{"id":31184,"date":"2015-11-07T14:26:14","date_gmt":"2015-11-07T17:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=31184"},"modified":"2015-11-07T14:27:06","modified_gmt":"2015-11-07T17:27:06","slug":"residuos-solidos-os-desafios-de-uma-gestao-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/residuos-solidos-os-desafios-de-uma-gestao-sustentavel\/","title":{"rendered":"Res\u00edduos s\u00f3lidos: os desafios de uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Ednilson Viana<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cN\u00e3o basta a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos ser integrada. Ela precisa ser sustent\u00e1vel, envolvendo o conceito de integra\u00e7\u00e3o entre as etapas do fluxo dos res\u00edduos e ainda os aspectos ambientais, sociais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i65.tinypic.com\/j5fa1c.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><em>Foto: portaldepaulinia.com.br<\/em><\/em>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Apesar de a <strong>Lei n\u00ba 12.305\/10<\/strong>, que institui a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/540260-politica-de-residuos-solidos-uma-encruzilhada-que-necessita-de-uma-transformacao-radical-\" target=\"_blank\"><strong>Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos \u2013 PNRS<\/strong><\/a>, ter sido promulgada h\u00e1 cinco anos, o modelo vigente de <strong>gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> no Brasil ainda \u201c\u00e9 o que preza pelo aterramento dos res\u00edduos s\u00f3lidos e pelo desperd\u00edcio de mat\u00e9ria-prima\u201d, afirma <strong>Ednilson Viana<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, ele explica que esse modelo \u201c\u00e9 respons\u00e1vel pelo esgotamento r\u00e1pido dos aterros sanit\u00e1rios e por contribuir para agravar os <strong>impactos<\/strong> negativos ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica pelo uso alargado de lix\u00f5es e aterros controlados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Viana<\/strong> pontua que as \u00e1reas para a implanta\u00e7\u00e3o de <strong>aterros sanit\u00e1rios<\/strong> \u201cest\u00e3o ficando cada vez mais raras e distantes dos centros urbanos (&#8230;). Desta forma, os res\u00edduos poder\u00e3o viajar centenas de quil\u00f4metros para serem dispostos no solo, o que encarece toda a cadeia de coleta e transporte e, consequentemente, uma eleva\u00e7\u00e3o nas taxas a serem cobradas para geri-los\u201d. De acordo com ele, se os problemas centrais relacionados \u00e0 gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos n\u00e3o forem solucionados com urg\u00eancia, poderemos assistir a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica para os res\u00edduos no futuro. \u201cQuando se observa que aproximadamente 96% dos <strong>res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> urbanos s\u00e3o encaminhados para <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543114-o-fim-dos-lixoes\" target=\"_blank\">aterros sanit\u00e1rios<\/a>, que uma grande quantidade de m\u00e9todos inadequados \u00e9 utilizada (lix\u00f5es e aterros sanit\u00e1rios), que convivemos com um aumento na produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, com uma responsabilidade compartilhada pelos res\u00edduos, dentre outros fatores, \u00e9 f\u00e1cil concluir que no futuro, se continuarmos assim, n\u00e3o teremos mais espa\u00e7o para colocar tantos res\u00edduos e teremos os problemas agravados pela disposi\u00e7\u00e3o inadequada\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de <strong>Viana<\/strong>, um modelo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/545082-politica-de-residuos-solidos-nao-avancou-na-gestao-do-lixo-avalia-abrelpe\" target=\"_blank\"><strong>gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong><\/a> eficiente consiste em compreender os res\u00edduos como \u201cmat\u00e9ria-prima\u201d que pode originar novos produtos atrav\u00e9s da <strong>reciclagem<\/strong>. Essa concep\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de gest\u00e3o sugere que \u201cn\u00e3o basta apenas fazer a coleta seletiva dos materiais recicl\u00e1veis. \u00c9 preciso ter qualidade de separa\u00e7\u00e3o na fonte geradora para que se tenha um produto final de boa qualidade no final do processo de reciclagem\u201d, frisa. Ele enfatiza ainda que para que a gest\u00e3o dos res\u00edduos melhore no pa\u00eds, \u00e9 preciso de um novo modelo que possa ir al\u00e9m dos cons\u00f3rcios que existem hoje.