{"id":30092,"date":"2015-10-19T08:00:49","date_gmt":"2015-10-19T11:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30092"},"modified":"2015-10-18T20:40:36","modified_gmt":"2015-10-18T23:40:36","slug":"vilao-dos-incendios-nos-eua-capim-super-resistente-ganha-cacadora-a-altura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vilao-dos-incendios-nos-eua-capim-super-resistente-ganha-cacadora-a-altura\/","title":{"rendered":"Vil\u00e3o dos inc\u00eandios nos EUA, capim super-resistente ganha ca\u00e7adora \u00e0 altura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30093\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O capim bromo-vassoura (&#8220;Bromus tectorum&#8221;) pode concorrer ao t\u00edtulo de esp\u00e9cie invasora mais bem-sucedida da Am\u00e9rica do Norte. A planta vive em todos os Estados norte-americanos e \u00e9 dominante em, estima-se, quase 400 mil quil\u00f4metros quadrados do Oeste. Quando ela se torna verde na primavera, &#8220;pode ser vista do espa\u00e7o&#8221;, afirmou Bethany Bradley, professora assistente da Universidade de Massachusetts, campus de Amherst, que estuda Biogeografia, a distribui\u00e7\u00e3o espacial das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os pecados do bromo-vassoura s\u00e3o muitos. Suas sementes resistentes se alojam nos olhos e gengivas do gado (sem falar nas orelhas de bichos de estima\u00e7\u00e3o e nas meias das pessoas). At\u00e9 mesmo uma infesta\u00e7\u00e3o moderada dele\u00a0em um trigal pode reduzir a colheita pela metade.<\/p>\n<p>Sua profus\u00e3o \u00e9 um dos grandes motivos pelos quais os inc\u00eandios no Oeste dos Estados Unidos queimam mais terra, com maior frequ\u00eancia e ferocidade do que no passado, afirmam cientistas. Ao contr\u00e1rio do nativo e bem espa\u00e7ado capim tussok, o bromo-vassoura cresce praticamente grudado um no outro e depois morre no ver\u00e3o, formando tapetes densos de material inflam\u00e1vel.<\/p>\n<p>Findo o inc\u00eandio, o bromo-vassoura viceja enquanto a flora nativa sofre para se recuperar.<\/p>\n<p>Passado mais de meio s\u00e9culo de tentativas em grande medida infrut\u00edferas de controlar o avan\u00e7o do capim, uma pesquisadora pode ter uma nova e poderosa arma contra ele.<\/p>\n<p>Ann Kennedy, especialista em solo do Servi\u00e7o de Pesquisa Agr\u00edcola do Departamento de Agricultura dos EUA, descobriu a ocorr\u00eancia natural de uma bact\u00e9ria do solo que impede o crescimento do sistema de ra\u00edzes profundas da erva, sua vantagem competitiva; plantas nativas n\u00e3o s\u00e3o afetadas.<\/p>\n<p>A ca\u00e7ada de Ann por um matador de bromo-vassoura dura quase 30 anos. Em 1986, ela investigava trigo amarelado na regi\u00e3o de Palouse, no estado de Washington, quando encontrou bact\u00e9rias que pareciam inibir o n\u00famero de brotos que o trigo liberava no ar, mas n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do trigo; a planta somente produzia gr\u00e3os mais gra\u00fados. Ela se perguntou se a bact\u00e9ria poderia ser utilizada para atacar pragas.<\/p>\n<p>Com a ajuda de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Washington, onde \u00e9 professora adjunta, Ann testou 25 mil bact\u00e9rias coletadas de \u00e1reas cultivadas. A meta era achar aquelas que combinassem com as caracter\u00edsticas consideradas ideais, tais como prejudicar o bromo-vassoura e n\u00e3o o trigo. Ela comparou a pesquisa \u00e0 atitude exigente na hora de encontrar um par na internet.<\/p>\n<p>A pesquisadora enfim selecionou duas cepas de &#8220;Pseudomonas fluorescens&#8221;, esp\u00e9cie gigante de bact\u00e9rias que est\u00e1 presente em toda a natureza. A maioria de suas cepas executa fun\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas no ambiente.<\/p>\n<p>Em testes pr\u00e1ticos de longo prazo na regi\u00e3o Noroeste, incluindo o Monumento Nacional Hanford Reach, no Estado de Washington, a bact\u00e9ria de Ann reduziu a quantidade de bromo-vassoura em canteiros de teste mais ou menos pela metade em tr\u00eas anos ap\u00f3s uma \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Chegaremos a quase nenhuma semente em cinco ou seis anos&#8221;, disse ela, enquanto outras plantas se recuperaram e crescem mais competitivas. A bact\u00e9ria tamb\u00e9m ataca duas outras plantas invasoras, &#8220;medusahead&#8221; e &#8220;goatgrass&#8221;. As descobertas recentes ser\u00e3o publicadas no pr\u00f3ximo ano, explicou a cientista.