\u00e9 35\u00b0C negativos no interior do continente e 0\u00b0C na pen\u00ednsula, o que torna a regi\u00e3o praticamente inabit\u00e1vel.<\/p>\n<p>No entanto, dentre os v\u00e1rios mitos que cercam a Ant\u00e1rtica, um dos mais recorrentes \u00e9 imaginar que o continente sempre foi assim: branco e est\u00e9ril. Isso est\u00e1 muito longe de ser correto, como atestam especialistas. Na verdade, durante a maior parte de sua exist\u00eancia, a Ant\u00e1rtica foi verde e cheia de vida.<\/p>\n<p>Durante boa parte do Cret\u00e1ceo (144 a 65 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), e at\u00e9 h\u00e1 50 milh\u00f5es de anos, um clima bem ameno predominou e favoreceu o crescimento de diferentes esp\u00e9cimes de fauna e flora.<\/p>\n<p>A camada de gelo de quase tr\u00eas quil\u00f4metros de espessura que recobre o continente esconde um passado muito diferente do deserto branco e gelado de hoje. A Ant\u00e1rtica j\u00e1 abrigou uma densa floresta temperada de arauc\u00e1rias onde viviam gigantescas criaturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>F\u00f3sseis de \u00e1rvores e de animais v\u00eam sendo desenterrados ali, revelando, a cada dia, uma natureza das mais exuberantes.<\/p>\n<p>A Ant\u00e1rtica era unida aos demais continentes, na chamada Gondwana, e, por isso, seu clima era temperado. A separa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se configurou h\u00e1 32 milh\u00f5es de anos, quando a corrente fria que se dispersava pelo Oceano Pac\u00edfico passou a circundar a Ant\u00e1rtica, isolando-a.<\/p>\n<p><strong>Descobertas<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira etapa do projeto Paleonatar, a equipe do paleont\u00f3logo Alexander Kellner, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, passou 37 dias acampado na Ilha James Ross, na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica, de onde retirou nada menos que uma tonelada e meia de troncos de \u00e1rvores \u2014 um deles com mais de quatro metros de comprimento, que se encontra em exibi\u00e7\u00e3o no Museu Nacional, no Rio.<\/p>\n<p>O grupo de Kellner tamb\u00e9m encontrou um fragmento f\u00f3ssil de um plesiossauro &#8211; r\u00e9pteis marinhos gigantes, de pesco\u00e7o longo e que chegavam a ter 5 metros de comprimento. Embora o grupo tenha encontrado apenas um fragmento, datado de 80 milh\u00f5es de anos, especialistas acreditam que o animal era muito comum na regi\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Alexander Kellner <\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <span class=\"media-caption__text\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/29\/151229204217_brasileiros_antartica_3_640x360_alexanderkellner_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/>F\u00f3ssil de plesiossauro encontrato pelos cientistas em 2007 <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros monstros marinhos tamb\u00e9m eram comuns nos mares ant\u00e1rticos. \u00c9 o caso do ictiossauro, outro r\u00e9ptil carn\u00edvoro que tinha de 2 a 3 metros de comprimento e barbatanas dorsais como a dos peixes; e ainda o gigantesco lagarto chamado de monossauro &#8211; uma esp\u00e9cie de drag\u00e3o de komodo t\u00e3o grande que era capaz de engolir um plesiossauro inteiro.<\/p>\n<p>Na terra, viviam tamb\u00e9m grandes dinossauros, muitos deles parecidos com o Tiranossauro Rex, e ainda esp\u00e9cies de saur\u00f3podes &#8212; os herb\u00edvoros pesco\u00e7udos. Especialistas estimam, no entanto, que, sob toda aquela neve, o continente esconda uma infinidade de outras esp\u00e9cies &#8212; muitas delas, inclusive, completamente desconhecidas.<\/p>\n<p>&#8220;A verdade \u00e9 que sabemos pouqu\u00edssimo sobre o continente&#8221;, diz Alexander Kellner. &#8220;Dai a import\u00e2ncia desse projeto: precisamos resgatar a diversidade desse passado.