{"id":33296,"date":"2015-12-13T11:53:39","date_gmt":"2015-12-13T14:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33296"},"modified":"2015-12-13T11:53:39","modified_gmt":"2015-12-13T14:53:39","slug":"belezas-do-pantanal-de-pacatuba-incluem-46-lagoas-de-agua-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/belezas-do-pantanal-de-pacatuba-incluem-46-lagoas-de-agua-doce\/","title":{"rendered":"Belezas do Pantanal de Pacatuba incluem 46 lagoas de \u00e1gua doce"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33298\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Do nascer ao p\u00f4r do sol, Pacatuba, no litoral norte do Sergipe exibe cen\u00e1rios encantadores. A regi\u00e3o fica na divisa com Alagoas e quase \u00e0s margens do rio S\u00e3o Francisco, que des\u00e1gua no mar a poucos quil\u00f4metros do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>A maior parte dos 14 mil habitantes vive da pesca, da produ\u00e7\u00e3o de coco e da cria\u00e7\u00e3o de gado.\u00a0 A regi\u00e3o tem relevo singular, que intercala morros e plan\u00edcies alagadas. Para chegar \u00e0 praia \u00e9 preciso enfrentar 20 quil\u00f4metros de uma estradinha de areia batida e subir algumas dunas, mas o esfor\u00e7o vale a pena.<\/p>\n<p>O lugar \u00e9 t\u00e3o bonito que fica, praticamente, imposs\u00edvel escolher um \u00e2ngulo favorito. De um lado coqueirais, dunas e do outro lagoas e mar. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela beleza que esse peda\u00e7o do litoral de Sergipe \u00e9 importante. Essa regi\u00e3o \u00e9 fundamental tamb\u00e9m para sobreviv\u00eancia de algumas esp\u00e9cies da fauna e da flora brasileiras.<\/p>\n<p>Em uma \u00e1rea de apenas 40 quil\u00f4metros quadrados, Pacatuba tem 46 lagoas de \u00e1gua doce. Algumas s\u00e3o permanentes, outras s\u00f3 enchem na \u00e9poca das chuvas, por isso, o lugar foi batizado como pantanal sergipano.<\/p>\n<p>\u201cUm ecossistema de uma import\u00e2ncia biol\u00f3gica muito grande e \u00e9 muito sens\u00edvel\u201d. A ec\u00f3loga Mariana Oshiro, explica que a forma\u00e7\u00e3o das lagoas se deve a uma mistura de fatores. O complexo \u00e9 abastecido por dois rios que vazam na \u00e9poca das \u00e1guas. Chove bem durante o ver\u00e3o. O tipo de solo da regi\u00e3o absorve \u00e1gua. As plan\u00edcies em meio \u00e0s ondula\u00e7\u00f5es do terreno funcionam como caixas que armazenam essa \u00e1gua.<\/p>\n<p>Outro fator importante: o len\u00e7ol fre\u00e1tico \u00e9 mais alto e pr\u00f3ximo da superf\u00edcie. E as dunas formam uma barreira natural, evitando que a \u00e1gua doce escorra para o mar. \u201cTraz a mat\u00e9ria org\u00e2nica e acaba fazendo a manuten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria restinga, trazendo uma din\u00e2mica de nutrientes que \u00e9 importante\u201d, diz.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma mistura de forma\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas. Desde a vegeta\u00e7\u00e3o de restinga, que aparece nas dunas e na faixa de praia e de floresta atl\u00e2ntica, mais para dentro do continente.<\/p>\n<p>Nas lagoas tem peixes e plantas aqu\u00e1ticas. Criando um \u00f3timo ambiente para reprodu\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia de v\u00e1rias esp\u00e9cies animais. \u201cEle acaba sendo um ber\u00e7\u00e1rio, tem a oferta de alimentos, traz as aves migrat\u00f3rias, entre outros animais\u201d, comenta Mariana.<\/p>\n<p>A ec\u00f3loga Mariana Oshiro trabalha no Projeto Tamar, que cuida da preserva\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas em todo litoral brasileiro. Ela conta que v\u00e1rias esp\u00e9cies desovam na regi\u00e3o: entre elas a tartaruga de pente, amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, e a tartaruga oliva, esp\u00e9cie que mais aparecem nestas praias.<\/p>\n<div id=\"entenda_o_caso_329\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">Por sua import\u00e2ncia, 5.500 hectares dessa \u00e1rea foram transformados numa unidade federal de conserva\u00e7\u00e3o: a Reserva Biol\u00f3gica Santa Isabel. Criada em 1988, ela protege as praias, dunas e lagoas.<\/div>\n<p>O lugar \u00e9 t\u00e3o importante quanto raro, como vemos na Universidade Federal de Sergipe, em Aracaj\u00fa. A bi\u00f3loga Mirna Landim, doutora em recursos naturais, fala da raridade da regi\u00e3o: \u201cAbriga, de forma relativamente bem preservada, um conjunto de plantas e animais que ainda nem foram adequadamente inventariadas pela ci\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>A doutora Mirna explica que o complexo do pantanal \u00e9 muito sens\u00edvel e por isso tem quem ser preservado. Qualquer ocupa\u00e7\u00e3o humana nesse espa\u00e7o pode trazer consequ\u00eancias graves. \u201cJustamente por conta da vulnerabilidade ambiental. Solo arenoso, essa din\u00e2mica sazonal, a gente tem o risco da perda da diversidade nativa, destrui\u00e7\u00e3o do habitat de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias e tamb\u00e9m a contamina\u00e7\u00e3o do ambiente\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Para viver em harmonia com o lugar, hoje em Pacatuba j\u00e1 existem uma s\u00e9rie de iniciativas para produzir com sustentabilidade, sem agredir o meio ambiente.