{"id":3273,"date":"2014-07-20T13:46:27","date_gmt":"2014-07-20T13:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=3273"},"modified":"2014-07-20T13:49:35","modified_gmt":"2014-07-20T13:49:35","slug":"com-algodao-organico-do-semiarido-nordestino-empresa-francesa-produz-no-brasil-tenis-de-luxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/com-algodao-organico-do-semiarido-nordestino-empresa-francesa-produz-no-brasil-tenis-de-luxo\/","title":{"rendered":"Com algod\u00e3o org\u00e2nico do Semi\u00e1rido nordestino, Empresa francesa produz no Brasil t\u00eanis de luxo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/tenis.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-3274\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/tenis.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Para fazer um t\u00eanis, precisamos de algod\u00e3o, borracha e couro. Quer\u00edamos uma mat\u00e9ria-prima premium, diferenciada, que tivesse um impacto social e ambiental positivo e resultasse num sapato com conceito diferenciado\u201d, diz o s\u00f3cio fundador da marca francesa Vert, Fran\u00e7ois Ghislain Morillion. Conseguiu. O t\u00eanis da Vert \u00e9 fabricado com algod\u00e3o org\u00e2nico do Semi\u00e1rido nordestino, borracha nativa da Amaz\u00f4nia, couro curtido com tanino vegetal de ac\u00e1cia, no sul do pa\u00eds, e design franc\u00eas.<\/p>\n<p>Fabricado desde 2005 no Brasil com mat\u00e9ria-prima 100% brasileira, o t\u00eanis Vert (nome da marca no Brasil; Veja, no exterior) era vendido at\u00e9 o ano passado para Europa, Jap\u00e3o e Coreia.\u00a0 \u201cFaz todo o sentido passar a vend\u00ea-lo no Brasil, \u00e9 aqui que ele \u00e9 produzido\u201d, explica Morillion. O pre\u00e7o m\u00e9dio de um t\u00eanis da Vert, vendido no pa\u00eds desde setembro do ano passado, \u00e9 de R$ 200.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi dado em 2004, quando Morillion conheceu os produtores de algod\u00e3o do Cear\u00e1 pela ONG Esplar, de combate \u00e0 pobreza por meio da agroecologia, e lhes apresentou o conceito do cal\u00e7ado. Hoje, integradas ao Projeto Dom Helder C\u00e2mara, do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio, 800 fam\u00edlias de produtores espalhadas por dez munic\u00edpios do Estado fornecem o algod\u00e3o org\u00e2nico, cultivado em cons\u00f3rcio com outras culturas como milho, feij\u00e3o, gergelim, fava e sorgo.<\/p>\n<p>Com a intensifica\u00e7\u00e3o do plantio de algod\u00e3o, foi priorizado o sistema de conserva\u00e7\u00e3o do solo, com a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas como curva de n\u00edvel em terrenos declivosos, suspens\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos e das queimadas. \u201cA primeira coisa que os produtores falam na quest\u00e3o da melhoria de vida \u00e9 o fato de terem parado de usar agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o. A sa\u00fade da fam\u00edlia melhorou, o alimento deles ficou mais saud\u00e1vel\u201d, complementa o empres\u00e1rio.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"sustentabilidade_tenis (Foto: Marcelo Min\/Ed. Globo)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/G2Gd_lfnZr0z5II2lafwt1UTm_E=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/02\/11\/d20140116_135615_1_q10.jpg\" alt=\"sustentabilidade_tenis (Foto: Marcelo Min\/Ed. Globo)\" width=\"628\" height=\"405\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 780px;\">Fran\u00e7ois Morillion, s\u00f3cio da marca de t\u00eanis Vert (Foto: Marcelo Min\/Ed. Globo)<\/label><\/div>\n<p>Segundo Morillion, para a produ\u00e7\u00e3o dos cerca de 100 mil pares produzidos por ano pela Vert, s\u00e3o necess\u00e1rias 20 toneladas de pluma de algod\u00e3o. \u201cPagamos quase duas vezes o pre\u00e7o de mercado pelo algod\u00e3o org\u00e2nico, valorizando aquela produ\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o tem insumo qu\u00edmico, o solo est\u00e1 preservado e n\u00e3o se pratica a monocultura. Outra vantagem do sistema \u00e9 a independ\u00eancia alimentar do produtor, que planta o seu alimento e tem o algod\u00e3o como uma renda complementar\u201d, explica Morillion.<\/p>\n<p>Em 2008, um ano considerado regular, a produ\u00e7\u00e3o dos 90 agricultores, que at\u00e9 ent\u00e3o cultivavam entre 50% e 60% da \u00e1rea de 450 hectares, foi de 26,5 toneladas de pluma. No ano passado, em virtude da seca prolongada na regi\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou a 4 toneladas de pluma.\u00a0 \u201cSempre fizemos muito estoque para estarmos preparados para a seca, mas neste ano tem de chover, porque zeramos nosso estoque\u201d, afirma Morillion.