{"id":31859,"date":"2015-11-19T14:00:40","date_gmt":"2015-11-19T17:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31859"},"modified":"2015-11-19T08:10:43","modified_gmt":"2015-11-19T11:10:43","slug":"experimento-recria-as-condicoes-naturais-do-mar-e-estuda-provaveis-consequencias-de-mudancas-climaticas-previstas-para-as-proximas-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/experimento-recria-as-condicoes-naturais-do-mar-e-estuda-provaveis-consequencias-de-mudancas-climaticas-previstas-para-as-proximas-decadas\/","title":{"rendered":"Experimento recria as condi\u00e7\u00f5es naturais do mar e estuda consequ\u00eancias de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31860\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para compreender o que acontecer\u00e1 com a costa brasileira se \u2013 ou quando \u2013 as previs\u00f5es de aquecimento das \u00e1guas e aumento da polui\u00e7\u00e3o se concretizarem, n\u00e3o \u00e9 preciso usar uma bola de cristal. No sul da Bahia, um sistema experimental denominado mesocosmo marinho tem possibilitado a simula\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es ambientais diversas para avaliar como a vida marinha se transformar\u00e1 a partir de mudan\u00e7as relacionadas principalmente ao aquecimento global. Caso a temperatura dos oceanos aumente apenas dois graus Celsius, as consequ\u00eancias ser\u00e3o catastr\u00f3ficas para os recifes de corais.<\/p>\n<p>Um dos principais objetivos do mesocosmo \u00e9 servir como plataforma de testes das previs\u00f5es do\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.ipcc.ch\/\" target=\"_blank\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a><\/span>\u00a0(IPCC, na sigla em ingl\u00eas), que re\u00fane cientistas do mundo todo com contribui\u00e7\u00f5es em pesquisas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cO sistema mesocosmo marinho foi concebido para ficar a c\u00e9u aberto utilizando diversas vari\u00e1veis para conseguirmos simular as previs\u00f5es do IPCC para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Dessa forma, houve um avan\u00e7o nas pesquisas cient\u00edficas realizadas sobre impactos futuros nos recifes de coral do Brasil, com esp\u00e9cies que somente ocorrem aqui, por exemplo\u201d, afirma\u00a0o bi\u00f3logo marinho Gustavo Duarte, coordenador de pol\u00edticas p\u00fablicas do\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/coralvivo.org.br\/\" target=\"_blank\">Projeto Coral Vivo<\/a><\/span>, respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<div class=\"pullquote\">As bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio tiveram sua popula\u00e7\u00e3o aumentada em 27 vezes, demonstrando um claro desequil\u00edbrio<\/div>\n<p>Em um dos estudos conduzidos no mesocosmo, cientistas investigaram a rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre algas marinhas e alguns tipos de micro-organismos. Sob a\u00e7\u00e3o de uma temperatura 1\u00b0C mais elevada que o natural no oceano, n\u00e3o houve altera\u00e7\u00f5es significativas. J\u00e1 com uma temperatura 2\u00b0C mais elevada, os impactos se mostraram maiores. As bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio tiveram sua popula\u00e7\u00e3o aumentada em 27 vezes, demonstrando um claro desequil\u00edbrio. \u201cTamb\u00e9m foram feitas simula\u00e7\u00f5es do impacto da temperatura em tr\u00eas cen\u00e1rios de aquecimento global na fotoss\u00edntese de corais, que apresentaram o mesmo limiar t\u00e9rmico, 2\u02daC, desencadeando a\u00a0<a class=\"internal-link\" title=\"Corais brancos\" href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2014\/04\/corais-brancos\">s\u00edndrome do branqueamento<\/a>\u201d, acrescenta o bi\u00f3logo.<\/p>\n<div>\n<p>Baseado nos estudos at\u00e9 o momento, Duarte faz um alerta: \u201cNossos resultados s\u00e3o preocupantes, pois o\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/ecen.com\/eee75\/eee75p\/copenhague_acordo.htm\" target=\"_blank\">Acordo de Copenhague<\/a><\/span>\u00a0prev\u00ea um limite de aumento de 2\u02daC na temperatura do planeta, e muitos pa\u00edses est\u00e3o tentando aumentar este limite\u201d, lembra. \u201cNossas simula\u00e7\u00f5es refor\u00e7am a tese de que mesmo este limite de aumento da temperatura poder\u00e1 ser catastr\u00f3fico para os oceanos, principalmente para os recifes de coral\u201d, avisa o bi\u00f3logo.