{"id":30868,"date":"2015-11-01T17:00:39","date_gmt":"2015-11-01T20:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30868"},"modified":"2015-10-31T22:14:32","modified_gmt":"2015-11-01T01:14:32","slug":"falta-de-atividade-fisica-mata-300-mil-por-ano-no-brasil-afirma-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/falta-de-atividade-fisica-mata-300-mil-por-ano-no-brasil-afirma-medico\/","title":{"rendered":"Falta de atividade f\u00edsica mata 300 mil por ano no Brasil, afirma m\u00e9dico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30869\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Hoje come\u00e7a o fim de semana, e muitos brasileiros planejam as mais do que tradicionais peladas, com tr\u00eas, quatro horas de futebol. A princ\u00edpio, divers\u00e3o e sinal de que, afinal, n\u00e3o s\u00e3o sedent\u00e1rios. Mas a batida express\u00e3o \u201cs\u00f3-que-n\u00e3o\u201d nunca teve uso t\u00e3o apropriado. N\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o sedent\u00e1rios quanto temer\u00e1rios. O exerc\u00edcio visto pela lente da ci\u00eancia revela que a pelada pode at\u00e9 ser divertida, mas n\u00e3o traz benef\u00edcio para a sa\u00fade. Na verdade, \u00e9 arriscada. O mesmo vale para desportistas de fim de semana em geral. S\u00e3o os motoristas de domingo da sa\u00fade. Retrato de um pa\u00eds sedent\u00e1rio, em que s\u00f3 30% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 fisicamente ativa e apenas entre meros 2% a 5% fazem exerc\u00edcios em volume ideal. No Brasil, 300 mil pessoas morrem por ano de doen\u00e7as associadas diretamente ao sedentarismo, uma a cada dois minutos, diz o m\u00e9dico Victor Matsudo, consultor da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) para atividade f\u00edsica e coordenador da Rede de Atividade F\u00edsica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No mundo, afirma ele, s\u00e3o 5,3 milh\u00f5es de mortes por ano. O v\u00edrus ebola, observa ele, matou cerca de 16 mil pessoas em 18 meses.<\/p>\n<p>\u2014 De ontem para hoje, 154 mil pessoas no mundo morreram dessas doen\u00e7as, principalmente as do cora\u00e7\u00e3o. O sedentarismo \u00e9 o fator de risco isolado, mas prevalente. A comunidade m\u00e9dica e cient\u00edfica demorou muito para acordar para o problema \u2014 diz Matsudo.<\/p>\n<p>CORPO PR\u00c9-HIST\u00d3RICO EM ROUPA MODERNA<\/p>\n<p>Especialistas compartilham a preocupa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 O sedentarismo \u00e9 hoje o maior problema de sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds, o maior fator de risco isolado. \u00c9 epid\u00eamico e n\u00e3o recebe a devida aten\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 na origem de uma s\u00e9rie de doen\u00e7as evit\u00e1veis \u2014 garante o professor de cardiologia da UFRJ Claudio Gil Ara\u00fajo, um dos maiores especialistas do pa\u00eds em medicina do esporte e do exerc\u00edcio, com d\u00e9cadas de experi\u00eancia que incluem o atendimento de atletas ol\u00edmpicos a senhores de 97 anos.<\/p>\n<p>O sedentarismo avan\u00e7a com a vida moderna, na qual se faz quase tudo sentado, no transporte, no lazer e no trabalho. Um exemplo est\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o \u201cRio: primeiras poses \u2014 Vis\u00f5es da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930)\u201d, no Instituto Moreira Salles. A observa\u00e7\u00e3o de fotos antigas de transeuntes do Centro do Rio h\u00e1 mais de um s\u00e9culo revela como a maioria das pessoas era mais magra, destacam os m\u00e9dicos. N\u00e3o que fizessem gin\u00e1stica, mas suas vidas eram ativas, andava-se mais. Atividade f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 o mesmo que esporte, lembra Matsudo.<\/p>\n<p>A dose semanal m\u00ednima de exerc\u00edcio, segundo Ara\u00fajo, \u00e9 de 75 minutos de atividade intensa ou 150 minutos de moderada. Ele lembra que o estado do sedentarismo pode ser ainda mais grave do que o oficial, pois os dados v\u00eam da pesquisa nacional Vigitel, importante, mas baseada em autodeclara\u00e7\u00e3o e feita apenas nas capitais. Ou seja, nem todo mundo que se declara ativo de fato \u00e9. E a\u00ed voltamos aos atletas de fim de semana, aquelas pessoas que fazem exerc\u00edcio uma vez a cada sete dias e se consideram ativas.<\/p>\n<p>O fisiologista Igor Lucas Gomes-Santos, da Unidade de Reabilita\u00e7\u00e3o Cardiovascular e Fisiologia do Exerc\u00edcio do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o do Hospital das Cl\u00ednicas da USP, explica por que o exerc\u00edcio espor\u00e1dico \u00e9 perigoso:<\/p>\n<p>\u2014 Jogar futebol durante tr\u00eas horas, uma vez por semana, \u00e9 pior do que n\u00e3o fazer nada. Isso gera estresse oxidativo nas c\u00e9lulas, um processo que deflagra inflama\u00e7\u00e3o e desequil\u00edbrio no organismo. Se voc\u00ea faz atividade at\u00e9 por menos tempo de uma vez, mas com regularidade, seu corpo \u00e9 vacinado pelo exerc\u00edcio. Ele gera doses pequenas de estresse e essas levam a adapta\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas, ativam mecanismos protetores \u2014 salienta o pesquisador. \u2014 O exerc\u00edcio \u00e9 homeost\u00e1tico. Ele normaliza tudo o que est\u00e1 alterado. Se a press\u00e3o est\u00e1 alta, ele baixa, por exemplo. E isso acontece porque nosso corpo evoluiu para o movimento. E essa adapta\u00e7\u00e3o ao movimento faz com que precisemos de est\u00edmulos. Pequeninos estresses di\u00e1rios. O exerc\u00edcio faz esse papel \u2014 diz.