{"id":33443,"date":"2015-12-16T14:00:18","date_gmt":"2015-12-16T17:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33443"},"modified":"2015-12-15T23:29:51","modified_gmt":"2015-12-16T02:29:51","slug":"cientistas-da-unb-encontram-metais-pesados-em-amostras-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-da-unb-encontram-metais-pesados-em-amostras-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"Cientistas da UnB encontram metais pesados em amostras do Rio Doce"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33444\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia ligados a um grupo que avalia de forma independente os impactos ambientais provocados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG) encontraram metais pesados nas amostras de \u00e1gua e lama coletadas do Rio Doce. Segundo a toxicologista Vivian Santos, foram registrados \u00edndices elevados de ars\u00eanio, mangan\u00eas, chumbo, alum\u00ednio e ferro.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u00e9 preliminar, e as an\u00e1lises est\u00e3o temporariamente \u201csuspensas\u201d porque acabou o g\u00e1s que alimenta a m\u00e1quina que identifica e quantifica os elementos \u2013 ele dura dois dias e custa R$ 1,5 mil. O estudo considerou as concentra\u00e7\u00f5es de dez metais: alum\u00ednio dissolvido, ferro dissolvido, ars\u00eanio, mangan\u00eas, sel\u00eanio, c\u00e1dmio, chumbo, l\u00edtio, n\u00edquel e zinco.<\/p>\n<p>A alta concentra\u00e7\u00e3o desses metais est\u00e1 associada a casos de mal de Parkinson, doen\u00e7as na pele e c\u00e2ncer. A coleta das amostras ocorreu em dez pontos ao longo dos tr\u00eas principais cursos d\u2019\u00e1gua atingidos pela lama entre Bento Rodrigues e Governador Valadares \u2013 Rio Gualaxo do Norte, Rio do Carmo e Rio Doce \u2013 entre 4 e 8 de dezembro.<\/p>\n<p>No caso do ars\u00eanio, a concentra\u00e7\u00e3o cresce progressivamente entre o trecho impactado e a cidade de Barra Longa. Depois disso, o elemento deixa de ser detectado at\u00e9 Governador Valadares, onde volta a aparecer acima do permitido pela Resolu\u00e7\u00e3o do Conama. O mangan\u00eas aparece acima do limite em praticamente todas as amostras, com exce\u00e7\u00e3o da de um afluente do Rio Doce, n\u00e3o afetado pela lama.<\/p>\n<p>Em duas amostras tamb\u00e9m foram achadas concentra\u00e7\u00f5es de chumbo um pouco acima do permitido: no Rio Gualaxo do Norte, em Paracatu de Baixo, e no ponto de encontro do curso d\u2019\u00e1gua com o Rio do Carmo, j\u00e1 no munic\u00edpio de Rio Doce. Em todas as outras amostras, as concentra\u00e7\u00f5es de metais estavam dentro do preconizado pela Conama. Para ferro total e alum\u00ednio tamb\u00e9m houve registros de \u00edndices elevados, mas os elementos n\u00e3o t\u00eam padr\u00e3o de seguran\u00e7a estabelecido em lei.<\/p>\n<p>De acordo com Vivian, tamb\u00e9m foi registrada contamina\u00e7\u00e3o em \u00e1reas acima do ponto atingido pelo deslizamento. Os pesquisadores, que formaram uma rede via redes sociais para responder ao desastre denominada Grupo Independente de Avalia\u00e7\u00e3o do Impacto Ambiental (Gaia), avaliam se os \u00edndices est\u00e3o relacionados apenas ao acidente ou se t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com as atividades realizadas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o consegue falar no momento quem \u00e9 o culpado, porque a regi\u00e3o \u00e9 uma regi\u00e3o mineradora. Ela sofre um impacto ambiental h\u00e1 muitos anos. Esses minerais s\u00e3o da regi\u00e3o, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica da regi\u00e3o. Pode ser que essa atividade mineradora, que j\u00e1 existe h\u00e1 muitos e muitos anos, seja a respons\u00e1vel [pelos resultados]. Pode ser que era um ambiente impactado, independentemente do rompimento da barragem\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cNos pontos que receberam a lama, a concentra\u00e7\u00e3o [de metais pesados] era maior. Pode ser que a lama contribui para aumentar aquilo e deixar ainda maior\u201d, completou a toxicologista.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pesquisadores de Bras\u00edlia coletam amostras no Rio Doce ap\u00f3s rompimento de barragem de Mariana (MG) (Foto: Vivian Santos\/Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/K5kvkSGfMUTAZugiE7OODRUuJnk=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/12\/15\/coleta-mariana.jpg\" alt=\"Pesquisadores de Bras\u00edlia coletam amostras no Rio Doce ap\u00f3s rompimento de barragem de Mariana (MG) (Foto: Vivian Santos\/Arquivo Pessoal)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong>Pesquisadores de Bras\u00edlia coletam amostras no Rio Doce ap\u00f3s rompimento de barragem de Mariana (MG) (Foto: Vivian Santos\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/div>\n<p>Segundo a professora da UnB, que desenvolve o trabalho junto a tr\u00eas alunos, as an\u00e1lises devem ser retomadas em janeiro. O equipamento ser\u00e1 reabastecido com o g\u00e1s. A m\u00e1quina consegue fazer at\u00e9 5 mil avalia\u00e7\u00f5es no intervalo de dois dias. Os resultados da avalia\u00e7\u00e3o das amostras saem um minuto depois de elas serem colocadas no aparelho.