{"id":32414,"date":"2015-11-27T22:27:20","date_gmt":"2015-11-28T01:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=32414"},"modified":"2015-11-27T22:27:20","modified_gmt":"2015-11-28T01:27:20","slug":"a-cop-21-e-o-inicio-de-um-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-cop-21-e-o-inicio-de-um-caminho\/","title":{"rendered":"\u201cA COP 21 \u00e9 o in\u00edcio de um caminho\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/MichelleBachelet.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-203381\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/MichelleBachelet.jpg\" alt=\"A presidente do Chile, Michelle Bachelet, durante entrevista exclusiva concedida \u00e0 IPS, no Sal\u00e3o Azul do Pal\u00e1cio de La Moneda, sede do governo, em Santiago, antes de viajar a Paris para participar, no dia 30 deste m\u00eas, da abertura da crucial c\u00fapula clim\u00e1tica mundial que acontecer\u00e1 at\u00e9 11 de dezembro. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"639\" height=\"423\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS<\/em><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 27\/11\/2015 \u2013 Para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, a c\u00fapula clim\u00e1tica de Paris \u201cn\u00e3o \u00e9 o fim de um processo, mas o in\u00edcio\u201d, de onde sair\u00e1 \u201cum acordo que, embora seja insuficiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 meta original, demonstra que as pessoas consideram que \u00e9 melhor avan\u00e7ar do que ficar em ponto morto\u201d. Em entrevista exclusiva \u00e0 IPS, realizada pouco antes de viajar \u00e0 capital francesa, a mandat\u00e1ria falou sobre os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em n\u00edvel mundial e enfatizou v\u00e1rias vezes que os acordos alcan\u00e7ados na c\u00fapula \u201cdever\u00e3o ser vinculantes\u201d, al\u00e9m de universais.<\/p>\n<p>Bachelet participar\u00e1, no dia 30, da abertura da 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), que acontecer\u00e1 at\u00e9 11 de dezembro e na qual dever\u00e1 ser aprovado um novo tratado por seus 195 pa\u00edses integrantes, a fim de conter o aquecimento global. A presidente tamb\u00e9m apontou que a c\u00fapula em Paris ter\u00e1 um simbolismo distinto, ap\u00f3s os atentados terroristas nos quais morreram mais de uma centena de pessoas. \u201cSer\u00e1 um sinal clar\u00edssimo de que n\u00e3o nos deixaremos amedrontar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma regi\u00e3o com impactos semelhantes pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas negocia com vozes fragmentadas sobre como enfrent\u00e1-la. A regi\u00e3o perdeu uma oportunidade de lideran\u00e7a e melhor defesa de seus interesses conjuntos?<\/p>\n<p><strong>MICHELLE BACHELET: <\/strong>\u00c0s vezes n\u00e3o se consegue levar uma s\u00f3 voz, porque, apesar de haver realidades semelhantes, devem ser tomadas decis\u00f5es que nem sempre os governos est\u00e3o dispostos a adotar, ou porque vivem momentos distintos. N\u00f3s pertencemos \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Independente da Am\u00e9rica Latina e do Caribe para as negocia\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica junto com Col\u00f4mbia, Costa Rica, Guatemala, Panam\u00e1, Paraguai e Peru. N\u00f3s nos pusemos de acordo e temos olhares convergentes sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Os pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o os que geram mais emiss\u00f5es em n\u00edvel global e, al\u00e9m de podermos ter algumas diferen\u00e7as, o relevante \u00e9 que todos faremos esfor\u00e7os importantes para reduzir as emiss\u00f5es, para potencializar energias mais limpas e outros mecanismos e iniciativas.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>A COP 21 aprovar\u00e1 o texto de um novo tratado clim\u00e1tico universal?