<\/p>\n<p>E quando essas doses de estresse que mant\u00e9m o corpo azeitado entram em descompasso, come\u00e7am os problemas, observa.<\/p>\n<p>Publicidade<\/p>\n<p>O Homo sapiens surgiu h\u00e1 cerca de 200 mil anos e evoluiu para ser ativo, para correr pelo menos uns dez quil\u00f4metros por dia para comer e n\u00e3o ser comido. E assim foi a vida at\u00e9 h\u00e1 cerca de 11 mil anos, quando surgiu a agricultura. Ainda esta exigia grande gasto energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>REPOUSO ABSOLUTO GERA EFEITOS COLATERAIS<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o mudaram muito em termos de consumo de energia com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, j\u00e1 que as pessoas trabalhavam com grande esfor\u00e7o f\u00edsico e andavam muito. S\u00f3 h\u00e1 pouco mais de um s\u00e9culo o trabalho se tornou mais sedent\u00e1rio; o transporte, idem; e a comida, abundante. A vida se tornou confort\u00e1vel. S\u00f3 esqueceram de combinar com a evolu\u00e7\u00e3o. O corpo continua o da Idade da Pedra, apenas vestido para o s\u00e9culo XXI, em tamanhos cada vez maiores. A vida moderna proporcionou maior expectativa de vida (cerca de 30 anos maior que h\u00e1 um s\u00e9culo), maior estatura (em m\u00e9dia, sete cent\u00edmetros a mais nos homens) e a elimina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas em grande parte. Por\u00e9m, trouxe n\u00fameros epid\u00eamicos de doen\u00e7as menos frequentes h\u00e1 cem anos, como diabetes do tipo 2, certos tipos de c\u00e2ncer, mal de Alzheimer e males card\u00edacos.<\/p>\n<p>\u2014 Vivemos com tecnologia moderna e corpo pr\u00e9-hist\u00f3rico. E a regra do jogo \u00e9: tudo o que voc\u00ea n\u00e3o usa perde. Quando surge uma doen\u00e7a, n\u00e3o est\u00e1 preparado \u2014 salienta Gomes-Santos.<\/p>\n<p>Quando nos exercitamos, o RNA em nossas c\u00e9lulas responde. \u00c9 convertido em prote\u00ednas. A meia-vida desse RNA alterado pelo exerc\u00edcio \u00e9 de segundos a dias. Em geral, o efeito dura cerca de 36 horas, diz Gomes-Santos.<\/p>\n<p>\u2014 Hipertensos que se exercitam reduzem a press\u00e3o em 24 horas. Diab\u00e9ticos sentem melhora nos n\u00edveis de insulina em duas semanas. Mas o efeito \u00e9 tempor\u00e1rio \u2014 destaca.<\/p>\n<p>Precisamos sempre renovar a dose de atividade. Se paramos, o efeito \u00e9 negativo, diz:<\/p>\n<p>\u2014 Ficamos sem prote\u00e7\u00e3o e apenas com a parte ruim, que \u00e9 o estresse oxidativo. Por isso, a regularidade e a progress\u00e3o s\u00e3o importantes, e os exerc\u00edcios intensos e espor\u00e1dicos, p\u00e9ssimos.<\/p>\n<p>O educador f\u00edsico Marcelo Cabral, que trabalha com reabilita\u00e7\u00e3o, alerta para outro aspecto do problema:<\/p>\n<p>\u2014 A atividade faz tanta diferen\u00e7a que, muitas vezes, uma pessoa com doen\u00e7a cardiovascular, mas bem condicionada fisicamente, apresenta um risco menor de males do cora\u00e7\u00e3o do que um sedent\u00e1rio aparentemente saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo acrescenta que o repouso absoluto \u00e9 um vil\u00e3o a ser evitado. Pessoas doentes confinadas numa cama sofrem danos colaterais s\u00e9rios.<\/p>\n<p>\u2014 A cada dia deitado se perde 1% da capacidade f\u00edsica. Um m\u00eas de interna\u00e7\u00e3o produz efeitos avassaladores sobre o corpo, que n\u00e3o foi feito para isso. Nosso manual de f\u00e1brica tem instru\u00e7\u00f5es para atividade e nenhuma para repouso exagerado. \u00c9 por isso que o exerc\u00edcio \u00e9 o melhor rem\u00e9dio. Atacar as causas. Os medicamentos atuam sobre as consequ\u00eancias \u2014 frisa Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>O cardiologista Claudio Domenico \u00e9 pioneiro na prescri\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio a seus pacientes.<\/p>\n<p>\u2014 O indiv\u00edduo condicionado vive melhor e tem risco reduzido para muitas doen\u00e7as \u2014 observa, ele pr\u00f3prio atleta, que rema de quatro a cinco vezes por semana \u2014 O m\u00e9dico precisa dar exemplo \u2014 diz.<\/p>\n<p>Tanto ele quanto Ara\u00fajo destacam que o est\u00edmulo \u00e0 atividade f\u00edsica \u00e9 o maior legado que as Olimp\u00edadas podem deixar para o pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje come\u00e7a o fim de semana, e muitos brasileiros planejam as mais do que tradicionais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30869,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cidade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Hoje come\u00e7a o fim de semana, e muitos brasileiros planejam as mais do que tradicionais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30868"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30868\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}