{"id":30531,"date":"2015-10-27T09:00:31","date_gmt":"2015-10-27T12:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30531"},"modified":"2015-10-26T20:45:01","modified_gmt":"2015-10-26T23:45:01","slug":"congresso-reune-imprensa-e-debate-o-papel-do-jornalismo-ambiental-e-seus-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/congresso-reune-imprensa-e-debate-o-papel-do-jornalismo-ambiental-e-seus-desafios\/","title":{"rendered":"Congresso re\u00fane imprensa e debate o papel do Jornalismo Ambiental e seus desafios"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/jornalismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30532\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/jornalismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/jornalismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/jornalismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Elisa Homem de Mello*<\/em><\/p>\n<p>\u201cO jornalismo ambiental precisa incomodar!\u201d. Foi assim que Andr\u00e9 Trigueiro \u2013 editor-chefe do programa Cidades e Solu\u00e7\u00f5es da Globo News -, abriu o terceiro, e \u00faltimo dia, do VI Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental.<\/p>\n<p>E \u00e9 preciso fazer jus! A m\u00eddia tem tratado, sim, das quest\u00f5es ambientais e, hoje, muito mais que 10 anos atr\u00e1s. Elas, de fato, t\u00eam estado mais presentes no dia a dia e informado mais e melhor acerca das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus impactos. Impactos n\u00e3o apenas no Planeta, mas acima de tudo, sobre a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>No entanto, como j\u00e1 vimos, na maioria das vezes, a quest\u00e3o ambiental fica no vi\u00e9s da perspectiva econ\u00f4mica, j\u00e1 que o tratamento dado a ela \u00e9 quase sempre dentro da l\u00f3gica tradicional da m\u00eddia, que obedece o imperativo do interesse capitalista. Esta \u00e9 a dimens\u00e3o menos digna com a qual a quest\u00e3o ambiental pode ser tratada. E novamente ca\u00edmos na ret\u00f3rica angustiante, ao verificarmos que refor\u00e7ando o interesse econ\u00f4mico, visamos outra vez o beneficio \u00fanico do homem.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a necess\u00e1ria para acabar com esta vis\u00e3o passa por uma mudan\u00e7a cultural profunda.E como consenso da maioria dos profissionais da \u00e1rea, chegamos ao segundo desafio: se n\u00e3o houver mudan\u00e7a na superestrutura, n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7a na infraestrutura. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de uma mudan\u00e7a radical se n\u00e3o houver uma transforma\u00e7\u00e3o radical da nossa cultura e da nossa vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Vemos que um dos grandes problemas do jornalismo ambiental \u00e9 que, ao nos subordinarmos \u00e0 l\u00f3gica da m\u00eddia comercial, n\u00e3o integramos as dimens\u00f5es socioambientais. S\u00f3 que h\u00e1 um nexo indissol\u00favel entre \u00e1gua, energia, meio ambiente, alimento e inclus\u00e3o s\u00f3cio-produtiva e esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o sinequa nondo tema s\u00f3 poderser abordado em conjunto. Nesta linha de conduta, Nelton Friedrich \u2013 diretor de Coordena\u00e7\u00e3o Ambiental da Itaipu Binacional e mentor do Projeto Cultivando \u00c1gua Boa, ganhador do Pr\u00eamio \u00c1gua, Fonte de Vida, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 apresenta o conceito de\u201cgovernan\u00e7a inovadora\u201d, o qual deve atuar com base na responsabilidade compartilhada. \u201c\u00c9 preciso compreender que o acesso que temos nos dias de hoje \u00e0 governabilidade global de nada serve se n\u00e3o atuarmos diretamente com as governabilidades locais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>E apesar de nunca termos tido tanto acesso a qualquer tipo de informa\u00e7\u00e3o como nos tempos atuais, apesar das informa\u00e7\u00f5es nunca terem sido t\u00e3o baratas e t\u00e3o democratizadas quanto nos dias de hoje, n\u00e3o obstante, nunca tivemos uma percep\u00e7\u00e3o t\u00e3o fragmentada da realidade. Talvez, seja porque n\u00e3o fomos educados com base na ci\u00eancia da complexidade, na Teoria do Caos e dos sistemas. Nossa vis\u00e3o de mundo \u00e9, por educa\u00e7\u00e3o, cartesiana e fragmentada.