{"id":30884,"date":"2015-11-02T09:00:28","date_gmt":"2015-11-02T12:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30884"},"modified":"2015-11-01T20:35:43","modified_gmt":"2015-11-01T23:35:43","slug":"o-primeiro-crime-do-aquecimento-global-o-bacalhau-sumiu-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-primeiro-crime-do-aquecimento-global-o-bacalhau-sumiu-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"O primeiro crime do aquecimento global: o bacalhau sumiu nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30885\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O acr\u00e9scimo de 2,7 \u00b0C nas temperaturas globais, de acordo com o <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/promessas-de-paises-sao-insuficientes-para-prevenir-aquecimento-mundial-de-2c-alerta-onu\" rel=\"\">\u00faltimo relat\u00f3rio<\/a> da Conven\u00e7\u00e3o da Na\u00e7\u00f5es Unidas para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC), ter\u00e1 impacto direto sobre os cardumes em um dos peixes mais apreciados do mundo: o bacalhau. Um estudo publicado na revista cient\u00edfica <em>Science<\/em> na \u00faltima quinta-feira (28) revela como o aquecimento das \u00e1guas do Golfo do Maine, na costa Nordeste americana, tem rela\u00e7\u00e3o direta com o desaparecimento do bacalhau em New England, nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, as altas temperaturas da \u00e1gua diminuem a reprodu\u00e7\u00e3o do peixe &#8211; naturalmente um animal de mares gelados. Em novembro de 2014, a popula\u00e7\u00e3o de bacalhau na regi\u00e3o j\u00e1 estava 97% abaixo do n\u00edvel considerado sustent\u00e1vel pelos bi\u00f3logos americanos.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que os pesquisadores conseguem ligar aumento das temperaturas ao desaparecimento do peixe, com dados e medi\u00e7\u00f5es concretas. Para isso, a equipe de pesquisadores de seis institui\u00e7\u00f5es diferentes, como a Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em ingl\u00eas), a Universidade do Maine e o Instituto Salk para Estudos Biol\u00f3gicos, analisou dados sobre a temperatura da superf\u00edcie da \u00e1gua desde 1982. As conclus\u00f5es mostraram que, entre 2004 e 2013, as \u00e1guas Golfo do Maine esquentaram mais r\u00e1pido que 99,9% dos oceanos do planeta.<\/p>\n<p>S\u00e3o duas as explica\u00e7\u00f5es para o aumento acentuado de temperatura: o aquecimento da atmosfera, mas tamb\u00e9m a altera\u00e7\u00f5es na Corrente do Golfo, que come\u00e7ou a trazer \u00e1guas mais quentes para a regi\u00e3o do Maine.<\/p>\n<p><strong>Decl\u00ednio &#8211;<\/strong> Apesar de s\u00f3 agora o aumento da temperatura das \u00e1guas ter sido cientificamente registrado, a situa\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil do bacalhau n\u00e3o \u00e9 novidade. H\u00e1 tempos a ind\u00fastria pesqueira percebeu que a popula\u00e7\u00e3o de peixes estava diminuindo e os esfor\u00e7os para reverter o quadro culminaram em uma ampla pol\u00edtica de restri\u00e7\u00e3o de pesca em 2010. As novas regras proibiram a captura recreativa da esp\u00e9cie e, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, diminu\u00edram a cota que poderia ser pescada comercialmente em 90%. Tudo isso, contudo, n\u00e3o foi suficiente para resgatar a popula\u00e7\u00e3o do peixe, justamente porque as cotas foram estabelecidas sem considerar os efeitos do aumento de temperatura. Como o aquecimento das \u00e1guas tamb\u00e9m \u00e9 um fator de tens\u00e3o populacional para os peixes, a quantidade de pesca permitida continuava muito alta.<\/p>\n<p>&#8220;Quando uma esp\u00e9cie de peixe fica amea\u00e7ada, geralmente nos perguntamos se a causa \u00e9 a pesca ou o clima, mas s\u00e3o os dois&#8221;, disse em uma coletiva de imprensa a pesquisadora Janet Nye, da Universidade de Stony Brook, nos Estados Unidos. &#8220;Se o \u00fanico stress que esses peixes sofrem fosse o aumento de temperatura, provavelmente eles conseguiriam se recuperar.&#8221;<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a temperatura e a quantidade de peixes n\u00e3o \u00e9 nova, mas os dados nunca foram inclu\u00eddos nos modelos de prote\u00e7\u00e3o dos animais. &#8220;(O estudo) \u00e9 um alerta para integrarmos todos os dados sobre clima, ecologia e manuten\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies&#8221;, complementou Kathy Mills, cientista do Instituto de Pesquisa do Golfo do Maine.