{"id":30185,"date":"2015-10-21T07:00:36","date_gmt":"2015-10-21T10:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30185"},"modified":"2015-10-20T20:04:20","modified_gmt":"2015-10-20T23:04:20","slug":"brasil-e-recordista-mundial-em-cesareas-com-556-desse-tipo-de-cirurgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-e-recordista-mundial-em-cesareas-com-556-desse-tipo-de-cirurgia\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 recordista mundial em ces\u00e1reas com 55,6% desse tipo de cirurgia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30186\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O nascimento de um beb\u00ea \u00e9 sempre emocionante, uma alegria. E a\u00ed pouco importa se \u00e9 um parto normal ou uma cesariana. O beb\u00ea nasce, os pais ganham um filhinho lindo.<\/p>\n<p>Mas as diferen\u00e7as entre um tipo de parto e outro s\u00e3o importantes e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a Sociedade Brasileira de Obstetr\u00edcia e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade dizem que a prefer\u00eancia tem que ser pelo parto normal. A cesariana tem mais riscos, para a m\u00e3e e para o beb\u00ea. \u201cO beb\u00ea que nasce de uma ces\u00e1rea, em rela\u00e7\u00e3o ao parto normal, \u00e9 um bebe que tem mais dificuldade em respirar sozinho. Ent\u00e3o, muitas vezes esse beb\u00ea at\u00e9 acaba recebendo oxig\u00eanio ou at\u00e9 necessitando de interna\u00e7\u00e3o em UTI neonatal\u201d, explica a coordenadora do Hospital S\u00e3o Luiz, M\u00e1rcia Maria da Costa.<\/p>\n<p>Em 2009, o Brasil se tornou o primeiro pa\u00eds do mundo onde mais da metade dos beb\u00eas n\u00e3o nasce como a natureza prev\u00ea. \u201cO modelo brasileiro est\u00e1 formatado para ter cesariana. \u00c9 muito mais f\u00e1cil voc\u00ea ter uma cesariana do que um parto normal. O paciente entra pela portaria, \u00e9 encaminhado para o centro cir\u00fargico, faz o seu procedimento e volta para seu quarto\u201d, diz Jeyner Val\u00e9rio Junior, coordenador do Hospital Santa Isabel (Jaboticabal, SP).<\/p>\n<p>No \u00faltimo levantamento, de dois anos atr\u00e1s, 55,6% dos partos foram cesarianas, um recorde mundial. A m\u00e9dia internacional \u00e9 de 30%, embora a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade considere entre 10% e 15% o \u00edndice ideal. Como fomos parar t\u00e3o longe desse ideal? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u00c9 fruto de fatores diversos, mas sempre relacionados a um processo de informa\u00e7\u00e3o ou de viv\u00eancias traum\u00e1ticas pelas quais passaram. E tamb\u00e9m tomada essa decis\u00e3o, a realidade existente hoje no Brasil \u00e9 de maternidades p\u00fablicas muitas vezes sem condi\u00e7\u00f5es, com um n\u00famero de m\u00e9dicos insuficiente, a demanda assistencial, sem materiais necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cEu cheguei ainda querendo ces\u00e1rea, porque eu j\u00e1 estava com tr\u00eas para quatro cent\u00edmetros, j\u00e1 estava sentindo as contra\u00e7\u00f5es bem fortes. E medo, n\u00e9? Eu achei que eu fosse suportar a dor at\u00e9 o fim\u201d, conta a enfermeira Marli\u00e9ria Pizardo. Ela suportou as dores e teve o filho Davi por parto normal.<\/p>\n<p>O maior medo das mulheres \u00e9 a dor, mas elas temem tamb\u00e9m a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres passa por esse absurdo na hora de ter um filho. Muitas nem sabem, mas j\u00e1 foram v\u00edtimas desse tipo de viol\u00eancia. Os maus tratos v\u00e3o da impaci\u00eancia dos m\u00e9dicos e enfermeiros com o trabalho de parto &#8212; que pode levar muitas horas &#8211; at\u00e9 a episiotomia, o corte do m\u00fasculo do per\u00edneo para aumentar o tamanho do canal por onde passa o beb\u00ea. Uma pr\u00e1tica que hoje \u00e9 considerada desnecess\u00e1ria na maioria dos casos, mas que ainda \u00e9 feita em mais da metade (53,5%) dos partos normais.