{"id":34006,"date":"2015-12-26T14:05:08","date_gmt":"2015-12-26T17:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34006"},"modified":"2015-12-26T14:08:04","modified_gmt":"2015-12-26T17:08:04","slug":"os-avancos-tecnologicos-vao-mudar-a-economia-global-nos-proximos-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-avancos-tecnologicos-vao-mudar-a-economia-global-nos-proximos-anos\/","title":{"rendered":"\u201cOs avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos v\u00e3o mudar a economia global nos pr\u00f3ximos anos\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"chamada-materia hidden-xs\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/avanco_tec.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34009\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/avanco_tec-300x257.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/avanco_tec-300x257.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/avanco_tec.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em entrevista ao site Look ahead, Espen Barth Eide, diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, fala sobre como conectividade dar\u00e1 forma a 2016<\/h4>\n<p><span class=\"intro\">D<\/span>e acordos comerciais t\u00eanues \u00e0 migra\u00e7\u00e3o em massa, passando por energia e tecnologia. Em entrevista ao site <a href=\"http:\/\/gelookahead.economist.com\/\">Look ahead<\/a>,Espen Barth Eide, diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, afirma que entender a conectividade b\u00e1sica pode ser a chave para compreender suas implica\u00e7\u00f5es e resolver os problemas inerentes a ela.<\/p>\n<p><strong>A Parceria Transpac\u00edfico e a Parceria Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimento est\u00e3o sendo abaladas por pol\u00eamicas, incertezas e preocupa\u00e7\u00f5es com a transpar\u00eancia no processo de negocia\u00e7\u00f5es. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre essas negocia\u00e7\u00f5es e como elas podem afetar a concorr\u00eancia geoestrat\u00e9gica no futuro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide:<\/strong> H\u00e1 sempre a quest\u00e3o de saber se os acordos regionais retiram influ\u00eancia do sistema global. Por enquanto, eles provavelmente ser\u00e3o \u00fateis regionalmente, desde que haja uma vis\u00e3o compartilhada de expandi-los em termos mundiais. Esta \u00e9 uma distin\u00e7\u00e3o importante a se fazer, porque, se desistirmos do sistema global, concordaremos com um n\u00famero de regimes regionais em que a internacionaliza\u00e7\u00e3o continua, mas n\u00e3o a globaliza\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o conceito de uma economia global com servi\u00e7os de com\u00e9rcio aberto a todos pode ser subjugado por blocos regionais. Ainda assim, esse tipo de desenvolvimento \u00e9 positivo e pode apontar o caminho para melhorar os processos, de forma que, eventualmente, eles possam ser replicados em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p><strong>Como os eventos mundiais que d\u00e3o forma a estas e a outras pol\u00edticas transregionais se far\u00e3o sentir de 2016 em diante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide:<\/strong> \u00c9 importante compreender que estes acordos n\u00e3o s\u00e3o apenas sobre pol\u00edticas comerciais, mas sobre postura pol\u00edtica num momento em que o quadro geopol\u00edtico como um todo \u00e9 complicado. Quando a Guerra Fria acabou, junto com ela se foi a ideia de competi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses fortes, e inauguramos uma era de fragilidade e colapso do Estado. Ao longo dos \u00faltimos anos, temos visto um retorno \u00e0 competi\u00e7\u00e3o entre os principais players, como os EUA, a China e a R\u00fassia. N\u00e3o \u00e9 exatamente a Guerra Fria, mas se assemelha a ela pelo fato de termos grandes Estados que realmente funcionam, e de que cada um possui vis\u00f5es muito diferentes de como o mundo dever ser organizado.<\/p>\n<p>Veja o conflito na S\u00edria, que, embora tenha come\u00e7ado naquele pa\u00eds, tornou-se regional, \u00e0 medida que diferentes partes, como o Ir\u00e3, come\u00e7aram a competir pela influ\u00eancia na regi\u00e3o. Agora, adicionamos a R\u00fassia e os Estados Unidos a essa mistura. Tanto a R\u00fassia quanto os EUA est\u00e3o competindo e cooperando porque existe o objetivo comum de reduzir a influ\u00eancia do Estado Isl\u00e2mico, mas cada um tem metas opostas. A competi\u00e7\u00e3o global e o caos regional se re\u00fanem de uma forma dram\u00e1tica na S\u00edria, mas tamb\u00e9m existem conflitos h\u00edbridos envolvendo o que costum\u00e1vamos associar a entidades n\u00e3o estatais, como grupos isl\u00e2micos que se assemelham a Estados. O epicentro est\u00e1 no Oriente M\u00e9dio, mas h\u00e1 ramifica\u00e7\u00f5es em outros lugares.<\/p>\n<p>Esses conflitos s\u00e3o dram\u00e1ticos por si s\u00f3, mas tamb\u00e9m apontam para uma implica\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, de que o poder dos Estados mais influentes foi reduzido. Receio que estamos apenas vendo o in\u00edcio disto. Um aspecto positivo, por\u00e9m, \u00e9 que os principais players podem sentir a necessidade de come\u00e7ar a cooperar entre si. Estamos vendo isso acontecer no acordo com o Ir\u00e3: quando querem, eles ainda s\u00e3o capazes de fazer algo juntos.