{"id":32715,"date":"2015-12-04T07:00:54","date_gmt":"2015-12-04T10:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=32715"},"modified":"2015-12-03T19:53:30","modified_gmt":"2015-12-03T22:53:30","slug":"falta-de-agua-na-represa-de-sobradinho-ameaca-ribeirinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/falta-de-agua-na-represa-de-sobradinho-ameaca-ribeirinhos\/","title":{"rendered":"Falta de \u00e1gua na represa de Sobradinho amea\u00e7a ribeirinhos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-32716\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Sobradinho, a maior represa do Rio S\u00e3o Francisco e de todo o Nordeste, est\u00e1 morrendo. Depois de tr\u00eas anos de seca, cidades fantasmas, que passaram d\u00e9cadas encobertas pela \u00e1gua, voltaram \u00e0 tona.<\/p>\n<p>N\u00e3o se v\u00ea uma folha verde na caatinga, o pasto acabou, animais est\u00e3o morrendo, planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o resistiram. O lago, que ficava ao alcance dos olhos, se afastou tanto que agora se chega de carro onde barcos navegavam.<\/p>\n<p>O mar de \u00e1gua doce, que se espalhava por mais de 300 quil\u00f4metros, est\u00e1 irreconhec\u00edvel. O lago de Sobradinho nunca foi visto assim desde que se formou. A seca est\u00e1 revelando lugares que ficavam submersos.<\/p>\n<p>Sento S\u00e9, Pil\u00e3o Arcado, Remanso e Casa Nova foram inundadas h\u00e1 quase 40 anos. Na \u00e9poca, mais de 70 mil pessoas foram obrigadas a se mudar para as novas cidades constru\u00eddas com o mesmo nome e fora do alcance das \u00e1guas, represadas pela barragem de Sobradinho.<\/p>\n<p>A pior seca dos \u00faltimos 50 anos amea\u00e7a milhares de trabalhadores rurais. As cidades e os agricultores que dependiam da represa de Sobradinho n\u00e3o t\u00eam mais de onde tirar \u00e1gua.<\/p>\n<p>Depois de 3 anos sem chover, quem cresceu no sert\u00e3o que virou mar, agora v\u00ea a caatinga ressurgir no leito seco do lago e convive com um calor de mais de 40\u00baC. As comunidades do entorno, que ficavam a metros da \u00e1gua, agora est\u00e3o a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Muitas cidades foram obrigadas a adaptar esta\u00e7\u00f5es de abastecimento. N\u00e3o h\u00e1 como bombear a \u00e1gua nos pontos originais. Os carros-pipa, em v\u00e1rios pontos de capta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o um exemplo revoltante do desperd\u00edcio. Eles n\u00e3o pagam nada para encher os tanques, mas cobram caro para matar a sede das fam\u00edlias. \u201cMil litros de \u00e1gua custam R$ 30. Pago isso umas quatro vezes no m\u00eas\u201d, relata a dona de casa Alice Cipriano Rocha.<\/p>\n<p>T\u00e3o dif\u00edcil quanto ter a casa abastecida de \u00e1gua \u00e9 colher o que plantou. Os produtores estavam acostumados a molhar seus plantios a cada dois dias. Depois, uma vez por semana. Hoje, muitos deles n\u00e3o conseguem de jeito nenhum.<\/p>\n<p>Pequenos produtores chegaram a emendar tubos para tentar buscar a \u00e1gua, mas acabaram desistindo. Um canal de mais de tr\u00eas quil\u00f4metros est\u00e1 sendo aberto para alimentar o maior projeto irrigado da regi\u00e3o. A fruticultura no Vale do S\u00e3o Francisco emprega 250 mil pessoas. Se a obra n\u00e3o ficar pronta, haver\u00e1 racionamento de \u00e1gua nos 23 mil hectares de frutas.<\/p>\n<p>Pouca gente sabe, mas no Nordeste, quanto mais venta, menos chove. Depois de tr\u00eas anos de seca, a gera\u00e7\u00e3o de energia na represa de Sobradinho pode parar a qualquer momento. A produ\u00e7\u00e3o de eletricidade na regi\u00e3o depende agora das turbinas e\u00f3licas.<\/p>\n<p>Quando o lago chegar ao n\u00edvel zero &#8211; hoje tem menos de 2% &#8211; as turbinas da hidrel\u00e9trica v\u00e3o parar de funcionar. A plena carga, Sobradinho abastece uma cidade de tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes. &#8220;N\u00f3s estamos atendendo aos consumidores da regi\u00e3o Nordeste com menos energia proveniente de gera\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica, mas n\u00f3s temos outras alternativas\u201d, afirma Jo\u00e3o Henrique Franklin, superintendente de opera\u00e7\u00f5es da Companhia Hidro-El\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (CHESF).<\/p>\n<p>Uma das principais alternativas tem o vento como mat\u00e9ria-prima. J\u00e1 s\u00e3o 322 parques e\u00f3licos espalhados por 11 estados, que produzem cerca de 4% de toda a energia consumida. A maior parte fica na regi\u00e3o da seca.<\/p>\n<p>Hoje, no Nordeste, a energia e\u00f3lica \u00e9 t\u00e3o importante quanto a que \u00e9 gerada pelas hidrel\u00e9tricas. Em m\u00e9dia, produz tamb\u00e9m 30% e j\u00e1 chegou a ultrapassar essa marca em alguns momentos e a tend\u00eancia \u00e9 aumentar mais ainda.<\/p>\n<p>Mais de 80% da gera\u00e7\u00e3o das e\u00f3licas saem do Nordeste. A produ\u00e7\u00e3o deveria ser maior se uma usina no munic\u00edpio de Casa Nova, norte da Bahia, estivesse funcionando desde novembro de 2013, como informa a placa na entrada. A obra, de R$ 800 milh\u00f5es, financiada pelo Governo Federal, consumiu quase a metade do dinheiro. Das 120 torres apenas 16 foram instaladas.<\/p>\n<p>Em outra usina, no munic\u00edpio de Sento S\u00e9, o arrendamento \u00e9 receita garantida. Gente que nem sabia o que \u00e9 energia e\u00f3lica, est\u00e1 ganhando dinheiro.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores da \u00e1rea, nos pr\u00f3ximos dez anos, o consumo de energia deve aumentar mais de 30% no Brasil e com o avan\u00e7o da energia e\u00f3lica v\u00e3o diminuir a press\u00e3o sobre os rios e a depend\u00eancia das hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobradinho, a maior represa do Rio S\u00e3o Francisco e de todo o Nordeste, est\u00e1 morrendo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ribeirinha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Sobradinho, a maior represa do Rio S\u00e3o Francisco e de todo o Nordeste, est\u00e1 morrendo.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32715"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}