{"id":33327,"date":"2015-12-14T10:00:36","date_gmt":"2015-12-14T13:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33327"},"modified":"2015-12-14T08:14:18","modified_gmt":"2015-12-14T11:14:18","slug":"outras-visoes-sobre-o-acordo-de-paris-que-quer-frear-as-emissoes-de-carbono-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/outras-visoes-sobre-o-acordo-de-paris-que-quer-frear-as-emissoes-de-carbono-no-mundo\/","title":{"rendered":"Outras vis\u00f5es sobre o Acordo de Paris que quer frear as emiss\u00f5es de carbono no mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cop_211.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33328\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cop_211-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cop_211-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cop_211.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cN\u00e3o posso acreditar! N\u00f3s conseguimos! Conseguimos!\u201d<\/p>\n<p>A express\u00e3o entusiasmada foi apenas uma das in\u00fameras que encheram as redes sociais no \u00faltimo s\u00e1bado (12) depois que saiu o Acordo de Paris que busca frear as emiss\u00f5es de carbono no mundo. \u00c9 da francesa Laurence Tubiana, atual embaixadora encarregada das negocia\u00e7\u00f5es, diretora do Institute for Sustainable Development and International Relations (IDDRI), que vem h\u00e1 muito tempo acompanhando os bastidores desse acordo que h\u00e1 20 anos come\u00e7ou a ser costurado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Em 2009, p\u00f3s Confer\u00eancia de Copenhague (COP-15), considerada um fracasso, a express\u00e3o de Tubiana era bem diferente da que apresentava nas fotos tiradas ontem ao lado do diplomata Laurent Fabius, a quem coube a gl\u00f3ria de bater o martelo do acordo. Triste, cabisbaixa, decepcionada, Tubiana declarara ent\u00e3o \u00e0s c\u00e2meras da equipe que filmava o document\u00e1rio \u201cCOP-15 \u2013 Cr\u00f4nica de um acordo inacabado\u201d (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=48YMYrGMoF0\">veja aqui o trailer<\/a>), que o clima havia se tornado uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Por isso n\u00e3o se conseguia um acordo.<\/p>\n<p>Acho sempre bom visitar a hist\u00f3ria. E me perguntou:\u00a0ser\u00e1 que isso mudou?<\/p>\n<p>H\u00e1 seis anos, o grande empecilho fora o fato de os Estados Unidos n\u00e3o terem chegado \u00e0 reuni\u00e3o com alguma grande ideia de acordo, j\u00e1 que o congresso norte-americano, de maioria republicana, resiste em aprovar medidas para baixar emiss\u00f5es. Para este acordo de 2015, a li\u00e7\u00e3o foi aprendida e <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2015\/12\/representantes-de-195-paises-aprovam-acordo-global-do-clima.html\">um subterf\u00fagio jur\u00eddico<\/a>, colocado no texto, permite que as decis\u00f5es em prol do clima possam ser tomadas por decretos presidenciais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de diminuir o feito hist\u00f3rico. Um acordo como esse, em que 195 na\u00e7\u00f5es decidem, em conjunto, manter o aquecimento apenas em 1,5 grau at\u00e9 2100 \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e coes\u00e3o. At\u00e9 mesmo o estudo sobre tais detalhes jur\u00eddicos que possibilitam driblar resist\u00eancias j\u00e1 tem um grande valor. E \u00e9 pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses insulares, que em 2009, quando os l\u00edderes decidiram fixar em 2 graus o limite para o aquecimento global at\u00e9 2050, se declararam impotentes diante do futuro porque seus territ\u00f3rios ser\u00e3o engolfados pelos oceanos com um aquecimento acima de 1,5 grau, desta vez se sentem contemplados. Pouca gente esperava que o patamar de 1,5 grau fosse oficializado pela COP-21, era esse o pedido deles.