{"id":30495,"date":"2015-10-26T12:00:04","date_gmt":"2015-10-26T15:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30495"},"modified":"2015-10-25T22:18:39","modified_gmt":"2015-10-26T01:18:39","slug":"edicao-genetica-evolui-e-cientistas-ja-discutem-os-limites-da-alteracao-do-dna-de-embrioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/edicao-genetica-evolui-e-cientistas-ja-discutem-os-limites-da-alteracao-do-dna-de-embrioes\/","title":{"rendered":"Edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica evolui e cientistas j\u00e1 discutem os limites da altera\u00e7\u00e3o do DNA de embri\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30496\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Este m\u00eas, cientistas se reuniram na Academia Nacional de Ci\u00eancias em Washington para conversar sobre o CRISPR, um novo m\u00e9todo de edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Nos \u00faltimos anos, a t\u00e9cnica se tornou t\u00e3o importante e acess\u00edvel que muitos especialistas come\u00e7am a exigir limites para seus usos potenciais \u2014 especialmente a altera\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es humanos com mudan\u00e7as que podem ser herdadas pelas futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre os cientistas que descreveram os avan\u00e7os recentes estava um dos pioneiros do CRISPR, George Church da Faculdade de Medicina de Harvard. Em meio a sua apresenta\u00e7\u00e3o, repleta de detalhes de bioqu\u00edmica e gen\u00e9tica, Church soltou uma bomba.<\/p>\n<p>Em um experimento t\u00edpico, os cientistas utilizam o CRISPR para alterar um \u00fanico gene; por\u00e9m, em um trabalho recente com c\u00e9lulas de porcos, Church e seus colegas utilizaram o CRISPR para alterar 62 genes de uma vez. Os pesquisadores esperam que isso venha a possibilitar o uso de \u00f3rg\u00e3os de porcos para o transplante em seres humanos.<\/p>\n<p>Mas o experimento tamb\u00e9m levanta uma quest\u00e3o mais profunda: os cientistas poder\u00e3o algum dia alterar tra\u00e7os humanos importantes por meio da manipula\u00e7\u00e3o de tantos genes de uma vez?<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 obviamente impressionante&#8221;, afirmou Ron Weiss, bi\u00f3logo sint\u00e9tico do MIT, que n\u00e3o participou do novo estudo. Mas a despeito do grande n\u00famero de genes envolvidos, Weiss e outros especialistas destacam que o novo processo n\u00e3o significa que conseguimos superar a evolu\u00e7\u00e3o de uma hora para a outra. O CRISPR n\u00e3o permite que os cientistas manipulem genes em grande escala \u2014 pelo menos por enquanto.<\/p>\n<p>O experimento de Church teve sua origem na falta de \u00f3rg\u00e3os para transplante. Milhares de pessoas morrem a cada ano a espera de cora\u00e7\u00f5es, pulm\u00f5es e f\u00edgados.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o cruel, que algu\u00e9m precise de um transplante de cora\u00e7\u00e3o e seja obrigado a depender da morte de outra pessoa para ter a chance de levar uma vida saud\u00e1vel&#8221;, afirmou David A. Dunn, especialista em transplantes da Universidade Estadual de Nova York, em Oswego.<\/p>\n<p>Nos anos 90, os pesquisadores exploravam a possibilidade de utilizar \u00f3rg\u00e3os de porcos em seres humanos, uma t\u00e9cnica conhecida como xenotransplante. Os cientistas desejavam eliminar v\u00edrus e outros pat\u00f3genos presentes nos \u00f3rg\u00e3os dos porcos para que eles n\u00e3o danificassem os hospedeiros humanos.<\/p>\n<p>Mas o trabalho foi interrompido em 1998, quando Jay Fishman e seus colegas descobriram um risco bizarro. Existem genes virais escondidos no DNA dos porcos.<\/p>\n<p>Eles s\u00e3o conhecidos como retrov\u00edrus end\u00f3genos \u2013 os humanos tamb\u00e9m t\u00eam sua parcela de DNA viral. A vers\u00e3o su\u00edna dos retrov\u00edrus end\u00f3genos \u00e9 capaz de produzir v\u00edrus completos que infectam outras c\u00e9lulas su\u00ednas. Quando os pesquisadores misturaram c\u00e9lulas humanas e su\u00ednas em uma placa de petri, descobriram que os v\u00edrus su\u00ednos tamb\u00e9m infectavam as c\u00e9lulas humanas.<\/p>\n<p>Parecia imposs\u00edvel acabar com os retrov\u00edrus end\u00f3genos su\u00ednos. &#8220;Eles s\u00e3o parte do genoma desses animais&#8221;, afirmou Fishman, diretor associado do centro de transplantes do Hospital Geral de Massachusetts.