{"id":31644,"date":"2015-11-15T10:23:28","date_gmt":"2015-11-15T13:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31644"},"modified":"2015-11-15T10:23:28","modified_gmt":"2015-11-15T13:23:28","slug":"paises-exportam-lixo-eletronico-para-outros-em-vez-de-reciclar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paises-exportam-lixo-eletronico-para-outros-em-vez-de-reciclar\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses exportam lixo eletr\u00f4nico para outros em vez de reciclar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/lixo_eletronico1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-31645 size-full\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/lixo_eletronico1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/lixo_eletronico1.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/lixo_eletronico1-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O celular, o computador, qualquer equipamento eletr\u00f4nico sem uso vira lixo. E tem pa\u00eds exportando, empurrando esse problema para os outros pa\u00edses, em vez de reciclar.<\/p>\n<p>Uma opera\u00e7\u00e3o delicada: o tubo de imagem de um televisor \u00e9 desmontado cuidadosamente.<br \/>\nConhecido como CRT, sigla inglesa de Tubo de Raio Cat\u00f3dico, esse material \u00e9 dos mais perigosos, no meio do lixo eletr\u00f4nico. Cont\u00e9m metais pesados, t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cO problema do tubo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dele, que seria vidro com chumbo, contendo chumbo e o p\u00f3 f\u00f3sforo para a reflex\u00e3o da luz\u201d, explicou Noryo Muneyuki Furuguen, empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>O chumbo, que bloqueava a luz na parte de tr\u00e1s do aparelho, est\u00e1 entranhado no vidro. O corte \u00e9 feito com um fio incandescente. O f\u00f3sforo, que refletia a luz, na tela, vira p\u00f3 na parte da frente.<\/p>\n<p>Jornal Nacional: Quebrar isso de qualquer jeito, qual \u00e9 o risco?<br \/>\nNoryo Muneyuki Furuguen: \u00c9 contamina\u00e7\u00e3o na certa&#8230;ent\u00e3o, o problema \u00e9, depois que quebrou n\u00e3o tem como mais separar esses materiais. Mistura, contaminou tudo.<\/p>\n<p>O f\u00f3sforo \u00e9 sugado e armazenado. Vidro com chumbo vai para um lado, vidro mais limpo para outro. Tudo tem reciclagem.<\/p>\n<p>A empresa chegou a reciclar cem mil desses tubos em 2010. Em 2014, foram s\u00f3 30 mil. E a tend\u00eancia, com o fim da fabrica\u00e7\u00e3o, \u00e9 que esse n\u00famero caia cada vez mais. \u00c9 claro que restam ainda muitas TVs e monitores nas casas, que podem at\u00e9 estar sintonizando essa reportagem, exatamente agora, e que cedo ou tarde partir\u00e3o para a aposentadoria.<\/p>\n<p>\u00c9 importante fazer o descarte correto. Mas n\u00e3o \u00e9 em todo lugar que tem tecnologia para reciclar adequadamente esse material. E sem isso, o CRT n\u00e3o tem valor.<\/p>\n<p>\u201cIsso aqui n\u00e3o serve para nada, aqui tem uma pe\u00e7a de cobre aqui dentro, e o vidro que pesa 70% do peso da televis\u00e3o\u201d, disse J\u00falio C\u00e9sar de Andrade, gestor da central de res\u00edduos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Jornal Nacional: E ele n\u00e3o tem uso?<br \/>\nJulio Cesar de Andrade: N\u00e3o, aterro Classe 1. Para n\u00f3s, n\u00e3o tem uso.<br \/>\nJornal Nacional: Vai pra aterro industrial?<br \/>\nJulio Cesar de Andrade: Aterro industrial.<\/p>\n<p>O aterro Classe 1 \u00e9 para onde s\u00e3o destinados res\u00edduos considerados perigosos, que apresentam riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e ao meio ambiente. O vidro contaminado de TVs e monitores antigos \u00e9 um problema do qual muitos pa\u00edses querem se livrar.<\/p>\n<p>Em 2013, a Receita Federal barrou 350 toneladas de vidro de tubos CRT dos Estados Unidos no porto de Navegantes, em Santa Catarina. A empresa respons\u00e1vel tentou esconder que se tratava de vidro contaminado. An\u00e1lise da Universidade Federal de Santa Catarina mostrou que ele continha 11,47% de chumbo. A importa\u00e7\u00e3o desse tipo de material \u00e9 proibida.