{"id":31282,"date":"2015-11-09T07:00:49","date_gmt":"2015-11-09T10:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31282"},"modified":"2015-11-08T19:31:18","modified_gmt":"2015-11-08T22:31:18","slug":"produtores-enfrentam-o-desafio-de-dobrar-a-producao-sem-desmatar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/produtores-enfrentam-o-desafio-de-dobrar-a-producao-sem-desmatar\/","title":{"rendered":"Produtores enfrentam o desafio de dobrar a produ\u00e7\u00e3o sem desmatar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31283\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na segunda parte da reportagem sobre as tr\u00eas d\u00e9cadas do sistema lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, o Globo Rural traz o desafio que a agricultura brasileira tem pela frente: dobrar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e de carne, sem desmatar, nos pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<p>A conquista do cerrado com a corre\u00e7\u00e3o do solo e a cria\u00e7\u00e3o de plantas adaptadas ao clima do Brasil, principalmente a soja, fez a explos\u00e3o da agricultura brasileira para tornar o pa\u00eds um dos maiores produtores de carne e gr\u00e3os do mundo.<\/p>\n<p>Calcula-se em 30 milh\u00f5es de hectares os pastos que precisam ser renovados s\u00f3 no cerrado. A \u00e1rea equivalente ao espa\u00e7o hoje ocupado por toda a agricultura nacional. Recuperar essas terras seria como criar um novo Brasil agr\u00edcola ao lado do atual. Esse \u00e9 um dos grandes objetivos da integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta.<\/p>\n<p>Em cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de hectares j\u00e1 se usa o sistema de integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria no Brasil. Uma \u00e1rea dif\u00edcil est\u00e1 sendo enfrentada agora: a recupera\u00e7\u00e3o de solos arenosos.<\/p>\n<p>Em Paragua\u00e7u Paulista, em S\u00e3o Paulo, 70% de toda \u00e1rea da regi\u00e3o \u00e9 formada por um solo de baixa fertilidade e com estrutura fr\u00e1gil, como dizem os t\u00e9cnicos. A falta tratamento adequado pode causar muito estrago na propriedade.<\/p>\n<p>O estado de S\u00e3o Paulo tem nove milh\u00f5es de hectares com pastagens degradadas. Quase a metade da \u00e1rea est\u00e1 na regi\u00e3o Oeste, segundo o agr\u00f4nomo Edmar Moro, do Grupo de Pesquisa Agropecu\u00e1ria do Oeste Paulista.<\/p>\n<p>\u201cO pecuarista \u00e9 muito tradicional. Ele sempre explorou extensivamente a pastagem. Ele n\u00e3o olha para a pastagem como uma cultura. Ele s\u00f3 tira os nutrientes ano a ano, explorando com pecu\u00e1ria, e n\u00e3o rep\u00f5e o que vai sendo levado embora do sistema atrav\u00e9s da carne\u201d, diz Moro.<\/p>\n<p>Mas, no meio dessa realidade, algumas propriedades chamando aten\u00e7\u00e3o por causa do vigor dos pastos depois que incorporaram o sistema lavoura-pecu\u00e1ria. A chave dessa mudan\u00e7a \u00e9 a gest\u00e3o, para produzir de forma intensa, o ano todo. Isso n\u00e3o depende nem de ser dono da terra. H\u00e1 tr\u00eas anos, o agricultor Pedro Filippini arrendou 20 hectares em Paragua\u00e7u Paulista para iniciar a integra\u00e7\u00e3o. Hoje, ele j\u00e1 conta com cem hectares.<\/p>\n<p>\u201cEm uma \u00e1rea que antes eram produzidas 3,3 arrobas por hectare, hoje, no mesmo per\u00edodo, num ano, a gente produz 6,5 arrobas. Al\u00e9m disso, mais uma safra de soja com aproximadamente tr\u00eas mil quilos de gr\u00e3os\u201d, calcula o agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>O rod\u00edzio adotado na \u00e1rea respeita um determinado calend\u00e1rio. Em outubro, ocorre o plantio da soja. A colheita \u00e9 feita em mar\u00e7o do ano seguinte. Da\u00ed, o capim, entra em abril. Em junho, vem o gado, que permanece na \u00e1rea at\u00e9 setembro. Em outubro, o ciclo recome\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cTem dinheiro para o agricultor financiar. Tem dinheiro para o pequeno produtor, m\u00e9dio produtor e grande produtor. Os juros oscilam entre 2,5% ao ano at\u00e9 8% ao ano, dependendo do enquadramento do produtor\u201d, diz Luiz Macedo, superintendente do Banco do Brasil em Presidente Prudente.<\/p>\n<p>A Fazenda Campina, no munic\u00edpio de Caiu\u00e1, j\u00e1 \u00e9 bastante conhecida dos criadores de nelore por conta do avan\u00e7ado trabalho que faz com os animais sem chifre da ra\u00e7a, o chamado nelore mocho.<\/p>\n<p>As pastagens do pecuarista Carlos Viacava, formadas h\u00e1 quase 30 anos, est\u00e3o, aos poucos, sendo renovadas com a integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria. Anos passados, nessa \u00e9poca do ano, era tudo marrom. Aquela palha, o capim seco, sem comida para o gado. Agora, estamos cheios de pasto. \u00c9 o progresso da integra\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo o zootecnista da fazenda, Juliano Roberto da Silva, a estrutura dessas terras pode chegar a 95% de areia e apenas 5%. \u201cEnt\u00e3o, se plantar numa areia sem cobertura a planta morre degolada. Para tirar essa condi\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel para a planta tem que ter a palhada\u201d, explica.