{"id":30067,"date":"2015-10-18T12:46:32","date_gmt":"2015-10-18T15:46:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=30067"},"modified":"2015-10-18T12:46:32","modified_gmt":"2015-10-18T15:46:32","slug":"tartarugas-em-extincao-sofrem-com-lixo-e-morrem-na-baia-de-guanabara-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tartarugas-em-extincao-sofrem-com-lixo-e-morrem-na-baia-de-guanabara-rj\/","title":{"rendered":"Tartarugas em extin\u00e7\u00e3o sofrem com lixo e morrem na Ba\u00eda de Guanabara, RJ"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tartaruga1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-30068\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tartaruga1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tartaruga1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tartaruga1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Elas passaram por cataclismos e sobreviveram \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros. J\u00e1 estavam nos oceanos quando o homem surgiu na face da Terra. Passados 110 milh\u00f5es de anos desde o seu aparecimento, as tartarugas marinhas sobrevivem a duras penas na costa brasileira e, em especial, nas polu\u00eddas \u00e1guas da Ba\u00eda de Guanabara. Diferentemente dos botos, a esp\u00e9cie Chelonia mydas, popularmente conhecida como tartaruga-verde, \u00e9 companhia frequente de pescadores e esportistas em praias de Niter\u00f3i, como Icara\u00ed e Jurujuba, e do Rio, entre elas as da Ilha do Governador e da Urca. Elas costumam aparecer pr\u00f3ximo \u00e0s pedras, com a cabe\u00e7a fora da \u00e1gua, para respirar. Medindo \u00e0s vezes quase um metro, v\u00eam de ilhas oce\u00e2nicas \u2014 principalmente as da Trindade (ES), do Atol das Rocas (RN) e de Fernando de Noronha (PE). A Ba\u00eda de Guanabara entra na rota de migra\u00e7\u00e3o como um porto seguro na fase juvenil, de crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o, quando precisam de mais alimentos. Pena que as \u00e1guas fluminenses n\u00e3o sejam t\u00e3o paradis\u00edacas.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pela sujeira da ba\u00eda, uma das causa de morte no Rio da tartaruga-verde, que est\u00e1 na lista de animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, conforme classifica\u00e7\u00e3o da International Union for Conservation of Nature (IUCN). A necr\u00f3psia, na Universidade Federal Fluminense (UFF), de um animal encontrado morto nas \u00e1guas da Guanabara revela o tamanho do impacto do lixo para esse tipo de vida marinha, cuja popula\u00e7\u00e3o na costa fluminense \u00e9 desconhecida por pesquisadores.<\/p>\n<p>\u2014 A tartaruga estava cheia de microlixo no sistema digestivo. Era muito pl\u00e1stico \u2014 conta a veterin\u00e1ria Andrea Grael, volunt\u00e1ria da \u00e1rea de animais selvagens da UFF.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 comum. Na sua pesquisa de doutorado, sobre a contamina\u00e7\u00e3o de tartarugas na costa brasileira, a bi\u00f3loga Liana Rosa analisou animais mortos encontrados no Sul, em S\u00e3o Paulo, Rio e estados do Nordeste. No caso das tartarugas achadas nas praias da Ba\u00eda de Guanabara e encaminhadas para o Laborat\u00f3rio de Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos e Bioindicadores (Maqua), do Departamento de Oceanografia da Uerj, 70% tinham lixo no est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Para o estudo, Liana, doutoranda em ecologia e evolu\u00e7\u00e3o na Uerj, analisou cerca de 400 animais de v\u00e1rias partes do pa\u00eds. O Rio, afirma ela, \u00e9 o estado que concentra a maior quantidade de impactos negativos \u00e0 sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. Na ba\u00eda, as tartarugas est\u00e3o \u00e0 procura de uma alga verde comum, chamada ulva, que lembra uma folha de alface e \u00e9 encontrada nos cost\u00f5es rochosos. Mas acabam se deparando com outros \u201calimentos\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 A gente j\u00e1 encontrou de tudo nas tartarugas. Muito pl\u00e1stico mole, saquinhos, bal\u00e3o de anivers\u00e1rio, caixinha, chiclete, embalagens de todo tipo de bala, fio de n\u00e1ilon, rede de pesca&#8230; O mais comum \u00e9 o pl\u00e1stico, que, quando mais r\u00edgido, pode machucar a tartaruga por dentro. Quando ele \u00e9 mais mole, pode provocar a reten\u00e7\u00e3o de g\u00e1s dentro do trato digest\u00f3rio, fazendo com que ela flutue mais, n\u00e3o conseguindo se deslocar normalmente. Isso pode levar a colis\u00f5es com embarca\u00e7\u00f5es. J\u00e1 recebemos tr\u00eas com carapa\u00e7a dilacerada devido a esse tipo de acidente \u2014 afirma Liana, dizendo que o animal tamb\u00e9m sofre com os contaminantes provenientes das atividades agr\u00edcola e industrial.<\/p>\n<p>LIXO OU ALGAS?<\/p>\n<p>Das pouco mais de cem tartarugas mortas vindas da Ba\u00eda de Guanabara e recebidas pelo Maqua nos \u00faltimos anos, apenas uma era da esp\u00e9cie cabe\u00e7uda \u2014 o restante era tartaruga-verde. Andrea Grael, que monitora as tartarugas-verdes em Niter\u00f3i, explica que a esp\u00e9cie acaba confundindo lixo com algas.<\/p>\n<p>\u2014 As tartarugas encontradas na ba\u00eda est\u00e3o na adolesc\u00eancia, em processo de desenvolvimento e crescimento. Por isso, precisam se alimentar mais. O problema \u00e9 que elas consomem lixo. Elas usam muito o olho para identificar os alimentos e confundem pl\u00e1stico com lulas, \u00e1guas-vivas \u2014 completa Andrea, que, h\u00e1 alguns dias, viu uma tartaruga enrolada numa rede de pesca.<\/p>\n<p>Ela conseguiu alertar pescadores, que libertaram o animal, evitando, assim, que morresse afogado. Mas a rede, outro dos grandes perigos, tamb\u00e9m foi jogada no mar. Coube ao marido de Andrea, o velejador Torben Grael, retir\u00e1-la da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Suzana Machado Guimar\u00e3es \u00e9 bi\u00f3loga marinha e pesquisadora do Projeto Aruan\u00e3, da UFF, que acompanha as tartarugas na \u00e1rea de Itaipu, em Niter\u00f3i, e tamb\u00e9m na ba\u00eda. Ela conta que a vida desses r\u00e9pteis n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil por aqui. J\u00e1 houve casos de tartarugas encontradas presas a pneus e doentes com um v\u00edrus que estaria relacionado \u00e0 polui\u00e7\u00e3o. E o lixo, afirma Suzana, pode lev\u00e1-las \u00e0 morte:<\/p>\n<p>\u2014 Ao ingerir lixo flutuante, elas podem morrer por constipa\u00e7\u00e3o intestinal ou inani\u00e7\u00e3o. E muitas ficam agarradas no lixo, sendo impedidas de nadar ou subir para respirar.<\/p>\n<p>O Aruan\u00e3 \u00e9 o grupo que mais de perto acompanha essa esp\u00e9cie na costa do Rio. Como n\u00e3o h\u00e1 estudos anteriores, a equipe n\u00e3o sabe dizer se essa popula\u00e7\u00e3o cresceu ou diminuiu na ba\u00eda nos \u00faltimos anos. O velejador Lars Grael diz que, nos anos 80 e 90, elas eram bem menos vistas. Ele tem uma hip\u00f3tese para um poss\u00edvel aumento na d\u00e9cada passada:<\/p>\n<p>\u2014 Uma possibilidade \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da pesca de arrast\u00e3o na ba\u00eda, ou provocada pela polui\u00e7\u00e3o ou por uma maior fiscaliza\u00e7\u00e3o da pesca predat\u00f3ria. Com isso, a tartaruga pode ter se favorecido.<\/p>\n<p>Aquelas que sobrevivem \u00e0 aventura na suja Ba\u00eda de Guanabara retornam, ap\u00f3s a adolesc\u00eancia (um per\u00edodo de at\u00e9 15 anos), aos para\u00edsos de origem no Atl\u00e2ntico para desovar. J\u00e1 adultas \u2014 elas podem viver at\u00e9 120 anos \u2014, saem para explorar outros lugares ou voltam para a ba\u00eda, destino que dever\u00e1 ser seguido pelos filhotes no futuro. E assim segue o ciclo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas passaram por cataclismos e sobreviveram \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros. 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