{"id":33975,"date":"2015-12-26T09:28:16","date_gmt":"2015-12-26T12:28:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33975"},"modified":"2015-12-26T09:28:16","modified_gmt":"2015-12-26T12:28:16","slug":"cientistas-tentam-trazer-de-volta-especie-de-tartaruga-extinta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-tentam-trazer-de-volta-especie-de-tartaruga-extinta\/","title":{"rendered":"Cientistas tentam trazer de volta esp\u00e9cie de tartaruga extinta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33976\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O p\u00e1ssaro dod\u00f4 est\u00e1 morto. O pombo-passageiro faleceu. J\u00e1 o George, o Solit\u00e1rio, famosa tartaruga das Gal\u00e1pagos cuja morte marcou o fim de sua esp\u00e9cie, teve sorte p\u00f3s-morte.<\/p>\n<p>Uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica descobriu alguns de seus parentes pr\u00f3ximos vivos e bem. Com uma reprodu\u00e7\u00e3o cuidadosa, bi\u00f3logos agora esperam reviver a esp\u00e9cie de George e reintroduzir as tartarugas na ilha em que evolu\u00edram.<\/p>\n<p>Seria uma conquista not\u00e1vel em um lugar que inspirou nossa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que originalmente existiam pelo menos oito esp\u00e9cies de tartarugas nas Gal\u00e1pagos; uma foi descoberta neste ano. Pelo menos tr\u00eas esp\u00e9cies est\u00e3o extintas, incluindo as da ilha Pinta. A \u00faltima, George, foi descoberta vagando sozinha em 1972 e levada em amorosa cust\u00f3dia. Sua morte, em 2012, com mais de cem anos de idade, foi um lembrete poderoso do caos provocado pelos humanos em ecossistemas delicados pelo mundo afora ao longo dos dois \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de tartarugas despencou de mais de 250 mil no s\u00e9culo 16 para menos de tr\u00eas mil na d\u00e9cada de 1970. No s\u00e9culo 19, baleeiros, piratas e outros marujos pegavam os animais de suas ilhas nativas para utiliz\u00e1-los como lastro e alimento em viagens longas. As tartarugas podem viver no por\u00e3o de um navio por mais de um ano sem comida nem \u00e1gua, fazendo delas escolhas perfeitas para as &#8220;quentinhas&#8221;.<\/p>\n<p>Existem dois tipos de tartarugas das Gal\u00e1pagos: as com carapa\u00e7as com formato de sela e as de domo. Os marinheiros preferiam as primeiras, que eram mais f\u00e1ceis de arrastar e teriam sabor melhor. Tamb\u00e9m eram mais f\u00e1ceis de achar: as tartarugas de domo vivem em eleva\u00e7\u00f5es altas e podem pesar 70 quilos. As de sela evolu\u00edram em eleva\u00e7\u00f5es menores e se alimentam de vegeta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n<p>A tartaruga de carapa\u00e7a de sela desapareceu das ilhas de Santa F\u00e9 e Floreana, local preferido por marujos que endere\u00e7avam cartas para outros navios levarem para casa. Com a morte de George, tamb\u00e9m sumiram as da ilha Pinta.<\/p>\n<p>Contudo, agora a hist\u00f3ria das tartarugas extintas de Gal\u00e1pagos sofreu uma reviravolta estranha, oferecendo esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, marinheiros jogavam as tartarugas de sela que n\u00e3o precisavam na Ba\u00eda Banks, arredores do vulc\u00e3o Wolf na ilha Isabela. Por sorte, as tartarugas conseguem esticar o pesco\u00e7o acima da \u00e1gua e flutuar de costas. Muitas delas chegaram \u00e0 praia, se arrastaram pelos campos de lava e cruzaram com as tartarugas de domo nativas de Isabela.<\/p>\n<p>Em 2008, cientistas etiquetaram e coletaram amostras de sangue de mais de 1.600 tartarugas que moram na encosta do vulc\u00e3o. No laborat\u00f3rio, fizeram uma descoberta: 89 animais eram em parte de Floreana, cujo perfil gen\u00e9tico completo de DNA foi obtido de amostras do museu.<\/p>\n<p>Algumas tinham genes indicando que seus pais foram tartarugas vivas da ra\u00e7a pura de Floreana, indicando que a esp\u00e9cie talvez n\u00e3o esteja extinta.<\/p>\n<p>Constatou-se que 17 tartarugas tinham n\u00edveis elevados de DNA de Pinta. As tartarugas podem viver mais de 150 anos, ent\u00e3o algumas delas podem ser parentes pr\u00f3ximos de George.<\/p>\n<p>Na semana passada, os cientistas foram atr\u00e1s delas. O plano era capturar e separar tartarugas com n\u00edveis elevados de DNA das ilhas Pinta e Floreana e, a seguir, produzir animais geneticamente mais pr\u00f3ximos das esp\u00e9cies originais.<\/p>\n<p>Em algumas gera\u00e7\u00f5es, seria poss\u00edvel obter tartarugas com 95 por cento dos genes dos ancestrais &#8220;perdidos&#8221;, avaliaram os cientistas.<\/p>\n<p>&#8220;O tamanho dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 surpreendente. Estou otimista de que alguns desses animais ter\u00e3o um elevado valor de conserva\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Adalgisa Caccone, cientista da Universidade de Yale e geneticista da expedi\u00e7\u00e3o, a respeito das tartarugas de Wolf.