{"id":32370,"date":"2015-11-28T10:00:50","date_gmt":"2015-11-28T13:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=32370"},"modified":"2015-11-27T20:03:02","modified_gmt":"2015-11-27T23:03:02","slug":"fato-inedito-desmatamento-na-amazonia-cresce-mesmo-com-recessao-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fato-inedito-desmatamento-na-amazonia-cresce-mesmo-com-recessao-economica\/","title":{"rendered":"Fato in\u00e9dito, desmatamento na Amaz\u00f4nia cresce mesmo com recess\u00e3o econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-32371\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na coletiva de imprensa que convocou depois do fim do expediente (\u00e0s 18h30 desta quinta dia 26) <a href=\"http:\/\/simat.mma.gov.br\/acomweb\/Media\/Documentos\/eb0efcef-84df-4c4c-a.pdf\" target=\"_blank\">para anunciar a taxa anual de desmatamento<\/a> da Amaz\u00f4nia, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, confessou aos rep\u00f3rteres que <a href=\"http:\/\/uk.reuters.com\/article\/2015\/11\/27\/us-brazil-environment-deforestation-idUKKBN0TG01820151127\" target=\"_blank\">estava surpresa<\/a> com o resultado que apresentava.<\/p>\n<p>De acordo com os <a href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/prodes\/prodes_1988_2015.htm\" target=\"_blank\">dados apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/a>, o corte raso de florestas nos estados amaz\u00f4nicos aumentou 16% entre agosto de 2014 e julho de 2015. O total de florestas suprimidas \u00e9 de 5831\u00a0km2 contra 5012 km2 no bi\u00eanio 2013-2014. A \u00e1rea destru\u00edda equivale aproximadamente a 5 cidades do tamanho de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, entretanto, acreditar na surpresa expressa pela ministra. O incremento do desmate na Amaz\u00f4nia era esperado, afinal os alertas mensais de desmatamento \u2013 mensurados pelo sistema DETER \u2013 <a href=\"http:\/\/infoamazonia.org\/pt\/blog\/higher-in-6-years-number-of-alerts-for-deforestation-in-brazil-grows-68-in-2015\/\" target=\"_blank\">cresceram 68% em 2015<\/a>. A taxa anual constatou o que j\u00e1 havia sido apontado: a volta da derrubada de grandes \u00e1reas, acima de 1000 hectares, o retorno do Mato Grosso como principal estado desmatador e o avan\u00e7o r\u00e1pido da fronteira de destrui\u00e7\u00e3o no sul do Amazonas.<\/p>\n<p>Surpresa mesmo, ou pelo menos consterna\u00e7\u00e3o, deve mostrar a presidente Dilma Rousseff que, na pr\u00f3xima segunda-feira (30 de novembro), \u00e0 frente de 130 chefes de estado, subir\u00e1 ao p\u00falpito da <a href=\"http:\/\/newsroom.unfccc.int\/paris\/\" target=\"_blank\">C\u00fapula das Nac\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a COP21<\/a> em Paris. Ali,\u00a0anunciar\u00e1 o compromisso do Brasil com a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>O fato realmente in\u00e9dito da taxa do desmatamento de 2015 \u00e9 que, pela primeira vez nos \u00faltimos 15 anos, coexiste um cen\u00e1rio de recess\u00e3o e um aumento do desmate na Amaz\u00f4nia.\u00a0De acordo com os dados do PIB\u00a0dos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 julho de 2015, o n\u00edvel da atividade econ\u00f4mica baixava 2,1%, enquanto o corte raso eleva-se a 16%. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, quando o PIB caiu em 2009, o desmatamento acompanhou a tend\u00eancia .(Veja o gr\u00e1fico abaixo)<\/p>\n<p><strong>Varia\u00e7\u00e3o PIB e Desmatamento em %<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1iP5i28BqRa5ZgycGjBA0LiljDerJqpWPz8OLs8LvQEo\/pubchart?oid=2091212185&amp;format=interactive\" width=\"640\" height=\"396\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" seamless=\"\"><\/iframe><br \/>\n<i>Fontes: IBGE Contas Nacionais, INPE \u2013 Prodes<\/i><\/p>\n<p>O descolamento da atividade econ\u00f4mica e do desmatamento poderia indicar que fatores como a altera\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal ou o atraso no Cadastramento Ambiental Rural n\u00e3o s\u00e3o \u00fanica\u00a0causa do salto nas derrubadas. <a href=\"http:\/\/www.ibge.gov.br\/home\/estatistica\/indicadores\/pib\/pib-vol-val_201502_3.shtm\" target=\"_blank\">Os dados do PIB desagregados por setores <\/a>mostram que as commodities de exporta\u00e7\u00e3o seguem contribuindo na supress\u00e3o de florestas.<\/p>\n<p><strong>As \u00fanicas atividades com crescimento nos \u00faltimos trimestres s\u00e3o\u00a0a Agropecu\u00e1ria e a Extra\u00e7\u00e3o Mineral.