{"id":31552,"date":"2015-11-14T11:00:14","date_gmt":"2015-11-14T14:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31552"},"modified":"2015-11-13T21:27:39","modified_gmt":"2015-11-14T00:27:39","slug":"por-que-o-mercado-de-organicos-ainda-nao-deslanchou-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-o-mercado-de-organicos-ainda-nao-deslanchou-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que o mercado de org\u00e2nicos ainda n\u00e3o deslanchou no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/organicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31553\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/organicos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/organicos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/organicos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Brasil figura desde 2009 como o l\u00edder mundial no consumo de agrot\u00f3xicos. Na contram\u00e3o dessa tend\u00eancia, o mercado de alimentos org\u00e2nicos, que foca numa produ\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel, vem crescendo no pa\u00eds nos \u00faltimos anos. O setor, no entanto, ainda enfrenta v\u00e1rios problemas, como dificuldades de log\u00edstica, excesso de burocracia e car\u00eancia de insumos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas oficiais do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) sobre o volume de org\u00e2nicos produzidos e comercializados no pa\u00eds. S\u00f3 est\u00e3o dispon\u00edveis estimativas elaboradas com base em dados de associa\u00e7\u00f5es de supermercados e de produtores, que n\u00e3o conseguem abranger todo o mercado.<\/p>\n<p>Segundo o Organics Brasil, um programa ligado \u00e0 Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (Apex), uma das poucas organiza\u00e7\u00f5es que compila esses dados, o mercado de org\u00e2nicos vem crescendo a uma taxa de quase 40% ao ano \u2013 um n\u00famero bem superior \u00e0s m\u00e9dias registradas nos Estados Unidos e na Alemanha, alguns dos maiores mercados de org\u00e2nicos do mundo.<\/p>\n<p>S\u00f3 que esse crescimento se d\u00e1 sobre uma base que era bastante diminuta h\u00e1 at\u00e9 poucos anos. \u201cA legisla\u00e7\u00e3o nacional sobre org\u00e2nicos s\u00f3 foi regulamentada em 2011, o que s\u00f3 permitiu a entrada de muitas empresas e produtores h\u00e1 pouco tempo\u201d, afirma Ming Liu, coordenador executivo do Organics Brasil. \u201cNos EUA, a legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em vigor desde 2000. Estamos mais de uma d\u00e9cada atr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>Segundo as estimativas do projeto, o mercado de org\u00e2nicos no Brasil teve receitas de 2 bilh\u00f5es de reais em 2014, um n\u00famero pouco expressivo diante dos 468 bilh\u00f5es de todo o setor agropecu\u00e1rio no ano passado, e responde por apenas 0,4% do total produzido no pa\u00eds. O volume ainda est\u00e1 bem atr\u00e1s de mercados j\u00e1 tradicionais, como os EUA e a Alemanha, onde o setor responde por 4% a 5% do total produzido. Nos EUA, o maior mercado do mundo, os alimentos org\u00e2nicos geraram receitas de 35 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2014.<\/p>\n<h3><strong>Futuro promissor<\/strong><\/h3>\n<p>No Brasil, o mercado de org\u00e2nicos no Brasil ainda \u00e9 uma iniciativa t\u00edpica de pequenos agricultores e extrativistas familiares e de alguns poucos empres\u00e1rios ousados.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o h\u00e1 nada parecido no pa\u00eds com grandes redes de org\u00e2nicos, como a Bio Company, na Alemanha, e a Whole Foods, nos EUA. N\u00f3s ainda estamos com o mercado em forma\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Intelig\u00eancia em Org\u00e2nicos da Sociedade Nacional de Agricultura. \u201cAinda assim, \u00e9 poss\u00edvel ver que o mercado est\u00e1 crescendo por causa de algumas amostras, como as feiras livres de org\u00e2nicos, que v\u00eam aumentando o faturamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Mapa afirma que existem 11 mil agricultores no Cadastro Nacional de Produtores Org\u00e2nicos. J\u00e1 o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) calcula que haja mais de 400 feiras livres no pa\u00eds. Mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente qual foi o mercado total abocanhado por esses produtores e feirantes.