<\/p>\n<p>Fishman e outros pesquisadores estavam em busca de formas de superar esse entrave, mas n\u00e3o tiveram sucesso. Em 2013, perguntaram a Church se ele poderia alterar os genes dos retrov\u00edrus end\u00f3genos su\u00ednos, tornando-os in\u00f3cuos nas c\u00e9lulas su\u00ednas e, portanto, tamb\u00e9m nas humanas.<\/p>\n<p>Church concordou em tentar, embora achasse que aquilo n\u00e3o seria poss\u00edvel. Outras tentativas de desabilitar os retrov\u00edrus end\u00f3genos su\u00ednos haviam falhado, alterando de forma t\u00e3o profunda o DNA que as c\u00e9lulas acabavam morrendo. Mas, afinal, o CRISPR se revelou a ferramenta perfeita para a tarefa.<\/p>\n<p>No experimento mais recente, Church e seus colegas examinaram as c\u00e9lulas su\u00ednas para descobrir exatamente quantos retrov\u00edrus end\u00f3genos estariam presentes no genoma su\u00edno. Os pesquisadores encontraram 62 genes no total. Caso fossem milhares, o experimento provavelmente n\u00e3o teria funcionado.<\/p>\n<p>Os cientistas tiveram sorte uma segunda vez: O DNA era praticamente id\u00eantico de v\u00edrus para v\u00edrus, j\u00e1 que todos descendem de um ancestral comum que invadiu o genoma su\u00edno h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Para erradicar esses v\u00edrus, Church e sua equipe criaram um novo conjunto de genes, que foi inserido nas c\u00e9lulas su\u00ednas. Os genes produziram enzimas que atacavam os retrov\u00edrus end\u00f3genos e retiravam parte do DNA viral. Depois de duas semanas, as c\u00e9lulas modificadas haviam alterado todo o DNA viral.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o experimento, os v\u00edrus do genoma su\u00edno mostraram pouco atividade. E apesar da complicada cirurgia gen\u00f4mica, os cromossomos n\u00e3o mostraram anormalidades e as c\u00e9lulas cresceram normalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Esse trabalho nos deixa mais perto de conquistar o acesso ilimitado a \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos seguros e confi\u00e1veis para transplantes em seres humanos&#8221;, afirmou Dunn. Ele acredita que as pesquisas podem levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de porcos geneticamente alterados e livres de retrov\u00edrus end\u00f3genos, o que daria origem a uma linhagem su\u00edna cujos \u00f3rg\u00e3os seriam mais seguros para o transplante em seres humanos.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que Church e seus colegas n\u00e3o alteraram 62 genes com 62 mol\u00e9culas CRISPR. Isso n\u00e3o foi necess\u00e1rio: uma \u00fanica mol\u00e9cula fez todo o servi\u00e7o. At\u00e9 o momento, os cientistas que utilizaram mol\u00e9culas m\u00faltiplas no processo conseguiram alterar menos de seis genes simultaneamente.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que podemos imaginar um mundo em que os pais editam centenas de genes em seus beb\u00eas projetados para alterar in\u00fameras caracter\u00edsticas, desde a cor dos olhos at\u00e9 o QI. Mas o experimento nos porcos est\u00e1 muito longe dessa realidade.<\/p>\n<p>Entretanto, isso n\u00e3o quer dizer que os cientistas n\u00e3o ser\u00e3o capazes de aprender a alterar tudo de uma \u00fanica vez.<\/p>\n<p>Church e seus colegas j\u00e1 come\u00e7aram a experimentar com o CRISPR para reduzir o risco de que os pacientes rejeitem os \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos, alterando 25 genes envolvidos na produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas na superf\u00edcie das c\u00e9lulas su\u00ednas que disparam um alarme no sistema imunol\u00f3gico. Os resultados ainda n\u00e3o foram publicados.<\/p>\n<p>Esperamos que os cientistas aumentem rapidamente sua capacidade de alterar os genes nos pr\u00f3ximos anos, afirmou Weiss. &#8220;Seremos capazes de alterar 12 genes em 12 segundos? Isso certamente n\u00e3o vai ser poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas 12 dias n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe da realidade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este m\u00eas, cientistas se reuniram na Academia Nacional de Ci\u00eancias em Washington para conversar sobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/edicao_genetica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Este m\u00eas, cientistas se reuniram na Academia Nacional de Ci\u00eancias em Washington para conversar sobre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30495"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}