<\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana<\/strong> \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Estadual Paulista &#8211; UNESP, mestre em Ci\u00eancias pelo Instituto de Qu\u00edmica de S\u00e3o Carlos \u2013 IQSC\/USP e doutor em Saneamento pela Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos \u2013 EESC\/USP. Atualmente \u00e9 professor da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, onde desenvolve trabalhos na \u00e1rea de Gest\u00e3o Sustent\u00e1vel de Res\u00edduos S\u00f3lidos.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista. <\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/t7ybeg.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><em>Foto: media.fapesp.br<\/em><\/em>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Que modelo de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos existe hoje no Brasil? Quais s\u00e3o os aspectos negativos e os positivos desse modelo de gest\u00e3o?<\/strong><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> O nosso modelo ainda vigente \u00e9 o que preza pelo <strong>aterramento dos res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> e pelo desperd\u00edcio de mat\u00e9ria-prima. Este modelo \u00e9 respons\u00e1vel pelo esgotamento r\u00e1pido dos aterros sanit\u00e1rios e por contribuir para agravar os <strong>impactos<\/strong> negativos ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica pelo uso alargado de lix\u00f5es e aterros controlados, que s\u00e3o m\u00e9todos de disposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos inadequados no solo e sem a prote\u00e7\u00e3o devida. Por isso, \u00e9 preciso dar um basta nesta situa\u00e7\u00e3o e progredirmos para uma outra realidade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A partir do atual modelo de gest\u00e3o, o que \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar em termos de futuro acerca dos res\u00edduos s\u00f3lidos no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> Eu volto a dizer <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/547973-depois-da-agua-gestao-do-lixo-pode-ser-o-novo-centro-de-crise-no-brasil\" target=\"_blank\">o que disse no jornal <strong>El Pa\u00eds<\/strong><\/a>: os res\u00edduos s\u00f3lidos, se forem geridos da forma como est\u00e3o sendo, podem conduzir a uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica no futuro por diversas raz\u00f5es. As \u00e1reas para implanta\u00e7\u00e3o de <strong>aterros sanit\u00e1rios<\/strong> (m\u00e9todo de disposi\u00e7\u00e3o no solo adequado) est\u00e3o ficando cada vez mais raras e distantes dos centros urbanos, especialmente os grandes centros urbanos e as megacidades. Desta forma, os res\u00edduos poder\u00e3o viajar centenas de quil\u00f4metros para serem dispostos no solo, o que encarece toda a cadeia de coleta e transporte e, consequentemente, uma eleva\u00e7\u00e3o nas taxas a serem cobradas para geri-los. Veja que n\u00e3o ter onde colocar os res\u00edduos ou envi\u00e1-los para longe \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Se o <strong>custo<\/strong> \u00e9 um fator importante nesta din\u00e2mica de cuidados com os res\u00edduos, elevadas taxas podem colocar em risco determinados desenhos de gest\u00e3o e a capacidade de determinados munic\u00edpios em lidar com a quest\u00e3o. O descarte de res\u00edduos s\u00f3lidos de forma clandestina ou mesmo de forma inapropriada pode se intensificar.