<\/p>\n<p>Vivian disse que tamb\u00e9m foram enviadas as mesmas amostras para outros laborat\u00f3rios, que usam t\u00e9cnicas diferentes, para checar se os resultados dos metais s\u00e3o os mesmos. &#8220;Estamos comparando tudo, para ver se d\u00e1 a mesma coisa. Tem de dar a mesma coisa. Isso d\u00e1 a maior confiabilidade ao estudo.&#8221;<\/p>\n<p>An\u00e1lises preliminares realizadas no m\u00eas passado pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil e pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas n\u00e3o encontraram nenhuma concentra\u00e7\u00e3o de metais acima do limite no Rio Doce. As empresas respons\u00e1veis pela barragem, Vale e BHP (donas da Samarco), negam que a lama seja t\u00f3xica.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, os resultados s\u00e3o importantes para despertar a preocupa\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e at\u00e9 mesmo orientar investimentos. &#8220;Os malef\u00edcios aparecem geralmente em longo prazo. A pessoa que toma essa \u00e1gua contaminada por dez anos s\u00f3 em dez anos vai sentir efeito&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Pode ser que ningu\u00e9m tenha nada agora, mas daqui a 20 anos aumentem as incid\u00eancias de Parkinson e c\u00e2ncer na regi\u00e3o. A gente tem que avaliar isso agora, caracterizar direitinho, tentar tra\u00e7ar formas de melhorar, de remover isso do ambiente, para trazer uma qualidade de vida da regi\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o mineira daquela regi\u00e3o \u00e9 muito simples, n\u00e3o tem uma no\u00e7\u00e3o do que pode acontecer&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p><strong>O acidente<\/strong><br \/>\nO rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco causou uma enxurrada de lama que inundou v\u00e1rias casas no distrito na tarde de 5 de novembro. A onda teria chegado a 2,5 metros de altura. H\u00e1 tr\u00eas pessoas na lista de desaparecidos, e 16 corpos foram reconhecidos.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"#G1 est\u00e1 em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/NWTI5_ciSt4BWpky9NbGXHNnl7g=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/12\/02\/img_2347.jpg\" alt=\"#G1 est\u00e1 em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong> Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>Um dos sobreviventes da trag\u00e9dia, Andrew Oliveira, que trabalha como sinaleiro na empresa Integral, uma terceirizada da Samarco, disse que, na hora do almo\u00e7o, houve \u201cum abalo\u201d, mas os empregados continuaram trabalhando normalmente. &#8220;Come\u00e7ou a praticamente ter um terremoto.&#8221;<\/p>\n<p>As causas do rompimento ainda n\u00e3o foram identificadas. A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na \u00e1rea duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mariana.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que barragens se rompem em Minas Gerais. Em 2014, um acidente em Itabirito, a cerca de 60 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, deixou tr\u00eas trabalhadores mortos.<\/p>\n<p>O distrito de Bento Rodrigues, afetado pelo deslizamento, tem cerca de 600 moradores. Outros vilarejos foram atingidos pela lama. A estimativa \u00e9 de que at\u00e9 2 mil pessoas possam ter sido afetadas.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"#G1 est\u00e1 em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/_yLDHSoAtO8Ezr5PEEJPzJ6l1sE=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/12\/02\/img_2209.jpg\" alt=\"#G1 est\u00e1 em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong>Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Fl\u00e1via Mantovani\/G1)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia ligados a um grupo que avalia de forma independente os<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33444,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/metais_pesados.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia ligados a um grupo que avalia de forma independente os","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33443"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33443\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}