<\/p>\n<p>\u201cTem mulheres que ouvem experi\u00eancias negativas da m\u00e3e, da tia, e a\u00ed elas ficam com aquele sentimento ruim na hora do parto, que ela vai ser cortada, que v\u00e3o gritar com ela, que ela vai sofrer, vai ficar sem comer. Ent\u00e3o essas\u00a0 experi\u00eancias ficaram sendo determinantes na decis\u00e3o de fazer o parto por via alta, que \u00e9 a cesariana\u201d, afirma o enfermeiro obstetra Rafael Cleison Silva dos Santos.<\/p>\n<p>A ces\u00e1rea come\u00e7ou a virar moda nos anos 70, quando as mulheres aproveitavam a mesma cirurgia para ligar as trompas, como m\u00e9todo contraceptivo. Depois, com o avan\u00e7o dos planos de sa\u00fade, virou praxe. Hoje, 84,5% dos partos nos conv\u00eanios s\u00e3o cesarianas.<\/p>\n<p>As facilidades da ces\u00e1rea agendada atenderam bem aos hospitais, aos m\u00e9dicos e tamb\u00e9m \u00e0s gr\u00e1vidas. \u201cQuando eu soube que estava gr\u00e1vida, a minha id\u00e9ia de cara j\u00e1 era o parto cesariana\u201d, lembra a psic\u00f3loga Rubia Maiara do Carmo Cordeiro, de 28 anos, m\u00e3e do Gilson, de um ano.<\/p>\n<p>Muitas gestantes passaram n\u00e3o s\u00f3 a preferir como a exigir esse tipo de parto. E n\u00e3o s\u00f3 para n\u00e3o sentir dor. \u201cEu prefiro lidar com o certo, do que com o que eu n\u00e3o tenho certeza. O certo que eu digo \u00e9 chegar no hospital, saber que tem uma equipe te esperando, saber que vai conseguir fazer o teu parto com a m\u00e9dica que fez o pr\u00e9-natal. Que com uma hora, uma hora e meia, vai terminar o seu parto\u201d, defende Rubia.<\/p>\n<p>A ces\u00e1rea se imp\u00f4s a tal ponto que, hoje, quem opta por um parto normal tem que batalhar muito para fazer valer sua vontade.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das mulheres que eu conhe\u00e7o tiveram uma ces\u00e1rea. Muitas relatam \u2018\u00e9 porque eu fiquei 12 horas em trabalho de parto e n\u00e3o tive dilata\u00e7\u00e3o\u2019, \u2018tive uma ces\u00e1rea porque de \u00faltima hora minha press\u00e3o subiu\u2019, \u2018tive uma ces\u00e1rea porque eu tive uma diabetes gestacional\u2019. E a\u00ed eu via tudo isso e pensava \u2018que medo que aconte\u00e7a tudo isso comigo\u2019. Mas, pesquisando, estudando, eu vi que nada disso precisa ter uma ces\u00e1rea\u201d, defende a gerente de trade marketing Camila Dias.<\/p>\n<p>Camila tem plano de sa\u00fade e passou por quatro m\u00e9dicos at\u00e9 conseguir um que garantisse que ela n\u00e3o passaria por uma ces\u00e1rea sem necessidade.<\/p>\n<p>Joyce ouviu desculpas diferentes de tr\u00eas m\u00e9dicos. \u201cUm m\u00e9dico disse que, por conta da minha idade, primeira gesta\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 n\u00e3o era mais recomendado fazer parto normal\u201d. Ela tem 31 anos.<\/p>\n<p>A Camila ganhou beb\u00ea no dia 8 de outubro em uma cesariana de urg\u00eancia que salvou a vida da pequena Alice. Joyce teve a Sara de parto natural, como pretendia, no dia 11 de setembro. As quatro passam muito bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nascimento de um beb\u00ea \u00e9 sempre emocionante, uma alegria. E a\u00ed pouco importa se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cesaria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O nascimento de um beb\u00ea \u00e9 sempre emocionante, uma alegria. E a\u00ed pouco importa se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30185"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30185\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}