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Alexander Kellner <\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/29\/151229204732_brasileiros_antartica_5_640x360_alexanderkellner_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><span class=\"media-caption__text\">Ant\u00e1rtica teve &#8216;vida&#8217; no passado, quando temperatura era mais amena; hoje, poucas esp\u00e9cies conseguem sobreviver na regi\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dificuldades<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que escavar na Ant\u00e1rtica n\u00e3o \u00e9 tarefa das mais f\u00e1ceis. A log\u00edstica necess\u00e1ria para trabalhar em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o in\u00f3spitas acaba encarecendo demais as opera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o grupo de Kellner levou quase nove anos para conseguir voltar. Em compensa\u00e7\u00e3o, desta vez, ele assegurou tamb\u00e9m uma expedi\u00e7\u00e3o para o ano que vem. O objetivo, claro, \u00e9 conseguir trazer de volta o maior n\u00famero de f\u00f3sseis poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer projeto na Ant\u00e1rtica \u00e9 car\u00edssimo&#8221;, atesta Kellner. &#8220;Se for no continente, \u00e9 dez vezes mais caro.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Alexander Kellner\u00a0<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/29\/151229205217_brasileiros_antartica_6_640x360_alexanderkellner_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><span class=\"media-caption__text\"> Expedi\u00e7\u00e3o de cientistas brasileiros voltar\u00e1 \u00e0 Ant\u00e1rtica agora no ver\u00e3o para continuar a pesquisa <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grupo de Kellner vai voltar \u00e0 ilha de James Ross &#8211; mesmo lugar onde esteve no ver\u00e3o de 2007. A ilha fica na Pen\u00ednsula, mas \u00e9 distante da ilha Rei George, onde fica a Esta\u00e7\u00e3o Brasileira. Por isso, o grupo do paleont\u00f3logo (formado por 7 pesquisadores e 2 alpinistas) ficar\u00e1 acampado em James Ross, durante 45 dias. E est\u00e1 levando nada menos que sete toneladas de equipamentos e mantimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Como as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o sempre complicadas, se, desses 45 dias, conseguirmos trabalhar por 30 dias, seremos muito sortudos&#8221;, diz Kellner. &#8220;Se nevar, n\u00e3o d\u00e1 para trabalhar, temos que ficar dentro da barraca olhando para o teto.&#8221;<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o do acampamento, nesta \u00e9poca do ano &#8211; o ver\u00e3o ant\u00e1rtico &#8211; n\u00e3o h\u00e1 neve. Por isso, os especialistas ir\u00e3o caminhar em busca de afloramentos de f\u00f3sseis e, ent\u00e3o, come\u00e7ar a cavar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/29\/151229204554_brasileiros_antartica_4_640x360_alexanderkellner_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><span class=\"media-caption__text\">Em dias de muita neve, resta \u00e0 equipe ficar na barraca at\u00e9 passar o mau tempo <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos encontrar animais marinhos, peixes, dinossauros&#8221;, diz Kellner. &#8220;Meu sonho seria encontrar um r\u00e9ptil voador, acho que eu choro se acontecer isso&#8221;, acrescenta o paleont\u00f3logo, que tem um xod\u00f3 especial pelos monstrengos alados.<\/p>\n<p>&#8220;Quem sabe dessa forma conseguiremos ter uma ideia de como foi o ver\u00e3o por l\u00e1 h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos&#8221;, diz Kellner, citando o nome do document\u00e1rio que fizeram na primeira expedi\u00e7\u00e3o e ao qual pretendem dar continuidade agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros embarcam neste fim de ano em um desafio e tanto: tentar descobrir como<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34308,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/verao_antartica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores brasileiros embarcam neste fim de ano em um desafio e tanto: tentar descobrir como","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34307"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34307\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}