<\/p>\n<p>Um exemplo de <strong>descaso e falta de consci\u00eancia<\/strong> de toda a popula\u00e7\u00e3o com os res\u00edduos s\u00f3lidos s\u00e3o aqueles res\u00edduos descartados no <strong>ambiente marinho<\/strong>, que hoje est\u00e3o se acumulando em pontos de conflu\u00eancia das correntes mar\u00edtimas nos oceanos dos cinco continentes e gerando degrada\u00e7\u00e3o ambiental em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente e uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 navega\u00e7\u00e3o nestes locais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o baixo \u00edndice de <strong>aproveitamento<\/strong> dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, como pode ser visto pelos dados do <strong>Minist\u00e9rio das Cidades<\/strong> atrav\u00e9s do <strong>Sistema de Informa\u00e7\u00e3o em Saneamento &#8211; SNIS<\/strong> de 2013 e da <strong>Abrelpe<\/strong>, do mesmo ano, demonstra que teremos muitos res\u00edduos sendo produzidos com muito pouco aproveitamento, levando \u2014 como eu j\u00e1 disse na quest\u00e3o anterior \u2014 ao esgotamento r\u00e1pido dos aterros sanit\u00e1rios e a uma demanda cada vez maior por \u00e1reas adequadas a estes m\u00e9todos, que j\u00e1 s\u00e3o escassas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que precisamos deixar a situa\u00e7\u00e3o chegar ao quase extremo para estabelecer as condutas eficazes?<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cAs \u00e1reas para implanta\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios est\u00e3o ficando cada vez mais raras e distantes dos centros urbanos, especialmente os grandes centros urbanos e as megacidades\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que lacunas percebe no debate acerca dos res\u00edduos s\u00f3lidos e da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos &#8211; PNRS no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> H\u00e1 acertos e equ\u00edvocos. \u00c9 assertivo exigir das fontes geradoras os planos de gest\u00e3o ou planos de gerenciamento para buscar o desvio dos res\u00edduos dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532046-fim-dos-lixoes-parece-ser-uma-realidade-distante-\" target=\"_blank\">aterros sanit\u00e1rios<\/a>. Por outro lado, h\u00e1 equ\u00edvocos como a falta de cobran\u00e7a rigorosa dos planos e de cobran\u00e7a de planos que tenham qualidade. Lembro ainda que a cobran\u00e7a deve se estender a implementa\u00e7\u00e3o e acompanhamento dos planos ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Um outro ponto que quero destacar \u00e9 sobre a<strong> responsabilidade compartilhada<\/strong> pela gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos entre fabricantes, importadores, comerciantes e consumidor (log\u00edstica reversa). A experi\u00eancia internacional mostra claramente que a responsabilidade deve ser estendida ao produtor, onde o fabricante, por exemplo, tem a responsabilidade de cuidar dos res\u00edduos gerados a partir do momento em que lan\u00e7a um produto no mercado. \u00c9 claro que ele vai cobrar do consumidor a conta, mas, por outro lado, se garante a gest\u00e3o adequada destes res\u00edduos no seu fluxo, n\u00e3o provocando \u201cn\u00f3s\u201d como vemos hoje para diversos setores no Brasil. Por exemplo, pensando na <strong>log\u00edstica reversa<\/strong> versus a <strong>responsabilidade compartilhada<\/strong> dos res\u00edduos no Brasil, h\u00e1 embalagens que s\u00e3o constitu\u00eddas por diversos materiais, provenientes de diversas fontes geradoras.<\/p>\n<p>Neste caso, todos se perguntam: como conduzir cada um dos componentes daquela embalagem ou res\u00edduo para os seus respectivos fabricantes? H\u00e1 casos como o de medicamentos em que o consumidor teria que comprovar a compra do medicamento em uma determinada farm\u00e1cia para poder descartar ali os res\u00edduos gerados pelo medicamento adquirido. A farm\u00e1cia, por sua vez, tem que identificar os laborat\u00f3rios fabricantes (se for um medicamento) e separar as embalagens para serem conduzidas para os fabricantes. J\u00e1 imaginou quantos laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos existem e como seria esta din\u00e2mica e log\u00edstica de retorno da embalagem pela farm\u00e1cia? Temos que encarar as dificuldades de frente e n\u00e3o ficar tentando \u201cdesnovelar\u201d o que n\u00e3o tem como ser feito. Precisamos avan\u00e7ar a passos largos e partir para o que \u00e9 funcional de fato.