<\/p>\n<p>A outra \u201cboa\u201d not\u00edcia para os menos privilegiados, agora, seria a decis\u00e3o de os pa\u00edses ricos ajudarem os pa\u00edses pobres com financiamento de US$ 100 bilh\u00f5es por ano. Mas isso \u00e9 ainda uma promessa, e antiga. Na reuni\u00e3o do G-7 &#8211; Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, It\u00e1lia, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o\u00a0\u2013 os pa\u00edses mais industrializados do mundo, em junho deste ano, <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/paises-ricos-concordam-em-eliminar-os-combustiveis-fosseis-mas-como.html\">esse montante j\u00e1 havia sido acordado<\/a>. Ali\u00e1s, nessa mesma reuni\u00e3o eles foram um pouco mais al\u00e9m, garantindo ao mundo que at\u00e9 o fim do s\u00e9culo n\u00e3o mais usar\u00e3o combust\u00edveis f\u00f3sseis. E j\u00e1 existe o Fundo Verde para o Clima, criado na COP-16, em 2010, com o mesmo objetivo: ajudar os pa\u00edses emergentes a implementarem medidas de combate aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que no Acordo de Paris (<a href=\"http:\/\/unfccc.int\/resource\/docs\/2015\/cop21\/eng\/l09.pdf\">leia aqui a \u00edntegra, em ingl\u00eas<\/a>) n\u00e3o s\u00e3o especificados os meios para se chegar aos fins. Nem para manter o aquecimento em 1,5 grau nem para o financiamento. N\u00e3o se deve buscar tanta concretude em resolu\u00e7\u00f5es feitas a tantas m\u00e3os, entende-se. Sendo um instrumento-base para ser negociado em cada pa\u00eds, que agregar\u00e1 demandas regionais, o acordo ent\u00e3o j\u00e1 teria cumprido parte de seu papel, e n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Eu disse \u201cparte\u201d porque, na vis\u00e3o da ActionAid, organiza\u00e7\u00e3o cujo mote \u00e9 o fim da pobreza, e de muitas outras com as quais fui fazendo contato durante todo o dia de ontem, esse quesito \u2013 fim da pobreza e da desigualdade social &#8211; ficou de fora. E isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p>\u201cO que esper\u00e1vamos de Paris era um acordo que colocasse as pessoas mais pobres do mundo em primeiro lugar porque s\u00e3o elas, afinal, que vivem com a constante amea\u00e7a de um pr\u00f3ximo desastre ambiental. No entanto, o que nos foi apresentado n\u00e3o \u00e9 suficiente para melhorar a fr\u00e1gil exist\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo\u201d, declarou Adriano Campolina, diretor executivo da ActionAid.<\/p>\n<p>Busquei informa\u00e7\u00f5es sobre o estado de \u00e2nimo dos ind\u00edgenas p\u00f3s-acordo. Para eles, o importante seria que os l\u00edderes das na\u00e7\u00f5es, em conjunto, pensassem numa solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reforce o modelo econ\u00f4mico excludente. Mesmo tendo uma refer\u00eancia \u2013 r\u00e1pida, \u00e9 verdade, quase caindo da p\u00e1gina \u2013 no texto do acordo, eles n\u00e3o est\u00e3o contentes. No site da <a href=\"http:\/\/indigenousrising.org\/indigenous-peoples-take-lead-at-d12-day-of-action-in-paris-official-response-to-cop21-agreement\/\">Rede Ambiental Ind\u00edgena<\/a> os ind\u00edgenas s\u00e3o diretos: eles, que est\u00e3o vivendo na pele mais duramente os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 que deveriam ter sido ouvidos na hora de se pensar nas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, povos ind\u00edgenas, somos a linha vermelha, de alerta, para o mundo. E somos tamb\u00e9m os defensores das regi\u00f5es mais diversificadas do mundo, tanto biologicamente quanto culturalmente. Nosso conhecimento tem muito das solu\u00e7\u00f5es para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que a humanidade est\u00e1, no momento, procurando\u201d, declarou \u00a0Tom Goldtooth Diretor Executivo da Rede.<\/p>\n<p>Correndo os sites de not\u00edcias, vi pontuada ainda a falta de um detalhe bastante relevante no texto: alguma refer\u00eancia \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o \u2013 ou mesmo extin\u00e7\u00e3o &#8211; da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, n\u00e3o apenas metas para reduzir os danos causados por eles. Para o colunista do jornal brit\u00e2nico \u201cThe Guardian\u201d George Monbiot, as negocia\u00e7\u00f5es sobre quase todos os outros perigos globais procuram abordar ambas as extremidades do problema, diferentemente do que acontece com o Acordo de Paris:<\/p>\n<p>\u201cEm compara\u00e7\u00e3o com o que poderia ter sido, (<em>o acordo<\/em>) \u00e9 um milagre.