{"id":32134,"date":"2015-11-23T12:00:09","date_gmt":"2015-11-23T15:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=32134"},"modified":"2015-11-22T22:47:09","modified_gmt":"2015-11-23T01:47:09","slug":"tristeza-na-terceira-idade-entenda-os-perigos-da-depressao-em-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tristeza-na-terceira-idade-entenda-os-perigos-da-depressao-em-idosos\/","title":{"rendered":"Tristeza na terceira idade: entenda os perigos da depress\u00e3o em idosos"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/idoso.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-32135\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/idoso-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/idoso-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/idoso.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mundo est\u00e1 envelhecendo \u2014 e se entristecendo. S\u00f3 no Brasil, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade 2013 (publicada em 2014), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), os idosos s\u00e3o os que mais sofrem com a depress\u00e3o. Dos 11,2 milh\u00f5es de adultos diagnosticados com a doen\u00e7a naquele ano, a faixa et\u00e1ria mais afetada foi a de 60 a 64 anos: 11,1% do total.<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<div class=\" direita config_legenda_dir\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Charles Reynolds (Divulga\u00e7\u00e3o \/  Pittsburgh University)\" src=\"http:\/\/imgsapp.sites.uai.com.br\/app\/noticia_133890394703\/2015\/11\/19\/155629\/20151116170545229701o.jpg\" alt=\"Charles Reynolds (Divulga\u00e7\u00e3o \/  Pittsburgh University)\" width=\"636\" height=\"796\" border=\"0\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda\">\n<div class=\"\">Charles Reynolds<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Charles Reynolds, professor de psiquiatria geri\u00e1trica do Centro M\u00e9dico da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, \u00e9 refer\u00eancia nos estudos que articulam velhice e depress\u00e3o. Conversamos com o m\u00e9dico durante a 33\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Reynolds, diretor do Instituto do Envelhecimento da universidade norte-americana, comanda ainda o John A. Hartford Center of Excellence in Geriatric Psychiatry (Centro de Excel\u00eancia em Psiquiatria Geri\u00e1trica, em tradu\u00e7\u00e3o livre). O trabalho dele tem como foco a medicina preventiva. Luto, mudan\u00e7as de humor, dist\u00farbios do sono e dist\u00farbios mentais na terceira idade s\u00e3o alguns dos temas abordados em suas mais de 600 publica\u00e7\u00f5es \u2014 que foram citadas em mais de 36 mil outros trabalhos. \u201cNossos trabalhos est\u00e3o se destacando nos jornais especializados de maior impacto no mundo, como o Lancet, o The New England Journal of Medicine, o Jama e o The British Medical Journal\u201d, enumera. \u201cCom nossas pesquisas, tentamos atingir o p\u00fablico m\u00e9dico geral, al\u00e9m do p\u00fablico m\u00e9dico especializado em sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n<p>Cofundador do Global Consortium on Depression Prevention (Cons\u00f3rcio Global para a Preven\u00e7\u00e3o da Depress\u00e3o), uma rede que re\u00fane investigadores das Am\u00e9ricas, da Europa, do Jap\u00e3o, da Austr\u00e1lia e da Nova Zel\u00e2ndia, o m\u00e9dico tamb\u00e9m trabalha para encontrar formas de prevenir a doen\u00e7a em pa\u00edses com poucos recursos financeiros. Seu mais recente trabalho, publicado pela revista especializada Lancet, fala sobre os perigos da resist\u00eancia ao tratamento, comum em pacientes idosos. \u201cA resist\u00eancia ao tratamento \u00e9 um transtorno psiqui\u00e1trico comum e com grave risco de vida para pessoas idosas\u201d, alerta.<\/em><\/p>\n<p><strong>A depress\u00e3o em idosos est\u00e1 aumentando ou diminuindo?<\/strong><br \/>\nComo as pessoas est\u00e3o vivendo mais e desenvolvendo mais problemas m\u00e9dicos e neurol\u00f3gicos, podemos ver um aumento nos sintomas depressivos. Mas acho que, de alguma forma, a boa not\u00edcia \u00e9 que estamos aprendendo como prevenir a depress\u00e3o e j\u00e1 sabemos como tratar melhor a doen\u00e7a. Estamos tentando ensinar a nossos colegas da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria a import\u00e2ncia de rastrear a depress\u00e3o para que, assim que identificada, a doen\u00e7a possa ser tratada adequadamente.<\/p>\n<p><strong>Idosos s\u00e3o mais propensos a desenvolver depress\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAlguns idosos sim, especialmente os que est\u00e3o sob cuidados m\u00e9dicos ou hospitalizados. Quanto mais grave a comorbidade, quanto mais incapacitante a doen\u00e7a que o idoso estiver enfrentando for, maiores as chances de ele desenvolver depress\u00e3o. Depress\u00e3o em idosos \u00e9 muito mais cruel que comorbidades m\u00e9dicas, cognitivas e\/ou incapacitantes. Se voc\u00ea observar a comunidade idosa como um todo, os n\u00edveis de depress\u00e3o s\u00e3o, na verdade, menores em idosos que em adultos. Mas se voc\u00ea olha o cen\u00e1rio cl\u00ednico \u2014 idosos que est\u00e3o com a sa\u00fade prejudicada ou que t\u00eam problemas psicossociais \u2014, voc\u00ea realmente encontra n\u00edveis maiores de depress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em v\u00e1rios trabalhos, o senhor cita biomarcadores que seriam indicativos de depress\u00e3o. A ci\u00eancia j\u00e1 sabe quais seriam esses biomarcadores?