{"id":34138,"date":"2015-12-28T10:00:57","date_gmt":"2015-12-28T13:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34138"},"modified":"2015-12-27T22:33:44","modified_gmt":"2015-12-28T01:33:44","slug":"israel-recria-e-comercializa-vinhos-que-podem-ter-sido-tomados-por-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/israel-recria-e-comercializa-vinhos-que-podem-ter-sido-tomados-por-jesus\/","title":{"rendered":"Israel recria e comercializa vinhos que podem ter sido tomados por Jesus"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34139\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Jodi Rudoren, do \u2018New York Times\u2019<\/p>\n<p>O novo branco fresco, \u00e1cido e mineral de uma vin\u00edcola de qualidade de Israel envelheceu oito meses \u2013 ou, dependendo de como voc\u00ea prefira olhar para o fato, pelo menos 1.800 anos. O vinho, chamado marawi e lan\u00e7ado em outubro pela Recanati Winery, \u00e9 o primeiro produzido comercialmente pela crescente e moderna ind\u00fastria israelense com uvas locais. Ele nasceu de um projeto inovador da Universidade Ariel na Cisjord\u00e2nia ocupada que tem como foco usar testes de DNA para identificar \u2013 e recriar \u2013 vinhos antigos bebidos por gente como o rei Davi e Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Eliyashiv Drori, en\u00f3logo da Ariel que liderou a pesquisa, seguiu o marawi \u2013 tamb\u00e9m chamado de hamdani \u2013 e as uvas jandali at\u00e9 o ano 220 a.C., baseado em uma refer\u00eancia no Talmude da Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;As nossas escrituras est\u00e3o cheias de vinhos e uvas \u2013 antes dos franceses come\u00e7arem a pensar em fazer vinhos, est\u00e1vamos exportando a bebida. Temos uma identidade muito antiga e, para mim, reconstru\u00ed-la \u00e9 importante. \u00c9 uma quest\u00e3o de orgulho nacional.&#8221;<\/p>\n<p>O redesenvolvimento de castas locais, no entanto \u2013 como tantas coisas nessa terra contestada \u2013 n\u00e3o est\u00e1 livre de fric\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ela vem junto com as novas diretrizes de rotulagem pol\u00eamicas lan\u00e7adas pela Uni\u00e3o Europeia, que exigem que os vinhos da Cisjord\u00e2nia e das Colinas de Gol\u00e3 tenham uma etiqueta dizendo que foram feitos em assentamentos israelenses. E os palestinos t\u00eam suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es de propriedade sobre essas uvas.<\/p>\n<p>Para os produtores de vinho de Israel, a busca por castas novas\/velhas \u00e9 uma oportunidade de distinguir seus produtos em um mercado global competitivo em que eles t\u00eam poucas esperan\u00e7as de ser melhores, por exemplo, do que um chardonnay franc\u00eas. Os arque\u00f3logos e geneticistas est\u00e3o testando novos m\u00e9todos para analisar velhas sementes queimadas. Na luta sem fim entre israelenses e palestinos, \u00e9 uma busca para reafirmar as ra\u00edzes judaicas na terra santa.<\/p>\n<p>Mas a Recanati n\u00e3o \u00e9 a primeira a vender vinho dessas uvas. A Cremisan, uma pequena vin\u00edcola perto de Bel\u00e9m, onde os palestinos s\u00e3o s\u00f3cios de monges italianos, vem usando hamdani, jandali e outras frutas locais desde 2008.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/18304906-6f4-45a\/FT1086A\/420\/WINE_RUDOREN_NSPR_1_1345366.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"384\" \/>Eliyashiv Drori, um en\u00f3logo da Ariel University que lidera a pesquisa para identificar e recriar vinhos em Jerusal\u00e9m &#8211; RINA CASTELNUOVO \/ NYT<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Como sempre acontece com os israelenses, eles declaram que o falafel, o tahini, o tabule, o homus e agora as uvas jandali s\u00e3o produtos de Israel&#8221;, reclama Amer Kardosh, diretor de exporta\u00e7\u00e3o da Cremisan, em um e-mail. &#8220;Gostaria de inform\u00e1-lo que esses tipos de uva s\u00e3o totalmente palestinos e crescem em vinhedos palestinos.&#8221;<\/p>\n<p>Sim, mas as fazendas palestinas que venderam as uvas para a Recanati insistiram em continuar an\u00f4nimas, por medo da rea\u00e7\u00e3o de trabalhar com os israelenses, ou apenas de ajudar a fazer vinho, que geralmente \u00e9 proibido no islamismo. A Recanati, por seu lado, abra\u00e7ou a heran\u00e7a, usando a l\u00edngua \u00e1rabe no r\u00f3tulo do marawi e contratando um cantor \u00e1rabe-israelense para cantar no lan\u00e7amento, em outubro, para 50 sommeliers selecionados.<\/p>\n<p>O viticultor, Ido Lewinsohn, diz que seu produto \u00e9 &#8220;limpo e puro de qualquer influ\u00eancia pol\u00edtica&#8221;, e afirma que as uvas: &#8220;N\u00e3o s\u00e3o israelenses; n\u00e3o s\u00e3o palestinas. Pertencem \u00e0 regi\u00e3o \u2013 e isso \u00e9 algo bonito&#8221;.