<\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas anos intercalando lavoura e pecu\u00e1ria, o piquete da propriedade est\u00e1 pronto para mais uma etapa da integra\u00e7\u00e3o. Ele ficar\u00e1 dois anos seguidos s\u00f3 com pasto.<\/p>\n<p>O favorecimento ao meio ambiente \u00e9 um ponto que anima os aplicadores da integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria. \u201cO solo est\u00e1 vegetado o ano todo. Um solo vegetado \u00e9 um solo que absorve carbono e n\u00e3o emite. Quem emite s\u00e3o os solos degradados. Outro detalhe tamb\u00e9m importante \u00e9 que quando n\u00f3s temos a \u00e1rvores, a \u00e1rvore de fato sequestra o carbono porque ela pega o carbono, tira do ar. Quando n\u00f3s vamos para a ind\u00fastria madeireira, n\u00f3s estamos sequestrando definitivamente\u201d, diz o agr\u00f4nomo Jo\u00e3o K.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta ganhou tamanha import\u00e2ncia que foi criada uma Embrapa s\u00f3 para tratar do assunto. No, instalado em Sinop, no Mato Grosso, tem 72 hectares de pesquisas divididas em dez sistemas de produ\u00e7\u00e3o. Os 25 pesquisadores trabalham em diversas \u00e1reas, mas o foco \u00e9 o desenvolvimento da tecnologia da integra\u00e7\u00e3o. Eles intensificam as pesquisas no campo e tamb\u00e9m nos laborat\u00f3rios, alguns m\u00f3veis.<\/p>\n<p>Um trailer, por exemplo, \u00e9 um equipamento usado para medir a emiss\u00e3o de gases que causam o efeito estufa. Ele abre e fecha automaticamente para capturar esses gases.<\/p>\n<p>O eucalipto, que entra na integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria para render madeira, tamb\u00e9m contribui para o conforto animal e para o meio ambiente. O eucalipto \u00e9 menos adensado no sistema para permitir a circula\u00e7\u00e3o do gado.<\/p>\n<p>Outro aparelho foi instalado no pasto para medir a emiss\u00e3o de metano pelos animais, g\u00e1s 32 vezes mais nocivo para o efeito estufa em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00e1s carb\u00f4nico. Sem contato com o pesquisador, o boi \u00e9 atra\u00eddo para o cocho com alimenta\u00e7\u00e3o. Basta que ele permane\u00e7a na \u00e1rea por, no m\u00ednimo, dois minutos para fazer a medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a Embrapa, em uma pastagem de boa qualidade um boi produz 47 gramas de metano por quilo de animal vivo. Na pastagem degradada, a quantidade de g\u00e1s metano sobe para 76 gramas.<\/p>\n<p>O presidente da Embrapa, Maur\u00edcio Lopes, considera a integra\u00e7\u00e3o lavoura\u2013pecu\u00e1ria\u2013floresta, muito mais do que uma simples tecnologia.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil est\u00e1 aqui produzindo a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria. Quando a gente imagina um futuro em 2050, que o mundo ter\u00e1 que produzir uma quantidade muito maior de alimentos porque a popula\u00e7\u00e3o segue crescendo, n\u00e3o d\u00e1 para fechar a conta sem uma revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no cintur\u00e3o tropical do globo e n\u00f3s estamos construindo a base dessa revolu\u00e7\u00e3o no brasil&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta \u00e9 um conceito mais pr\u00f3ximo de quem faz agricultura e um pouco distante de quem s\u00f3 cria gado. Mesmo assim, essa tecnologia que inova no plantio e integra os setores do campo, est\u00e1 presente em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Para Jo\u00e3o K, j\u00e1 \u00e9 hoje a fazenda do futuro do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEu defino esse sistema como o mais perfeito de todos os sistemas. Ele \u00e9 agronomicamente eficiente, socialmente justo, ambientalmente preservador e economicamente rent\u00e1vel. Esses atributos s\u00e3o os atributos necess\u00e1rios para um processo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que n\u00e3o s\u00f3 privilegia o produtor, mas a sociedade e o ambiente de modo geral\u201d, conclui Jo\u00e3o K.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda parte da reportagem sobre as tr\u00eas d\u00e9cadas do sistema lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, o Globo Rural<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/solo_arenoso.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Na segunda parte da reportagem sobre as tr\u00eas d\u00e9cadas do sistema lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, o Globo Rural","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31282"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31282\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}