<\/p>\n<\/div>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/11\/imagens\/Parapreverofuturo02.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Localiza\u00e7\u00e3o do experimento\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/11\/imagens\/Parapreverofuturo02.jpg\/image_preview\" alt=\"Localiza\u00e7\u00e3o do experimento\" width=\"638\" height=\"416\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Imagem de sat\u00e9lite mostra o mesocosmo marinho em terra e o local de onde a \u00e1gua \u00e9 captada a 500 metros da costa. (foto: Projeto Coral Vivo)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>O mesocosmo marinho est\u00e1 montado em Arraial d\u2019Ajuda, na Bahia, desde 2012, e conta com dois m\u00f3dulos experimentais adapt\u00e1veis para uma grande variedade de testes. Ao todo, s\u00e3o quatro cisternas, com capacidade de 5 mil litros, que recebem \u00e1gua diretamente de um ponto no mar a 500 metros da costa. Os experimentos ocorrem em 16 tanques de 130 litros cada e em 48 aqu\u00e1rios de dez litros cada, paralelamente. Esses dispositivos s\u00e3o separados em grupos de quatro e recebem as altera\u00e7\u00f5es definidas pelos pesquisadores, sendo que um tanque ou aqu\u00e1rio do grupo sempre mant\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es naturais como controle experimental \u2013 para depois ser comparado com as demais r\u00e9plicas que t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua do mar manipuladas.<\/p>\n<p>\u201cFazer pesquisa com impactos de temperatura, acidifica\u00e7\u00e3o e contaminantes qu\u00edmicos, dentre outros estressores diretamente no ambiente natural, \u00e9 arriscado e caro\u201d, pondera Duarte. \u201cEmpregando o mesocosmo marinho, podemos reproduzir o ambiente natural e as vari\u00e1veis que pretendemos testar do modo mais fiel poss\u00edvel, reduzindo custos e esfor\u00e7os em trabalhos de campo sem grande perda de qualidade dos resultados\u201d, garante.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/11\/imagens\/Parapreverofuturo03.JPG\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Mesocosmo marinho\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/11\/imagens\/Parapreverofuturo03.JPG\/image_preview\" alt=\"Mesocosmo marinho\" width=\"639\" height=\"425\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Complexo de tanques do mesocosmo marinho. (foto: Matheus Deocleciano)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Para a execu\u00e7\u00e3o dos experimentos relacionados ao aumento da temperatura marinha, o mesocosmo conta com um sistema de aquecimento de alta capacidade especialmente desenvolvido para a iniciativa. O complexo conta ainda com reatores de dissolu\u00e7\u00e3o de CO<sub>2\u00a0<\/sub>para testar as consequ\u00eancias da acidifica\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. \u201cDepois de bombeada do recife de coral, a \u00e1gua \u00e9 dividida entre as quatro cisternas e n\u00e3o se misturar\u00e1 novamente. Nas cisternas, s\u00e3o instalados os equipamentos necess\u00e1rios a simula\u00e7\u00f5es de condi\u00e7\u00f5es experimentais\u201d, explica Duarte. A iniciativa teve seu funcionamento descrito\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/ece3.1670\/full\" target=\"_blank\">na edi\u00e7\u00e3o de outubro da revista\u00a0<em>Ecology and Evolution<\/em><\/a><\/span>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para compreender o que acontecer\u00e1 com a costa brasileira se \u2013 ou quando \u2013 as<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/corais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para compreender o que acontecer\u00e1 com a costa brasileira se \u2013 ou quando \u2013 as","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31859"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}