<\/p>\n<p>\u201cImportar lixo dos outros, resolver o problema dos outros\u201d, disse Zilda Maria Faria Veloso, diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (DAU\/MMA).<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tema do document\u00e1rio &#8220;A trag\u00e9dia do lixo eletr\u00f4nico&#8221;, exibido em 2015 no Festival Internacional de Cinema Ambiental, no Rio. Ele mostra cenas chocantes de regi\u00f5es da \u00c1frica e da \u00c1sia submetidas a uma avalanche de sucata, que at\u00e9 passa por algum tipo de reciclagem, prec\u00e1ria, mas representa, sobretudo, um desastre ambiental.<\/p>\n<p>\u201cTemos lugares na \u00c1frica onde voc\u00ea encontra lixo da Europa; lugares na China onde voc\u00ea encontra lixo americano. O lixo eletr\u00f4nico est\u00e1 em todo lugar, est\u00e1 realmente se tornando um produto global de com\u00e9rcio muito popular, o que \u00e9 muito triste, e a Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 aumentando na lista. Acham que o Brasil \u00e9 muito grande e que de certa forma o lixo desaparece\u201d, afirmou Cosima Dannoritzer, cineasta.<\/p>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o desse tipo de material pelo mundo foi banida pela Conven\u00e7\u00e3o da Basileia, em 1989. O tratado foi assinado por 183 pa\u00edses, inclusive o Brasil. Poucos ficaram de fora. Os Estados Unidos assinaram, mas depois n\u00e3o ratificaram o acordo.<\/p>\n<p>E um dos casos que inspirou a Conven\u00e7\u00e3o da Basileia teve origem exatamente nos Estados Unidos. Em 1986, o navio Khiam Sea carregou 14 mil toneladas de lixo incinerado na Philadelphia. Elas iam para as Bahamas, mas o governo de l\u00e1 recusou a carga. Outros pa\u00edses da regi\u00e3o, tamb\u00e9m. Mesmo sem licen\u00e7a, uma parte foi descarregada numa praia do Haiti.<\/p>\n<p>E o navio do lixo seguiu zanzando pelos oceanos. Passou pela \u00c1frica, pela Europa, chegou a trocar de nome duas vezes. Dois anos depois, reapareceu em Cingapura \u2013 vazio. Segundo o comandante, mais de dez mil toneladas daquelas cinzas de lixo foram despejadas no mar. A parte que tinha ficado no Haiti, s\u00f3 em 2002 \u2013 depois de 16 anos e muitas negocia\u00e7\u00f5es, ela voltou aos Estados Unidos, onde foi enterrada.<\/p>\n<p>Seguindo a Conven\u00e7\u00e3o da Basileia, o Brasil tem hoje uma legisla\u00e7\u00e3o rigorosa que pro\u00edbe a importa\u00e7\u00e3o de lixo eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u201cEu costumo dizer o seguinte: tr\u00e1fico ilegal no Brasil aumentou? J\u00e1 me perguntaram isso, eu acredito que n\u00e3o. Eu acho que o que melhorou foi a nossa capacidade de identificar o tr\u00e1fico ilegal hoje, que era muito baixa h\u00e1 20 anos atr\u00e1s. Tr\u00e1fico ilegal \u00e9 algo que existe, mesmo que voc\u00ea tenha ou n\u00e3o tenha legisla\u00e7\u00e3o\u201d, disse Zilda Maria Faria Veloso, diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (DAU\/MMA).<\/p>\n<p>A lei brasileira impede, por exemplo, &#8220;a importa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e rejeitos perigosos mesmo que eles venham para c\u00e1 para tratamento, reforma, reuso, reutiliza\u00e7\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas o dono da empresa de reciclagem de Guarulhos conta que j\u00e1 teve propostas para receber CRT do exterior. Ele ganharia US$ 5 \u2013 quase R$ 20 \u2013 por equipamento. Seis vezes o pre\u00e7o pago no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cTem empresas que j\u00e1 aceitaram esse tipo de material de fora. Eu n\u00e3o quis receber, mas j\u00e1 sim, j\u00e1 apareceu muito de fora pra reciclar aqui no Brasil. Seria um lixo t\u00f3xico, entre aspas, importado. Isso que \u00e9 o perigo \u2013 a gente n\u00e3o sabe o que vem dentro disso tamb\u00e9m junto com esse material. \u00c9 lixo, lixo vem de tudo\u201d, afirmou Noryo Muneyuki Furuguen.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O celular, o computador, qualquer equipamento eletr\u00f4nico sem uso vira lixo. 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