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>A COP 21 n\u00e3o \u00e9 o fim do processo, \u00e9 o in\u00edcio de um processo no qual os pa\u00edses entregar\u00e3o seus compromissos nacionais, e depois ver\u00e3o os mecanismos para avaliar a implanta\u00e7\u00e3o daquilo e, a cada determinado per\u00edodo, propor outras metas, mais ambiciosas em alguns casos. Esta ser\u00e1 a primeira c\u00fapula sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, depois da confer\u00eancia de Copenhague (2009) \u2013 quando n\u00e3o se conseguiu chegar a um acordo, apesar de se saber que o Protocolo de Kyoto terminava \u2013, que pode levar a algum n\u00edvel de acordo. Pode n\u00e3o ser do n\u00edvel \u00f3timo, pode ser que aparentemente os compromissos at\u00e9 agora entregues publicamente pelos Estados n\u00e3o consigam o objetivo de evitar que a temperatura do planeta aumente mais de dois graus. Contudo, \u00e9 um tremendo avan\u00e7o ao que ocorre historicamente. Agora, o Chile sustenta que os compromissos devem ser vinculantes e vamos apoiar essa postura que, claramente, n\u00e3o \u00e9 apoiada por todos.<\/p>\n<p><strong>IPS:<\/strong> A senhora se inscreve, ent\u00e3o, entre os que acreditam que Paris marcar\u00e1 um ponto de inflex\u00e3o positivo na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>Sim, no sentido de que se chegar\u00e1 a um acordo concreto e definitivo. Mas, insisto, \u00e9 o in\u00edcio de um caminho. Depois ser\u00e1 preciso tomar outras medidas mais ambiciosas, para reduzir ainda mais a temperatura do planeta.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>O tratado em debate incluir\u00e1 financiamento que o Sul global, e em particular a Am\u00e9rica Latina, requer para contribuir para o planeta n\u00e3o chegar a uma situa\u00e7\u00e3o irrepar\u00e1vel para a vida humana?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>Tenho a esperan\u00e7a de que o Fundo Verde para o Clima cres\u00e7a e permita que os pa\u00edses sem acesso a tecnologia ou a recursos possam ter acesso a eles. Sempre teremos na regi\u00e3o a contradi\u00e7\u00e3o que surge, de que somos pa\u00edses considerados de renda m\u00e9dia e, portanto, n\u00e3o somos priorizados na hora dos recursos, mas que, por sua vez, nossas economias muitas vezes n\u00e3o podem assumir custos maiores. Por outro lado, somos os menores emissores. Por isso no Chile colocamos duas metas, uma sem apoio externo e outra com apoio externo de redu\u00e7\u00e3o em 45% das emiss\u00f5es. Mas tamb\u00e9m existe uma possibilidade de financiamento por meio de programas de coopera\u00e7\u00e3o, para a introdu\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de novas tecnologias para nossos pa\u00edses, que nos permitir\u00e1 poder responder aos compromissos.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>Como primeira diretora-executiva da ONU Mulheres (2010-2013), a senhora colaborou com a constru\u00e7\u00e3o da tese de que as mulheres devem ser levadas em conta nas negocia\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, porque elas suportam diariamente seus impactos e s\u00e3o determinantes na adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o do aquecimento. Que protagonismo deveriam ter as mulheres no novo tratado?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>H\u00e1 uma quantidade de decis\u00f5es cotidianas que influem e que s\u00e3o tomadas pelas mulheres. Por exemplo, a efici\u00eancia energ\u00e9tica \u00e9 um programa muito fundamental na hora da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e que pode ser muito dom\u00e9stico, como apagar as luzes. Mas, tamb\u00e9m, em muitos lugares do mundo, s\u00e3o as mulheres que carregam \u00e1gua, que cozinham com lenha, sobretudo em \u00e1reas mais vulner\u00e1veis. Ent\u00e3o, disso at\u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3s preocupadas com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, com o convencimento de que \u00e9 poss\u00edvel uma economia verde, uma economia inclusiva e sustent\u00e1vel. E, por certo, o papel pol\u00edtico da mulher em n\u00edvel do parlamento, dos munic\u00edpios, que impulsione com for\u00e7a as medidas e tamb\u00e9m garantindo um planeta poss\u00edvel de se viver.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>Como presidente e como chilena, o que mais a preocupa sobre a situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica atual. Em que colocaria a m\u00e1xima prioridade?