<\/p>\n<p><strong>Primeiros ind\u00edcios &#8211;<\/strong> Mais que provar o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a popula\u00e7\u00e3o de bacalhau pescado na regi\u00e3o americana de New England, a nova pesquisa prenuncia as consequ\u00eancias devastadoras das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O aumento de temperatura global n\u00e3o significa simplesmente que enfrentaremos dias mais quentes, mas que toda a configura\u00e7\u00e3o mundial, em termos ecol\u00f3gicos, econ\u00f4micos e sociais, passar\u00e1 por mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio divulgado pela Conven\u00e7\u00e3o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU na \u00faltima sexta-feira (30) mostrou que, com os atuais comprometimentos dos 146 pa\u00edses para reduzir emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (que hoje s\u00e3o respons\u00e1veis por 86% do carbono que chega \u00e0 atmosfera), ser\u00e1 poss\u00edvel diminuir as emiss\u00f5es em 8% at\u00e9 2025 e em 9% at\u00e9 2030. Isso quer dizer que, se comparadas \u00e0s do per\u00edodo entre 1990 e 2010, as emiss\u00f5es de agora at\u00e9 2030 ter\u00e3o seu ritmo diminu\u00eddo em 60%. Apesar de representarem um passo na dire\u00e7\u00e3o certa, de um mundo de baixo carbono, os n\u00fameros n\u00e3o t\u00eam a ambi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria: com essas metas, o aquecimento at\u00e9 o final do s\u00e9culo deve ser de 2,7\u00b0C. Ou seja, a meta de limitar o aumento de temperatura em 2\u00b0C, estabelecido na C\u00fapula do Clima de 2010, em Cancun, n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>&#8220;As metas conseguem limitar a proje\u00e7\u00e3o de aumento de temperatura para 2,7\u00b0c at\u00e9 2100, o que n\u00e3o \u00e9 suficiente de maneira alguma, mas j\u00e1 \u00e9 um valor menor do que o estimado por muitos antes de as metas serem apresentadas&#8221;, disse Christiana Figueres, secret\u00e1ria-executiva da Conven\u00e7\u00e3o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU.<\/p>\n<p>Visto de maneira isolada, o valor de 2,7 graus pode n\u00e3o parecer alarmante. Contudo, o planeta, assim como os humanos, os animais e as plantas, s\u00e3o vulner\u00e1veis mesmo ao aumento mais sutil de temperatura. Basta considerar a temperatura corporal do homem: o natural \u00e9 37\u00b0C e um aumento de apenas 0,8\u00b0C caracteriza febre. Se essa pequena altera\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de causa mal-estar e doen\u00e7a nos humanos, o que dizer de 2,7\u00b0C graus para o planeta?<\/p>\n<p>Estimativas feitas por cientistas revelam que, com esse aumento, uma porcentagem 26% maior de pessoas ir\u00e1 sofrer com a escassez de \u00e1gua at\u00e9 2080, em compara\u00e7\u00e3o com a taxa de 1980. Nesse mesmo ano, o n\u00famero de pessoas expostas a enchentes ser\u00e1 seis vezes maior. A biodiversidade tamb\u00e9m ser\u00e1 afetada, e um bom exemplo s\u00e3o os corais: um ter\u00e7o deles ser\u00e1 degradado devido \u00e0s \u00e1guas mais quentes nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Haver\u00e1 tamb\u00e9m reflexos para a economia, j\u00e1 que o calor deve diminuir a produtividade de trabalhadores em 20% at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, por\u00e9m, que os seres vivos possam se adaptar a um mundo mais quente. Um estudo tamb\u00e9m publicado na <em>Science<\/em>, em junho deste ano, mostrou que alguns corais da Grande Barreira de Corais da Austr\u00e1lia j\u00e1 desenvolveram <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/alguns-corais-ja-estao-prontos-para-encarar-aguas-mais-quentes-1\" rel=\"\">genes para sobreviver no calor<\/a>. Os especialistas, no entanto, veem esses estudos com cautela.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas esp\u00e9cies devem se adaptar a um mundo mais quente. Mas h\u00e1 dois pontos importantes: de qu\u00e3o mais quente estamos falando? E quais as consequ\u00eancias da perda daqueles animais que n\u00e3o conseguirem sobreviver?&#8221; disse a VEJA a jornalista americana Elizabeth Kolbert, autora do best-seller <em>A sexta extin\u00e7\u00e3o<\/em>, livro sobre os impactos do homem na natureza. &#8220;Mesmo que apenas 10% das esp\u00e9cies vivas do planeta sejam perdidas, \u00e9 muita coisa. Al\u00e9m disso, devemos lembrar que tudo no planeta \u00e9 conectado: um animal extinto afeta aquele que se alimentava dele, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, o colapso do bacalhau da regi\u00e3o americana de New England funciona como um alerta. O compromisso com a preven\u00e7\u00e3o do aumento das temperaturas n\u00e3o deve ser entregue apenas a representantes nacionais &#8211; as cidades devem come\u00e7ar a estudar como desenvolver programas de sustentabilidade locais, e a iniciativa privada j\u00e1 percebeu que pode come\u00e7ar a enxergar a quest\u00e3o ambiental como uma possibilidade de investimento e, por que n\u00e3o, lucro. O mundo, e o bacalhau do nordeste americano, agradece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acr\u00e9scimo de 2,7 \u00b0C nas temperaturas globais, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30885,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bacalhau.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":3,"uagb_excerpt":"O acr\u00e9scimo de 2,7 \u00b0C nas temperaturas globais, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30884"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30884\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}