{"id":31307,"date":"2015-11-09T13:00:22","date_gmt":"2015-11-09T16:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31307"},"modified":"2015-11-08T20:26:15","modified_gmt":"2015-11-08T23:26:15","slug":"sistema-de-integracao-faz-aumentar-a-produtividade-de-fazendas-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sistema-de-integracao-faz-aumentar-a-produtividade-de-fazendas-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Sistema de integra\u00e7\u00e3o faz aumentar a produtividade de fazendas do cerrado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31308\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No fim de novembro, come\u00e7a em Paris, na Fran\u00e7a, a COP 21 \u2013 Confer\u00eancia Mundial do Clima. A diminui\u00e7\u00e3o do aquecimento global e do efeito estufa s\u00e3o dois dos principais assuntos da reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro da proposta brasileira, existe uma medida considerada revolucion\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria sustent\u00e1vel: a recupera\u00e7\u00e3o de pastos degradados com a tecnologia da integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta. H\u00e1 30 anos, o Globo Rural acompanhou os primeiros passos da t\u00e9cnica. Agora, a equipe de reportagem voltou ao cerrado para conferir resultados.<\/p>\n<p>A fazenda em Ipameri, no sudeste de Goi\u00e1s, \u00e9 refer\u00eancia da Embrapa no sistema de integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta. Trabalhando num esquema que favorece o meio-ambiente, a propriedade produz soja, milho, boi e eucalipto com uma situa\u00e7\u00e3o de custos bastante favor\u00e1vel. H\u00e1 nove atr\u00e1s, por\u00e9m, no local s\u00f3 tinha \u00e1reas degradadas e trabalhava no vermelho. Hoje, a \u00e1rea \u00e9 o cen\u00e1rio ideal para buscar a palavra de ordem do agr\u00f4nomo Jo\u00e3o K, que quer as fazendas brasileiras fazendo quatro safras por ano.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s fazemos a safra de ver\u00e3o, que \u00e9 com soja. Colhemos a soja e fazemos uma safrinha de milho consorciada com capim. Colhemos o milho e colocamos uma safrinha de boi. Tiramos o boi e fazemos uma safra de palhada para o plantio direto e gerar mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo. Ent\u00e3o, s\u00e3o quatro safras dependentes apenas de chuva, sem irriga\u00e7\u00e3o\u201d, diz o agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>O eucalipto tamb\u00e9m come\u00e7ou a entrar no sistema nos \u00faltimos anos e pode render outras safras de madeira.<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo paranaense, de origem ucraniana, \u00e9 conhecido pela express\u00e3o Jo\u00e3o K, sobrenome Kluthcouski. Como a palavra \u00e9 dif\u00edcil de pronunciar, os colegas de servi\u00e7o simplificaram s\u00f3 com as iniciais. Mas, para n\u00e3o usar JK, que \u00e9 nome de presidente, ficou Jo\u00e3o K. Assim ele \u00e9 conhecido tanto na Embrapa Arroz e Feij\u00e3o, onde trabalha, quanto nas fazendas que visita.<\/p>\n<p>O Globo Rural acompanha o trabalho de Jo\u00e3o K e sua equipe h\u00e1 mais de 30 anos. Em sucessivas reportagens, o programa mostra os trabalhos do agr\u00f4nomo. Come\u00e7ou no cons\u00f3rcio de arroz com capim. Seguiu para o milho, sorgo, guandu, girassol, soja e outras plantas. A base \u00e9 sempre semear junto a lavoura e o capim, fazendo rota\u00e7\u00e3o de culturas e plantio direto, mexendo na terra o m\u00ednimo poss\u00edvel. A tecnologia que est\u00e1 se mostrando revolucion\u00e1ria para climas tropicais.<\/p>\n<p>Na Fazenda Eco Nelore, no munic\u00edpio de Teres\u00f3polis de Goi\u00e1s, a 20 quil\u00f4metros de Goi\u00e2nia, o agricultor Robert Berger implantou a integra\u00e7\u00e3o e traz as contas na ponta do l\u00e1pis.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu assumi a fazenda, h\u00e1 cinco anos, ela estava toda degradada e com uma capacidade animal muito pequena. Eu teria que reformar todos os pastos. Fiz as contas e assustei porque \u00e9 muito caro. Fui pesquisar e acabei encontrando a integra\u00e7\u00e3o lavoura pecu\u00e1ria que me falavam que eu reformava o pasto sem custo. Eu falei: \u2018u\u00e1, como \u00e9 que eu vou fazer isto?