<\/p>\n<p>A gen\u00e9tica \u00e9 cada vez mais um componente essencial na gest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito mundial, declarou Linda Cayot, consultora cient\u00edfica da Galapagos Conservancy, que ajudou a patrocinar a expedi\u00e7\u00e3o com o Servi\u00e7o do Parque Nacional das Gal\u00e1pagos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, &#8220;essa \u00e9 a primeira vez que a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica foi usada de forma t\u00e3o determinante&#8221;, disse ela, no sentido de administrar uma esp\u00e9cie e seu ambiente.<\/p>\n<p>Com a reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro e sorte, novas popula\u00e7\u00f5es de tartarugas poderiam ser soltas nas ilhas Pinta e Floreana dentro de cinco a dez anos, ajudando a restaurar seus ecossistemas perdidos, disse Linda. Como as tartarugas caminham pr\u00f3ximas ao ch\u00e3o, elas espalham sementes e outros nutrientes que mant\u00e9m a terra saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o ao vulc\u00e3o Wolf ocorreu nos \u00faltimos dez dias de novembro sob a dire\u00e7\u00e3o de James P. Gibbs, professor de conserva\u00e7\u00e3o de vertebrados da Universidade Estadual de Nova York, campus de Syracuse. Nove equipes de tr\u00eas pessoas foram empregadas em uma \u00e1rea de 50 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>Foi uma jornada dura, com lava afiada feito navalha debaixo dos p\u00e9s, al\u00e9m de carrapatos e vespas em todo canto.<\/p>\n<p>As equipes estavam procurando tartarugas de sela mais proeminentes: carapa\u00e7as elevadas na frente, como uma sela de montar, para acomodar o pesco\u00e7o extremamente longo dos animais para comer os altos cactos. A esperan\u00e7a \u00e9 de que animais com os cascos caracter\u00edsticos tenham os n\u00edveis mais elevados de DNA das ilhas Pinta e Floreana.<\/p>\n<p>Duas equipes encontraram pontos de concentra\u00e7\u00e3o de selas na parte sul da \u00e1rea de busca com vegeta\u00e7\u00e3o rasteira seca, disse Gibbs. Os melhores esp\u00e9cimes foram capturados relativamente pr\u00f3ximos um do outro.<\/p>\n<p>Segundo Gibbs, o padr\u00e3o \u00e9 not\u00e1vel. Ap\u00f3s serem descartadas na Ba\u00eda Banks h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, as selas n\u00e3o se deslocaram mais do que alguns quil\u00f4metros. Elas acharam comida e \u00e1gua, ent\u00e3o por que se mexer?<\/p>\n<p>Ao todo, a expedi\u00e7\u00e3o encontrou mais de cem tartarugas gigantes que apresentam a sela caracter\u00edstica de George. Quando a equipe capturava uma tartaruga com a sela ideal, o navio da expedi\u00e7\u00e3o ancorado na ba\u00eda era chamado. Em uma rede de carga, o animal era transportado de helic\u00f3ptero.<\/p>\n<p>Os cientistas levaram as 32 tartarugas com as melhores selas para um centro de reprodu\u00e7\u00e3o na ilha de Santa Cruz. Entre elas, estavam 21 f\u00eameas e 11 machos, todos pesando entre 45 e 140 quilos. De acordo com Gibbs, a maioria aparenta ter entre 30 e 40 anos, embora algumas pudessem ser muito mais velhas.<\/p>\n<p>Sete dos animais etiquetados e analisados em 2008 foram encontrados &#8212; um macho e uma f\u00eamea com DNA da Pinta, e um macho e quatro f\u00eameas com genes da Floreana. &#8220;Estamos planejando voltar no ano que vem para procurar mais&#8221;, explicou Gibbs.<\/p>\n<p>Agora, as f\u00eameas est\u00e3o abrigadas no cercado de George, o Solit\u00e1rio. Os machos ficam ao lado, em um reservado para turistas.<\/p>\n<p>&#8220;Os animais est\u00e3o muito ocupados, muito felizes, explorando e se mostrando agressivos. Os machos se apoiam em tr\u00eas patas, elevam os pesco\u00e7os ao m\u00e1ximo e silvam um para o outro&#8221;, disse Adalgisa.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa \u00e9 analisar o DNA de cada tartaruga para separar as duas esp\u00e9cies e achar aqueles com os ancestrais menos misturados. A seguir, o programa de reprodu\u00e7\u00e3o pode come\u00e7ar.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tiver o dinheiro e o pessoal, vai demorar um m\u00eas&#8221; para fazer a an\u00e1lise, disse Adalgisa, observando o or\u00e7amento apertado da expedi\u00e7\u00e3o. Realisticamente, pode demorar um ano ou mais.<\/p>\n<p>Um dos machos \u00e9 s\u00f3sia de George, o Solit\u00e1rio, disse Elizabeth Hunter, pesquisadora p\u00f3s-doutoranda da expedi\u00e7\u00e3o da Universidade da Ge\u00f3rgia. Quando foi capturado, fez uma pose cl\u00e1ssica de George.<\/p>\n<p>Agora, ele est\u00e1 se exibindo para os turistas, igualzinho ao velho George.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O p\u00e1ssaro dod\u00f4 est\u00e1 morto. O pombo-passageiro faleceu. J\u00e1 o George, o Solit\u00e1rio, famosa tartaruga<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33976,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/tartaruga_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O p\u00e1ssaro dod\u00f4 est\u00e1 morto. O pombo-passageiro faleceu. J\u00e1 o George, o Solit\u00e1rio, famosa tartaruga","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33975"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33975\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}