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>S\u00e3o muitas as coisas que me preocupam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que v\u00e3o desde secas impressionantes, inunda\u00e7\u00f5es, ilhas que poderiam desaparecer sob a \u00e1gua, isto \u00e9, como afetam a vida das pessoas eventos da natureza que est\u00e3o vinculados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Tamb\u00e9m me preocupa o essencial para o ser humano, que \u00e9 que haja \u00e1gua para beber e alimento, dois elementos que podem ser profundamente afetados com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Vemos como h\u00e1 regi\u00f5es do pa\u00eds onde as pessoas recebem \u00e1gua somente de caminh\u00f5es-pila e de forma racionada. Isso afeta n\u00e3o s\u00f3 a vida cotidiana das pessoas, mas tamb\u00e9m, em zonas agr\u00edcolas, a produ\u00e7\u00e3o e a renda. Pensamos na maravilhosa variedade de peixes e mariscos que temos em nosso pa\u00eds e que est\u00e1 vinculada \u00e0s temperaturas do oceano. Tudo isso pode acabar sendo modificado. \u00c9 tudo muito importante e acaba afetando a vida das pessoas.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>Paris foi v\u00edtima, no dia 13 deste m\u00eas, do terrorismo jihadista, com mais de uma centena de mortos. Esses atentados alteraram o clima da c\u00fapula? A participa\u00e7\u00e3o dos chefes de Estado e de governo servir\u00e1 tamb\u00e9m como uma resposta a esse terrorismo?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>H\u00e1 mais de 160 chefes de Estado e de governo confirmados para a reuni\u00e3o na capital francesa, o que n\u00e3o deixa de ser um claro sinal de que \u201cn\u00e3o vamos nos deixar atemorizar\u201d. Vamos a Paris, primeiro porque o tema que ser\u00e1 abordado e discutido \u00e9 importante, mas tamb\u00e9m porque passaremos uma mensagem de que n\u00e3o vamos tolerar esse tipo de a\u00e7\u00e3o e que seguiremos adiante na defesa dos valores que nos parecem essenciais. E daremos um abra\u00e7o de solidariedade na irm\u00e3 Rep\u00fablica da Fran\u00e7a, no presidente Fran\u00e7ois Hollande e no povo franc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>IPS: <\/strong>O Chile teve um aplaudido processo de consulta p\u00fablica para a constru\u00e7\u00e3o de suas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC), a serem inclu\u00eddas no novo tratado. Mas setores da m\u00eddia e empresariais criticaram algumas das metas volunt\u00e1rias estabelecidas. Isso dificultar\u00e1 sua execu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>MB: <\/strong>Nem sempre todos est\u00e3o de acordo, o que vemos em diferentes processos. Espero que haja cada vez maior consci\u00eancia, e essa \u00e9 uma tarefa que tamb\u00e9m temos como governo. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade, n\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o, que ter\u00e1 consequ\u00eancias desastrosas para todos, mas tamb\u00e9m para a economia. Para n\u00f3s, \u00e9 indispens\u00e1vel, por um lado, baixar as emiss\u00f5es em 30% at\u00e9 2030. H\u00e1 quem considere que nosso compromisso \u00e9 insuficiente, mas \u00e9 o que podemos prometer hoje, entendendo a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na qual o pa\u00eds e o mundo se encontram. Trata-se de um compromisso s\u00e9rio e respons\u00e1vel. E, obviamente, se a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica melhorar, colocaremos metas mais ambiciosas. Por outro lado, o Chile tem um plano de adapta\u00e7\u00e3o que inclui, entre outras coisas, reflorestamento de mais de cem mil hectares de floresta nativa e um programa de efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Fonte: Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS Santiago, Chile, 27\/11\/2015 \u2013 Para a presidente do Chile, Michelle Bachelet,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS Santiago, Chile, 27\/11\/2015 \u2013 Para a presidente do Chile, Michelle Bachelet,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32414"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}