{"id":29890,"date":"2015-10-16T10:00:08","date_gmt":"2015-10-16T13:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29890"},"modified":"2015-10-15T21:31:23","modified_gmt":"2015-10-16T00:31:23","slug":"objetos-gigantes-que-estao-bloqueando-a-luz-de-uma-estrela-intrigam-astronomos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/objetos-gigantes-que-estao-bloqueando-a-luz-de-uma-estrela-intrigam-astronomos\/","title":{"rendered":"Objetos gigantes que est\u00e3o bloqueando a luz de uma estrela intrigam astr\u00f4nomos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29891\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>E<\/span>m um ponto no meio das constela\u00e7\u00f5es de Lira e do Cisne, que estampam a noite estrelada do hemisf\u00e9rio norte, brilha uma estrela envolta em mist\u00e9rio. Nossa vis\u00e3o n\u00e3o consegue enxerg\u00e1-la, devido aos 1,5 mil anos-luz que nos separam dela. S\u00f3 mesmo os poderosos olhos telesc\u00f3picos do observat\u00f3rio espacial Kepler foram capazes de focalizar, em 2009, este sol distante.<\/p>\n<p>At\u00e9 bem pouco tempo, a chamada KIC 8462852, que neste texto ser\u00e1 carinhosamente apelidada de K, era apenas mais uma entre as cerca de 150 mil estrelas monitoradas pelo telesc\u00f3pio em busca de <strong>min\u00fasculas oscila\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas de luz que indicassem a presen\u00e7a de exoplanetas<\/strong>. Diante da avassaladora quantidade de dados a se analisar, os astr\u00f4nomos resolveram <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2015\/07\/cientista-eu-como-cidadaos-comuns-tambem-podem-fazer-ciencia.html\">pedir a ajuda de cientistas cidad\u00e3os<\/a> atrav\u00e9s do projeto colaborativo <a href=\"http:\/\/www.planethunters.org\/\">Planet Hunters<\/a>.<\/p>\n<p>Uma em 150 mil\u00a0Em 2011, diversos volunt\u00e1rios come\u00e7aram a rotular K como sendo \u201ccuriosa\u201d e at\u00e9 \u201cbizarra\u201d, pois notaram que ela apresentava um comportamento muito, mas muito esquisito. <strong>O padr\u00e3o da oscila\u00e7\u00e3o de seu brilho era realmente \u00fanico<\/strong>, diferente do que era verificado em todas as outras estrelas estudadas pelo telesc\u00f3pio Kepler. Na verdade, n\u00e3o havia bem um padr\u00e3o ali &#8211; como os astr\u00f4nomos descobriram mais tarde, <strong>as varia\u00e7\u00f5es no brilho s\u00e3o completamente disformes e irregulares<\/strong>.<\/p>\n<p>Algumas duravam dias. Um dos objetos bloqueou 15% da luz liberada, e outro impediu a passagem de impressionantes 22% dos f\u00f3tons emitidos. Nenhum planeta faz isso. Quando gigantes gasosos da classe de J\u00fapiter, os maiores que conhecemos, passam em frente \u00e0 estrela-m\u00e3e, eles causam uma oscila\u00e7\u00e3o de cerca de 1% em sua luminosidade. Segundo o astr\u00f4nomo Phil Plait, <a href=\"http:\/\/www.slate.com\/blogs\/bad_astronomy\/2015\/10\/14\/weird_star_strange_dips_in_brightness_are_a_bit_baffling.html\">do site Slate<\/a>, <strong>para provocar um efeito desses, o objeto deve ter a metade do tamanho de K<\/strong>, que inclusive \u00e9 mais massiva, mais quente e mais brilhante que o Sol.