\u2019 Fui visitar uma fazenda, vi os n\u00fameros e resolvi aplicar\u201d, diz Berger.<\/p>\n<p>O agricultor foi abrindo a fazenda por partes. Hoje, Berger ainda tem \u00e1reas degradadas, que espera renovar no tempo certo. \u201c\u00c9 sem custo porque a gente planta o milho, que j\u00e1 tem que adubar. Junto, planta o capim, que eu s\u00f3 pago a semente. Colho o milho, que paga todas as contas e ainda deixa um lucro. A semente eu recupero com a palhada do milho que fica com mais prote\u00edna para os animais\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na mesma regi\u00e3o da fazenda de Robert Berger ainda existe muitas pastagens desfiguradas. H\u00e1 capim rasterinho no ch\u00e3o e cupim. O mato de folha larga que existia o gado comeu. S\u00f3 restou um ou outro p\u00e9 de assa-peixe. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de um pasto degradado.<\/p>\n<p>\u201cEm uma situa\u00e7\u00e3o dessa o pasto fica t\u00e3o fr\u00e1gil que sai f\u00e1cil. Ela n\u00e3o tem fixa\u00e7\u00e3o da raiz no solo. O pr\u00f3prio ato de pastejo do touro ou do gado arranca com facilidade\u201d, esclarece o t\u00e9cnico agr\u00edcola H\u00e9lvio dos Santos Abadia.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do sistema de integra\u00e7\u00e3o se deve, entre outros fatores, \u00e0 exist\u00eancia do capim braqui\u00e1ria brisanta. Desde que tenha condi\u00e7\u00e3o de agir, a braqui\u00e1ria como que afofa o solo para o plantio da lavoura crescer.<\/p>\n<p>Marize Porto Costa, da Fazenda Santa Br\u00edgida, em Ipameri, assumiu h\u00e1 nove anos a propriedade com pastagens degradadas. O local lidava s\u00f3 com gado, tinha tr\u00eas funcion\u00e1rios, dois tratores pequenos e uma carretinha. \u201cNo in\u00edcio, a gente estava trabalhando at\u00e9 num campo negativo. Pela falta de pasto, uma unidade animal precisava de dois hectares para poder sobreviver. Hoje, n\u00f3s colocamos quatro\u201d, diz.<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo Roberto Freitas, que presta consultoria agron\u00f4mica para diversas fazendas da regi\u00e3o, chama aten\u00e7\u00e3o para um detalhe do sistema de integra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m mostra-se impressionado com o papel da braqui\u00e1ria e dos restos de cultura na produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica. \u201cFazenda funciona 360 dias por ano contemplando a atividade pecu\u00e1ria e a atividade agr\u00edcola. Como a gente tem a palhada mais grossa, que o gado n\u00e3o come, essa parte mais fibrosa \u00e9 que vai dar uma mat\u00e9ria org\u00e2nica est\u00e1vel que vai persistir no solo por cerca de 80 a 100 anos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 25 anos, o dia-a-dia da aplica\u00e7\u00e3o do sistema lavoura-pecu\u00e1ria foi revelando problemas que precisaram ser contornados. \u201cNa hora de colher o milho, se o milho fosse de espiga baixa, dava embuchamento na colhedeira. Depois, n\u00f3s criamos t\u00e9cnicas de deixar o capim pequeninho at\u00e9 a colheita do milho, atrav\u00e9s de pequenas doses de herbicidas. Mas, isso j\u00e1 est\u00e1 evolu\u00eddo e a grande maioria dos produtores que fazem o sistema j\u00e1 usa essa dose segurando o capim\u201d, diz Jo\u00e3o K.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim de novembro, come\u00e7a em Paris, na Fran\u00e7a, a COP 21 \u2013 Confer\u00eancia Mundial<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31308,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/integracao_cerrado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No fim de novembro, come\u00e7a em Paris, na Fran\u00e7a, a COP 21 \u2013 Confer\u00eancia Mundial","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31307"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31307\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}