{"id":32533,"date":"2015-11-30T16:00:16","date_gmt":"2015-11-30T19:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=32533"},"modified":"2015-11-29T22:07:40","modified_gmt":"2015-11-30T01:07:40","slug":"ilha-perdida-no-coracao-do-mar-egeu-e-descoberta-por-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ilha-perdida-no-coracao-do-mar-egeu-e-descoberta-por-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Ilha perdida no cora\u00e7\u00e3o do Mar Egeu \u00e9 descoberta por pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-32536\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No ano de 406 a.C., as \u00e1guas ao redor da cidade grega de Canae foram palco de um dos \u00faltimos e decisivos embates navais da Guerra do Peloponeso. Nas \u201cHel\u00eanicas\u201d, o fil\u00f3sofo Xenofonte descreveu a surpreendente vit\u00f3ria da inexperiente tripula\u00e7\u00e3o ateniense sobre a poderosa armada espartana na Batalha das Arginusas, um pequeno arquip\u00e9lago de tr\u00eas ilhas entre Lesbos e E\u00f3lia. Com base nos escritos, duas delas j\u00e1 haviam sido localizadas, e uma equipe internacional de pesquisadores acaba de descobrir a terceira \u201cilha perdida\u201d no Mar Egeu.<\/p>\n<p>As ilhas Arginusas, conhecidas hoje como ilhas Garip, ficam pr\u00f3ximas \u00e0 costa da Turquia. Em qualquer mapa, \u00e9 poss\u00edvel ver duas delas claramente, mas a terceira sempre esteve ali, escondida. O pesquisador Felix Pirson, diretor do Instituto Arqueol\u00f3gico Alem\u00e3o em Istambul e l\u00edder das pesquisas, explica que a \u201cilha perdida\u201d, hoje, \u00e9 uma pen\u00ednsula. Com o passar do tempo, a deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos fez com que uma ponte se formasse no canal que a separava do continente, fazendo com que ela n\u00e3o fosse percebida por estudos anteriores.<\/p>\n<p>\u2014 Ela se parece com uma pen\u00ednsula, mas podemos dizer que era uma ilha \u2014 disse Pirson ao GLOBO. \u2014 A cidade de Canae j\u00e1 havia sido localizada por outros pesquisadores, com base em escritos que descrevem sua localiza\u00e7\u00e3o. O que n\u00f3s descobrimos \u00e9 que essa cidade ficava em uma ilha.<\/p>\n<p>Os estudos nos arredores de Canae faziam parte de um projeto mais amplo para o entendimento de antigas redes de navega\u00e7\u00e3o entre os portos da regi\u00e3o. A descoberta de que a cidade estava localizada em uma ilha que era procurada h\u00e1 anos aconteceu por acaso. Durante a an\u00e1lise dos arredores, os pesquisadores realizaram levantamentos geoarqueol\u00f3gicos que indicaram que determinados trechos do terreno, no passado, eram cobertos por \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u2014 Durante a nossa pesquisa, inferimos que Canae tinha um porto importante, e por isso fomos trabalhar l\u00e1 \u2014 contou Pirson. \u2014 N\u00f3s encontramos restos do porto com resqu\u00edcios de artefatos do per\u00edodo Helen\u00edstico (323 a.C. a 31 a.C.), mas descobrimos que Canae estava em uma ilha. E essa informa\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica corrobora fontes hist\u00f3ricas de que deveriam existir tr\u00eas ilhas Arginusas.<\/p>\n<p>Agora, os pesquisadores realizam exames de data\u00e7\u00e3o por carbono no material org\u00e2nico encontrado para compreender melhor o processo de assoreamento do canal. Depois de as tr\u00eas ilhas terem sido citadas por Xenofonte e outros autores da Antiguidade, como Estrab\u00e3o e Diodoro S\u00edculo, um mapa da regi\u00e3o elaborado pelo cart\u00f3grafo otomano Piri Reis, no s\u00e9culo XVI, j\u00e1 apontava a liga\u00e7\u00e3o entre a ilha e o continente.<\/p>\n<p>\u2014 Resta saber quando o assoreamento do canal aconteceu, o que nos vai ser dito pela data\u00e7\u00e3o do material org\u00e2nico que encontramos \u2014 explicou o explorador.<\/p>\n<p><strong>ROTAS MAR\u00cdTIMAS IMPORTANTES<\/strong><\/p>\n<p>Pirson lidera uma equipe multidisciplinar formada por arque\u00f3logos, historiadores, ge\u00f3grafos e geof\u00edsicos de oito universidades turcas, alem\u00e3s e brit\u00e2nicas. Para eles, a principal descoberta foi a constata\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um porto de dimens\u00f5es significativas para Canae, que era praticamente uma vila. E o estabelecimento da cidade em uma ilha indica que a rela\u00e7\u00e3o de trocas com o continente n\u00e3o tinha import\u00e2ncia primordial. A quest\u00e3o era ter o controle da ba\u00eda.<\/p>\n<p>\u2014 A cidade era muito pequena, com um porto muito grande. Obviamente, foi ponto de parada de grandes rotas mar\u00edtimas. Esta \u00e9 a descoberta que eu, particularmente, acho mais interessante \u2014 disse Pirson. \u2014 Mas \u00e9 claro que as Arginusas s\u00e3o pontos geogr\u00e1ficos importantes, e sempre houve essa discuss\u00e3o de onde estaria a terceira ilha. Todo mundo fica feliz quando se encontra algo que estava perdido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a descoberta reacende o debate sobre um per\u00edodo determinante da Hist\u00f3ria do Ocidente. O professor Andr\u00e9 Chevitarese, do Instituto de Hist\u00f3ria da UFRJ, destaca que a chamada Guerra do Peloponeso, entre 431 a.C. e 404 a.C., colocou em confronto duas for\u00e7as antag\u00f4nicas. De um lado, Esparta, representando as for\u00e7as e estruturas olig\u00e1rquicas. Do outro, Atenas, com sua democracia.