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as dificuldades de p\u00f4r em pr\u00e1tica a Lei Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> S\u00e3o v\u00e1rias. H\u00e1 quest\u00f5es naturais ao processo e quest\u00f5es de comodismo, mas a principal, na minha opini\u00e3o, \u00e9 uma postura de maior rigor na <strong>fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> para fazer valer a lei e os seus princ\u00edpios b\u00e1sicos. O<strong> Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong> tem papel fundamental neste caso. S\u00f3 a cobran\u00e7a rigorosa sobre a elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o dos planos de gest\u00e3o municipais e planos de gerenciamento, todos sob a \u00f3tica da qualidade, elevariam muito a nossa velocidade na dire\u00e7\u00e3o de uma <strong>gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> mais digna de um pa\u00eds t\u00e3o promissor quanto o Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso respeitar a hierarquia de res\u00edduos prevista na lei e que \u00e9 muito certa, promover mecanismos de incentivos \u00e0s <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/529364-inclusao-dos-catadores-na-pnrs-e-dramatica-entrevista-especial-com-roque-spies\" target=\"_blank\"><strong>cooperativas de catadores<\/strong><\/a> e diversos outros mecanismos importantes, introduzir tecnologias no processo de gest\u00e3o e, ainda, estabelecer regras que sejam cumpridas de fato. \u00c9 preciso avan\u00e7ar na gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, sem desculpas ou ficar \u201cempurrando com a barriga\u201d uma quest\u00e3o t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante \u00e9 que o nosso <strong>modelo de gest\u00e3o<\/strong> tem como unidade de gest\u00e3o o pr\u00f3prio munic\u00edpio, na sua grande maioria. \u00c9 preciso formar agrupamento de munic\u00edpios para uma gest\u00e3o mais adequada e menos custosa. Os cons\u00f3rcios t\u00eam atuado neste sentido, mas eles t\u00eam dificuldades de funcionamento por diversas quest\u00f5es, deixando a d\u00favida se o modelo de cons\u00f3rcio que temos hoje \u00e9 o mais adequado para este agrupamento dos munic\u00edpios. \u00c9 preciso fazer o agrupamento de todos os munic\u00edpios como regra \u00fanica e atrav\u00e9s de crit\u00e9rios eficientes, democr\u00e1ticos, mas s\u00e9rios. H\u00e1 na Europa agrupamentos que envolvem mais de 20 munic\u00edpios, chamados de sistemas, o que facilita inclusive a constru\u00e7\u00e3o de bancos de dados confi\u00e1veis sobre os res\u00edduos s\u00f3lidos e procedimentos padr\u00e3o para a caracteriza\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos, por exemplo. Este agrupamento no Brasil eu vejo como fundamental e deve ser alvo de muitas discuss\u00f5es no campo da gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos e especialmente da pol\u00edtica nacional, talvez na sua revis\u00e3o ou complementaridade.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201c\u00c9 preciso rigor na cobran\u00e7a e rigor nos procedimentos de gest\u00e3o, criando uma nova cultura na \u00e1rea\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por quais raz\u00f5es os munic\u00edpios n\u00e3o conseguiram entregar seus planos de gest\u00e3o para o lixo? De outro lado, por que as cidades n\u00e3o conseguiram acabar com os lix\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> Se houver uma <strong>cobran\u00e7a rigorosa<\/strong> com rela\u00e7\u00e3o aos planos, eles acontecer\u00e3o. E n\u00e3o basta apenas ter um plano, \u00e9 preciso elaborar planos com qualidade e cobrar a sua implementa\u00e7\u00e3o e fiscalizar com rigor o seu andamento. H\u00e1 e houve diversas fontes de recursos, al\u00e9m de prazo o suficiente para a sua elabora\u00e7\u00e3o, assim como a <strong>erradica\u00e7\u00e3o dos lix\u00f5es<\/strong> nos munic\u00edpios. Se deixarmos tudo acontecer em um processo moroso, todos sairemos perdendo e \u00e9 preciso agir j\u00e1, de imediato. N\u00e3o \u00e9 prorrogando prazos que se vai obter a desejada gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos. \u00c9 preciso rigor na cobran\u00e7a e rigor nos procedimentos de gest\u00e3o, criando uma nova cultura na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Recentemente o senhor fez uma