{"id":30415,"date":"2015-10-24T15:15:58","date_gmt":"2015-10-24T18:15:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30415"},"modified":"2015-10-24T15:15:58","modified_gmt":"2015-10-24T18:15:58","slug":"olhar-a-pobreza-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/olhar-a-pobreza-do-mundo\/","title":{"rendered":"Olhar a pobreza do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/refugiados.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-202064\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/refugiados.jpg\" alt=\"Refugiados recebem ajuda humanit\u00e1ria em Nickelsdorf, na \u00c1ustria. Foto: Anna Zehetner\/ IFRC \u2013 \u00c1ustria (05\/09\/2015)\" width=\"340\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Washington Novaes *<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o passa dia sem que a comunica\u00e7\u00e3o traga n\u00fameros impressionantes sobre migrantes clandestinos que tentam chegar \u00e0 Europa, vindos da \u00c1frica, do Oriente M\u00e9dio e do Sudeste da \u00c1sia. Assim como relatos dram\u00e1ticos \u2013 o mais impactante foi o do menino encontrado morto numa praia turca. E diz a respeitada revista brit\u00e2nica New Scientist (12\/10) que a migra\u00e7\u00e3o em larga escala ser\u00e1 um dos temas dominantes neste s\u00e9culo, por causa do aumento da popula\u00e7\u00e3o em grandes \u00e1reas carentes no mundo, de instabilidade pol\u00edtica, de povos afetados por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por viol\u00eancias. Al\u00e9m disso, esses povos migrantes seriam estimulados pela \u201cinterconectividade global \u2013 f\u00edsica e digital\u201d. Se os governantes n\u00e3o forem competentes, diz a revista, ter\u00e3o diante deles crises complicadas.<\/p>\n<p>A Europa j\u00e1 est\u00e1 recebendo fluxos sem precedentes, em geral atribu\u00eddos \u00e0s dificuldades econ\u00f4micas dos migrantes nos pa\u00edses de origem. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim, diz a revista. Relat\u00f3rio do Banco Mundial e outras institui\u00e7\u00f5es afirma que, \u201cna maior parte dos pa\u00edses para onde v\u00e3o, os migrantes pagam mais impostos que o valor dos benef\u00edcios sociais que recebem\u201d. As raz\u00f5es das resist\u00eancias a eles n\u00e3o s\u00e3o econ\u00f4micas, dizem alguns pesquisadores; e sim o temor de impactos culturais. E os impactos n\u00e3o ser\u00e3o apenas na Europa, mas tamb\u00e9m \u201cem pa\u00edses do Golfo, Brasil, Austr\u00e1lia, Estados Unidos e Canad\u00e1\u201d. E h\u00e1 at\u00e9 pa\u00edses, como a Alemanha, que utilizam a for\u00e7a de trabalho vinda de fora para preencher as vagas decorrentes de mortes e aposentadorias (em seu \u00faltimo balan\u00e7o, a Alemanha registrou 200 mil mortes mais em um ano do que nascimentos; talvez por isso, diz-se disposta a receber este ano 800 mil migrantes). S\u00f3 a S\u00edria, desde o in\u00edcio da guerra civil, \u201cexportou para a Turquia 1,3 milh\u00e3o de pessoas, para o L\u00edbano 1 milh\u00e3o e para a Jord\u00e2nia 600 mil. At\u00e9 o fim deste ano poder\u00e3o ser mais 1 milh\u00e3o\u201d, diz a ONU (Estado, 13\/9).<\/p>\n<p>Assegura a ag\u00eancia da ONU para refugiados (Acnur) que entre 2015 e 2016 s\u00e3o esperados pelo menos 1,4 milh\u00e3o de refugiados provenientes da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio. De junho a setembro, 2.700 morreram na travessia clandestina do Mediterr\u00e2neo (19\/10), que, segundo Gilles Lapouge (14\/5), envolveu 219.900 pessoas que pagaram a intermedi\u00e1rios ilegais. O n\u00famero de mortos por sede e fome na tentativa de atravessar o Deserto do Saara pode ser igual ao de afogados no Mediterr\u00e2neo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para a Migra\u00e7\u00e3o (Reuters, 16\/5). A Hungria \u00e9 dos poucos pa\u00edses que rejeitam qualquer migrante \u2013 a ponto de planejar um muro ao longo de toda a sua fronteira (18\/6). Por isso, n\u00e3o basta a decis\u00e3o do Parlamento Europeu de receber 120 mil refugiados s\u00edrios e iraquianos nos pr\u00f3ximos dois anos e investir \u00a4 1,8 bilh\u00e3o para conter a migra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a Rep\u00fablica Checa e a Eslov\u00e1quia tamb\u00e9m n\u00e3o aceitar\u00e3o refugiados (18\/6).