{"id":33003,"date":"2015-12-08T17:00:49","date_gmt":"2015-12-08T20:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=33003"},"modified":"2015-12-08T08:20:49","modified_gmt":"2015-12-08T11:20:49","slug":"como-cingapura-venceu-o-mosquito-aedes-aegypti-e-por-que-e-tao-dificil-outros-paises-fazerem-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-cingapura-venceu-o-mosquito-aedes-aegypti-e-por-que-e-tao-dificil-outros-paises-fazerem-o-mesmo\/","title":{"rendered":"Cingapura venceu o mosquito Aedes aegypti, mas outros pa\u00edses n\u00e3o conseguem o mesmo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/dengue_cingapura.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-33004\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/dengue_cingapura-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/dengue_cingapura-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/dengue_cingapura.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cingapura \u00e9 um pa\u00eds bastante diferente do Brasil. Tem o tamanho de uma cidade, uma popula\u00e7\u00e3o de apenas 5 milh\u00f5es e est\u00e1 entre as na\u00e7\u00f5es mais ricas do mundo. Mas h\u00e1 similaridades. Um pa\u00eds tropical, tamb\u00e9m enfrenta um problema caracter\u00edstico de climas assim: a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito <em>Aedes aegypti<\/em>.<\/p>\n<p>A cidade-estado no limite sul do estreito de Malaca, na \u00c1sia, adotou um rigoroso programa no final dos anos 1960, que em tr\u00eas meses reduziu de 16% para 2% o \u00edndice de locais inspecionados onde foram encontradas larvas e pupas (est\u00e1gio anterior \u00e0 fase adulta) do mosquito e manteve a baixa incid\u00eancia de dengue, principal doen\u00e7a transmitida pelo inseto no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O sucesso da campanha teve como efeito colateral o enfraquecimento da imunidade da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e, quando o v\u00edrus ressurgiu no in\u00edcio dos anos 1990, a epidemia se estabeleceu de forma abrupta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s altos e baixos, o pa\u00eds ainda luta para retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o, mas tem apresentado bons resultados e \u00e9 considerado atualmente bem-sucedido, com uma queda de 45% nos casos da doen\u00e7a somente nos primeiros cinco meses de 2015.<\/p>\n<h3>Estrat\u00e9gia<\/h3>\n<p>Em tr\u00eas ocasi\u00f5es, o mosquito chegou a ser erradicado no mundo: primeiro, entre 1946 e 1970, em uma campanha continental nas Am\u00e9ricas, coordenada pelo Departamento Sanit\u00e1rio Pan-Americano, na qual 18 na\u00e7\u00f5es, entre elas o <strong><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/bbc\/2015\/12\/02\/por-que-o-mosquito-aedes-aegypti-transmite-tantas-doencas.htm\">Brasil<\/a><\/strong>, foram beneficiadas.<\/p>\n<p>Em 1981, Cuba conseguiu conter o mosquito por meio de um esfor\u00e7o militar vertical e com extenso uso de pesticidas.<\/p>\n<p>O terceiro caso de sucesso foi o de Cingapura. No centro da estrat\u00e9gia asi\u00e1tica, est\u00e3o tr\u00eas pilares: pesado investimento em controle; coleta e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica; e puni\u00e7\u00e3o ao desleixo.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Meio Ambiente (NEA, na sigla em ingl\u00eas), \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela vigil\u00e2ncia, trabalha em for\u00e7a-tarefa com 27 organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Diariamente, 850 agentes percorrem regi\u00f5es da cidade aplicando pesticida nos focos de desova.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia monitora o per\u00edmetro do pa\u00eds com uma rede de armadilhas. As chamadas &#8220;gravitraps&#8221; atraem mosquitos f\u00eameas em busca de um local para colocar seus ovos.<\/p>\n<p>O acompanhamento sistem\u00e1tico dessas armadilhas permite ao governo mapear onde h\u00e1 maior incid\u00eancia de mosquitos f\u00e9rteis e, ent\u00e3o, responder com esfor\u00e7o redobrado nestas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Um c\u00f3digo de cores avisa aos moradores o n\u00edvel de risco no bairro onde moram, para que a conscientiza\u00e7\u00e3o ocorra em tempo real. O alerta verde indica que &#8220;est\u00e1 tudo bem&#8221;. O amarelo, que &#8220;h\u00e1 casos de dengue registrados no seu bairro&#8221;. J\u00e1 o alerta vermelho aponta que &#8220;h\u00e1 mais de dez casos registrados&#8221; nas proximidades.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios da NEA t\u00eam autoridade para entrar sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial em propriedades particulares e emitir multas pesadas aos cidad\u00e3os que tiverem em suas casas \u00e1gua parada com ovos do mosquito. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a neglig\u00eancia pode levar \u00e0 cadeia.<\/p>\n<p>Igualmente, empreiteiras t\u00eam de garantir canteiros de obras seguros, sen\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o pode ser imediatamente embargada.