compara\u00e7\u00e3o da crise h\u00eddrica com uma poss\u00edvel crise dos res\u00edduos s\u00f3lidos. O que vislumbra em termos de crises futuras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> A minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi ser sensacionalista e muito menos alardear trag\u00e9dias. Esta compara\u00e7\u00e3o \u00e9 no sentido de que se n\u00e3o dermos ouvidos aos desafios que temos hoje postos na <strong>gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong>, eles podem se agravar no futuro. \u00c9 como uma doen\u00e7a (sentido de um mal f\u00edsico): se n\u00e3o for tratada logo de in\u00edcio, pode levar a uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e comprometedora no futuro. Isto foi o caso da <strong>crise h\u00eddrica<\/strong> e pode ser um comparativo para a quest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos. Quando se observa que aproximadamente 96% dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/545882-80-mil-toneladas-de-residuos-solidos\" target=\"_blank\">res\u00edduos s\u00f3lidos<\/a> urbanos s\u00e3o encaminhados para aterros sanit\u00e1rios, que uma grande quantidade de m\u00e9todos inadequados \u00e9 utilizada (lix\u00f5es e aterros sanit\u00e1rios), que convivemos com um aumento na produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, com uma responsabilidade compartilhada pelos res\u00edduos, dentre outros fatores, \u00e9 f\u00e1cil concluir que no futuro, se continuarmos assim, n\u00e3o teremos mais espa\u00e7o para colocar tantos res\u00edduos e teremos os problemas agravados pela disposi\u00e7\u00e3o inadequada.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consistiria uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos res\u00edduos s\u00f3lidos no Brasil? O que \u00e9 poss\u00edvel fazer considerando o contexto brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ednilson Viana &#8211;<\/strong> O conceito de <strong>gest\u00e3o sustent\u00e1vel<\/strong> remete \u00e0 id\u00e9ia de vis\u00e3o dos res\u00edduos como mat\u00e9ria-prima e a qualidade do produto final obtido no processo de aproveitamento destes. Portanto, este conceito indica o aproveitamento m\u00e1ximo dos res\u00edduos s\u00f3lidos, gerando produtos de qualidade e n\u00e3o mais um res\u00edduo. Al\u00e9m disso, se analisarmos o fluxo dos res\u00edduos, no final n\u00e3o restaria nada ou quase nada de res\u00edduos s\u00f3lidos para ser disposto nos aterros. Este pouco res\u00edduo que restaria pode ser denominado de rejeito, porque n\u00e3o se tem mais o que fazer com ele.<\/p>\n<p>Neste conceito de gest\u00e3o sustent\u00e1vel foi citado um elemento importante que \u00e9 a qualidade do produto final. Isto significa, por exemplo, que n\u00e3o basta apenas fazer a coleta seletiva dos materiais recicl\u00e1veis. \u00c9 preciso ter qualidade de <strong>separa\u00e7\u00e3o na fonte geradora<\/strong> para que se tenha um produto final de boa qualidade no final do processo de reciclagem. Se fizermos uma coleta seletiva dos <strong>res\u00edduos org\u00e2nicos<\/strong>, como um exemplo mais preciso nesta minha coloca\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que estes res\u00edduos tenham uma separa\u00e7\u00e3o adequada na fonte geradora para n\u00e3o vir misturados com outros componentes como vidro, pilhas etc, que comprometeriam o produto final da valoriza\u00e7\u00e3o destes res\u00edduos. Eu quero dizer que o composto advindo desse tipo de separa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos sem qualidade poder\u00e1 produzir um composto que apresenta em sua composi\u00e7\u00e3o metais pesados e outros componentes indesejados, reduzindo a sua qualidade enquanto produto final e produzindo mais um res\u00edduo, e n\u00e3o um produto que possa ser utilizado sem receios na agricultura. Isto \u00e9 muito discutido na<strong> Europa<\/strong> como o fim do Estatuto dos Res\u00edduos e deve ser incorporado ao conceito de <strong>gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos res\u00edduos s\u00f3lidos no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o basta a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos ser integrada. Ela precisa ser <strong>sustent\u00e1vel<\/strong>, envolvendo o conceito de integra\u00e7\u00e3o entre as etapas do fluxo dos res\u00edduos e ainda os aspectos ambientais, sociais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos etc, associados \u00e0 qualidade do produto final.