{"id":30302,"date":"2015-10-23T11:00:17","date_gmt":"2015-10-23T14:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30302"},"modified":"2015-10-23T10:07:51","modified_gmt":"2015-10-23T13:07:51","slug":"duas-estrelas-compartilham-algo-em-torno-de-40-do-seu-material","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/duas-estrelas-compartilham-algo-em-torno-de-40-do-seu-material\/","title":{"rendered":"Duas estrelas compartilham algo em torno de 40% do seu material"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30303\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Parece que voc\u00ea j\u00e1 viu esse filme antes, e at\u00e9 pode ser, mas a hist\u00f3ria de vida de duas estrelas pode ser resumida em duas palavras: \u2018atra\u00e7\u00e3o fatal\u2019. Pois \u00e9, neste caso uma hist\u00f3ria real que est\u00e1 acontecendo neste instante em uma gal\u00e1xia n\u00e3o muito, muito distante&#8230;<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio \u00e9 o seguinte, uma equipe de astr\u00f4nomos de diversas nacionalidades, liderada pelo astr\u00f4nomo Leonardo de Almeida, da Universidade de S\u00e3o Paulo, descobriu um par de estrelas massivas girando uma em torno da outra. At\u00e9 a\u00ed beleza, sistemas estelares com duas, tr\u00eas ou mais estrelas s\u00e3o encontradas aos montes na Via L\u00e1ctea. Ali\u00e1s, quase metade das estrelas de pouca massa est\u00e1 em sistemas m\u00faltiplos e essa fra\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 maior para as estrelas massivas (nota: uma estrela \u00e9 considerada de alta massa, ou massiva, se possuir pelo menos 10 vezes a massa do Sol).<\/p>\n<p>O par em quest\u00e3o leva o simp\u00e1tico nome de VFTS 352, sigla que a identifica em um cat\u00e1logo de estrelas massivas elaborado pelo telesc\u00f3pio VLT, do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO, em ingl\u00eas). Esse par est\u00e1 localizado no aglomerado de 30 Doradus, que por sua vez est\u00e1 na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea distante 160 mil anos luz.<\/p>\n<p>Analisando os dados de VFTS 352, meu amigo Leonardo percebeu uma coisa interessante, as duas estrelas s\u00e3o praticamente g\u00eameas, cada uma com quase 30 massas solares, mas a dist\u00e2ncia entre elas \u00e9 de 12 milh\u00f5es de km. Acontece que esse tipo de estrela, classificada com o tipo espectral O, s\u00e3o muito maiores que o nosso Sol, na verdade s\u00e3o t\u00e3o grandes que na dist\u00e2ncia obtida pelo Leonardo, as duas s\u00f3 podem estar em contato! Pois \u00e9, as duas estrelas devem ter nascido bem pr\u00f3ximas uma da outra e com o passar do tempo foram se aproximando at\u00e9 que as duas hoje est\u00e3o se tocando e continuam girando uma ao redor da outra, completando uma volta em menos de 27 horas. Vinte e sete horas! Duas estrelas de 5 milh\u00f5es de km de di\u00e2metro cada uma, se beijando e rodopiando um pouco mais devagar que a Terra, que tem meros 12 mil km de di\u00e2metro!<\/p>\n<p>Como efeito desse contato, as duas estrelas devem compartilhar algo em torno de 40% do seu material, em outras palavras, quase a metade de tudo que est\u00e1 numa estrela vai parar na outra e vice versa e isso \u00e9 fant\u00e1stico. Por qu\u00ea? Olha s\u00f3:<\/p>\n<p>A teoria de evolu\u00e7\u00e3o das estrelas foi escrita em cima de estrelas de pouca massa e isoladas, como o Sol. Apesar disso, ela funciona muito bem, mas ningu\u00e9m \u00e9 ing\u00eanuo de pensar que ela ser\u00e1 exatamente a mesma teoria para casos diferentes, como estrelas de alta massa, ou estrelas que evoluem em sistemas m\u00faltiplos. Ajeitar a teoria existente, ou mesmo reescrev\u00ea-la para os outros casos, que podem at\u00e9 mesmo ser a maioria dos casos do universo, pode ser feito, mas como test\u00e1-la? Identificar sistemas m\u00faltiplos adequados \u00e9 dif\u00edcil, caracteriz\u00e1-los com precis\u00e3o, ou seja, saber a massa de cada estrela, sua temperatura, o per\u00edodo das \u00f3rbitas, \u00e9 muito mais dif\u00edcil. E o que dizer do caso extremo de um sistema de estrelas massivas que se tocam a ponto do material de uma ir parar na outra? Como faz?<\/p>\n<p>Pois \u00e9, a equipe internacional liderada pelo Leonardo nos entregou o caso ideal de estudo. Essa descoberta \u00e9 t\u00e3o importante para estudos da evolu\u00e7\u00e3o de estrelas que o time conseguiu tempo de observa\u00e7\u00e3o no concorrido telesc\u00f3pio espacial Hubble para aprofundar seus estudos. Uma consequ\u00eancia j\u00e1 percebida nesse estudo \u00e9 que as duas estrelas s\u00e3o mais quente e mais brilhantes do que suas g\u00eameas nascidas em isolamento. Esse efeito tem liga\u00e7\u00e3o direta com a troca de material entre as duas.<\/p>\n<p>E qual ser\u00e1 o futuro desse bal\u00e9 entre dois elefantes?<\/p>\n<p>Pela teoria atual, uma estrela desse tipo acaba explodindo em supernova, dando origem a uma estrela de n\u00eautrons ou mesmo um buraco negro. Duas estrelas massivas pr\u00f3ximas uma da outra, devem explodir tamb\u00e9m em um evento de supernova, gerando duas estrelas de n\u00eautrons ou dois buracos negros. Mas e quando duas estrelas massivas est\u00e3o se tocando? A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 a quest\u00e3o. Ningu\u00e9m sabe ao certo.<\/p>\n<p>As duas podem vir a se fundir numa s\u00f3 e evoluir \u201cnormalmente\u201d como uma estrela de 50-60 massas solares e explodir ao final de sua vida gerando um evento ainda mais catastr\u00f3fico do que uma supernova: uma explos\u00e3o de raios gama chamada de GRB. Um GRB gera um feixe letal de raios gama que arrasa o que estiver na sua dire\u00e7\u00e3o. Mas por outro lado, as duas podem se misturar de uma tal maneira que n\u00e3o haveria uma fus\u00e3o total, com os n\u00facleos de cada uma delas sendo preservado. A\u00ed, no final de suas vidas, que n\u00e3o devem durar mais do que 3 milh\u00f5es de anos, cada um dos n\u00facleos iria implodir gerando dois buracos negros. Um evento como esse \u00e9 o que os f\u00edsicos te\u00f3ricos mais querem na vida, pois ele geraria quantidades absurdas de ondas gravitacionais, que s\u00e3o o objeto de desejo de muito gente j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mesmo que ainda demore algum tempo para se determinar qual caminho evolutivo VFTS 352 vai tomar, sua descoberta \u00e9 um marco na astrof\u00edsica estelar. O mesmo programa que levou a sua descoberta catalogou mais de 900 outras estrelas na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, ent\u00e3o quem sabe n\u00e3o existam outros sistemas t\u00e3o interessantes assim esperando para serem revelados?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece que voc\u00ea j\u00e1 viu esse filme antes, e at\u00e9 pode ser, mas a hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30303,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estrelas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Parece que voc\u00ea j\u00e1 viu esse filme antes, e at\u00e9 pode ser, mas a hist\u00f3ria","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30302\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}