{"id":30197,"date":"2015-10-21T18:00:22","date_gmt":"2015-10-21T21:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30197"},"modified":"2015-10-20T20:24:07","modified_gmt":"2015-10-20T23:24:07","slug":"um-alerta-para-extremos-climaticos-previstos-para-acontecer-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-alerta-para-extremos-climaticos-previstos-para-acontecer-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Um alerta para extremos clim\u00e1ticos previstos para acontecer em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sao_paulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30198\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sao_paulo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sao_paulo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sao_paulo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Professor do Departamento de Recursos H\u00eddricos do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica, dr. Wilson Cabral de Sousa Jr., alerta para extremos clim\u00e1ticos em S\u00e3o Paulo. Confira na entrevista concedida ao jornalista\u00a0<\/em><em>\u00a0J\u00falio Ottoboni.<\/em><\/p>\n<p><b>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas projetadas para o Sudeste, como a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da chuvas e mudan\u00e7as em seu regime, podem confirmar um quadro mais severo para os pr\u00f3ximos anos para as reservas h\u00eddricas principalmente de S\u00e3o Paulo?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil precisar a ocorr\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es mais ou menos severas em fun\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, especialmente em se tratando de uma escala municipal \u2013 os modelos lidam com escalas mais adequadas a regi\u00f5es. No entanto, parece claro que haver\u00e1 mudan\u00e7as de padr\u00f5es clim\u00e1ticos e maior incid\u00eancia de eventos extremos de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o, fato que impacta diretamente as reservas h\u00eddricas, ora diminuindo os estoques h\u00eddricos, ora gerando picos de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O adensamento da malha urbana, sem planejamento ambiental, prejudica de que maneira os recursos h\u00eddricos?<\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os impactos do adensamento n\u00e3o planejado da malha urbana sobre os recursos h\u00eddricos, dentre eles: a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo e aumento do escoamento superficial a ponto de gerar enchentes e reduzir a alimenta\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos subterr\u00e2neos; a forma\u00e7\u00e3o de ilhas de calor, as quais podem influenciar localmente a evapora\u00e7\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o; e a amplia\u00e7\u00e3o da demanda por \u00e1gua e gera\u00e7\u00e3o de esgoto, \u00a0o que compromete a quantidade e qualidade das \u00e1guas.<\/p>\n<p><b>Ainda h\u00e1 uma forte ilus\u00e3o no imagin\u00e1rio popular que o aqu\u00edfero Guarani supriria a popula\u00e7\u00e3o de megal\u00f3poles como S\u00e3o Paulo e de metr\u00f3poles como as regi\u00f5es do Vale do Para\u00edba, Campinas, Ribeir\u00e3o Preto e a grande Rio de Janeiro. Embora hoje se saiba que inexiste uniformidade inclusive na potabilidade da \u00e1gua do aqu\u00edfero. Como equacionar o problema das grandes concentra\u00e7\u00f5es urbanas?<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 um grande equ\u00edvoco no planejamento (ou na falta de) das metr\u00f3poles brasileiras no que concerne ao provimento de \u00e1gua e de outros recursos naturais: considera-se uma capacidade infinita de oferta, seja local, seja possibilitada por transposi\u00e7\u00f5es de regi\u00f5es adjacentes, ou ainda, pela prerrogativa de se encontrar novas fontes, como o aqu\u00edfero Guarani. Esta premissa influencia os planos, quando existentes, especialmente de recursos h\u00eddricos, de forma que ao se prever qualquer constri\u00e7\u00e3o de demanda, os investimentos sempre s\u00e3o no sentido de se buscar novas fontes, em detrimento de a\u00e7\u00f5es conservacionistas e adaptativas. Assim, n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com o uso parcimonioso, para n\u00e3o dizer \u201csustent\u00e1vel\u201d*, da \u00e1gua e demais recursos naturais, e a crise passa a ser ent\u00e3o sist\u00eamica e recorrente, como a atual.<\/p>\n<p><b>Em sua opini\u00e3o, a megal\u00f3pole paulistana est\u00e1 fadada a se extinguir no futuro por falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, como j\u00e1 ocorreu em outras grandes cidades de civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas?<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 estudos que evidenciam as (des)economias de escala a partir do momento em que as cidades atingem determinado tamanho. O caso paulistano \u00e9 ilustrativo deste processo. No entanto, vejo o momento atual como uma grande oportunidade para uma mudan\u00e7a significativa na forma de se pensar e viver na metr\u00f3pole paulistana. No que concerne \u00e0 \u00e1gua, isso exigiria uma mudan\u00e7a do modelo de gest\u00e3o de oferta para um de gest\u00e3o de demanda, de maneira a privilegiar os usos mais eficientes e desincentivar aqueles perdul\u00e1rios. No m\u00e9dio e longo prazos, a configura\u00e7\u00e3o de um plano cuja meta principal estivesse associada \u00e0 independ\u00eancia de fontes externas \u00e0 bacia hidrogr\u00e1fica, poderia garantir a sustentabilidade nos usos de \u00e1gua para a metr\u00f3pole. Note que, do ponto de vista do balan\u00e7o quantitativo entre oferta x demanda de \u00e1gua na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, a vaz\u00e3o m\u00e9dia do rio Tiet\u00ea seria suficiente para o abastecimento dos munic\u00edpios. No entanto, como o n\u00edvel de tratamento de esgotos e lan\u00e7amento de poluentes \u00e9 baixo, ocorre escassez relativa de \u00e1gua e esta n\u00e3o \u00e9, portanto, suficiente para o atendimento da demanda. Por outro lado, a queda da velocidade de expans\u00e3o populacional na metr\u00f3pole paulistana conduz a um cen\u00e1rio favor\u00e1vel a estas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p><b>At\u00e9 que ponto a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pela \u2018 preserva\u00e7\u00e3o\u2019 da \u00e1gua vai contribuir para evitar problemas como os que S\u00e3o Paulo enfrentou no in\u00edcio deste ano? Ou isso n\u00e3o passa de a\u00e7\u00f5es pontuais e paliativas para um quadro muito mais complexo e dram\u00e1tico?<\/b><\/p>\n<p>Mobiliza\u00e7\u00f5es casu\u00edsticas em situa\u00e7\u00f5es contingenciais podem at\u00e9 resolver quest\u00f5es e problemas localizados. Mudan\u00e7as a partir do ganho intr\u00ednseco de consci\u00eancia populacional s\u00e3o poss\u00edveis se pensadas em um per\u00edodo de tempo muito longo, tempo este que n\u00e3o temos. Assim, o protagonismo do poder p\u00fablico e das inst\u00e2ncias participativas de tomadas de decis\u00e3o, como os Comit\u00eas de Bacia, s\u00e3o essenciais, em minha opini\u00e3o, para orientar a trajet\u00f3ria e garantir que metas sejam cumpridas em um prazo compat\u00edvel com as necessidades de sustentabilidade das quais falamos. Mas vejam que o discurso e as medidas adotados pelo poder p\u00fablico at\u00e9 ent\u00e3o, no que tange \u00e0 crise atual, n\u00e3o contribuem para uma solu\u00e7\u00e3o duradoura. Como exemplo, a bonifica\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua na metr\u00f3pole, um instrumento econ\u00f4mico interessante para a redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios, al\u00e9m de s\u00f3 ter sido lan\u00e7ada na crise, abrange apenas a por\u00e7\u00e3o populacional atendida pelo sistema mais cr\u00edtico, o Cantareira, gerando assimetrias em termos do comportamento esperado da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>At\u00e9 que ponto as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como o aquecimento do planeta e mudan\u00e7as no macro e microclima, podem influenciam as pol\u00edticas de longo prazo para o setor de abastecimento de \u00e1gua?<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Wilson_casa-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-201916\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Wilson_casa-1.jpg\" alt=\"Wilson Cabral\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o no Brasil (Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios) pouco se fez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de medidas adaptativas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a principal raz\u00e3o est\u00e1 relacionada provavelmente ao tempo pol\u00edtico. Pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es de longo prazo somente s\u00e3o adotadas no Brasil quando rendem alguma visibilidade no curto prazo. Boa parte das medidas adaptativas exigiria alguma mudan\u00e7a de padr\u00e3o que, via de regra, \u00e9 entendida como \u201cperda\u201d ou \u201cretrocesso\u201d no modelo econ\u00f4mico vigente, fato que tamb\u00e9m afasta os pol\u00edticos respons\u00e1veis pela tomada de decis\u00e3o. Por outro lado, mas n\u00e3o menos importante, est\u00e1 \u00e0 exist\u00eancia de um contingente t\u00e9cnico-pol\u00edtico c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global e seus poss\u00edveis efeitos. Uma situa\u00e7\u00e3o de iminente ruptura, como a atual, poderia representar um divisor de \u00e1guas neste sentido. A falta de chuvas consistentes nas pr\u00f3ximas semanas colocar\u00e1 S\u00e3o Paulo em uma situa\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es importantes para o futuro de curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p>* A universaliza\u00e7\u00e3o do termo \u201csustentabilidade\u201d gerou a\u00e7\u00f5es muitas vezes contradit\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao conceito. Uma delas, protagonizada por uma empresa de cerveja, na RMSP, \u00a0garantia b\u00f4nus a mun\u00edcipes que reduzissem o consumo de \u00e1gua. Tais b\u00f4nus, entretanto, eram utilizados para aquisi\u00e7\u00e3o de bens de consumo de parceiros comerciais, cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9, via de regra, altamente demandante de \u00e1gua.<\/p>\n<p><em>* <strong>Wilson Cabral de Sousa Junior<\/strong> \u00e9 Ocean\u00f3grafo, com Doutorado em Economia Aplicada. Conselheiro do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, \u00e9 professor do Departamento de Recursos H\u00eddricos do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica, e autor do livro \u201cGest\u00e3o das \u00e1guas no Brasil: reflex\u00f5es, diagn\u00f3sticos e desafios\u201d, dentre outros.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor do Departamento de Recursos H\u00eddricos do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica, dr. 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