{"id":31915,"date":"2015-11-20T13:00:22","date_gmt":"2015-11-20T16:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31915"},"modified":"2015-11-19T20:48:59","modified_gmt":"2015-11-19T23:48:59","slug":"fosseis-de-anfibios-desconhecidos-de-280-milhoes-de-anos-sao-encontrados-no-piaui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fosseis-de-anfibios-desconhecidos-de-280-milhoes-de-anos-sao-encontrados-no-piaui\/","title":{"rendered":"F\u00f3sseis de anf\u00edbios desconhecidos de 280 milh\u00f5es de anos s\u00e3o encontrados no Piau\u00ed"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31916\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H<\/span>\u00e1 280 milh\u00f5es de anos o Piau\u00ed e o Texas n\u00e3o eram t\u00e3o longe assim. Na verdade, os dois locais eram bem pr\u00f3ximos, separados apenas por uma cordilheira. Na condi\u00e7\u00e3o de vizinhos, \u00e9 natural que a fauna de ambos fosse bem parecida; <strong>os dois estavam no megacontinente de Gondwana. <\/strong>De l\u00e1 pra c\u00e1 muita coisa aconteceu: os dinossauros surgiram, foram extintos, uma esp\u00e9cie de macacos desenvolveu consci\u00eancia e foi ficando mais inteligente at\u00e9 o ponto em que, do alto do seu autoproclamado t\u00edtulo de humano, resolveu estudar a hist\u00f3ria do seu planeta at\u00e9 o per\u00edodo mais long\u00ednquo que podia. Deram a esse estudo o nome de paleontologia. Agora, em 2015, humanos no Piau\u00ed descobriram tr\u00eas esp\u00e9cies de anf\u00edbios que viviam em um lago cristalino no lado piauiense da cordilheira. Esses humanos preencheram <strong>uma lacuna hist\u00f3rica.<\/strong><\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia\">\n<div class=\"frase\">&#8220;Em todo o hemisf\u00e9rio sul n\u00e3o se conhecia nenhuma fauna terrestre dessa idade&#8221;<\/div>\n<div class=\"autor\">Juan Cisneros, paleont\u00f3logo<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>\u201cEm todo o hemisf\u00e9rio sul n\u00e3o se conhecia nenhuma fauna terrestre dessa idade\u201d <\/strong>diz o professor Juan Cisneros, um dos humanos respons\u00e1veis pela descoberta. Juan e sua equipe encontraram tr\u00eas esp\u00e9cies de anf\u00edbios at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas. Vamos \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es formais: <em>Timonya annae<\/em> era um animal de corpo alongado, coluna vertebral bastante flex\u00edvel e membros curtos. Essas caracter\u00edsticas indicam que ele se locomovia com movimentos sinuosos, como o de uma serpente, e que <strong>raramente deixava o lago para se aventurar na terra firme<\/strong>, j\u00e1 que seus membros n\u00e3o suportariam seu peso fora d\u00b4\u00e1gua. Ele era o menor dos tr\u00eas \u2013 20 a 40 cm de comprimento \u2013 e tamb\u00e9m o que se sabe mais a respeito: <strong>20 f\u00f3sseis foram encontrados no local. <\/strong>Seu nome foi escolhido em homenagem ao local em que foi descoberto, a cidade maranhense de Timon.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1279\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Cr\u00e2nio e parte do esqueleto do Timonya anneae (Foto: Juan Cisneros)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/FJknqsUO7jYnR4dlU_0cuO_NF6A=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/11\/18\/timonya.jpg\" alt=\"Cr\u00e2nio e parte do esqueleto do Timonya anneae (Foto: Juan Cisneros)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><label class=\"foto-legenda\">Cr\u00e2nio e parte do esqueleto do <em>Timonya anneae <\/em>(Foto: Juan Cisneros)<\/label><\/div>\n<p>O outro \u00e9 o <em>Procuhy nazarienis<\/em>, um parente pr\u00f3ximo do <em>Timonya<\/em>, com o dobro do seu tamanho. Dele, apenas <strong>um cr\u00e2nio e uma mand\u00edbula foram localizados por enquanto<\/strong>. O <em>Procuhy<\/em> tem <em>nazariensis<\/em> como sobrenome tamb\u00e9m por causa da cidade que ocupa essa regi\u00e3o do antigo lago: <strong>Nazarena, no Piau\u00ed<\/strong>. \u00c9 prov\u00e1vel que as duas esp\u00e9cies sejam primas distantes das salamandras.