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"sustentabilidade_extracao_latex (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/XIQbol_NGfiirDrm5rI0SFKGEJo=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/02\/11\/borracha_8.jpg\" alt=\"sustentabilidade_extracao_latex (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"639\" height=\"405\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 780px;\">A extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex no Acre ajuda a preservar os seringais (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p><em><strong>Borracha<\/strong><\/em><br \/>\nNa outra ponta do pa\u00eds, a empresa foi buscar uma borracha que garantisse os mesmos conceitos de sustentabilidade aplicados ao algod\u00e3o. Encontrou, na regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Acre, a mat\u00e9ria-prima nativa. Primeiramente em Assis Brasil, munic\u00edpio que integra a Reserva Chico Mendes, e depois se expandiu para Feij\u00f3 e Tarauac\u00e1 (AC). Com as comunidades produtoras das tr\u00eas localidades, a empresa consegue abastecer sua demanda, de 15 toneladas por ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do trabalho no seringal, os produtores fazem o processamento da borracha sob o m\u00e9todo conhecido como folha defumada l\u00edquida (FDL), uma inova\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UNB) que transforma a mat\u00e9ria bruta num produto pronto, com diversas utilidades na ind\u00fastria.<\/p>\n<p>A borracha bruta seria vendida pelo seringueiro a R$ 2 o quilo, pre\u00e7o praticado no mercado comum; o produto processado \u00e9 entregue para a empresa a R$ 7 (pre\u00e7o que deve subir para R$ 8 o quilo a partir deste ano). \u201cComo o pre\u00e7o atual da borracha bruta n\u00e3o permite que os seringueiros se mantenham na atividade, eles costumam cortar as \u00e1rvores para plantar pasto ou vender a madeira, como forma de sobreviv\u00eancia. A ideia \u00e9 fazer uma diferen\u00e7a econ\u00f4mica, para preservar o meio ambiente. Para eles, isso faz uma grande diferen\u00e7a. Hoje, eles se definem mais como produtores de FDL do que como seringueiros\u201d, diz o empres\u00e1rio Morillion.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"sustentabilidade_algodao_organico (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/RpK_hRxukDSz-Y4ChuNwbzT1qUs=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/02\/11\/img_1389.jpg\" alt=\"sustentabilidade_algodao_organico (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"622\" height=\"359\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 780px;\">Algod\u00e3o org\u00e2nico do Semi\u00e1rido nordestino (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p>A cadeia produtiva da borracha nativa \u00e9 acompanhada de perto por Bia Saldanha, estilista e empreendedora que trabalha com os seringueiros desde 1991, quando come\u00e7ou a desenvolver o couro vegetal. Durante anos, Bia vendeu a mat\u00e9ria-prima para a grife de bolsas de luxo francesa Herm\u00e8s.<\/p>\n<p>\u201cA FDL \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o do couro vegetal, uma tecnologia que abriu caminho para o desenvolvimento de outras. Conceitualmente, a FDL tem a mesma proposta do couro: agregar valor \u00e0 borracha no seringal. Por\u00e9m, ela amplia o leque de aplica\u00e7\u00f5es por parte da ind\u00fastria\u201d, ressalta Bia Saldanha.<\/p>\n<p>Procurada pela Vert para fazer o trabalho de monitoramento constante da cadeia produtiva da borracha no Acre e do com\u00e9rcio justo, Bia passou a colaboradora da empresa em 2007. \u201cUm dos desafios permanentes \u00e9 a quest\u00e3o de ajustar oferta e demanda de acordo com as necessidades da empresa\u201d, diz.<\/p>\n<p><em><strong>Couro<\/strong><\/em><br \/>\nH\u00e1 pouco tempo, a Vert passou a incluir tamb\u00e9m o couro em suas pe\u00e7as de cal\u00e7ado. Para seguir com a tend\u00eancia sustent\u00e1vel, encontraram, no outro extremo do pa\u00eds, no Sul, couro curtido com tanino vegetal de ac\u00e1cia, livre de cromo, subst\u00e2ncia comum no processamento. Por enquanto, apenas o curtimento \u00e9 controlado pela empresa. A tend\u00eancia, segundo Morillion, \u00e9 que este ano eles consigam fazer a rastreabilidade de toda a cadeira produtiva do couro. \u201cS\u00f3 exigimos que ele n\u00e3o venha da Amaz\u00f4nia, para n\u00e3o ser um couro derivado de desmatamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As f\u00e1bricas de confec\u00e7\u00e3o dos cal\u00e7ados tamb\u00e9m ficam no Sul, na regi\u00e3o de Novo Hamburgo (RS). O faturamento global da empresa cresceu de 5,4 milh\u00f5es de euros, em 2012, para 6 milh\u00f5es de euros, em 2013. Morillion e o s\u00f3cio, S\u00e9bastien Kopp, preferem n\u00e3o fazer previs\u00f5es ou estabelecer percentuais de crescimento para este ano. \u201cAt\u00e9 nosso crescimento tem de ser org\u00e2nico. Queremos crescer junto com nossos parceiros. N\u00e3o vamos vender 1 milh\u00e3o de pares se n\u00e3o tivermos mat\u00e9ria-prima para isso\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para fazer um t\u00eanis, precisamos de algod\u00e3o, borracha e couro. 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