\u00a0Em compara\u00e7\u00e3o com o que deveria ter sido, \u00e9 um desastre. \u00a0O acordo de Paris ainda aguarda aprova\u00e7\u00e3o formal, mas seu limite aspiracional de 1.5C do aquecimento global, ap\u00f3s a rejei\u00e7\u00e3o desta demanda por tantos anos, pode ser visto dentro deste quadro como uma vit\u00f3ria retumbante.\u00a0Neste e em outros sentidos, o texto final \u00e9 mais forte do que a maioria das pessoas havia previsto. \u00a0Mas o acordo est\u00e1 cheio de promessas vazias. At\u00e9 que os governos se comprometam a n\u00e3o mais perfurarem o ch\u00e3o em busca de combust\u00edveis f\u00f3sseis, eles v\u00e3o continuar a minar o acordo que acabaram de fazer\u201d, escreve o jornalista.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o pessimista, sem d\u00favida, mas n\u00e3o se pode deixar de dar raz\u00e3o a Monbiot. Num sistema que privilegia o desenvolvimento e o progresso, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que uma na\u00e7\u00e3o decida agora, p\u00f3s-acordo, que vai parar de extrair petr\u00f3leo para exporta\u00e7\u00e3o, por exemplo. E este seria o \u00fanico jeito de alcan\u00e7ar, verdadeiramente, a meta que o acordo se prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Nos coment\u00e1rios do post do jornalista, uma realidade bem dura e cr\u00edtica \u00e9 relatada por um internauta indiano, que se queixa de o novo acordo obrigar seu pa\u00eds a fechar suas usinas de carv\u00e3o para reduzir as emiss\u00f5es enquanto o mundo ocidental se recusa a copiar o estilo de vida indiano, muito menos consumista.<\/p>\n<p>Um pouco mais contundente do que Monbiot foi a declara\u00e7\u00e3o de James Hansen, ex-diretor da Nasa, que nos anos 80 foi a primeira pessoa a enfrentar o congresso norte-americano com a not\u00edcia de que o planeta estava aquecendo e que o fen\u00f4meno era resultado da a\u00e7\u00e3o do homem. Em entrevista ao \u201cThe Guardian\u201d, (<a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2015\/dec\/12\/james-hansen-climate-change-paris-talks-fraud\">leia aqui, em ingl\u00eas<\/a>) , Hansen diz que o acordo est\u00e1 cheio de palavras in\u00fateis. O cientista sugere que o carbono tenha um pre\u00e7o na tonelada emitida por cada pa\u00eds emissor. Para ele, esta seria a melhor solu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que os impostos assustam as pessoas.<\/p>\n<p>A linha vermelha que caracteriza o grande risco que a humanidade est\u00e1 correndo com o aquecimento global ganhou v\u00e1rias formas l\u00fadicas e foi para a frente da Torre Eiffel ontem, em manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, autorizada pelo governo, com cerca de dez mil pessoas. Segundo relatos de quem acompanhou o evento, naquele encontro muitas vozes puderam ser ouvidas. A que fica mais forte \u00e9 que o Acordo de Paris \u00e9 apenas um in\u00edcio. E que a luta continua: a favor de uma sociedade mais equitativa, onde os pobres n\u00e3o sejam os mais penalizados pelo resultado de uma pol\u00edtica de anos pr\u00f3-combust\u00edveis f\u00f3sseis e de um modelo econ\u00f4mico que promove, como se sabe, a desigualdade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"ed-foto\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/E8gp9j7BU6xBRLZnB6Y3LOMA0Rg=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/12\/12\/2015-12-12t133100z_188969054_lr1ebcc11jdad_rtrmadp_3_climatechange-summit.jpg\" alt=\"Ambientalistas formam corrente humana pr\u00f3ximo \u00e0 Torre Eiffel durante a COP 21\" width=\"640\" height=\"480\" \/><em>Ambientalistas formam corrente humana pr\u00f3ximo \u00e0 Torre Eiffel durante a COP 21 (Foto: Mal Langsdon \/ Reuters<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o posso acreditar! N\u00f3s conseguimos! 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