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1iP5i28BqRa5ZgycGjBA0LiljDerJqpWPz8OLs8LvQEo\/pubchart?oid=37239675&amp;format=interactive\" width=\"640\" height=\"396\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" seamless=\"\"><\/iframe><br \/>\n<em>Fonte: IBGE-Contas Nacionais<\/em><\/p>\n<p>Desde 2005, o Brasil conseguiu reduzir significativamente o desmatamento, a queda \u00e9 de 80%. At\u00e9 ent\u00e3o, um dos fatores mais auspiciosos desta redu\u00e7\u00e3o era o fato de que a exporta\u00e7\u00e3o de soja, carne e outras commodities agr\u00edcolas crescia\u00a0sem influir nas taxas de desmatamento. Mas a alta do d\u00f3lar em 2015 pode ter retomado a trajet\u00f3ria em que exporta\u00e7\u00f5es e ocupa\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas andam de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio do Meio Ambiente n\u00e3o apontou apenas o sucesso das exporta\u00e7\u00f5es do setor agropecu\u00e1rio como causa. <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/index.php\/comunicacao\/agencia-informma?view=blog&amp;id=1319\" target=\"_blank\">Apontou tamb\u00e9m<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/index.php\/comunicacao\/agencia-informma?view=blog&amp;id=1319\" target=\"_blank\">o fraco controle <\/a>dos \u00f3rg\u00e3os ambientais estaduais. Nas palavras da ministra Izabella Teixeira: \u201c\u201c\u00c9 incompreens\u00edvel, pois esses Estados receberam R$ 220 milh\u00f5es do governo federal para modernizar seus sistemas de licenciamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o e agora apresentam esse resultado\u201d.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, Par\u00e1 e Mato Grosso, os estados com a melhor estrutura de fiscaliza\u00e7\u00e3o e licenciamento, s\u00e3o aqueles com maiores \u00e1reas desmatadas. Por\u00e9m,\u00a0enquanto o Par\u00e1 manteve est\u00e1vel o seu n\u00edvel de desmatamento, o Mato Grosso, apresentou crescimento de 40% nas derrubadas, confirmando a acelera\u00e7\u00e3o dos impactos das atividades agropecu\u00e1rias.<\/p>\n<p>De fato, a descentraliza\u00e7\u00e3o do licenciamento de planos de manejo e atividades rurais est\u00e1 longe de ser bem sucedida. Basta lembrar que em termos de aumento percentual no desmatamento, o Amazonas foi o campe\u00e3o: 54%. Ali, o governador Jos\u00e9 Melo (Pros) <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/28960-sobrou-ou-melhor-vai-faltar-para-o-meio-ambiente\/\" target=\"_blank\">reduziu o or\u00e7amento da Secretaria do Meio Ambiente<\/a> e cortou 30% dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas o cen\u00e1rio n\u00e3o tem sido diferente no plano federal. No in\u00edcio deste ano, <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2015\/03\/1610479-dilma-corta-72-da-verba-contra-desmatamento-na-amazonia.shtml\" target=\"_blank\">o InfoAmazonia lan\u00e7ou um balan\u00e7o<\/a> que revela que na primeira gest\u00e3o de Dilma Rousseff houve uma redu\u00e7\u00e3o de 72% no or\u00e7amento destinado ao <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/florestas\/controle-e-preven%C3%A7%C3%A3o-do-desmatamento\/plano-de-a%C3%A7%C3%A3o-para-amaz%C3%B4nia-ppcdam\" target=\"_blank\">Plano de Preven\u00e7\u00e3o e Controle ao Desmatamento na Amaz\u00f4nia (PPCDAM)<\/a>. J\u00e1 no novo mandato, o minist\u00e9rio do Meio Ambiente sofreu um corte de R$ 398 milh\u00f5es, ou 37% do or\u00e7amento total da pasta.<\/p>\n<p>Os recursos para a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama n\u00e3o foram os mais prejudicados. O pessoal de campo continua efetuando pris\u00f5es e autuando ilegalidades, principalmente no Par\u00e1 onde a BR 163 e a usina de Belo Monte s\u00e3o grandes fatores de press\u00e3o.\u00a0<a href=\"http:\/\/simat.mma.gov.br\/acomweb\/Media\/Documentos\/ce7644ce-1070-49e5-9.pdf\">A apresenta\u00e7\u00e3o feita<\/a> pela ministra Izabella mostra bem os focos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o parece suficiente. O governo n\u00e3o investe em atividades sustent\u00e1veis na Amaz\u00f4nia e agropecu\u00e1ria \u00e9 a \u00fanica bem sucedida atividade na regi\u00e3o. Ao mesmo tempo, o Congresso atende \u00e0s demandas dos ruralistas, como ocorreu na ocasi\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Florestal e agora com a concess\u00e3o de mais prazo para o cumprimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A d\u00favida agora \u00e9: sobe mais?<\/p>\n<p><strong>Mapa do Desmatamento na Amaz\u00f4nia*<\/strong><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/infoamazonia.org\/pt\/embed\/?map_only=1&amp;map_id=3509&amp;width=600&amp;height=400&amp;lat=-5.090944175033373&amp;lon=-53.4375&amp;zoom=4\" width=\"640\" height=\"257\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>*Dados ainda n\u00e3o atualizados. <a href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/prodes\/prodes_1988_2015.htm\" target=\"_blank\">Aqui\u00a0para baixar os dados do Prodes 2015<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na coletiva de imprensa que convocou depois do fim do expediente (\u00e0s 18h30 desta quinta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32371,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desmatamento2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Na coletiva de imprensa que convocou depois do fim do expediente (\u00e0s 18h30 desta quinta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32370"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}