<\/p>\n<p>Foram descobertos lagares em Israel \u2013 e na Cisjord\u00e2nia \u2013 que datam de tempos b\u00edblicos. Mas a produ\u00e7\u00e3o do vinho se tornou ilegal depois que os mu\u00e7ulmanos conquistaram a terra santa no s\u00e9culo VII. Quando o bar\u00e3o Edmond de Rothschild, sionista de primeira hora e descendente da famosa vin\u00edcola de Bordeaux, ajudou a recome\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o local em 1880, trouxe os frutos da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Hoje, as 350 vin\u00edcolas de Israel produzem 65 milh\u00f5es de garrafas por ano. H\u00e1 tempos o viscoso e doce Manischewitz foi ofuscado por chardonnays, cabernets, merlots, syrahs, carignans e outros de alta qualidade. Mas n\u00e3o h\u00e1 muito para onde ir com as uvas importadas.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o conseguimos criar um DNA para os vinhos israelenses&#8221;, lamenta Haim Gan, dono da Grape Man, uma empresa que defende a cultura vin\u00edcola de Israel.<\/p>\n<p>Drori, que \u00e9 doutor em Agricultura, come\u00e7ou em 2005 uma vin\u00edcola boutique, a Gvaot, perto de sua casa na Cisjord\u00e2nia. Ali, ele percebeu um vinhedo abandonado com uvas brancas pequenas e muito doces que pensou que poderiam resultar em vinhos saborosos.<\/p>\n<p>Com um or\u00e7amento de cerca de US$750 mil, a maior parte do Fundo Nacional Judeu \u2013 uma organiza\u00e7\u00e3o sionista de um s\u00e9culo que ajuda a transformar o cen\u00e1rio da agricultura de Israel \u2013 Drori e uma dezena de colegas identificaram, desde 2011, 120 variedades \u00fanicas de uvas cujos perfis de DNA s\u00e3o distintos de todas as importadas. Cerca de 50 foram domesticadas, conta Drori, e 20 delas s\u00e3o &#8220;adequadas para a produ\u00e7\u00e3o de vinho&#8221;.<\/p>\n<p>Separadamente, pesquisadores identificaram 70 variedades distintas usando DNA e um escaneamento tridimensional, que nunca havia sido utilizado antes dessa forma e com sucesso, de sementes queimadas e secas descobertas em escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas. A ideia \u00e9 comparar essas sementes antigas com as uvas vivas, ou algum dia talvez recriar a fruta como foi feito no filme &#8220;Jurassic Park&#8221;.<\/p>\n<p>Dadas as dificuldades de conseguir as uvas de fazendeiros palestinos, a Recanati produziu apenas 2.480 garrafas de marawi 2014, que est\u00e3o dispon\u00edveis em cerca de dez restaurantes de Tel Aviv. A vin\u00edcola tem perto de quatro mil garrafas de marawi 2015 envelhecendo e espera em breve plantar seu pr\u00f3prio vinhedo para expandir e refinar a marca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/18304905-cd5-b98\/FT1086A\/420\/WINE_RUDOREN_NSPR_3_1345367.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"384\" \/>Yaakov Henig, estudante da Ariel University que ajudou a produzir vinhos com uvas locais &#8211; RINA CASTELNUOVO \/ NYT<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Itay Gleitman, que escreve sobre vinhos para a Haaretz, chamou o marawi de &#8220;o vinho israelense mais importante do ano&#8221;, por sua proced\u00eancia, se n\u00e3o pelo gosto. Ele diz que \u00e9 &#8220;agrad\u00e1vel e f\u00e1cil de beber&#8221; e que &#8220;abre um pouco no copo com aromas suaves de ma\u00e7\u00e3 e p\u00eassego&#8221;. E, se a uva for cultivada especialmente para a vinicultura, tem potencial que &#8220;estimula a imagina\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Publicidade<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo \u00e9 o dabouki, tamb\u00e9m branco, que o conhecido viticultor israelense Avi Feldstein planeja lan\u00e7ar junto com sua nova vin\u00edcola em alguns meses. Dabouki pode ser umas das castas locais mais antigas, um bom candidato para o vinho que encheu o copo de Jesus (que Drori acredita que bebia brancos e tintos).<\/p>\n<p>Feldstein diz que tem cerca de 800 garrafas de cada safra de dabouki 2014 e 2015, uma &#8220;com gosto de castanha&#8221; e a outra &#8220;um pouco tropical&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea \u00e9 um viticultor de verdade, quer expressar um lugar. Sem a regi\u00e3o e a diversifica\u00e7\u00e3o que ela traz, o vinho fica reduzido \u00e0 uma Coca-Cola alco\u00f3lica&#8221;, diz Feldstein.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jodi Rudoren, do \u2018New York Times\u2019 O novo branco fresco, \u00e1cido e mineral de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/vinho_marawi.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Jodi Rudoren, do \u2018New York Times\u2019 O novo branco fresco, \u00e1cido e mineral de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34138"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}