{"id":33894,"date":"2015-12-24T14:00:30","date_gmt":"2015-12-24T17:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33894"},"modified":"2015-12-24T08:32:49","modified_gmt":"2015-12-24T11:32:49","slug":"extincao-de-animais-pode-agravar-efeito-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/extincao-de-animais-pode-agravar-efeito-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o de animais frug\u00edvoros pode agravar efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33895\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A extin\u00e7\u00e3o de animais frug\u00edvoros, que se alimentam sobretudo de frutos, como antas, cutias e muriquis poder\u00e1 comprometer a capacidade das florestas tropicais de absorver di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>) da atmosfera. Isso porque a extin\u00e7\u00e3o desses animais capazes de dispersar sementes de frutos grandes mudaria a composi\u00e7\u00e3o das florestas, afetando seu potencial para combater altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. A rela\u00e7\u00e3o foi observada por um grupo de pesquisadores de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es brasileiras e internacionais sob coordena\u00e7\u00e3o do bi\u00f3logo brasileiro Mauro Galetti e sua orientanda de doutorado, Carolina Bello, ambos do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, interior de S\u00e3o Paulo. Em um artigo publicado nesta sexta-feira, 18, na revista <em>Science Advances<\/em>, eles relacionam a composi\u00e7\u00e3o e a abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies de \u00e1rvores, bem como o tipo de dispers\u00e3o de suas sementes, \u00e0 padr\u00f5es de dureza da madeira e altura. Essa \u00e9 uma maneira de medir o quanto uma \u00e1rvore pode estocar carbono.<\/p>\n<p>Os pesquisadores estimaram a perda da capacidade de estoque de CO<sub>2<\/sub> na Mata Atl\u00e2ntica a partir de diferentes cen\u00e1rios de defauna\u00e7\u00e3o, como \u00e9 conhecida a diminui\u00e7\u00e3o acentuada da popula\u00e7\u00e3o de animais em um ecossistema, em geral induzida por atividades humanas como desmatamento e ca\u00e7a ilegal. Ao simular a extin\u00e7\u00e3o local de \u00e1rvores que dependem da dispers\u00e3o de suas sementes por grandes frug\u00edvoros na Mata Atl\u00e2ntica, os pesquisadores verificaram que a defauna\u00e7\u00e3o comprometeria significativamente a capacidade de armazenamento de CO<sub>2<\/sub> pela floresta. Esses animais, h\u00e1 algum tempo se sabe, cumprem fun\u00e7\u00f5es importantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas, seja por polinizar as flores ou por comer os frutos e dispersar as sementes, favorecendo a regenera\u00e7\u00e3o natural das florestas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Miguel-Rangel-Jr-Flickr-200x300.jpg?477407\" alt=\"XXXX\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A extin\u00e7\u00e3o de animais que se alimentam sobretudo de frutos, como os muriquis, poder\u00e1 comprometer a capacidade das florestas tropicais de absorver CO<sub>2<\/sub>\u00a0da atmosfera<\/p>\n<p>No estudo, a equipe de Galetti observou que \u00e1rvores com troncos grandes e duros t\u00eam sementes igualmente grandes. Logo, quanto maior a semente, tanto maior ser\u00e1 a \u00e1rvore. \u00c1rvores grandes, por sua vez, s\u00e3o capazes de sequestrar e armazenar maiores quantidades de carbono. Por meio de simula\u00e7\u00f5es computacionais, os pesquisadores verificaram que \u00e0 medida que dispersores de sementes grandes eram progressivamente extintos, tamb\u00e9m as \u00e1rvores grandes tornavam-se menos abundantes. Em outras palavras, na aus\u00eancia de antas, bugios e muriquis, a floresta mudava para uma composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de \u00e1rvores de sementes pequenas e madeira \u201cmole\u201d. Com o tempo, segundo eles, a tend\u00eancia \u00e9 que somente as sementes menores sejam encontradas na natureza, em um efeito cascata induzido pela a\u00e7\u00e3o humana que pode desencadear mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas significativas. \u201cAs sementes de canelas, jatob\u00e1s e ma\u00e7arandubas, por exemplo, s\u00e3o grandes e dispersadas apenas por animais grandes, como antas e muriquis\u201d, diz Galetti. \u201cEssas \u00e1rvores s\u00e3o as de madeira mais nobre e as que estocam mais carbono\u201d, explica.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um dos mais degradados ecossistemas brasileiros, do qual restam, segundo algumas estimativas, aproximadamente 12% da cobertura original \u2013 mais de 80% da vegeta\u00e7\u00e3o remanescente encontra-se altamente fragmentada em \u00e1reas com menos de 50 hectares. De acordo com os pesquisadores, o mesmo racioc\u00ednio que eles aplicaram \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica pode ser extrapolado para outros ambientes, como o amaz\u00f4nico, cujas esp\u00e9cies de \u00e1rvores que ret\u00eam at\u00e9 50% de CO<sub>2<\/sub> da atmosfera dependem em grande medida da dispers\u00e3o das sementes por frug\u00edvoros de grande porte. Segundo eles, os resultados ressaltam a import\u00e2ncia de se considerar os animais como parte fundamental no processo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa por meio do armazenamento de carbono em florestas tropicais.<\/p>\n<p><strong>Projeto<br \/>\n<\/strong>Ligando defauna\u00e7\u00e3o e os servi\u00e7os de ecossistemas de armazenamento de carbono em florestas atl\u00e2nticas (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/152840\/ligando-defaunacao-e-os-servicos-de-ecossistemas-de-armazenamento-de-carbono-em-florestas-atlanticas\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2013\/22492-2<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Bolsa no pa\u00eds \u2014 doutorado; <strong>Pesquisador<\/strong> <strong>respons\u00e1vel<\/strong> Mauro Galetti Rodrigues (Unesp); <strong>Bolsista<\/strong> Laura Carolina Bello Lozano (Unesp); Investimento R$ 140.088,00 (FAPESP)<\/p>\n<p><em>Artigo cient\u00edfico<br \/>\n<\/em>BELLO, C. <em>et al<\/em>. <a href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/1\/11\/e1501105\" target=\"_blank\">Defaunation affects carbon storage in tropical forests<\/a>. <strong>Science <\/strong><strong>Advances<\/strong>. dez. 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A extin\u00e7\u00e3o de animais frug\u00edvoros, que se alimentam sobretudo de frutos, como antas, cutias e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33895,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/animais_fugitivos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A extin\u00e7\u00e3o de animais frug\u00edvoros, que se alimentam sobretudo de frutos, como antas, cutias e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33894"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}