{"id":31399,"date":"2015-11-11T09:00:21","date_gmt":"2015-11-11T12:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31399"},"modified":"2015-11-10T21:00:03","modified_gmt":"2015-11-11T00:00:03","slug":"botanicos-tentam-salvar-arvore-rara-da-especie-betula-nativa-do-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/botanicos-tentam-salvar-arvore-rara-da-especie-betula-nativa-do-japao\/","title":{"rendered":"Bot\u00e2nicos tentam salvar \u00e1rvore rara da esp\u00e9cie b\u00e9tula nativa do Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31400\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma graciosa esp\u00e9cie de b\u00e9tula nativa do Jap\u00e3o est\u00e1 entre um dos tipos de \u00e1rvore mais raros do mundo. H\u00e1 duas d\u00e9cadas, os bot\u00e2nicos haviam contado apenas 21 esp\u00e9cimes sobreviventes na natureza, todas confinadas em uma pequena \u00e1rea na remota e escarpada floresta das Montanhas de Chichibu \u2014 um n\u00famero pequeno demais para que a esp\u00e9cie, Betula chichibuensis, consiga se sustentar.<\/p>\n<p>In\u00fameros arboretos se esfor\u00e7aram para cultivar a \u00e1rvore, alguns com sucesso, mas agora a esp\u00e9cie pode ter ganhado uma segunda chance de sobreviver: bot\u00e2nicos ingleses coletaram sementes dessas b\u00e9tulas selvagens pela primeira vez\u00a0em quase 30 anos.<\/p>\n<p>As novas mudas podem ajudar a reestabelecer a diversidade gen\u00e9tica da pequena popula\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores cultivadas, al\u00e9m de incentivar iniciativas de reintrodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie na natureza. &#8220;Definitivamente \u00e9 uma grande oportunidade para uma esp\u00e9cie extremamente rara&#8221;, afirmou Michael Dosmann, curador do Arnold Arboretum, da Universidade de Harvard, que n\u00e3o faz parte do projeto.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o de salvar a B. chichibuensis faz parte de uma iniciativa ampla realizada por cientistas japoneses e brit\u00e2nicos que pesquisam e coletam sementes de todas as plantas nativas do Jap\u00e3o, muitas das quais n\u00e3o existem em nenhum outro lugar do planeta.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe por que a B. chichibuensis se tornou t\u00e3o rara. Atualmente, os especialistas acreditam que existem mais de duas d\u00fazias de esp\u00e9cimes na natureza; nos \u00faltimos anos, Toshihide Hirao, ecologista florestal da Floresta Chichibu da Universidade de T\u00f3quio, descobriu oito pequenas \u00e1reas onde a esp\u00e9cie existe. Ainda assim, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que ela seja muito rara e esteja amea\u00e7ada&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Hirao e seu colega, Satoshi Suzuki, levaram os pesquisadores brit\u00e2nicos a um dos locais mais acess\u00edveis no ano passado. A equipe partiu ao amanhecer em um dia nublado de outubro, portando prensas de plantas, podadores e aparelhos de GPS. A jornada n\u00e3o foi f\u00e1cil. \u00c0 medida que adentravam a floresta, a trilha se tornava estreita e intermitente, muitas vezes desaparecendo, afirmou Ben Jones, curador do Harcourt Arboretum, da Universidade de Oxford. Uma chuva pesada come\u00e7ou a cair \u00e0 medida que os pesquisadores tentavam se manter firmes sobre as rochas calc\u00e1rias das encostas \u00edngremes da montanha.<\/p>\n<p>Seis horas depois de partirem, os cientistas finalmente chegaram \u00e0s b\u00e9tulas. Escondidas entre con\u00edferas, as folhas das \u00e1rvores j\u00e1 tinha perdido o verde e ganhado o amarelo dourado do outono. &#8220;Obviamente, est\u00e1vamos exaustos, ensopados e morrendo de fome, mas n\u00e3o consegu\u00edamos conter a alegria&#8221;, afirmou Jones.<\/p>\n<p>&#8220;Era como finalmente conhecer uma celebridade de quem voc\u00ea \u00e9 muito f\u00e3. N\u00e3o h\u00e1 nada como ver essas plantas em seu habitat nativo&#8221;.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise mais detida das \u00e1rvores trouxe outra grata surpresa: os galhos estavam repletos de sementes. A equipe cuidadosamente coletou 2.000 sementes de tr\u00eas b\u00e9tulas e trouxe o material de volta para casa.