{"id":33092,"date":"2015-12-10T11:00:11","date_gmt":"2015-12-10T14:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33092"},"modified":"2015-12-09T22:22:36","modified_gmt":"2015-12-10T01:22:36","slug":"o-clima-bate-as-portas-e-pede-muita-urgencia-para-a-reducao-de-poluentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-clima-bate-as-portas-e-pede-muita-urgencia-para-a-reducao-de-poluentes\/","title":{"rendered":"O clima bate \u00e0s portas e pede muita urg\u00eancia para a redu\u00e7\u00e3o de poluentes"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/clima_portas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33093\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/clima_portas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/clima_portas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/clima_portas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Muito tem de ser feito. N\u00e3o \u00e9 por acaso que se re\u00fanem em Paris os chefes de governo.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 sendo nem ser\u00e1 f\u00e1cil ou tranquila a vida dos chefes de Estado e outros participantes da C\u00fapula do Clima em andamento em Paris, que pretende definir novas metas para a redu\u00e7\u00e3o de poluentes \u2013 gerais e em cada pa\u00eds -, al\u00e9m de outras regras para o setor. O\u00a0secret\u00e1rio de Estado dos EUA, John Kerry, contrap\u00f4s-se ao presidente Barack Obama ao dizer que seu pa\u00eds n\u00e3o aceitaria regras obrigat\u00f3rias, vinculantes \u2013 a mesma atitude do enviado especial norte-americano, Todd Stern. Este chegou a propor um \u201cmodelo h\u00edbrido\u201d, em que obrigat\u00f3rias seriam apenas as regras para verificar as emiss\u00f5es de cada pa\u00eds, n\u00e3o os limites para elas. Um dos argumentos \u00e9 que os EUA j\u00e1 definiram que pretendem reduzir as suas entre 26% e 28% at\u00e9 2025 (confrontadas com as de 2005).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 surpresa at\u00e9 a\u00ed. Quando se encerrou a reuni\u00e3o preparat\u00f3ria em Bonn, h\u00e1 algumas semanas, o documento final com as posi\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses tinha 55 p\u00e1ginas, com cada um deles defendendo seus interesses espec\u00edficos \u2013 o que poderia levar \u00e0 paralisia. Um especialista da Cepal, Luis Miguel Galindo, advertia que j\u00e1 estamos emitindo no mundo 7 toneladas anuais de poluentes por habitante, ou entre 47 e 48 gigatoneladas (bilh\u00f5es de toneladas) totais \u2013 h\u00e1 quem fale em 50 gigatoneladas -, quando seria indispens\u00e1vel baixarmos para 20 gigatoneladas at\u00e9 2050 (2 toneladas per capita).<\/p>\n<p>Estudos da pr\u00f3pria ONU dizem que, nos padr\u00f5es de hoje, n\u00e3o alcan\u00e7aremos o objetivo de limitar a 2 graus Celsius o aumento da temperatura na Terra \u2013 chegaremos a pelo menos 2,7 graus no fim do s\u00e9culo. Para intensificar as medidas de adequa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 preciso um fundo anual de US$ 100 bilh\u00f5es, sobre o qual n\u00e3o h\u00e1 acordo entre poss\u00edveis financiadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico complicador. Relat\u00f3rio da Corporate Accountability International (24\/11) entra no pantanoso terreno das finan\u00e7as das corpora\u00e7\u00f5es patrocinadoras das negocia\u00e7\u00f5es sobre o clima. S\u00e3o empresas petrol\u00edferas e de outros combust\u00edveis f\u00f3sseis, bancos, geradoras de energia, etc. Segundo o relat\u00f3rio, contar com elas \u00e9 como \u201ccontratar uma raposa para guardar um galinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Como fazer, ent\u00e3o, se a Ag\u00eancia Internacional de Energia diz (10\/11) que as fontes \u201climpas\u201d n\u00e3o garantem que fiquemos nos limites adequados? E at\u00e9 2040, na marcha atual, as renov\u00e1veis devem representar apenas 15% do total do investimento no mundo \u2013 US$ 7,4 trilh\u00f5es. Os combust\u00edveis f\u00f3sseis receberam subs\u00eddios de US$ 490 bilh\u00f5es em 2014. Pouco menos que isso seria necess\u00e1rio investir em tecnologias de renov\u00e1veis at\u00e9 2030. Al\u00e9m disso, ser\u00e1 preciso eliminar as usinas que queimam carv\u00e3o, as mais poluidoras \u2013 mas que fornecem principalmente aos setores mais pobres (e h\u00e1 1,2 bilh\u00e3o de pessoas sem energia no mundo).