{"id":33520,"date":"2015-12-18T08:22:42","date_gmt":"2015-12-18T11:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33520"},"modified":"2015-12-18T08:22:42","modified_gmt":"2015-12-18T11:22:42","slug":"bacia-que-alimenta-o-cantareira-tem-so-126-de-cobertura-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bacia-que-alimenta-o-cantareira-tem-so-126-de-cobertura-florestal\/","title":{"rendered":"Bacia que alimenta o Cantareira tem s\u00f3 12,6% de cobertura florestal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33521\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma das regi\u00f5es mais ricas do Estado de S\u00e3o Paulo, a bacia PCJ \u00e9 tamb\u00e9m uma das mais pobres em \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Da \u00e1gua dos rios Piracicaba, Capivari e Jundia\u00ed dependem 5,5 milh\u00f5es de pessoas, mas elas contam com apenas 12,6% de florestas nativas.<\/p>\n<p>A estat\u00edstica devastadora foi colhida em levantamento da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental SOS Mata Atl\u00e2ntica obtido pela Folha. A pesquisa com dados de sat\u00e9lite cobriu 70 munic\u00edpios paulistas da bacia PCJ, num total de 14.178 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>Desses 5,5 milh\u00f5es de habitantes, cerca de 3 milh\u00f5es moram na d\u00e9cima maior regi\u00e3o metropolitana do Brasil, a de Campinas. O PIB per capita nela \u00e9 de R$ 48 mil, bem acima dos R$ 27 mil do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sai desse manancial, por transposi\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua do sistema Cantareira, que abastece outros 5,3 milh\u00f5es de habitantes da Grande S\u00e3o Paulo. Antes da crise h\u00eddrica, o sistema provia 9 milh\u00f5es.<br \/>\nA diferen\u00e7a \u00e9 que, em torno das represas do Cantareira, 21,5% do terreno ainda \u00e9 guarnecido por matas.<\/p>\n<p><strong>ESPONJA SECA<\/strong><\/p>\n<p>A cobertura da bacia PCJ fica abaixo at\u00e9 do que restou de mata atl\u00e2ntica no Estado, 13,9%. Se as leis florestais fossem cumpridas, a parcela preservada deveria ficar por volta de 30%. Cidades como Valinhos (12,3% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa) e Saltinho (8%) precisaram recorrer ao racionamento de \u00e1gua. O rio Piracicaba tinha secado, perto de Paul\u00ednia (4,8%), h\u00e1 dois anos.<\/p>\n<p>Florestas como a mata atl\u00e2ntica funcionam como esponjas. Liberam lentamente a \u00e1gua da chuva e permitem sua infiltra\u00e7\u00e3o no solo, recarregando o len\u00e7ol fre\u00e1tico. Cada quil\u00f4metro quadrado de mata conservada produz \u00e1gua o suficiente para abastecer 2.600 pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 12 casos extremos entre os 70 munic\u00edpios monitorados pela SOS, com menos de 5% de sua \u00e1rea dotada de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de Hortol\u00e2ndia: restou s\u00f3 1,3% com \u00e1rvores.<\/p>\n<p><strong>FILA INDIANA<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento da SOS Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m mostrou que quase todos os rios da bacia PCJ carecem de florestas por perto. De 25.556 km de margens mapeadas, meros 6.155 km (24%) ostentam fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa maiores que 1 hectare (10 mil metros quadrados).<\/p>\n<p>Quem percorre os rios, contudo, pode ter impress\u00e3o diferente. Boa parte das margens ostentam \u00e1rvores. Muitas vezes, por\u00e9m, elas est\u00e3o em &#8220;fila indiana&#8221;, como diz Malu Ribeiro, da SOS.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, a ONG combina a an\u00e1lise da qualidade e da quantidade das \u00e1guas com o grau de cobertura florestal em volta. E o trabalho vai al\u00e9m da PCJ -levantamentos foram feitos na regi\u00e3o do Cantareira e nas bacias dos rios Para\u00edba do Sul (SP\/RJ) e Guandu (RJ).<\/p>\n<p>No caso do Para\u00edba, a bacia conta com bem mais florestas que a PCJ: 26,4% da \u00e1rea tem vegeta\u00e7\u00e3o natural. A situa\u00e7\u00e3o do Guandu e seus afluentes \u00e9 ainda melhor: 62,2% de conserva\u00e7\u00e3o e 2.558 km (61,9%) de rios com \u00e1reas de mata pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>O Estado do Rio, que depende muito dessas duas bacias, tamb\u00e9m enfrenta sua crise h\u00eddrica. Mas, pelo menos, est\u00e1 mais bem servido de florestas em torno delas.