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s temos a derrota da primeira refer\u00eancia de uma experi\u00eancia democr\u00e1tica bem-sucedida, que inspirou os revolucion\u00e1rios franceses e americanos \u2014 comentou Chevitarese. \u2014 E a Batalha das Arginusas foi determinante para o rev\u00e9s dos atenienses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s serem esmagados na tentativa de invas\u00e3o da Sic\u00edlia, entre 415 a.C. e 413 a.C., os atenienses continuaram de p\u00e9, mas com for\u00e7as militares bastante reduzidas. Do outro lado, os espartanos conseguiram o apoio dos persas, que tamb\u00e9m desejavam destruir o poderio de Atenas, sobretudo o dom\u00ednio dos mares.<\/p>\n<p>A Batalha das Arginusas era a oportunidade para Esparta destruir as for\u00e7as navais rivais. A frota principal ateniense, comandada por Conon, estava bloqueada por espartanos em Mitilene, na ilha de Lesbos. Para resgat\u00e1-la, Atenas construiu uma esquadra \u00e0s pressas, com tripula\u00e7\u00e3o inexperiente, e se lan\u00e7ou ao mar. O esfor\u00e7o permitiu a constru\u00e7\u00e3o de 150 embarca\u00e7\u00f5es, com oito comandantes.<\/p>\n<p>Ao perceber a movimenta\u00e7\u00e3o do inimigo, o almirante espartano Calicr\u00e1tidas rumou com 140 navios de encontro ao refor\u00e7o ateniense, deixando 50 embarca\u00e7\u00f5es no cerco a Conon. Pela primeira vez na Guerra do Peloponeso, a vantagem estava ao lado da frota de Esparta, sobretudo pela experi\u00eancia dos comandantes e da tripula\u00e7\u00e3o. O confronto aconteceu perto das ilhas Arginusas e, de forma surpreendente, Atenas saiu vencedora.<\/p>\n<p>Calicr\u00e1tidas foi morto e cerca de 70 navios espartanos afundaram, contra perdas de apenas 25 do lado ateniense, mas uma tempestade ap\u00f3s a vit\u00f3ria selou o destino de Atenas na guerra. Os oito comandantes decidiram dividir a frota em duas, com a maior parte seguindo em persegui\u00e7\u00e3o aos espartanos restantes, e um destacamento menor ficando para socorrer os sobreviventes dos navios afundados ou danificados. Por causa das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, nenhuma das a\u00e7\u00f5es foi poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A inesperada vit\u00f3ria foi comemorada em Atenas, mas a euforia foi rapidamente substitu\u00edda pelo debate na Assembleia sobre a responsabilidade da falha no resgate da tripula\u00e7\u00e3o dos navios perdidos. Os oito comandantes foram depostos e levados a julgamento. Dois conseguiram escapar, mas os outros seis foram condenados \u00e0 morte.<\/p>\n<p>\u2014 A Batalha das Arginusas praticamente marca o desfecho da chamada \u00e9poca cl\u00e1ssica grega \u2014 explicou Chevitarese. \u2014 Mesmo com a vit\u00f3ria ateniense, a condena\u00e7\u00e3o dos comandantes \u00e0 morte implicou, no ano seguinte, a derrota de Atenas para Esparta.<\/p>\n<p><strong>CONDENA\u00c7\u00c3O VIRA REFER\u00caNCIA DE MODELO POL\u00cdTICO<\/strong><\/p>\n<p>Os atenienses chegaram a se arrepender da decis\u00e3o, mas a condena\u00e7\u00e3o marca o debate sobre a democracia at\u00e9 os dias atuais. Na experi\u00eancia ateniense, todos os cidad\u00e3os tinham direito a voto. Foi o povo que determinou a execu\u00e7\u00e3o dos vitoriosos comandantes.<\/p>\n<p>\u2014 Os cr\u00edticos da democracia, n\u00e3o apenas na \u00e9poca, usam a condena\u00e7\u00e3o dos militares como argumento que o povo, reunido em assembleia, pode ser perigoso quando dirigido por pessoas inescrupulosas \u2014 disse Chevitarese. \u2014 Dessa forma, eles defendem que o sistema democr\u00e1tico via representa\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor, porque n\u00e3o se elege a turba. Elege-se pol\u00edticos profissionais que v\u00e3o, em pequenos colegiados, deliberar os caminhos a serem seguidos.<\/p>\n<p>Sem os oito talentosos comandantes e com a substitui\u00e7\u00e3o de Calicr\u00e1tidas por Lisandro no comando da frota espartana, Atenas foi derrotada no ano seguinte na Batalha de Egosp\u00f3tamos. Praticamente todas as embarca\u00e7\u00f5es atenienses foram afundadas ou danificadas. Sem resist\u00eancia, Lisandro foi capturando todas as cidades no caminho para Atenas, onde o cerco teve in\u00edcio. Em mar\u00e7o de 404 a.C., Atenas se rendeu. Os muros da cidade foram demolidos, um governo pr\u00f3-espartano foi estabelecido e Esparta foi al\u00e7ada ao posto de completa domin\u00e2ncia no mundo grego.<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano de 406 a.C., as \u00e1guas ao redor da cidade grega de Canae foram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ilha_perdida.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"No ano de 406 a.C., as \u00e1guas ao redor da cidade grega de Canae foram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32533"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32533\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}