<\/p>\n<p>Poucos dias antes da abertura da confer\u00eancia de Paris, morreu, aos 86 anos, Maurice Strong , a cuja persist\u00eancia devemos a cria\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o do Clima, depois de ser o chefe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Quando o jornal The Guardian lhe perguntou, h\u00e1 poucos anos, o que pensava do panorama na \u00e1rea, ele respondeu que \u201coperacionalmente\u201d era otimista, pois \u201cainda \u00e9 poss\u00edvel fazer o que sonhamos\u201d \u2013 apesar de uma realidade preocupante a ponto de os participantes da confer\u00eancia de Paris se dizerem alarmados com a situa\u00e7\u00e3o da China e da \u00cdndia, com suas capitais cobertas por \u201cnevoeiros sufocantes\u201d (Francepress, 1\/12). E com o panorama geral das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>De fato, o total das emiss\u00f5es, que em 1990 era de 38 gigatoneladas anuais (com os EUA como maior emissor), em 2010 j\u00e1 est\u00e1 perto de 50 gigatoneladas (agora a China \u00e9 o maior emissor com 23%, seguida dos EUA, com 15,5%). Se nada mudar, diz o Pnuma, poderemos ter aumento da temperatura entre 3 e 3,5 graus no fim do s\u00e9culo. O estudioso Bill McKibben calcula em 556 gigatoneladas o m\u00e1ximo de di\u00f3xido de carbono que poderemos colocar na atmosfera sem ultrapassar 2 graus no aumento da temperatura. No Brasil, seria um despaut\u00e9rio global se queim\u00e1ssemos todas as reservas de combust\u00edveis, inclusive no pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>H\u00e1 avan\u00e7os importantes. Nos EUA, o presidente Obama rejeitou a proposta de construir o oleoduto Keystone XL, ligando o Canad\u00e1 ao Golfo do M\u00e9xico e depois se espalhando pelo centro do territ\u00f3rio norte-americano, com passagem inclusive pelo Aqu\u00edfero de Ogalalla \u2013 o que seria inadmiss\u00edvel. A Gr\u00e3-Bretanha fechar\u00e1 todas as suas usinas a carv\u00e3o em poucos anos (elas geram 30% do total da energia no pa\u00eds) e passar\u00e1 para o g\u00e1s e a energia nuclear (tamb\u00e9m discut\u00edvel).<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m seguem as advert\u00eancias. A ONU tem alertado o Brasil (Estado, 7\/11) sobre o aumento preocupante das emiss\u00f5es de poluentes nas cidades e pelo complexo industrial, segundo as palavras de Achim Steiner, do Pnuma. O jornal Le Monde (25\/11) tem assinalado a dificuldade crescente de a floresta brasileira regular o clima (em 40 anos, diz, 63 mil quil\u00f4metros quadrados de florestas foram abatidos; em 2004 foram 27.772 km2 e em 2013, pouco mais de 5 mil; o Brasil j\u00e1 perdeu na regi\u00e3o mais de 200 mil km2 de florestas, mais que o territ\u00f3rio do Reino Unido). No Cerrado, perto de 40% j\u00e1 foram desmatados.<\/p>\n<p>Do lado mais otimista, o respeitado cientista Carlos Nobre, do Inpe, lembra que estamos com emiss\u00f5es de 7,5 toneladas por pessoa\/ano, mas poderemos chegar a 4 toneladas anuais em 2030 e 2 toneladas em 2050 (Eco 21, setembro). A pr\u00f3pria presidente da Rep\u00fablica tem afirmado que temos condi\u00e7\u00e3o de recuperar 15 milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas e replantar florestas em 5 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que tudo isso se concretize, que se detenha a progress\u00e3o de temperaturas em cidades como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, que se implante de fato um Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima em 11 setores. Muito tem de ser feito. N\u00e3o \u00e9 por acaso que se re\u00fanem em Paris os chefes de governo. N\u00e3o ser\u00e1 para trocar amabilidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito tem de ser feito. 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