<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff tem dito (Ag\u00eancia Brasil, 27\/9) que o Brasil est\u00e1 disposto a receb\u00ea-los: \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds de refugiados, meu pai foi refugiado\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 particularmente complicada para a \u00c1frica, j\u00e1 que ali o n\u00famero de \u201cv\u00edtimas da pobreza\u201d aumentou em 100 milh\u00f5es nos \u00faltimos 25 anos, segundo o Banco Mundial (Reuters, 17\/10) , apesar do crescimento econ\u00f4mico e da ajuda externa. A propor\u00e7\u00e3o de pobres no mundo se concentra principalmente l\u00e1, segundo o Bird. O banco diz tamb\u00e9m que 388 milh\u00f5es de pessoas \u2013 ou 43% da popula\u00e7\u00e3o subsaariana \u2013 vivem com menos de US$ 1,90 por dia; e ainda assim o panorama melhorou, porque em 1990 eram 56%.<\/p>\n<p>Dos pa\u00edses subsaarianos, 47 consomem, juntos, menos energia el\u00e9trica que a Espanha. O Painel para o Progresso da \u00c1frica, integrado por muitas personalidades, a come\u00e7ar pelo ex-secret\u00e1rio-geral da ONU Kofi Annan, trabalha para que essa energia se multiplique por dez at\u00e9 2030. Hoje, 62 milh\u00f5es na regi\u00e3o n\u00e3o disp\u00f5em de eletricidade. Na Nig\u00e9ria, 95 milh\u00f5es dos 177 milh\u00f5es de habitantes dependem, para ter energia, de madeira, carv\u00e3o e palha (EF, 13\/6), embora gastem quase tanto quanto os cidad\u00e3os brit\u00e2nicos, nessa \u00e1rea. Ser\u00e1 preciso investir US$ 55 bilh\u00f5es at\u00e9 2020 para melhorar o panorama.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na \u00c1frica. O Overseas Development Institute calculou h\u00e1 pouco (13\/10) o risco se houver retrocesso nas taxas de crescimento no mundo. Se cair 3%, mais 500 milh\u00f5es de pessoas estar\u00e3o vivendo em extrema pobreza em 2030. Cita o Banco Mundial, para quem a taxa de pobreza extrema naquele ano estar\u00e1 em torno de 7%, mais de 500 milh\u00f5es de pessoas; 13% delas estar\u00e3o na \u00c1frica, onde ficam 40% das reservas globais de ouro, 15% do petr\u00f3leo e 80% da platina. Mas praticamente tudo em m\u00e3os de grandes grupos estrangeiros, que remetem toda a renda para para\u00edsos fiscais.<\/p>\n<p>Voltando ao in\u00edcio deste texto e \u00e0 previs\u00e3o da revista New Scientist de que o Brasil est\u00e1 entre as regi\u00f5es que mais impactos sofrer\u00e3o com imigra\u00e7\u00f5es de africanos, asi\u00e1ticos e habitantes do Oriente M\u00e9dio, \u00e9 preciso atentar para o fato de que temos algumas das melhores condi\u00e7\u00f5es para atrair migrantes, mas tamb\u00e9m problemas graves. Conforme estudo do Credit Suisse (Estado, 14\/10), nossa renda m\u00e9dia anual por pessoa caiu de US$ 23,4 mil para US$ 17,5 mil entre 2014 e 2015 (havia triplicado entre 2000 e 2014). Est\u00e1 agora em menos da metade da m\u00e9dia mundial de US$ 52mil. E ainda temos 40 milh\u00f5es de pessoas que dependem do Bolsa Fam\u00edlia. E alguns milh\u00f5es que vivem em extrema pobreza, sem renda pessoal fixa. Somadas essas parcelas mais pobres, teremos perto de 50 milh\u00f5es de pessoas, ou quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que n\u00e3o possamos receber imigrantes ou ajudar pobres de outras partes do mundo. Significa que tamb\u00e9m precisamos voltar os olhos para dentro de casa e n\u00e3o esquecer nossos deveres. Principalmente em momento de desemprego e queda salarial.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.br).<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes * N\u00e3o passa dia sem que a comunica\u00e7\u00e3o traga n\u00fameros impressionantes sobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes * N\u00e3o passa dia sem que a comunica\u00e7\u00e3o traga n\u00fameros impressionantes sobre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}