<\/p>\n<p>Nas \u00e1guas em disputa pelas regi\u00f5es metropolitanas de S\u00e3o Paulo e Campinas, o equil\u00edbrio entre matas e \u00e1gua \u00e9 mais prec\u00e1rio. &#8220;Ap\u00f3s mais de 20 anos, o Piracicaba ainda \u00e9 um rio rec\u00e9m-sa\u00eddo da UTI&#8221;, lamenta Malu Ribeiro. &#8220;Nunca foi olhado como um manancial, s\u00f3 como um meio para diluir esgotos.&#8221;<\/p>\n<p>Os levantamentos da ONG revelam, por\u00e9m, que as \u00faltimas derrubadas de mais de tr\u00eas hectares na bacia PCJ pararam depois de 2008.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fica claro, nas imagens de sat\u00e9lite, que as principais manchas cont\u00ednuas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa se encontram em unidades de conserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do Parque Estadual de Itapetininga, do Monumento Natural da Pedra Grande e das \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental (APAs) de Jundia\u00ed e Cabre\u00fava.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais um exemplo de como as unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para deter o desmatamento de nossas florestas naturais&#8221;, diz M\u00e1rcia Hirota, diretora da SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>QUALIDADE DA \u00c1GUA \u00c9 BOA, MAS N\u00c3O \u00c9 \u00d3TIMA<\/strong><\/p>\n<p>Para ver de perto o impacto da aus\u00eancia de florestas nos mananciais paulistas, a Folha acompanhou por dois dias uma miniexpedi\u00e7\u00e3o da SOS Mata Atl\u00e2ntica para avaliar a qualidade da \u00e1gua no Jaguari, o &#8220;rio da on\u00e7a&#8221; (nas ra\u00edzes tupi-guaranis) que alimenta a famigerada represa do Cantareira.<\/p>\n<p>O Jaguari nasce na serra da Mantiqueira, perto de Campos do Jord\u00e3o (SP). O volume que n\u00e3o \u00e9 desviado para a Grande SP segue para oeste e encontra o Atibaia em Americana para formar o Piracicaba, espinha dorsal da bacia PCJ.<\/p>\n<p>O primeiro ponto de coleta fica em Extrema (MG). O balconista do bar do Filipe se queixa de que a \u00e1gua est\u00e1 suja, fazendo espuma. A coleta e an\u00e1lise de 16 par\u00e2metros para estabelecer a qualidade m\u00e9dia da \u00e1gua \u00e9 feita com ajuda do caiaque cheio de instrumentos pilotado por Dan Robson Dias.<\/p>\n<p>O percurso repete parte de outro levantamento da SOS, feito dois anos antes. A an\u00e1lise constata que, apesar da espuma, a qualidade da \u00e1gua ali est\u00e1 boa, como em 2013.<\/p>\n<p>Ribeiro observa, contudo, que t\u00e3o perto das cabeceiras o teor de oxig\u00eanio dissolvido (6,8 miligramas por litro) deveria ser maior, perto de 8 mg\/l. Ou seja, a qualidade \u00e9 boa, mas n\u00e3o \u00f3tima. Nenhum dos sete locais amostrados pela SOS no Jaguari obteve essa qualifica\u00e7\u00e3o em 2015 (nem em 2013).<\/p>\n<p>Preocupante ainda \u00e9 a profundidade no meio do rio, que caiu de oito para quatro metros. Uma das causas para isso \u00e9 o assoreamento dos rios, que tem muito a ver com desmate.<\/p>\n<p>Uma vez retirada a cobertura de \u00e1rvores, muito mais \u00e1gua escorre pela superf\u00edcie e retira a camada superior de terra -a mais f\u00e9rtil-, que chega aos corpos de \u00e1gua e se deposita no fundo. Calcula-se que o Brasil pode estar desperdi\u00e7ando at\u00e9 R$ 30 bilh\u00f5es por ano com perda de solos e assoreamento.<\/p>\n<p>No segundo dia, o grupo segue de carro at\u00e9 o alto de um morro em Joan\u00f3polis (SP) para avistar a represa Jaguari. V\u00e1rios bra\u00e7os est\u00e3o secos -no lugar de terra rachada ou capim, j\u00e1 crescem arbustos no leito do reservat\u00f3rio. A jun\u00e7\u00e3o do Jaguari com o Piracicaba termina numa laje de pedra. Com o n\u00edvel baixo da \u00e1gua, ela avan\u00e7a para o meio do rio, onde dois pescadores se instalam em cadeiras de pl\u00e1stico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das regi\u00f5es mais ricas do Estado de S\u00e3o Paulo, a bacia PCJ \u00e9 tamb\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33521,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cantareira.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma das regi\u00f5es mais ricas do Estado de S\u00e3o Paulo, a bacia PCJ \u00e9 tamb\u00e9m","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33520"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}