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, uma sociedade sustent\u00e1vel exige\/imp\u00f5e transversalidade, interdepend\u00eancia, compreens\u00e3o sist\u00eamica, correla\u00e7\u00e3o entre as diversas dimens\u00f5es determinantes de uma dada situa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel ou insustent\u00e1vel. \u00c9 isso que a Natureza tem procurado nos ensinar.<\/p>\n<p>Por exemplo, as problem\u00e1ticas das quest\u00f5es h\u00eddrica, vivida em S\u00e3o Paulo com mais intensidade a partir de 2014, ou de saneamento b\u00e1sico, \u00e0s v\u00e9speras do maior evento esportivo do mundo (Olimp\u00edadas Rio 2016) e a forma como foram abordadas pelasGovernan\u00e7as P\u00fablicas foi, segundo Andr\u00e9 Trigueiro \u201ceticamente predat\u00f3ria, economicamente perversa e politicamente injusta\u201d. Interessante apontar que n\u00e3o apenas o setor h\u00eddrico ou de saneamento padeceu sob tal modelo administrativo, mas tamb\u00e9m o dos c\u00f3digos florestais, ind\u00edgenas, o da minera\u00e7\u00e3o, o das fontes geradoras de energia, o da transpar\u00eancia econ\u00f4mico-administrativa, enfim, padeceu o Brasil como um todo.<\/p>\n<p>E fa\u00e7amos aqui um mea culpa: com raras honrosas exce\u00e7\u00f5es, a quest\u00e3o da \u00e1gua n\u00e3o foi tratada de forma sustent\u00e1vel. As manchetes di\u00e1rias foram (e at\u00e9 hoje s\u00e3o) sobre o volume dos reservat\u00f3rios, a transi\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de um reservat\u00f3rio para outro, o volume morto etc.<\/p>\n<p>Mas onde ficaram as condicionantes que nos levaram \u00e0 esta situa\u00e7\u00e3o? E todo o uso inadequado e burro de todos os recursos naturais que temos feito h\u00e1 tantas d\u00e9cadas? Onde ficaram as pesquisas inovadoras e os artigos cient\u00edficos das Ag\u00eancias Nacionais? Quem falou sobre os modelos exitosos de sustentabilidade espalhados mundo \u00e0 fora? Onde ficaram estas reportagens, que n\u00e3o escondidas em algum canto de blogueiros e jornalistas que se dedicaram a m\u00eddias, revistas e at\u00e9 jornais, quase que clandestinamente?<\/p>\n<p>A pauta da Pol\u00edtica Nacional \u00e9 tema dos mais importantes a ser abordado daqui para frente. O \u00edndice que, \u00e0s vezes de forma jocosa, chamamos de \u00edndice da felicidade, em pa\u00edses como o But\u00e3o, por exemplo, \u00e9 um \u00edndice que parametriza a condi\u00e7\u00e3o da sobreviv\u00eancia humana \u00e0 sua simbiose com a vida no cotidiano. N\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica p\u00fablica que possa sobreviver sem integrar o conceito de felicidade e de meio ambiente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a reflex\u00e3o que cabe e, sem d\u00favida, nosso terceiro grande desafio: estamos realmente num pa\u00eds, num mundo em transi\u00e7\u00e3o? E se a resposta for sim, isto implica dizer que toda esp\u00e9cie humana est\u00e1 em transi\u00e7\u00e3o e, portanto, este \u00e9 um momento prop\u00edcio para refletirmos sobre o sentido da nossa vida.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 prop\u00edcio tamb\u00e9m para que n\u00f3s do jornalismo ambiental mostremos \u00e0s pessoas que h\u00e1 contexto e conex\u00e3o entre a crise civilizat\u00f3ria que temos vivido e a ignor\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ci\u00eancias da vida e \u00e0s teorias da sustentabilidade, as quais podem servir de alicerce a outro tipo de sociedade. Somos um dos principais agentes de condu\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o de uma cultura da sustentabilidade, de uma superestrutura que reconhece as rela\u00e7\u00f5es causais entre os desastres ambientais.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 assim que a M\u00e3e Natureza ensina seus filhos: conversando, sensibilizando, para depois conscientizar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elisa Homem de Mello* \u201cO jornalismo ambiental precisa incomodar!\u201d. 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