<\/p>\n<p>O terceiro f\u00f3ssil \u00e9 o menos completo, tanto que <strong>s\u00f3 ter\u00e1 um nome cient\u00edfico quando mais informa\u00e7\u00f5es forem coletadas. <\/strong>O que d\u00e1 pra dizer por ora \u00e9 que ele tinha um metro e meio de comprimento e provavelmente se alimentava dos outros dois anf\u00edbios rec\u00e9m-descobertos. Essa esp\u00e9cie foi encontrada na <strong>cidade piauiense de Monsenhor Gil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Onde antes era esse lago imenso <\/strong>\u2013 ou v\u00e1rios lagos menores, os cientistas n\u00e3o t\u00eam como cravar \u2013 hoje \u00e9 uma pedreira que extrai blocos para a constru\u00e7\u00e3o civil. O que pode soar como um conflito de interesses, no final das contas pode ser um aux\u00edlio. <strong>\u201cEles est\u00e3o cavando pra n\u00f3s\u201d<\/strong>, explica Juan. Segundo o professor da Universidade Federal do Piau\u00ed, essa conviv\u00eancia \u201cpoderia ser melhor, mais orientada\u201d, mas ainda assim pode render bons frutos. <strong>\u201cSe n\u00e3o fosse pela escava\u00e7\u00e3o deles, a gente jamais teria achado o que achou\u201d.<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1024\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Equipe de campo procurando f\u00f3sseis em Naz\u00e1ria, no Piau\u00ed (Foto: Kenneth Angielczyk)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/hh8PIkJUXjhbRfTaFNDOCv4jrC0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/11\/18\/timonya_2.jpg\" alt=\"Equipe de campo procurando f\u00f3sseis em Naz\u00e1ria, no Piau\u00ed (Foto: Kenneth Angielczyk)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><label class=\"foto-legenda\">Equipe de campo procurando f\u00f3sseis em Naz\u00e1ria, no Piau\u00ed (Foto: Kenneth Angielczyk)<\/label><\/div>\n<p>Apesar dos tr\u00eas anf\u00edbios terem vivido em um lago, eles s\u00e3o considerados parte da fauna terrestre pois n\u00e3o viviam em um oceano \u2013 o nome t\u00e9cnico para esse grupo \u00e9 fauna continental, explica Juan, que considera que <strong>s\u00e3o tr\u00eas os principais pontos da descoberta:<\/strong>\u00a0estamos falando dos <strong>primeiros f\u00f3sseis de fauna continental no hemisf\u00e9rio sul do per\u00edodo permiano; <\/strong>estamos falando de mais uma\u00a0confirma\u00e7\u00e3o de que os <strong>animais que habitavam o atual sul dos EUA guardam muitas semelhan\u00e7as com os animais que viviam onde hoje \u00e9 a regi\u00e3o do Piau\u00ed<\/strong> e, por fim, estamos falando da comprova\u00e7\u00e3o de uma hip\u00f3tese at\u00e9 ent\u00e3o improv\u00e1vel: no in\u00edcio do per\u00edodo permiano <strong>a vida j\u00e1 prosperava, sim, em terras sul-americanas, pelo menos no norte e nordeste do Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Havia d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a isso porque durante o carbon\u00edfero, per\u00edodo imediatamente anterior ao permiano, houve uma glacia\u00e7\u00e3o global \u2013 o planeta era mais frio naquela \u00e9poca. Isso aliado ao fato de que o continente todo estava mais pr\u00f3ximo do polo sul, em uma \u00e9poca em que <strong>\u201cTeresina estava na mesma latitude do Rio de Janeiro\u201d<\/strong>, fazia com que se levantasse suspeitas sobre a possibilidade dessa regi\u00e3o ter uma fauna vibrante.<\/p>\n<p>A equipe que integrou a expedi\u00e7\u00e3o tinha sete pessoas, mas <strong>foi o pr\u00f3prio Juan<\/strong> quem bateus os olhos pela primeira vez em um f\u00f3ssil de <em>Timonya annae<\/em>. Mas <strong>achar o f\u00f3ssil \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o de uma longa empreitada:\u00a0<\/strong> s\u00f3 depois de um ano de pesquisas estava claro para o grupo que o que eles tinham em m\u00e3os desde 2011 era uma descoberta cient\u00edfica e o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/ncomms\/2015\/151105\/ncomms9676\/full\/ncomms9676.html\" target=\"_blank\">estudo<\/a> que re\u00fane todos os detalhes da descoberta s\u00f3 foi publicado em 2015. Agora <strong>o desafio \u00e9 entender como essa cordilheira entre o Texas e o Piau\u00ed era trespassada pelos animais<\/strong> &#8211; Juan diz que outro desafio \u00e9 relacionado \u00e0 pedreira que funciona no local: segundo o professor, \u00e9 bem poss\u00edvel que o tema do mestrado de uma de suas alunas seja baseado em um futuro trabalho de educa\u00e7\u00e3o patrimonial a ser realizado junto a\u00a0<strong>estudantes e funcion\u00e1rios da pedreira, que aprenderiam como identificar poss\u00edveis f\u00f3sseis.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 280 milh\u00f5es de anos o Piau\u00ed e o Texas n\u00e3o eram t\u00e3o longe assim.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/fossil_pauia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 280 milh\u00f5es de anos o Piau\u00ed e o Texas n\u00e3o eram t\u00e3o longe assim.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31915\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}