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, exames de raio-x dessas sementes mostraram que ao menos algumas delas seriam vi\u00e1veis. Depois de fazer a longa jornada at\u00e9 a Inglaterra, cerca de metade das sementes foram enviadas para o Banco de Sementes do Mil\u00eanio, em Kew, onde foram armazenadas. As restantes ficaram com Dan Luscombe, bot\u00e2nico do Pineto Nacional de Bedgebury, em Kent.<\/p>\n<p>Luscombe plantou as sementes em um composto e, para sua alegria, cerca de 100 delas brotaram. &#8220;Eu passei por elas um dia e fiquei de queixo ca\u00eddo ao ver os brotos. As mudas germinaram! Eu n\u00e3o estava esperando que desse t\u00e3o certo, mas elas brotaram em quest\u00e3o de semanas.&#8221;<\/p>\n<p>Desde novembro, as mudas j\u00e1 atingiram 25 cent\u00edmetros. Quando chegar a hora, elas ser\u00e3o distribu\u00eddas entre jardins bot\u00e2nicos ingleses e algumas ser\u00e3o devolvidas para o Jap\u00e3o. As mudas podem ser de enorme ajuda para preservar a esp\u00e9cie, n\u00e3o apenas numericamente.<\/p>\n<p>&#8220;A B. chichibuensis nunca foi sistematicamente cultivada em arboretos, o que significa que o fato de a equipe brit\u00e2nica ter sido bem sucedida na germina\u00e7\u00e3o das sementes dessa esp\u00e9cie pode representar o primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da esp\u00e9cie&#8221;, afirmou Hirao.<\/p>\n<p>Em 1987, Hugh McAllister, que na \u00e9poca era bot\u00e2nico do Jardim Bot\u00e2nico Nessa, da Universidade de Liverpool, recebeu centenas de sementes de B. chichibuensis de um colega no Jap\u00e3o. Apenas oito germinaram. McAllister enxertou mudas clonadas de todos os esp\u00e9cimes que foram cultivados.<\/p>\n<p>O Jardim Bot\u00e2nico Ness distribuiu sementes para 36 jardins desde 2009, e ao menos 28 locais cultivaram parentes dos oito clones originais de McAllister, de acordo com o PlantSearch, uma base de dados de cole\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas do mundo todo. Mas para salvar a esp\u00e9cie \u00e9 necess\u00e1rio continuar coletando sementes dos esp\u00e9cimes selvagens, afirmou Dosmann, do arboreto da Universidade de Harvard.<\/p>\n<p>As b\u00e9tulas que produziram sementes vi\u00e1veis h\u00e1 30 anos talvez n\u00e3o estejam mais produzindo sementes hoje e os dados de campo, que n\u00e3o incluem a localiza\u00e7\u00e3o das sementes do lote de 1987, s\u00e3o fundamentais para a pesquisa e manuten\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Entretanto, as novas mudas podem ter um papel fundamental na amplia\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica dos esp\u00e9cimes cultivados.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que os jardins bot\u00e2nicos tenham essas \u00e1rvores como reservas, mas ficamos preocupados quando todo mundo cultiva exatamente a mesma parcela da piscina gen\u00e9tica da esp\u00e9cie, j\u00e1 que \u00e9 imposs\u00edvel saber se ela \u00e9 representativa da m\u00e9dia ou n\u00e3o&#8221;, afirmou Dosmann.<\/p>\n<p>&#8220;Imagine se um alien\u00edgena chegasse na Terra e sequestrasse apenas tr\u00eas pessoas, mas que elas fossem justamente as celebridades mais odiadas do mundo. Voc\u00ea realmente gostaria que toda a ra\u00e7a humana fosse definida com base nesses tr\u00eas indiv\u00edduos?&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores planejam retornar ao campo no ano que vem \u2014 desta vez equipados com apetrechos de montanhismo e acampamento \u2014 para passar mais tempo pesquisando as b\u00e9tulas. Enquanto isso, Hirao e seus colegas est\u00e3o analisando a diversidade gen\u00e9tica e o fluxo gen\u00e9tico das \u00e1rvores selvagens.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ajudar a aumentar as chances de reestabelecimento da esp\u00e9cie, Jones espera que o interesse renovado na B. chichibuensis aumente o debate sobre a dificuldade de manuten\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies raras de plantas em geral.<\/p>\n<p>&#8220;Pouqu\u00edssima gente sabe que 20 por cento de todas as esp\u00e9cies de plantas correm risco de extin\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma graciosa esp\u00e9cie de b\u00e9tula nativa do Jap\u00e3o est\u00e1 entre um dos tipos de \u00e1rvore<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31400,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/arvore_rara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma graciosa esp\u00e9cie de b\u00e9tula nativa do Jap\u00e3o est\u00e1 entre um dos tipos de \u00e1rvore","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}