{"id":30849,"date":"2015-11-01T13:00:05","date_gmt":"2015-11-01T16:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30849"},"modified":"2015-10-31T21:46:33","modified_gmt":"2015-11-01T00:46:33","slug":"por-volta-de-2050-todas-as-especies-de-aves-marinhas-terao-plastico-em-seus-corpos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-volta-de-2050-todas-as-especies-de-aves-marinhas-terao-plastico-em-seus-corpos\/","title":{"rendered":"Por volta de 2050, todas as esp\u00e9cies de aves marinhas ter\u00e3o pl\u00e1stico em seus corpos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30850\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O (a) leitor(a) de CH viu, na edi\u00e7\u00e3o 326, entrevista com uma especialista norte-americana sobre como os pl\u00e1sticos t\u00eam causado uma situa\u00e7\u00e3o lastim\u00e1vel nos oceanos. L\u00e1 havia um alerta: n\u00e3o se sabe o que acontece com 99% desse material que chegam aos mares pela a\u00e7\u00e3o do <em>H. sapiens<\/em>. Agora, novo estudo revela onde parte dessa polui\u00e7\u00e3o acaba. E a descoberta \u00e9 triste: em poucas d\u00e9cadas, praticamente todas as aves marinhas do planeta, \u00a0de todas as esp\u00e9cies, ter\u00e3o pl\u00e1stico em seu corpo.<\/p>\n<p>Esmiu\u00e7ando o problema em n\u00fameros mais detalhados, a equipe que desenvolveu o modelo computacional \u00a0para estudar a rela\u00e7\u00e3o entre pl\u00e1sticos e aves marinhas\u00a0chegou \u00e0s seguintes conclus\u00f5es: i) atual- mente, cerca de 90% de quase todas as esp\u00e9cies de aves marinhas t\u00eam pl\u00e1stico em seu corpo; ii) por volta de 2050, esses percentuais ser\u00e3o de 95% (indiv\u00edduos) e\u00a099,8% (esp\u00e9cies). o pr\u00f3prio t\u00edtulo do <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/112\/38\/11899\" target=\"_blank\">artigo<\/a><\/span>, publicado na PNAS, refor\u00e7a que o problema \u00e9 \u201cglobal, pervasivo e crescente\u201d \u2013 exponencialmente crescente, segundo os autores.<\/p>\n<p>Mal d\u00e1 para engolir esses n\u00fameros, de t\u00e3o dessaborosos. \u00a0Mas o fato \u00e9 que as aves marinhas est\u00e3o ingerindo pl\u00e1stico. E isso causa o bloqueio do est\u00f4mago dessas belas criaturas, sem contar que o material acaba sendo fonte de subst\u00e2ncias \u00a0t\u00f3xicas contidas \u00a0no pr\u00f3prio pl\u00e1stico ou que gru dam nesse material. Segundo os autores, a densidade de fragmentos de pl\u00e1sticos nos oceanos chega a at\u00e9 580 mil peda\u00e7os por km2.<\/p>\n<p>Ao todo, foram estudadas 186 esp\u00e9cies de aves marinhas (56% do total mundial), mas o modelo computacional tem capacidade de expandir suas previs\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"pullquote\">At\u00e9 2025, os humanos ter\u00e3o feito a proeza de despejar nos oceanos cerca de 150 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico<\/div>\n<p>O impacto do pl\u00e1stico tem a ver basicamente com duas vari\u00e1veis: quantidade\u00a0desse material na \u00e1gua e n\u00famero de esp\u00e9cies que habitam a regi\u00e3o. o modelo, desenvolvido pela equipe de Chris Wilcox, da organiza\u00e7\u00e3o de Pesquisa Cient\u00edfica e Industrial da Comunidade das Na\u00e7\u00f5es (Austr\u00e1lia), mostra que as aves que est\u00e3o sob o maior risco de ingerir pl\u00e1stico localizam-se na regi\u00e3o entre Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia \u2013 regi\u00e3o antes considerada razoavelmente limpa e h\u00e1bitat de grande n\u00famero de esp\u00e9cies de aves marinhas \u2013 e na parte sudoeste do oceano \u00cdndico.<\/p>\n<h3>Sem hipocrisia<\/h3>\n<p>E antes que se in-vertam os pap\u00e9is&#8230; o vil\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a polui\u00e7\u00e3o (pl\u00e1stico), mas, sim, \u00a0o poluidor (<em>H. sapiens)<\/em> \u2013 deve-se lembrar que o pl\u00e1stico proporcionou grandes avan\u00e7os para a humanidade, \u00a0ao baixar o pre\u00e7o de produtos, tornando-os acess\u00edveis aos mais pobres;\u00a0diminuir o peso e aumentar a flexibilidade de objetos; substituir produtos animais e vegetais, diminuindo taxas de extin\u00e7\u00e3o e desmatamento etc.<\/p>\n<p>E, deixando a hipocrisia de lado e mergulhando fundo no problema, as causas da atual situa\u00e7\u00e3o dos mares e das aves marinhas \u2013 em resumo, da terra \u2013 t\u00eam ra\u00edzes em s\u00e9culos de uma vis\u00e3o de mundo na qual o mais importante \u00e9 s\u00f3 e apenas s\u00f3 o <em>H. sapiens<\/em>. A \u00a0natureza, na vis\u00e3o cartesiana at\u00e9 hoje muito presente, est\u00e1 a\u00ed para nos servir.<\/p>\n<p>As grandes \u00a0utopias \u00a0(comunismo, nazismo e globaliza\u00e7\u00e3o, \u00a0por exemplo) sempre buscaram transformar os humanos, achando poss\u00edvel mudar sua natureza. Ironicamente, ao al\u00e7\u00e1-los ao centro e alto do mundo, criaram uma nova classe de dominados, de \u2018prolet\u00e1rios sem voz\u2019: a fauna e a flora, que estariam a\u00ed para serem exploradas. \u00a0\u00c9 o humanismo \u00a0em seu mais amplo sentido.<\/p>\n<p>A conta est\u00e1 a\u00ed. Pior: ego\u00edsta \u00a0e mesquinhamente, para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O (a) leitor(a) de CH viu, na edi\u00e7\u00e3o 326, entrevista com uma especialista norte-americana sobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30850,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/atoba-pe_vermelho.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O (a) leitor(a) de CH viu, na edi\u00e7\u00e3o 326, entrevista com uma especialista norte-americana sobre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30849"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30849\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}