{"id":33870,"date":"2015-12-24T08:00:45","date_gmt":"2015-12-24T11:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33870"},"modified":"2015-12-24T08:26:02","modified_gmt":"2015-12-24T11:26:02","slug":"os-novos-casos-de-animais-que-engravidam-mesmo-sem-acasalar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-novos-casos-de-animais-que-engravidam-mesmo-sem-acasalar\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a os novos casos de animais que engravidam mesmo sem acasalar"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/lagarto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33871\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/lagarto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/lagarto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/lagarto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A partenog\u00eanese, o fen\u00f4meno dos partos virgens no mundo animal, j\u00e1 \u00e9 conhecida. Alguns s\u00e3o assexuados e n\u00e3o precisam de machos para engravidar (algumas esp\u00e9cies de lagarto, por exemplo).<\/p>\n<p>Mas o que costuma chamar mais a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os casos de animais de esp\u00e9cies que normalmente se acasalam. E quatro novas inst\u00e2ncias foram descobertas em 2015.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Bicho-pau<\/h2>\n<p>F\u00eameas dessa esp\u00e9cie australiana de inseto v\u00e3o se acasalar quando lhes convier. Elas tamb\u00e9m desenvolveram m\u00e9todos para repelir machos para que tamb\u00e9m possam de reproduzir sem interfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Um estudo publicado pela revista cient\u00edfica especializada <i>Animal Behaviour, <\/i>em mar\u00e7o, sugeriu que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de escassez de machos que determina a partenog\u00eanese no bicho-pau, mas que o ato sexual pode ser sofrido para as f\u00eameas. Por isso, algumas desenvolveram m\u00e9todos para l\u00e1 de criativos para fugir de machos mais cheios de libido.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Alamy<\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/21\/151221134616_parto_bicho_640x360_alamy_nocredit.jpg\" alt=\"Alamy\" width=\"636\" height=\"358\" \/><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Para o bicho-pau australiano, &#8220;ass\u00e9dio sexual&#8221; levou \u00e0 partenog\u00eanese <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Elas podem exalar um cheiro &#8220;antiafrodis\u00edaco&#8221;, que desestimularia tentativas de acasalamento. Para lidar com machos insistentes, as f\u00eameas do bicho-pau simplesmente d\u00e3o chutes nos pretendentes.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas f\u00eameas conseguiram deixar de ser atraentes para machos depois de se reproduzirem de forma partenog\u00eanica e essas f\u00eameas continuando a procriar especificamente desta maneira&#8221;, diz o estudo.<\/p>\n<p>Toda a cria de partenog\u00eanese \u00e9 f\u00eamea, o que pode provocar um grave desequil\u00edbrio populacional caso as f\u00eameas sigam em &#8220;carreira solo&#8221;. Mas os pesquisadores contam que machos ainda conseguem subjugar f\u00eameas mais do que serem derrotados.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cobras<\/h2>\n<p>A partenog\u00eanese j\u00e1 foi detectada em diversas esp\u00e9cies de cobras criadas em cativeiro, mas durante muito tempo acreditou-se que se tratava de algo que f\u00eameas faziam quando n\u00e3o havia machos por perto.<\/p>\n<p>Em 2012, por\u00e9m, o pesquisador Warren Booth, da Universidade de Tulsa (EUA), descobriu duas ninhadas selvagens de uma esp\u00e9cie de v\u00edboras tinham nascido por partenog\u00eanese.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que houve documenta\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno em cobras selvagens e que tinham suposto acesso a machos. Uma das cobras sobreviveu e tamb\u00e9m deu cria meses mais tarde.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Kyle Shepherd<\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/21\/151221134714_parto_cobra_640x360_kyleshepherd_nocredit.jpg\" alt=\"Kyle Shepherd\" width=\"636\" height=\"358\" \/><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Esta cobra nasceu de um &#8220;parto virgem&#8221; <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2015, outra equipe de pesquisadores descobriu outra ocorr\u00eancia entre v\u00edboras. Mas os filhotes n\u00e3o sobreviveram, o que sugere que a partenog\u00eanese n\u00e3o \u00e9 a forma ideal de reprodu\u00e7\u00e3o. &#8220;Essas cobras s\u00e3o metade clonadas de suas m\u00e3es, o que a faz delas altamente inatas. A partenog\u00eanese causa muita mortalidade e falta de desenvolvimento&#8221;, explica um dos autores do estudo, Mark Jordan, da Universidade Purdue, tamb\u00e9m nos EUA.