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores Org\u00e2nicos de Ponta de Areia, um dos distritos de Pacatuba, foi formada em 2007 por um grupo de jovens que participava de um projeto social para preparar esses jovens para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Fazendo est\u00e1gio em empresas da regi\u00e3o, eles aprenderam a produzir mudas de plantas nativas e decidiram abrir um viveiro comercial, como conta Lealdo dos Sanos, presidente da associa\u00e7\u00e3o. \u201cA gente passou a conhecer mais, teve cursos, da\u00ed a gente viu que tinha demanda, que \u00e9 muito bom e que a gente continua, sempre t\u00e1 produzindo. Hoje tem mercado para mudas nativas e sabemos que est\u00e1 contribuindo muito com o meio ambiente\u201d, diz.<\/p>\n<p>Eliane Bispo, tesoureira da associa\u00e7\u00e3o, conta que para montar o viveiro eles tiveram ajuda de uma ONG e dos amigos. \u201cO kit de irriga\u00e7\u00e3o, a estrutura do viveiro foi doada pelo Instituto Alian\u00e7a. O terreno foi uma ajuda entre os amigos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para conseguir as sementes, o grupo que hoje \u00e9 formado por sete jovens, percorre matas e fazendas da regi\u00e3o atr\u00e1s de plantas nativas, como a aroeirinha, o umbucaj\u00e1 e a mata fome.<\/p>\n<p>A retirada das sementes segue as recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. O corte \u00e9 feito com pod\u00e3o ou tesoura, para n\u00e3o quebrar os galhos da planta. Nem todas as sementes s\u00e3o retiradas, para preservar as matrizes e deixar alimento para p\u00e1ssaros e outros animais.<\/p>\n<p>Do campo, as sementes voltam para o viveiro onde s\u00e3o preparadas para o plantio. Para cada esp\u00e9cie se usa uma t\u00e9cnica diferente. Da canaf\u00edstula, por exemplo, se corta uma das pontas para a germina\u00e7\u00e3o ser mais r\u00e1pida. J\u00e1 a aroeirinha, passa apenas por uma sele\u00e7\u00e3o onde as sementes com defeito s\u00e3o descartadas.<\/p>\n<p>\u201cEu gosto muito de trabalhar aqui porque \u00e9 um trabalho diferente. Al\u00e9m do conhecimento ser grande, ajuda a preservar o meio ambiente. \u00c9 vida trabalhando com vida\u201d, declara Jadson Pinheiro.<\/p>\n<p>D\u00e9bora de Oliveira conta que a renda com o trabalho na associa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pequena: algo em torno de mil reais por ano para cada um. Mas a ideia \u00e9 crescer e poder ganhar a vida aqui mesmo na comunidade. \u201cComo se diz: da minha aldeia posso enxergar o mundo. Daqui mesmo posso ter minha pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e gerar sustentabilidade. N\u00e3o s\u00f3 para esses jovens que est\u00e3o aqui. Um mundo melhor para os nossos filhos e para as gera\u00e7\u00f5es vindouras\u201d, diz.<\/p>\n<p>Hoje o viveiro produz cerca e 80 mil mudas por ano.\u00a0 Outro ponto interessante dessa hist\u00f3ria \u00e9 que as sementes coletadas na regi\u00e3o est\u00e3o ficando l\u00e1 mesmo. O viveiro est\u00e1 vendendo boa parte das mudas que produz para um projeto de reflorestamento de \u00e1reas degradadas na bacia do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Na primeira etapa, que termina este ano, o projeto deve reflorestar cerca de 50 hectares nas bacias de dois afluentes do rio S\u00e3o Francisco, como conta o t\u00e9cnico agr\u00edcola, Ricardo dos Santos. \u201cAqui na regi\u00e3o do betume vamos fazer 25 hectares e a outra metade seria no sert\u00e3o, na regi\u00e3o de Po\u00e7o Redondo, que \u00e9 a bacia do rio Jacar\u00e9, afluente principal naquela regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho do projeto \u00e1guas do S\u00e3o Francisco, come\u00e7a com a constru\u00e7\u00e3o de cercas para isolar as \u00e1reas que ser\u00e3o reflorestadas. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar o acesso dos animais por um bom tempo. At\u00e9 que a muda possa sobreviver sozinha\u201d.<\/p>\n<p>Para construir as cercas e fazer o plantio das mudas, o projeto contrata pessoal aqui da regi\u00e3o mesmo.\u00a0 Ricardo explica que envolver a comunidade em cada etapa do trabalho \u00e9 fundamental para o sucesso do projeto. \u201cDe certa forma a gente estaria ajudando eles, contribuindo com o trabalho deles e trazendo educa\u00e7\u00e3o ambiental para reflorestar a regi\u00e3o deles mesmos\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Zezito dos Santos possui um pequeno s\u00edtio em Pacatuba. \u201cTem bananeira, mandioca, jaqueira e eucalipto\u201d, conta. Pelo trabalho no projeto, Zezito ganha R$ 40 por dia, mas dinheiro n\u00e3o foi o principal motivo que o trouxe pra c\u00e1. \u201cPara a preserva\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do nascer ao p\u00f4r do sol, Pacatuba, no litoral norte do Sergipe exibe cen\u00e1rios encantadores.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33298,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/pacatuba.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Do nascer ao p\u00f4r do sol, Pacatuba, no litoral norte do Sergipe exibe cen\u00e1rios encantadores.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33296"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33296\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}