{"id":30845,"date":"2015-11-01T12:00:01","date_gmt":"2015-11-01T15:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30845"},"modified":"2015-10-31T21:41:38","modified_gmt":"2015-11-01T00:41:38","slug":"nao-esta-facil-viver-no-ceu-animais-silvestres-tem-um-novo-inimigo-os-drones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nao-esta-facil-viver-no-ceu-animais-silvestres-tem-um-novo-inimigo-os-drones\/","title":{"rendered":"N\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil viver no c\u00e9u! Animais silvestres t\u00eam um novo inimigo: os drones"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30846\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Era uma manh\u00e3 ensolarada de outubro de 2014 quando Christopher Schmidt caminhava pelos campos verdejantes de Magazine Beach, um parque p\u00fablico \u00e0s margens do rio Charles, em Cambridge, Massachusetts. Em busca de uma vista melhor do local, ele lan\u00e7ou seu drone, um quadc\u00f3ptero DJI Phantom equipado com uma c\u00e2mera.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, observou o seguinte: um gavi\u00e3o jovem circulou o aparelho e, em poucos segundos, mergulhou com as asas, o rabo e as garras abertas \u2014 ele agarrou o drone durante o voo. Schmidt desligou as h\u00e9lices e o p\u00e1ssaro foi embora, sem ferimentos aparentes. O drone caiu sem qualquer dano significativo, a n\u00e3o ser por uma pequena tor\u00e7\u00e3o na trem de pouso.<\/p>\n<p>Schmidt, um desenvolvedor de software de 31 anos, postou o encontro no YouTube. At\u00e9 o momento o v\u00eddeo j\u00e1 foi visto mais de cinco milh\u00f5es de vezes, mas est\u00e1 longe de ser a \u00fanica evid\u00eancia de confronto entre animais e ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados.<\/p>\n<p>Em outros v\u00eddeos, falc\u00f5es-do-mar, gralhas, gaivotas e gansos perseguem e atacam drones em pleno ar. Com um salto e um soco, um canguru derruba um drone no ch\u00e3o. Um guepardo persegue, salta e destr\u00f3i outra m\u00e1quina. Um cabrito nervoso d\u00e1 uma cabe\u00e7ada em um drone que se arrisca em um voo rasante. E um chimpanz\u00e9 rebelde que vive em um zool\u00f3gico holand\u00eas derruba o intruso com a ajuda de um galho.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os drones se tornam menores, mais baratos e f\u00e1ceis de operar, os animais encaram cada vez mais esses paparazzi voadores. Durante uma confer\u00eancia recente, Rich Swayze da Administra\u00e7\u00e3o Federal de Avia\u00e7\u00e3o estimou que um milh\u00e3o de drones ser\u00e3o vendidos nos EUA neste natal. Ainda assim, a ag\u00eancia ainda n\u00e3o publicou uma regulamenta\u00e7\u00e3o oficial para o uso comercial dos drones. Quanto aos usu\u00e1rios recreativos, a ag\u00eancia os encoraja a seguir diretrizes de seguran\u00e7a b\u00e1sicas, que praticamente n\u00e3o mencionam os animais.<\/p>\n<p>Os usu\u00e1rios recreativos dos drones j\u00e1 afastaram focas e seus filhotes para dentro do mar e assustaram fur\u00f5es que mergulharam nas \u00e1guas de Morro Bay, afirmou Scott Kathey, coordenador de regulamenta\u00e7\u00e3o federal do Santu\u00e1rio Marinho Nacional da Ba\u00eda de Monterey, na Calif\u00f3rnia. Em junho do ano passado, o Servi\u00e7o Nacional de Parques proibiu o uso de ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados nos partes, em parte porque os drones incomodam os carneiros selvagens e outros animais.<\/p>\n<p>Essas intera\u00e7\u00f5es alarmaram os bi\u00f3logos especializados em animais silvestres \u2014 especialmente \u00e0 medida que mais e mais cientistas t\u00eam usado os drones para estudar animais. Os aparelhos frequentemente s\u00e3o mais seguros, leves e baratos e geralmente causam menos inc\u00f4modo que helic\u00f3pteros, jipes ou barcos, por exemplo. &#8220;A \u00faltima coisa que o cientista quer fazer \u00e9 atrapalhar o comportamento natural dos animais. Eles querem passar despercebidos&#8221;, afirmou Kathey.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes a estrat\u00e9gia funciona, outras vezes n\u00e3o. Os drones ajudaram os cientistas a pesquisar pinguins, focas-leopardo, gar\u00e7as e dugongos. Na Patag\u00f4nia, os cientistas usam drones para coletar a \u00e1gua e o muco lan\u00e7ados pelas baleias com o objetivo de monitorar sua sa\u00fade. E o Servi\u00e7o de Vida Selvagem do Qu\u00eania concluiu que a vigil\u00e2ncia dos drones ajuda a reduzir a ca\u00e7a ilegal de elefantes e rinocerontes.<\/p>\n<p>Entretanto, o tamanho reduzido e a agilidade dos drones \u2014 e sua presen\u00e7a invasiva \u2014 pode ser extremamente inc\u00f4moda, e at\u00e9 perigosa para a fauna silvestre. Os cientistas est\u00e3o come\u00e7ando a avaliar os riscos e benef\u00edcios, mas ficou claro que tudo depende das esp\u00e9cies estudadas e de como os drones s\u00e3o utilizados.<\/p>\n<p>No ano passado, David Gr\u00e9millet, ecologista do Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a, e uma equipe de cientistas utilizaram uma s\u00e9rie de quadc\u00f3pteros Phantom perto de marrecos selvagens em uma lagoa do Zoo du Lunaret, em Montpellier. Mais tarde, a equipe voltou os drones para flamingos e pernas-verdes-comuns na lagoa turva pr\u00f3xima ao delta do R\u00f3dano.