<\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 que o conflito na S\u00edria reflete uma mudan\u00e7a no equil\u00edbrio geoestrat\u00e9gico que voc\u00ea mencionou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide:<\/strong> O que estamos vendo \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o de tr\u00eas crises distintas, que se conectaram em pelo menos uma maneira surpreendente. Primeiro, h\u00e1 o drama geopol\u00edtico no Iraque, no I\u00eamen, na S\u00edria e no Norte da \u00c1frica, que s\u00f3 pode ser resolvido com solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Mas, no momento, as pessoas est\u00e3o buscando solu\u00e7\u00f5es militares, com nenhum dos lados ganhando ou perdendo. Assim, ele continua. Em segundo lugar, h\u00e1 a crise humanit\u00e1ria, dos refugiados (que j\u00e1 vem acontecendo h\u00e1 alguns anos), em que o n\u00famero de pessoas em movimento est\u00e1 crescendo exponencialmente. A maioria se mudou para pa\u00edses vizinhos muito generosos, como a Turquia e a Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>O que aconteceu durante o ver\u00e3o \u2013 e que talvez tenha a ver com o envolvimento das grandes pot\u00eancias na S\u00edria \u2013 \u00e9 que algumas pessoas nos campos de refugiados n\u00e3o veem um fim para o conflito. Eles n\u00e3o enxergam nenhum motivo para esperar, porque querem continuar com suas vidas. Isso leva \u00e0 terceira crise, j\u00e1 existente, que \u00e9 a de identidade do projeto europeu. Antes, ele tinha uma dimens\u00e3o Norte-Sul, mas agora \u00e9 um problema generalizado sobre a capacidade de lidar com a situa\u00e7\u00e3o de uma forma coletiva. Cada pa\u00eds tem sua pr\u00f3pria pol\u00edtica e suas diretrizes arraigadas sobre como lidar com o problema. Assim, por causa dos refugiados, a crise pol\u00edtica na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica se levanta para atingir a Europa de uma forma significativa. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resolver essas crises sem entender que elas est\u00e3o conectadas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea esse tipo de conectividade se desenrolar de 2016 em diante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide:<\/strong> As pessoas tentar\u00e3o se mudar, se acharem que outros lugares s\u00e3o mais receptivos ou mais f\u00e1ceis de viver. N\u00e3o se trata apenas de pol\u00edtica e da guerra, mas tamb\u00e9m da escassez de recursos naturais e do aquecimento global. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas, as consequ\u00eancias de agora, por exemplo, pessoas se mudando, podem ter efeitos ambientais depois, quando os recursos forem reduzidos. Mas nem tudo \u00e9 sombrio. Acredita-se que os mercados de trabalho nos pa\u00edses que est\u00e3o recebendo essas pessoas sejam impulsionados. Na prepara\u00e7\u00e3o para a reuni\u00e3o anual do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial estamos tentando visualizar o debate sob uma nova luz e explorar como os atores p\u00fablicos e privados podem gerenciar a crise dos refugiados e tirar algum benef\u00edcio desse aumento populacional.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea prev\u00ea a tecnologia influenciando a paisagem geoestrat\u00e9gica em um futuro pr\u00f3ximo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide: <\/strong>Ela influencia tudo, \u00e9 o que chamamos de a quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos est\u00e3o trazendo novas oportunidades e desafios. Al\u00e9m disso, v\u00e3o mudar a economia global de uma maneira fundamental nos pr\u00f3ximos anos. Por exemplo, as ferramentas para a fabrica\u00e7\u00e3o ser\u00e3o muito diferentes e podem chegar a um n\u00edvel de automa\u00e7\u00e3o que anula os argumentos de buscar trabalho pouco remunerado. Isso poderia levar a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos de volta aos pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p><strong>Dadas as recentes negocia\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em Paris, quais s\u00e3o os principais desenvolvimentos energ\u00e9ticos que voc\u00ea espera ver em 2016?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espen Barth Eide:<\/strong> Na prepara\u00e7\u00e3o para a confer\u00eancia do clima em Paris, vimos uma grande onda de compromissos por parte de governos e empresas para tomar medidas decisivas no combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Boa parte do consenso j\u00e1 alcan\u00e7ado por meio de grupos de stakeholders e diferentes ind\u00fastrias est\u00e1 proporcionando um dinamismo que \u00e9 um bom pren\u00fancio para a implementa\u00e7\u00e3o de quaisquer resultados obtidos na reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>CEOs de 78 empresas \u2013 uma coliga\u00e7\u00e3o intersetorial apoiada pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, que inclui os setores banc\u00e1rio, industrial, da constru\u00e7\u00e3o e energ\u00e9tico \u2013 fizeram uma \u201coferta aberta\u201d aos governos para coprojetarem solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas antes da Confer\u00eancia da ONU sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP21), em Paris. Elas incluem: precifica\u00e7\u00e3o do carbono expl\u00edcita ou impl\u00edcita; inova\u00e7\u00e3o em fontes de energia alternativas e renov\u00e1veis, efici\u00eancia energ\u00e9tica e um fim ao desmatamento; maior divulga\u00e7\u00e3o corporativa de riscos de carbono; e que o governo estabele\u00e7a metas globais e nacionais de base cient\u00edfica para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>A chave para uma a\u00e7\u00e3o continuada em compromissos como esses \u00e9 a colabora\u00e7\u00e3o entre governo e empresas. As metas clim\u00e1ticas n\u00e3o podem ser alcan\u00e7adas apenas por um ou outro; a a\u00e7\u00e3o coletiva e colaborativa \u00e9 fundamental para fornecer solu\u00e7\u00f5es com rapidez.<\/p>\n<p>Fonte: Revista Galileu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao site Look ahead, Espen Barth Eide, diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, fala<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em entrevista ao site Look ahead, Espen Barth Eide, diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, fala","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34006"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}