<\/strong><br \/>\nTemos boas pistas de quais biomarcadores podem nos dizer quem est\u00e1 sob risco e como os tratamentos que temos hoje realmente funcionam. S\u00e3o, em sua maioria, prote\u00ednas que protegem particularmente contra inflama\u00e7\u00f5es, preservando a sa\u00fade celular e neurovascular. Elas podem nos dizer sobre quais pacientes est\u00e3o correndo mais riscos e como nossas interven\u00e7\u00f5es ajudam a melhorar os tratamentos existentes.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algo que se possa fazer durante a vida adulta para prevenir a depress\u00e3o na terceira idade?<\/strong><br \/>\nProvavelmente, a coisa mais importante de todas \u00e9 a atividade f\u00edsica. Achamos que n\u00edveis elevados de exerc\u00edcio ao longo da vida, especialmente na meia-idade, podem ser importantes para ajudar as pessoas a envelhecerem de uma maneira saud\u00e1vel e para reduzir incidentes de dem\u00eancia e outros dist\u00farbios mentais comuns em uma idade mais avan\u00e7ada, como a depress\u00e3o. H\u00e1 um grande campo de interesse nos Estados Unidos em como a atividade f\u00edsica pode promover a sa\u00fade cerebral e o condicionamento cognitivo em idosos.<\/p>\n<p><strong>Uma pessoa que passou por v\u00e1rios epis\u00f3dios de depress\u00e3o ao longo da vida est\u00e1 mais vulner\u00e1vel a desenvolver depress\u00e3o na terceira idade?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favidas. Um hist\u00f3rico de depress\u00e3o \u00e9 um indicativo de que h\u00e1 maiores riscos de aquela depress\u00e3o retornar na fase idosa da vida. Por isso, encorajamos nossos pacientes e suas fam\u00edlias a terem uma perspectiva de vida a respeito da depress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Existe alguma diferen\u00e7a no tratamento do adulto e do idoso em depress\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOs tratamentos s\u00e3o basicamente os mesmos. Podem ser farmacol\u00f3gicos ou com psicoterapia. Muito frequentemente, temos que come\u00e7ar com doses menores com os idosos e ir um pouco mais devagar at\u00e9 encontrarmos a dose ideal. O problema \u00e9 ter certeza de que o paciente idoso est\u00e1 tomando a dose adequada e que essa dose se mantenha por um per\u00edodo de tempo suficiente n\u00e3o s\u00f3 para deix\u00e1-lo bem, mas para mant\u00ea-lo bem.<\/p>\n<p><strong>Em quais pesquisas o senhor est\u00e1 trabalhando ultimamente?<\/strong><br \/>\nOs temas de nossas pesquisas t\u00eam a ver com preven\u00e7\u00e3o e tratamento de transtornos do humor, particularmente depress\u00e3o severa em idosos. Temos mostrado que bons tratamentos funcionam para reduzir os riscos de suic\u00eddio e podem ser adequadamente implementados na medicina em geral. Bons tratamentos podem, tamb\u00e9m, reduzir os riscos de reca\u00eddas e de recorr\u00eancia da doen\u00e7a. Atualmente, estamos trabalhando nos fatores que podem identificar se um paciente poder\u00e1 ou n\u00e3o responder bem a tratamentos espec\u00edficos. Por exemplo, descobrimos que certos indicadores de performance cognitiva podem nos dizer que pacientes s\u00e3o mais prov\u00e1veis de responder a certos tratamentos. Esse \u00e9 um avan\u00e7o importante.<\/p>\n<p><strong>A depress\u00e3o, em idosos ou em adultos, pode causar outros problemas de sa\u00fade?<\/strong><br \/>\nSim, depress\u00e3o \u00e9 um fator de risco para infarto, por exemplo, assim como para dem\u00eancia. Esperamos que, tratando a depress\u00e3o adequadamente e mantendo as pessoas bem de sa\u00fade, poderemos reduzir os riscos para doen\u00e7as demenciais em idosos.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 existe cura para a depress\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe, ainda, uma cura. Depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e recorrente. Sabemos como lidar com ela, como fazer com que as pessoas melhorem, como mant\u00ea-las bem e, agora, estamos aprendendo como preveni-la. Mas n\u00e3o falamos em \u201ccura\u201d, falamos em tratamentos que poder\u00e3o ajudar a administrar essa doen\u00e7a cr\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>Como a fam\u00edlia pode ajudar um idoso em depress\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA fam\u00edlia pode ajudar encorajando o idoso a come\u00e7ar um tratamento e permanecer nele. Meu trabalho \u00e9 muito mais simples se a fam\u00edlia est\u00e1 trabalhando comigo. Se n\u00e3o tenho o suporte da fam\u00edlia, \u00e9 muito dif\u00edcil fazer um bom trabalho. Gosto de dizer que o cuidado \u00e9 focado no paciente, mas embasado pela fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo est\u00e1 envelhecendo \u2014 e se entristecendo. 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