<\/p>\n<p>Para Lyu, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para que grande empresas entrem no mercado com for\u00e7a. \u201cJ\u00e1 existem iniciativas nesse sentido. Gigantes do varejo, como Casino, Carrefour e Walmart, j\u00e1 oferecem centenas de produtos org\u00e2nicos para o consumidor brasileiro. Nas lojas do grupo Casino, por exemplo, os org\u00e2nicos j\u00e1 respondem por 1,5% dos produtos comercializados. Outras empresas, como a Coca-Cola, j\u00e1 lan\u00e7aram ch\u00e1-mate org\u00e2nico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ambos os especialistas afirmam que, apesar de muitos problemas, o futuro dos org\u00e2nicos no Brasil \u00e9 promissor. \u201cO mercado de org\u00e2nicos no Brasil n\u00e3o est\u00e1 sendo empurrado por empresas que tentam vender um produto mais saud\u00e1vel, mas pelo consumidor que est\u00e1 mais preocupado com a sua sa\u00fade. As empresas tentam correr atr\u00e1s. A demanda j\u00e1 est\u00e1 estabelecida, s\u00f3 falta uma cadeia produtora mais organizada\u201d, afirma Wachsner.<\/p>\n<p>Entre os problemas da cadeia, al\u00e9m das t\u00edpicas dificuldades de log\u00edstica enfrentadas por todos os setores produtivos no Brasil, est\u00e1 a falta de insumos para a elabora\u00e7\u00e3o de produtos org\u00e2nicos de valor agregado, o que faz com que a oferta ao consumidor seja limitada aos produtos prim\u00e1rios. \u201cQuem quer produzir chocolate org\u00e2nico, por exemplo, muitas vezes n\u00e3o consegue por meses obter cacau que se enquadre nas regras porque o cultivo ainda \u00e9 muito pequeno\u201d, afirma Wachsner.<\/p>\n<p>Para Ming, o setor em que a falta de insumos \u00e9 mais evidente \u00e9 a pecu\u00e1ria, pois a produ\u00e7\u00e3o de carne e latic\u00ednios org\u00e2nicos \u00e9 praticamente insignificante. \u201cPoucos produtores brasileiros conseguem comprar com regularidade ra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o incluam sementes ou produtos geneticamente modificados. Muitas vezes, quando esse tipo de prote\u00edna vegetal est\u00e1 dispon\u00edvel, o agricultor prefere exportar o produto, provocando escassez para os empres\u00e1rios locais\u201d, afirma. \u201cN\u00f3s temos uma demanda maior que a oferta.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Dificuldades tamb\u00e9m para exportar<\/strong><\/h3>\n<p>Se o mercado interno de org\u00e2nicos ainda \u00e9 t\u00edmido, o setor de exporta\u00e7\u00f5es est\u00e1 ainda mais atr\u00e1s, apesar da voca\u00e7\u00e3o brasileira para a exporta\u00e7\u00e3o de alimentos. De acordo com os dados da Organics Brasil, o pa\u00eds exportou 136 milh\u00f5es de d\u00f3lares em produtos org\u00e2nicos, como a\u00e7\u00facar, castanhas e \u00f3leos vegetais, em 2014.<\/p>\n<p>Segundo Liu, um dos principais problemas para as exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 a falta de acordos entre o Brasil e outros pa\u00edses e blocos que normatizem as regras para a concess\u00e3o do selo de produto org\u00e2nico. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira regulamentada em 2011 fez com que o Brasil seguisse v\u00e1rios padr\u00f5es praticados no exterior, mas tamb\u00e9m criou novos mecanismos.<\/p>\n<p>Entre eles est\u00e3o os chamados \u201csistemas participativos de garantia\u201d e o \u201ccontrole social para a venda direta sem certifica\u00e7\u00e3o\u201d, que s\u00e3o mais baseados na confian\u00e7a e na rela\u00e7\u00e3o entre associa\u00e7\u00f5es, produtores individuais e consumidores \u2013 e que dispensam a atua\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de empresas certificadoras.<\/p>\n<p>\u201cBlocos como a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o querem nem ouvir falar disso, preferem as auditorias porque temem manipula\u00e7\u00e3o ou falsifica\u00e7\u00e3o. Isso faz com que o exportador brasileiro tenha que procurar certificar seus produtos duas vezes, uma vez aqui e outra no exterior, o que encarece o produto, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 equival\u00eancia entre o selo brasileiro e os estrangeiros. Por isso o Brasil continua a exportar s\u00f3 org\u00e2nicos prim\u00e1rios e n\u00e3o produtos de mais valor agregado, j\u00e1 que a certifica\u00e7\u00e3o deles l\u00e1 fora seria mais demorada\u201d, afirma Liu.<\/p>\n<p>A falta de acordos tamb\u00e9m prejudica as importa\u00e7\u00f5es. \u201cUm supermercado que importar uma barrinha de cereal do exterior vai ter que procurar certifica\u00e7\u00e3o para cada um dos ingredientes usados se quiser vend\u00ea-la como org\u00e2nica. \u00c9 um processo longo e complicado. Algumas redes chegam ao ponto de retirar o selo estrangeiro de \u2018org\u00e2nico\u2019 dos seus r\u00f3tulos para evitar a burocracia, mesmo que isso signifique frustrar consumidores que procuram os produtos\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil figura desde 2009 como o l\u00edder mundial no consumo de agrot\u00f3xicos. 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