{"id":30084,"date":"2015-10-18T13:56:20","date_gmt":"2015-10-18T16:56:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30084"},"modified":"2015-10-18T13:56:20","modified_gmt":"2015-10-18T16:56:20","slug":"corvos-sao-inteligentes-mas-o-que-eles-entendem-sobre-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/corvos-sao-inteligentes-mas-o-que-eles-entendem-sobre-a-morte\/","title":{"rendered":"Corvos s\u00e3o inteligentes, mas o que eles entendem sobre a morte?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30085\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nos \u00faltimos anos, uma estranha apresenta\u00e7\u00e3o acontece de tempos em tempos nas cal\u00e7adas de Seattle (EUA). Tudo come\u00e7a com uma mulher chamada Kaeli N. Swift jogando amendoim e salgadinho de queijo no ch\u00e3o. Os corvos voam at\u00e9 l\u00e1 para se alimentar, enquanto Swift observa os p\u00e1ssaros de longe, com o notebook em m\u00e3os.<\/p>\n<p>Outra pessoa entra em cena e caminha at\u00e9 os p\u00e1ssaros, vestindo uma m\u00e1scara de l\u00e1tex e uma placa com os dizeres &#8220;Estudos de Corvos da\u00a0UW [Universidade de Washington]&#8221;. Nas m\u00e3os do c\u00famplice, um corvo empalhado, exibido como em uma bandeja de canap\u00e9s.<\/p>\n<p>Essa apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma pe\u00e7a de teatro de rua surreal, mas um experimento criado para explorar uma quest\u00e3o biol\u00f3gica profunda: o que os corvos entendem sobre a morte?<\/p>\n<p>Kaeli tem realizado esse experimento como parte de sua pesquisa de doutorado na Universidade de Washington, sob a orienta\u00e7\u00e3o do bi\u00f3logo John M. Marzluff. Marzluff e outros especialistas no comportamento dos corvos que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo intrigados com a forma como os p\u00e1ssaros parecem se reunir de forma barulhenta em torno dos companheiros mortos.<\/p>\n<p>Marzluff testemunhou esses encontros muitas vezes e escutou hist\u00f3rias similares de outras pessoas. &#8220;Sempre que dou uma palestra sobre corvos, algu\u00e9m vem me perguntar sobre isso&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Marzluff e Kaeli decidiram trazer algum rigor cient\u00edfico para essas hist\u00f3rias. Eles queriam determinar se um corvo morto realmente gera uma rea\u00e7\u00e3o diferente nos corvos vivos e, caso isso aconte\u00e7a, qual seria o objetivo dessas reuni\u00f5es grandes e barulhentas.<\/p>\n<p>Para realizar o experimento, Kaeli come\u00e7ou a levar comida a um local espec\u00edfico todos os dias para que os corvos aprendessem a se reunir no local para comer. Ent\u00e3o, um de seus volunt\u00e1rios se aproximava do banquete com um corvo morto, e ela observava a rea\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Quase todas as vezes, os corvos atacaram os volunt\u00e1rios que carregavam o p\u00e1ssaro morto. Kaeli \u00e9 eternamente grata \u00e0s pessoas que n\u00e3o abandonaram a pesquisa naquele momento. &#8220;Se voc\u00ea j\u00e1 foi atacado por um corvo, sabe que \u00e9 algo assustador&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, se o volunt\u00e1rio levasse um pombo morto, os corvos atacavam a pessoa em apenas 40%\u00a0das ocasi\u00f5es. E se o volunt\u00e1rio se aproximasse de m\u00e3os vazias, os corvos simplesmente se moviam at\u00e9 que o caminho estivesse livre e depois voltavam para a comida.<\/p>\n<p>Em seguida, Kaeli realizou mais testes para ver que tipo de impress\u00e3o os corvos mortos causavam nos vivos. Uma vez que os corvos s\u00e3o capazes de identificar as pessoas com base em suas caracter\u00edsticas faciais, os volunt\u00e1rios precisavam usar m\u00e1scaras de l\u00e1tex. Embora ela tenha utilizado um grupo rotativo de volunt\u00e1rios, os corvos viam o mesmo rosto durante todo o experimento. Ent\u00e3o, ela voltava ao local onde os p\u00e1ssaros eram alimentados para ver como reagiam.