<\/p>\n<p>A cada ano, Cingapura investe pelo menos US$ 12 d\u00f3lares (R$ 45) por cidad\u00e3o no combate \u00e0 dengue. Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, \u00e9 improv\u00e1vel que outros pa\u00edses consigam replicar o modelo devido ao alto investimento necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, a renda per capita em Cingapura em 2014 foi de US$ 83,1 mil, quase cinco vezes mais do que a brasileira, de US$ 16,2 mil, segundo o site CIA World Factbook.<\/p>\n<h3>Brasil<\/h3>\n<p>Al\u00e9m do alto custo, o <strong><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2015\/12\/05\/por-que-o-brasil-nao-consegue-combater-o-mosquito-da-dengue-por-sua-causa.htm\">vasto territ\u00f3rio e a necessidade de medidas rigorosas<\/a><\/strong> inviabilizariam a estrat\u00e9gia asi\u00e1tica no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos replicar o modelo de Cingapura. \u00c9 completamente diferente. Cingapura \u00e9 muito pequena, muito rica e muito severa em suas leis. Seria imposs\u00edvel. Todo pa\u00eds precisa adaptar medidas de controle \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es&#8221;, diz o m\u00e9dico Jonas Schmidt-Chanasit, professor do Instituto Bernard-Noch de Medicina Tropical e especialista do Centro de Colabora\u00e7\u00e3o e Pesquisa para Arbov\u00edrus e Febre Hemorr\u00e1gica da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 que precisamos de muito dinheiro. O controle de vetores \u00e9 muito caro. At\u00e9 mesmo para a Alemanha, onde \u00e9 inverno e faz frio, temos um programa de controle de vetores. O controle de uma pequena \u00e1rea no sudoeste, ao longo do rio Reno, por somente tr\u00eas meses, j\u00e1 custa 3 milh\u00f5es de euros (R$ 12 milh\u00f5es). Qual seria o pre\u00e7o disso para o Brasil o ano todo? R$ 3 bilh\u00f5es ou mais?&#8221;, ponderou Schmidt-Chanasit.<\/p>\n<p>Erradicar o mosquito Aedes aegypti no Brasil nos mesmos moldes do programa de Cingapura &#8220;seria extremamente dif\u00edcil e sem efici\u00eancia de custo&#8221;, corroborou Scott O&#8217;Neil, professor da Universidade Monash de Melbourne, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>&#8220;O Aedes aegypti n\u00e3o pode ser erradicado. Se nem mesmo na \u00c1sia ele foi completamente exterminado, imagine em outros lugares onde as medidas de controle s\u00e3o mais fracas&#8221;, afirma Christoph Hatz, professor de Epidemiologia do Instituto Su\u00ed\u00e7o de Sa\u00fade P\u00fablica e Doen\u00e7as Tropicais na Basil\u00e9ia.<\/p>\n<h3>Novas tecnologias<\/h3>\n<p>O que Cingapura e Brasil t\u00eam em comum, entretanto, \u00e9 a busca por novos m\u00e9todos de controle do mosquito. Ambos os pa\u00edses est\u00e3o estudando uma tecnologia pioneira desenvolvida pela equipe de O&#8217;Neil.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de erradica\u00e7\u00e3o proposto n\u00e3o foca somente em reduzir a popula\u00e7\u00e3o de insetos, mas principalmente em propagar a presen\u00e7a da bact\u00e9ria wolbachia entre os mosquitos.<\/p>\n<p>Segundo pesquisas, a presen\u00e7a da wolbachia no organismo do inseto agiria como agente bloqueador na transmiss\u00e3o de doen\u00e7as tropicais.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 estamos testando essa tecnologia em cinco pa\u00edses. Sabemos que ela funciona igualmente para dengue, chikungunya e zika e, inclusive, para parasitas da mal\u00e1ria e da febre amarela&#8221;, diz O&#8217;Neil \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Os testes com mosquitos portadores da bact\u00e9ria est\u00e3o ocorrendo na Col\u00f4mbia, Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia, Austr\u00e1lia e Brasil, onde a coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p>Machos com wolbachia que acasalam com f\u00eameas nativas resultam em ovos que n\u00e3o vingam. O cruzamento entre dois mosquitos com a bact\u00e9ria resulta em filhotes com a bact\u00e9ria e, quando apenas a f\u00eamea est\u00e1 infectada, os ovos que ela gerar tamb\u00e9m carregar\u00e3o a bact\u00e9ria consigo.<\/p>\n<p>A wolbachia seria segura e n\u00e3o causaria doen\u00e7as em humanos, por ser um elemento que j\u00e1 est\u00e1 presente na natureza e em diversos insetos, afirma O&#8217;Neil. Parte da pesquisa est\u00e1 sendo feita com fundos doados pelo bilion\u00e1rio e filantropo Bill Gates e sua esposa.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que, no futuro, com um investimento de apenas US$ 1 por cidad\u00e3o, seja poss\u00edvel erradicar muitas das doen\u00e7as propagadas pelo mosquito, sem ter de extermin\u00e1-lo, de acordo com o cientista.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas precisaremos introduzir a bact\u00e9ria uma vez, e ela garantir\u00e1 prote\u00e7\u00e3o cont\u00ednua (contra as doen\u00e7as). \u00c9 um gasto \u00fanico, n\u00e3o repetido, como \u00e9 o caso dos pesticidas&#8221;, projeta o australiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cingapura \u00e9 um pa\u00eds bastante diferente do Brasil. 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