<\/p>\n<p>Pensando no Brasil, um grande passo \u00e9 seguir com seriedade, rigor e clareza a hierarquia dos res\u00edduos. Esta hierarquia, que est\u00e1 na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526890-politica-nacional-de-residuos-solidos-pnrs-entrevista-com-ricardo-abramovay\" target=\"_blank\"><strong>PNRS<\/strong><\/a>, diz acertadamente o seguinte e nesta sequ\u00eancia: a) evitar a produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos; b) aproveitar o m\u00e1ximo poss\u00edvel os res\u00edduos s\u00f3lidos gerados; c) tratamento t\u00e9rmico se n\u00e3o forem poss\u00edveis as etapas anteriores; d) aterros sanit\u00e1rios como \u00faltima alternativa.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO composto advindo desse tipo de separa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos sem qualidade poder\u00e1 produzir um composto que apresenta em sua composi\u00e7\u00e3o metais pesados e outros componentes indesejados\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Evitar a <strong>produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> na fonte geradora \u00e9 uma atitude primordial e veiculada por profissionais ou interessados na \u00e1rea bem antes da formula\u00e7\u00e3o da PNRS. Este comportamento \u00e9 importante porque ao n\u00e3o produzir um res\u00edduo s\u00f3lido \u2014 e \u00e9 bem \u00f3bvio o que vou dizer \u2014, evita-se a coleta, transporte, tratamento e destina\u00e7\u00e3o final deste res\u00edduo que seria produzido, al\u00e9m de, logicamente, custos e extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>O aproveitamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos se refere a todos os mecanismos e tecnologias que possibilitem a <strong>reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem<\/strong> dos res\u00edduos s\u00f3lidos. J\u00e1 o tratamento t\u00e9rmico \u2014 e aqui me refiro \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u2014 deveria ser utilizado caso n\u00e3o fosse poss\u00edvel encaminhar estes para a reutiliza\u00e7\u00e3o ou reciclagem. H\u00e1 pa\u00edses na Europa que encaminham apenas 1% dos res\u00edduos que produzem para os aterros sanit\u00e1rios gra\u00e7as \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, mas ela deve ser utilizada com pondera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o com hipocrisia, queimando as etapas anteriores.<\/p>\n<p>Por fim, se n\u00e3o foi poss\u00edvel desviar os res\u00edduos s\u00f3lidos em nenhuma das etapas anteriores, deve-se ent\u00e3o encaminh\u00e1-los para os <strong>aterros sanit\u00e1rios<\/strong>, pois ali ser\u00e3o aterrados e monitorados por mais de 30 anos ap\u00f3s o seu fechamento.<\/p>\n<p>No contexto brasileiro, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/548429-a-inercia-na-gestao-de-residuos\" target=\"_blank\"><strong>gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos res\u00edduos<\/strong><\/a> deve ser incorporada aos preceitos da nossa <strong>Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos<\/strong> e induzir, em conjunto com ela, a mudan\u00e7a do nosso modelo de gest\u00e3o de aterramento e desperd\u00edcio para um modelo que preze pela redu\u00e7\u00e3o e aproveitamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos. Deve-se ainda evitar equ\u00edvocos que outros pa\u00edses cometeram ao longo da sua trajet\u00f3ria. Vale lembrar que uma sociedade do desperd\u00edcio requer a necessidade de mecanismos de sustentabilidade na condu\u00e7\u00e3o da vida urbana frente aos inexpressivos n\u00fameros de <strong>valoriza\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> em nosso pa\u00eds hoje.<\/p>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line <\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Ednilson Viana \u201cN\u00e3o basta a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos ser integrada. 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