<\/p>\n<p>Segundo Ann, as bact\u00e9rias atuam de forma diferente dos herbicidas de a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Assim que uma solu\u00e7\u00e3o concentrada \u00e9 borrifada\u00a0no solo, gera\u00e7\u00f5es sucessivas dos organismos se estabelecem no solo e depois colonizam as ra\u00edzes do bromo-vassoura.<\/p>\n<p>A principal vantagem do bromo-vassoura est\u00e1 em suas ra\u00edzes, que podem se aprofundar perto de 80 cent\u00edmetros. Elas crescem mais tarde no outono e mais cedo na primavera do que as ra\u00edzes de plantas nativas, monopolizando a \u00e1gua e os nutrientes do solo. A bact\u00e9ria produz um composto que impede o crescimento normal da raiz, removendo essa vantagem.<\/p>\n<p><cite>N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de se funciona ou n\u00e3o. A d\u00favida \u00e9 se podemos pegar o que ela fez em pequena escala e reproduzir em 10 mil, 20 mil, 50 mil ha<\/cite><\/p>\n<p><strong>Mike Gregg, bi\u00f3logo da ag\u00eancia dos EUA respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o da fauna<\/strong><\/p>\n<p>As bact\u00e9rias est\u00e3o vivas e se n\u00e3o forem aplicadas nas condi\u00e7\u00f5es certas, &#8220;podem morrer&#8221;, disse Jerry Benson, propriet\u00e1rio e gerente da BFI Native Seeds, de Moses Lake, em Washington, empresa de recupera\u00e7\u00e3o de habitat que trabalha em protocolos para aplicar a bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>Uma das cepas de Ann j\u00e1 teve o uso aprovado pela Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA; um produto comercial deve ser lan\u00e7ado no segundo semestre de 2016. Ela tem esperan\u00e7as ainda maiores na segunda cepa, agora em processo de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Interesse \u00e9 alto porque a necessidade \u00e9 urgente<\/h3>\n<p>No come\u00e7o do ano, Sally Jewell, secret\u00e1ria do Interior, solicitou uma nova estrat\u00e9gia para atacar os inc\u00eandios florestais, estimulados pelo bromo-vassoura, que est\u00e1 torrando grandes por\u00e7\u00f5es da paisagem recoberta de artem\u00edsia do Oeste. As perdas resultantes de habitat foram um grande motivo para o tetraz-cauda-de-fais\u00e3o entrar para a lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas; o governo n\u00e3o quis listar a ave no m\u00eas passado, citando novos planos de recupera\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias estaduais e federais.<\/p>\n<p>Ann reconhece que sua descoberta n\u00e3o \u00e9 uma panaceia. Embora espalhar a bact\u00e9ria &#8220;seja como preparar cerveja&#8221;, borrifar 40 milh\u00f5es de hectares do Oeste ficaria proibitivamente caro. Al\u00e9m disso, o bromo-vassoura poderia voltar um dia.<\/p>\n<p>Em vez disso, ela e outras pessoas sugerem um avi\u00e3o-tanque, como os usados para apagar inc\u00eandios florestais, tratando quil\u00f4metros de fogo com as bact\u00e9rias, para acabar com a planta e reduzir a dissemina\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Bradley, da Universidade de Massachusetts, campus de Amherst, cujos modelos mostram que o bromo-vassoura poderia avan\u00e7ar pelo norte do Wyoming e leste de Montana por causa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, afirma que a bact\u00e9ria de Ann tamb\u00e9m pode ajudar a manter o limite.<\/p>\n<p>Questionada se se preocupa com a possibilidade de trocar um problema por outro ao espalhar a bact\u00e9ria, Ann respondeu: &#8220;Ela est\u00e1 nos nossos solos. Apenas n\u00e3o \u00e9 encontrada na quantidade suficiente para desempenhar a fun\u00e7\u00e3o.&#8221; Segundo a cientista, a bact\u00e9ria morre naturalmente ap\u00f3s quatro anos.<\/p>\n<p>Ann contou que ela e colegas selecionaram para uso somente as cepas que tinham apenas caracter\u00edsticas benignas, examinando sua inocuidade em mais de 250 tipos de capim, insetos, p\u00e1ssaros e ratos.<\/p>\n<p>A pesquisadora acredita ter encontrado solu\u00e7\u00f5es para outros problemas com plantas.<\/p>\n<p>&#8220;Realmente, existe uma beleza no solo. \u00c9 um mundo simplesmente maravilhoso em atividade. \u00c9 s\u00f3 procurar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O capim bromo-vassoura (&#8220;Bromus tectorum&#8221;) pode concorrer ao t\u00edtulo de esp\u00e9cie invasora mais bem-sucedida da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30093,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/especie_invasora.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O capim bromo-vassoura (&#8220;Bromus tectorum&#8221;) pode concorrer ao t\u00edtulo de esp\u00e9cie invasora mais bem-sucedida da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}