<\/p>\n<p>Os pesquisadores variaram a velocidade e o \u00e2ngulo de aproxima\u00e7\u00e3o dos drones em 204 voos, observando a rea\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ssaros com a ajuda de bin\u00f3culos. Oitenta por cento das vezes os cientistas posicionaram o drone a cerca de 4 metros dos p\u00e1ssaros sem qualquer rea\u00e7\u00e3o not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Todavia, quase todas as vezes que o drone desceu verticalmente, os p\u00e1ssaros se moveram ou levantaram voo, provavelmente porque o \u00e2ngulo \u00e9 similar ao das aves de rapina.<\/p>\n<p>&#8220;Vemos um potencial \u00f3bvio para a pesquisa, mas s\u00f3 os riscos foram avaliados de antem\u00e3o. Cada esp\u00e9cie apresenta uma rea\u00e7\u00e3o diferente&#8221;, afirmou Gr\u00e9millet. P\u00e1ssaros territoriais, como os gavi\u00f5es, corvos e gaivotas provavelmente v\u00e3o atacar os drones, destacou. Mas os aparelhos podem ser perfeitos para observar aves aqu\u00e1ticas a mais de 45 metros de altitude.<\/p>\n<p>Todavia, Gr\u00e9millet e os coautores do estudo destacam que mesmo quando os animais n\u00e3o demonstram rea\u00e7\u00f5es ostensivas \u00e0 presen\u00e7a dos drones, &#8220;isso n\u00e3o significa que a presen\u00e7a do drone n\u00e3o seja um fator de estresse para os animais&#8221;. Para ter certeza seria necess\u00e1rio medir a fisiologia interna do animal.<\/p>\n<p>Recentemente, uma equipe de cientistas norte-americanos resolveu fazer exatamente isso. Eles programaram quadc\u00f3pteros aut\u00f4nomos para voarem em c\u00edrculos acima de quatro ursos negros adultos e diversos filhotes em florestas, descampados e fazendas no noroeste do Minnesota. Em um estudo anterior, os ursos adultos haviam sido equipados com colares GPS e pequenos monitores card\u00edacos.<\/p>\n<p>A julgar pela apar\u00eancia, os ursos n\u00e3o pareciam especialmente incomodados. J\u00e1 que raramente tentavam fugir dos drones, embora um deles tenha parado para observ\u00e1-lo no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Todavia, durante todos os voos dos drones a frequ\u00eancia card\u00edaca dos ursos aumentou consideravelmente, chegando a 123 batidas por minuto \u2013 o que representa um aumento de 400 por cento, em um dos casos. O zunido do drone foi forte o suficiente para acordar um urso de sua hiberna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Esses ursos est\u00e3o habituados aos sons produzidos pelo homem, bem como a equipamentos rurais e estradas e eu n\u00e3o fazia ideia de como eles iriam reagir&#8221;, afirmou Mark Ditmer, bi\u00f3logo da Universidade do Minnesota, que conduziu o estudo. &#8220;Mas algumas das frequ\u00eancias card\u00edacas foram chocantes. Eu n\u00e3o sei se j\u00e1 havia medido uma mudan\u00e7a t\u00e3o dr\u00e1stica, a n\u00e3o ser em casos em que o animal foi ferido por um ca\u00e7ador&#8221;.<\/p>\n<p>Ursos, veados, coiotes e outras esp\u00e9cies vivem em contato com os seres humanos e aprenderam a tolerar e a tirar proveito das tecnologias humanas, abrindo latas de lixo e saltando cercas para conseguir comida. Os drones, entretanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas um elemento im\u00f3vel da presen\u00e7a humana. Eles foram projetados para ocupar nosso lugar e ir a lugares onde n\u00e3o conseguimos chegar. Os cientistas n\u00e3o sabem se os animais conseguir\u00e3o se adaptar.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitos v\u00eddeos na internet que mostram drones colidindo com p\u00e1ssaros. Algumas pessoas acham gra\u00e7a nisso. Eu n\u00e3o. Eu acho que se todo mundo come\u00e7ar a usar drones, isso vai virar uma bagun\u00e7a&#8221;, afirmou Gr\u00e9millet.<\/p>\n<p>David Bird, professor em\u00e9rito de biologia silvestre na Universidade McGill, utilizou os drones para pesquisar gansos, andorinhas e a nidifica\u00e7\u00e3o das aves de rapina. Algumas das aves que ele estuda defendem agressivamente os ninhos contra invasores. Bird j\u00e1 esteve em um helic\u00f3ptero que foi atacado por uma \u00e1guia marinha.<\/p>\n<p>No geral, ele acredita que os drones tornam as pesquisas mais seguras, r\u00e1pidas e menos estressantes tanto para as pessoas quanto para os animais. Mas ele ainda se preocupa com o &#8220;velho oeste&#8221; do uso recreativo dos drones.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas dessas h\u00e9lices podem causar danos consider\u00e1veis. Qualquer pessoa respons\u00e1vel precisa estar ciente dos riscos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma manh\u00e3 ensolarada de outubro de 2014 quando Christopher Schmidt caminhava pelos campos verdejantes<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ave_drone.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Era uma manh\u00e3 ensolarada de outubro de 2014 quando Christopher Schmidt caminhava pelos campos verdejantes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30845"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}