{"id":33413,"date":"2015-12-16T07:00:02","date_gmt":"2015-12-16T10:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33413"},"modified":"2015-12-15T22:16:27","modified_gmt":"2015-12-16T01:16:27","slug":"lama-de-mariana-destruiu-324-hectares-de-mata-atlantica-comprometendo-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/lama-de-mariana-destruiu-324-hectares-de-mata-atlantica-comprometendo-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Lama de Mariana destruiu 324 hectares de Mata Atl\u00e2ntica comprometendo biodiversidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo-materia colunas-e-blogs\">\n<div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-393\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Mapa da regi\u00e3o de Mariana, Minas Gerais, mostra os remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica destru\u00eddos pela lama da Samarco (Foto: SOS Mata Atl\u00e2ntica)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/rnD-Lyv3h6An_Nyv_mzF989PJN4=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/12\/15\/giphy.gif\" alt=\"Mapa da regi\u00e3o de Mariana, Minas Gerais, mostra os remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica destru\u00eddos pela lama da Samarco (Foto: SOS Mata Atl\u00e2ntica)\" width=\"639\" height=\"457\" \/><label class=\"foto-legenda\">Mapa da regi\u00e3o de Mariana, Minas Gerais, mostra os remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica destru\u00eddos pela lama da Samarco (Foto: SOS Mata Atl\u00e2ntica\/Cyrk)<\/label><\/div>\n<p>Passadas algumas semanas do <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2015\/12\/desastre-em-mariana-ameaca-quase-400-especies-de-animais.html\">rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco<\/a> \u2013 pertencente \u00e0 Vale e \u00e0 BHP Billiton \u2013 ainda estamos longe de dimensionar as reais consequ\u00eancias dessa trag\u00e9dia. Os<strong> impactos humanos e sociais s\u00e3o imensur\u00e1veis<\/strong>, mas para alguns outros aspectos come\u00e7amos a encontrar as primeiras respostas, como o quanto de vegeta\u00e7\u00e3o nativa da Mata Atl\u00e2ntica foi destru\u00edda diretamente pela lama.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite do antes (25 de setembro) e depois (12 de novembro) mostra que a lama de rejeitos impactou uma \u00e1rea de 1.775 hectares (ha), ou 17 km2, em cinco munic\u00edpios mineiros \u2013 Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Ponte Nova. A maior parte dessas \u00e1reas j\u00e1 eram alteradas por pasto, agricultura ou ocupa\u00e7\u00e3o humana. Mas a lama atingiu tamb\u00e9m<strong> importantes trechos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa<\/strong>, destruindo pelo menos 324 ha de Mata Atl\u00e2ntica. Em Mariana, foram 236 ha de remanescentes florestais e 85 ha de vegeta\u00e7\u00e3o natural (porte arb\u00f3reo com menor grau de conserva\u00e7\u00e3o existente nas margens dos rios). Outros 3 ha de vegeta\u00e7\u00e3o natural foram destru\u00eddos em Barra Longa.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o analisada corresponde \u00e0 \u00e1rea a partir da barragem de Bento Rodrigues, onde ocorreu o rompimento, at\u00e9 a represa da Usina Candonga (UHE Risoleta Neves), no munic\u00edpio de Rio Doce. Isto porque a usina absorveu o impacto da onda de lama que afetou a \u00e1rea do entorno dos rios. Ap\u00f3s a represa, o impacto foi no leito do rio, na qualidade da \u00e1gua e no deslocamento de sedimentos, n\u00e3o havendo remo\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nas margens dos rios, ou ao menos na escala do estudo, que considerou \u00e1reas com no m\u00ednimo 1 ha.<\/p>\n<p>O levantamento \u00e9 da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a empresa de geotecnologia Arcplan. A an\u00e1lise teve como base o \u201c<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2015\/11\/ferramenta-ajuda-descobrir-o-que-restou-de-mata-atlantica-na-sua-cidade.html\">Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atl\u00e2ntica<\/a>\u201d, desenvolvido anualmente por essas organiza\u00e7\u00f5es, com patroc\u00ednio do Bradesco Cart\u00f5es, e que utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para monitorar remanescentes acima de 3 ha. Neste estudo, para termos um exame mais detalhado, avaliamos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e \u00e1reas naturais acima de 1 ha.\u00a0 <a href=\"https:\/\/goo.gl\/sCGZU3\" target=\"_blank\">Confira o relat\u00f3rio completo<\/a>.<\/p>\n<p>O rompimento da barragem afetou um total de 679 km de rios, sendo 114 km entre a barragem at\u00e9 a usina de Candonga \u2013 12 km do Rio Doce, 28 km do Rio Carmo, 69 km do Rio Gualaxo do Norte, 3 km do c\u00f3rrego Santar\u00e9m e 2 km do afluente do c\u00f3rrego Santar\u00e9m \u2013, \u00e1rea analisada pelo estudo, e mais 564 km do rio Doce desde a usina at\u00e9 a sua foz, em Linhares, no Esp\u00edrito Santos. Agora, uma equipe da Rede das \u00c1guas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, em parceria com outras organiza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m parceiros locais, est\u00e1 em expedi\u00e7\u00e3o pelo rio Doce para coletar sedimentos para an\u00e1lises e monitorar a qualidade da \u00e1gua impactada pela lama e rejeitos de min\u00e9rios. Em breve, divulgaremos dados e um relato da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da vegeta\u00e7\u00e3o que desapareceu e as \u00e1reas que foram encobertas pela lama, nos preocupa todo o <strong>desequil\u00edbrio ambiental derivado dessa trag\u00e9dia<\/strong>. A biodiversidade regional, os recursos naturais e os servi\u00e7os ambientais de toda essa regi\u00e3o est\u00e3o comprometidos, um dano incalcul\u00e1vel para o bioma Mata Atl\u00e2ntica, nosso Patrim\u00f4nio Nacional.<\/p>\n<p>Por fim, esse rastro de degrada\u00e7\u00e3o reflete tamb\u00e9m as tr\u00e1gicas consequ\u00eancias do desmonte gradativo da legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira e da sua n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o. Precisamos, portanto, mobilizar governos e sociedade a empregar esfor\u00e7os para o aprimoramento das pol\u00edticas ambientais, a prote\u00e7\u00e3o das florestas nativas, a recupera\u00e7\u00e3o dos ambientes degradados e o aperfei\u00e7oamento de mecanismos de controle de atividades empresariais com grandes impactos ao meio ambiente. \u00c9 urgente e uma a\u00e7\u00e3o preventiva para evitar que mais trag\u00e9dias aconte\u00e7am.<br \/>\n<em>*Marcia Hirota \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as a\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o em www.sosma.org.br\/apoie.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mapa da regi\u00e3o de Mariana, Minas Gerais, mostra os remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica destru\u00eddos pela<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/minas_mariana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mapa da regi\u00e3o de Mariana, Minas Gerais, mostra os remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica destru\u00eddos pela","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33413"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}