<\/p>\n<p>Jordan, por\u00e9m, diz ter evid\u00eancias de como essa forma de reprodu\u00e7\u00e3o tem sido fundamental para a biologia das v\u00edboras. &#8220;\u00c9 um recurso que as f\u00eameas podem usar periodicamente, em situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o h\u00e1 machos por perto, em que as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o pequenas ou quando as cobras est\u00e3o mudando de habitat&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Peixe-serra<\/h2>\n<p>O ano de 2015 marcou a primeira ocorr\u00eancia de um &#8220;parto virgem&#8221; em vertebrados selvagens que nunca tinham sido aprisionados. O animal em quest\u00e3o \u00e9 o peixe-serra de dentes pequenos, que nunca tinha sido documentado praticando a partenog\u00eanese.<\/p>\n<p>Partos virgens j\u00e1 tinham sido vistos em tubar\u00f5es, que s\u00e3o &#8220;parentes&#8221; dos peixes-serra, mas apenas em esp\u00e9cimes cativos. \u00c9 atrav\u00e9s de testes gen\u00e9ticos que se detecta a partenog\u00eanese. Segundo um trabalho publicado no <i>Current Biology<\/i> em junho, pelo menos sete exemplares saud\u00e1veis foram identificados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">RD Grubbs<\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/21\/151221135133_parto_serra_640x360_rdgrubbs_nocredit.jpg\" alt=\"RD Grubbs\" width=\"633\" height=\"356\" \/><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Assim como tubar\u00f5es, peixes-serra tamb\u00e9m recorrem \u00e0 partenog\u00eanese <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>A descoberta ocorreu por acaso: popula\u00e7\u00f5es de peixe-serra est\u00e3o diminuindo, e bi\u00f3logos marinhos est\u00e3o estudando geneticamente suas popula\u00e7\u00f5es para entender a consequ\u00eancia das amea\u00e7as de extin\u00e7\u00e3o. Os filhotes descobertos eram saud\u00e1veis e seguiam crescendo. O que os pesquisadores ainda n\u00e3o sabem \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a partenog\u00eanese ocorreu entre os peixes.<\/p>\n<p>Especulam que pode ser uma estrat\u00e9gia para contrabalan\u00e7ar baixos n\u00edveis populacionais. &#8220;Se elas n\u00e3o encontram machos, \u00e9 poss\u00edvel que o mecanismo seja acionado como um \u00faltimo esfor\u00e7o&#8221;, explica Kevin Feldheim, do Museu Field de Hist\u00f3ria Natural de Chicago.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Lagartos<\/h2>\n<p>Lagartos n\u00e3o deveriam estar nessa lista porque j\u00e1 se sabe que s\u00e3o esp\u00e9cies com partos virgens e assexuados. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira sen\u00e3o se reproduzir sozinho.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria \u00e9 mais complicada: o <i>Journal of Herpetology<\/i> publicou em agosto um estudo revelando haver machos em uma esp\u00e9cie supostamente toda feminina. Oito lagartos tegu de Miller machos foram descobertos entre 192 adultos encontrados em 34 diferentes loca\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que um macho desta esp\u00e9cie foi encontrado, e isso sugere que os tegu tamb\u00e9m se reproduzem de forma sexual. No entanto, um dos cientistas respons\u00e1veis pela descoberta, o brasileiro S\u00e9rgio Marques de Souza, da USP, conta que as f\u00eameas partenog\u00eanicas n\u00e3o parecem mudar de comportamento.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span> <span class=\"story-image-copyright\">Sergio Marques de Souza<\/span> <\/span><figcaption class=\"media-caption\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/12\/21\/151221134043_parto_lagarto_640x360_sergiomarquesdesouza_nocredit.jpg\" alt=\"Sergio Marques de Souza\" width=\"638\" height=\"359\" \/><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Oito machos do lagarto tegu de Miller foram encontrados na Am\u00e9rica do Sul <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>A exist\u00eancia de machos, por\u00e9m, oferece pistas sobre a origem dos partos virgens entre os tegus. Acredita-se que a partenog\u00eanese ocorra em lagartos por meio da hibridiza\u00e7\u00e3o &#8211; quando duas esp\u00e9cies relacionadas se acasalam, resultando em uma nova. Todas as crias desses h\u00edbridos s\u00e3o f\u00eameas. A descoberta dos machos sugere que a partenog\u00eanese possa ter surgido de press\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Souza diz ainda que an\u00e1lises revelaram que os tegus estariam praticando a partenog\u00eanese h\u00e1 pelo menos 4 milh\u00f5es de anos. &#8220;Isso contraria estudos anteriores que prop\u00f5em a tese de que organismos partenog\u00eanicos t\u00eam baixa varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e pouco sucesso evolucion\u00e1rio&#8221;, diz o cientista brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partenog\u00eanese, o fen\u00f4meno dos partos virgens no mundo animal, j\u00e1 \u00e9 conhecida. 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