<\/p>\n<p><cite>\u00c9 uma coisa muito Hannibal Lecter \u2014 parece que voc\u00ea arrancou a pele do rosto de algu\u00e9m e come\u00e7ou a us\u00e1-la como m\u00e1scara<\/cite><\/p>\n<p>Kaeli\u00a0passou muito tempo assegurando os habitantes de Seattle de que ela estava fazendo um experimento cient\u00edfico. &#8220;Muita gente dizia que n\u00e3o acreditava na gente e que ia ligar para a pol\u00edcia&#8221;.<\/p>\n<p>At\u00e9 seis semanas depois, muitos corvos ainda atacavam os visitantes, mesmo quando eles se aproximavam de m\u00e3os vazias. Volunt\u00e1rios que estivessem usando outras m\u00e1scaras, por\u00e9m, eram atacados com muito menos frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Kaeli descobriu mais sinais de que os corvos mortos causavam uma impress\u00e3o profunda nos vivos. Depois de ver um volunt\u00e1rio com um corvo morto, os p\u00e1ssaros demoravam muito mais para se aproximar do alimento. Pombos mortos, por outro lado, n\u00e3o resultavam no mesmo efeito.<\/p>\n<p>No artigo que ser\u00e1 publicado na edi\u00e7\u00e3o de novembro da revista cient\u00edfica Animal Behaviour, Kaeli e Marzluff prop\u00f5em que os corvos prestam muita aten\u00e7\u00e3o em seus mortos como uma forma de acumular informa\u00e7\u00f5es sobre as amea\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><cite>\u00c9 oportunidade de aprendizado de longo prazo. \u00c9 muito importante saber que voc\u00ea deve se preocupar com a seguran\u00e7a em determinado lugar<\/cite><\/p>\n<p>A presen\u00e7a de um corvo morto diz que certos lugares s\u00e3o perigosos e devem ser visitados com cautela. Os sons que emitem podem ser uma maneira de compartilhar informa\u00e7\u00f5es com o restante do grupo.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhos como esses nos ajudam a nos lembrar da complexidade cognitiva que existe em outros animas, e n\u00e3o apenas nos humanos&#8221;, afirmou Teresa Iglesias, bi\u00f3loga evolucion\u00e1ria ligada \u00e0 Universidade Nacional da Austr\u00e1lia, que n\u00e3o se envolveu no estudo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, isso n\u00e3o significa que todos os animais prestam aten\u00e7\u00e3o nos mortos. Na verdade, esse \u00e9 um clube relativamente exclusivo, incluindo esp\u00e9cies como chimpanz\u00e9s, elefantes, golfinhos e o Aphelocoma californica, um p\u00e1ssaro da fam\u00edlia dos corvos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um comportamento comum entre animais que vivem em grupos sociais e s\u00e3o conhecidos por suas avan\u00e7adas capacidades cognitivas. \u00c9 incr\u00edvel pensar que o corvo \u2014 um p\u00e1ssaro \u2014 fa\u00e7a algo dessa natureza, que t\u00e3o poucos animais s\u00e3o capazes de fazer at\u00e9 onde sabemos&#8221;, afirmou Kaeli.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, uma estranha apresenta\u00e7\u00e3o acontece de tempos em tempos nas cal\u00e7adas de Seattle<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30085,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/corvo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos \u00faltimos anos, uma estranha apresenta\u00e7\u00e3o acontece de tempos em tempos nas cal\u00e7adas de Seattle","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30084"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30084\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30085"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}