{"id":33809,"date":"2015-12-22T16:00:13","date_gmt":"2015-12-22T19:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33809"},"modified":"2015-12-21T22:25:33","modified_gmt":"2015-12-22T01:25:33","slug":"brasileira-na-nasa-cria-projeto-para-estimular-interesse-de-criancas-pela-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasileira-na-nasa-cria-projeto-para-estimular-interesse-de-criancas-pela-ciencia\/","title":{"rendered":"Brasileira na Nasa cria projeto para estimular interesse de crian\u00e7as pela ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33810\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Fazer uma borboleta era o desafio autoimposto \u00e0 aluna de 12 anos de um modesto col\u00e9gio de freiras no sub\u00farbio de Br\u00e1s de Pina, no <strong><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/rio-de-janeiro\">Rio de Janeiro<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O professor de ci\u00eancias havia explicado naquela tarde como uma lagarta virava uma borboleta. Disposta a testar a ideia, a menina colocou um casulo dentro de um vidro de maionese, fez uns furinhos na tampa e esperou. Nasceu uma borboleta, como dissera o professor. Mas ela tinha as asas amassadas e n\u00e3o conseguia voar.<\/p>\n<p>Arrasada, a menina cobrou explica\u00e7\u00f5es do professor. &#8220;Eu n\u00e3o sei o que aconteceu&#8221;, ele disse. &#8220;Mas talvez tenha faltado \u00e1gua&#8221;, arriscou.<\/p>\n<p>Ela arrumou outro casulo no quintal e o depositou com cuidado no vidro de maionese. Colocou um pouco de \u00e1gua l\u00e1 dentro e, ai sim, fechou com a tampa furada.<\/p>\n<p>&#8220;Deu certo, eu consegui fazer uma borboleta&#8221;, conta Du\u00edlia de Mello. &#8220;Eu n\u00e3o duvidei da palavra dele, nem aceitei: eu fui l\u00e1, testei e consegui provar. Acho que foi a primeira vez que a minha curiosidade cient\u00edfica foi despertada&#8221;, conta ela que, hoje, aos 50 anos, \u00e9 astrof\u00edsica da Nasa, a ag\u00eancia espacial americana.<\/p>\n<p>Nada mal para a menina de origem humilde, nascida em Jundia\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo, e criada no sub\u00farbio do Rio por um pai alco\u00f3latra e uma m\u00e3e zelosa.<\/p>\n<p>Agora, para que cada vez mais crian\u00e7as consigam superar as adversidades e se interessar por carreiras cient\u00edficas, Duilia est\u00e1 criando a ONG Mulher das Estrelas (http:\/\/mulherdasestrelas.com), reunindo uma rede de mentores de diferentes especialidades, como f\u00edsica, matem\u00e1tica e rob\u00f3tica.<\/p>\n<p>A astr\u00f4noma j\u00e1 conta com a ajuda de 20 profissionais. A ideia \u00e9 estimular a cria\u00e7\u00e3o de clubes de ci\u00eancias e as competi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas entre as escolas, com a curadoria \u00e0 dist\u00e2ncia desses especialistas, para fazer com que crian\u00e7as de origem pobre por todo o Brasil possam ganhar asas e mirar estrelas.<\/p>\n<p>&#8220;Quero poder ajudar \u00e0s pessoas que n\u00e3o tiveram tanta sorte quanto eu, ou que n\u00e3o tiveram uma m\u00e3e t\u00e3o empenhada como a minha&#8221;, diz ela, em entrevista por telefone, de Washington.<\/p>\n<p>Informalmente, ela afirma j\u00e1 fazer essa esp\u00e9cie de mentoria \u00e0 dist\u00e2ncia. &#8220;Muitos desses estudantes me acham na internet, me mandam mensagens. Eu respondo a todas elas, explico como \u00e9 a profiss\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h3>Perdidos no Espa\u00e7o<\/h3>\n<p>J\u00e1 na pr\u00e9-adolesc\u00eancia Du\u00edlia foi fisgada pelo fasc\u00ednio da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Era f\u00e3 de Jornada nas Estrelas e Perdidos no Espa\u00e7o, cl\u00e1ssicos da televis\u00e3o dos anos 60.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre fui apaixonada pelo Universo e, desde pequena, queria entender como ele funcionava t\u00e3o bem sendo t\u00e3o complexo&#8221;, contou.<\/p>\n<p>&#8220;No fim dos anos 1970 eu vivia vidrada nas descobertas das naves espaciais da Nasa, Pioneer 10 e 11, que estavam visitando J\u00fapiter e Saturno. Naquela \u00e9poca n\u00e3o t\u00ednhamos internet, e o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o era bem restrito, principalmente para quem era de classe m\u00e9dia baixa, como n\u00f3s. Lembro de uma revista Manchete com uma grande reportagem sobre J\u00fapiter. Fiquei impressionad\u00edssima.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto o pai de Du\u00edlia lutava contra o alcoolismo e tentava ganhar algum dinheiro para sustentar a fam\u00edlia &#8211; primeiro como caminhoneiro, depois com um neg\u00f3cio de loca\u00e7\u00e3o de mesas de tot\u00f3 (pebolim) -, a m\u00e3e dedicou a vida a fazer com que os quatro filhos estudassem. E conseguiu.<\/p>\n<p>&#8220;Mas quando eu dizia que queria fazer astronomia, todo mundo falava que eu era maluca, inclusive minha m\u00e3e&#8221;, lembra Du\u00edlia.<\/p>\n<p>Muitos professores tentaram convenc\u00ea-la a seguir carreiras &#8220;mais s\u00f3lidas&#8221;, como medicina ou engenharia. Mas foi um professor de Hist\u00f3ria quem acabou batendo o martelo: &#8220;\u00c9 melhor ela ser uma astr\u00f4noma feliz que uma engenheira frustrada.&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o na UFRJ, Du\u00edlia fez um mestrado no Instituto Nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) e um doutorado na USP.<\/p>\n<h3>Carreira na Nasa<\/h3>\n<p>H\u00e1 13 anos ela trabalha na Nasa &#8211; o que acabou acontecendo como um desdobramento natural de seus trabalhos no mestrado e no doutorado &#8211; quando foi cursar o p\u00f3s-doutorado no Instituto do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 pesquisadora do Goddard Space Flight Center (centro que gerencia as comunica\u00e7\u00f5es com os astronautas a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional) e especialista na an\u00e1lise de imagens do telesc\u00f3pio Hubble.<\/p>\n<p>Na Nasa, Du\u00edlia foi respons\u00e1vel pela descoberta da supernova SN 1997D e participou tamb\u00e9m da descoberta das chamadas bolhas azuis &#8211; as estrelas \u00f3rf\u00e3s, sem gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2008, detectamos umas bolhas azuis, estrelas solit\u00e1rias que vivem entre as gal\u00e1xias, que s\u00e3o formadas fora das gal\u00e1xias. Tanto podem ser pequenos aglomerados de estrelas como gal\u00e1xias an\u00e3s, que podem acabar engolidas pelas gal\u00e1xias vizinhas. Enfim, \u00e9 um mecanismo interessante de pensar a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias&#8221; explica Du\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2013 ela foi escolhida como uma das dez mulheres que mudam o Brasil em ranking elaborado pela Barnard College, da Universidade de Columbia (EUA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer uma borboleta era o desafio autoimposto \u00e0 aluna de 12 anos de um modesto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/brasileira_nasa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Fazer uma borboleta era o desafio autoimposto \u00e0 aluna de 12 anos de um modesto","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33809"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33809"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33809\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}