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-590\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/kmlM1BxiEPJ8QjkfX6sHlKG4fkY=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/10\/15\/itsaliens.jpg.crop.original-original.jpg\" alt=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><label class=\"foto-legenda\"> (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p>Levando em conta todas as peculiaridades, fica dif\u00edcil n\u00e3o pensar em aliens. \u201cN\u00f3s nunca vimos nada parecido com essa estrela, foi muito estranho\u201d, disse Tabetha Boyajian <a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/science\/archive\/2015\/10\/the-most-interesting-star-in-our-galaxy\/410023\/?dom=pscau&amp;src=syn\">ao The Atlantic<\/a>. A astr\u00f4noma da Universidade de Yale acaba de publicar <a href=\"http:\/\/arxiv.org\/pdf\/1509.03622v1.pdf\">um artigo<\/a> descrevendo a descoberta, em co-autoria com v\u00e1rios dos cientistas cidad\u00e3os. \u201cN\u00f3s pensamos que deviam ser dados ruins ou movimenta\u00e7\u00e3o na espa\u00e7onave, mas tudo batia.\u201d<\/p>\n<p>Causas naturais?\u00a0Se o sistema estelar de K fosse jovem, como o nosso um dia foi, ele abrigaria um imenso c<strong>intur\u00e3o de objetos como asteroides e cometas<\/strong>, que ainda n\u00e3o teriam tido tempo de formar planetas. Eles poderiam explicar o padr\u00e3o ex\u00f3tico, mas o problema \u00e9 que essa estrela parece ser mais madura. Estrelas jovens s\u00e3o envoltas por uma espessa nuvem de poeira que emite uma grande quantidade de radia\u00e7\u00e3o infravermelha, o que n\u00e3o acontece neste caso. No artigo, Boyajian detalha algumas poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es naturais que poderiam solucionar o mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do cintur\u00e3o de asteroides, \u00e9 cogitada a possibilidade de os objetos terem surgido de um <strong>impacto de escala planet\u00e1ria<\/strong>, como o que formou nossa lua, ou ainda um outro cen\u00e1rio, mais prov\u00e1vel. A influ\u00eancia gravitacional de uma estrela pr\u00f3xima pode ter \u201cempurrado\u201d um n\u00famero massivo de <strong>cometas<\/strong> para a regi\u00e3o mais interna daquele sistema solar.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o aliens?\u00a0Mas a pr\u00f3pria Tabetha Boyajian considera \u201coutros cen\u00e1rios\u201d. Em poucas palavras, <strong>ela acha poss\u00edvel que uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena avan\u00e7ada esteja construindo uma megaestrutura tecnol\u00f3gica em torno da estrela KIC 8462852<\/strong>, e isso estaria causando as esquisitas flutua\u00e7\u00f5es na luz detectada. Tal estrutura poderia ser algo como a hipot\u00e9tica <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Esfera_de_Dyson\">Esfera de Dyson<\/a>: proposta em 1960, a ideia concebe um arranjo de pain\u00e9is solares que \u201cenclausuram\u201d uma estrela e coletam toda a energia que ela emite.<\/p>\n<div class=\"olho componente_materia\">Estrutura pode ser um arranjo de pain\u00e9is solares que \u201cenclausuram\u201d uma estrela e coletam a energia emitida<\/div>\n<p>Boyajian n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a considerar este cen\u00e1rio. \u201cAliens devem sempre ser a \u00faltima das hip\u00f3teses a se considerar, mas isso me pareceu algo que uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena iria construir\u201d, <a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/science\/archive\/2015\/10\/the-most-interesting-star-in-our-galaxy\/410023\/?dom=pscau&amp;src=syn\">disse<\/a> o astr\u00f4nomo Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia. O pesquisador disse que, quando viu os dados, ficou fascinado por qu\u00e3o loucos eles eram. Phil Plait, do site Slate, fez quest\u00e3o de frisar que Wright n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais um desses ca\u00e7adores de alien\u00edgenas que gostam de uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o. <strong>\u201cEle \u00e9 um astr\u00f4nomo profissional com um hist\u00f3rico de pesquisa s\u00f3lido\u201d<\/strong>, escreveu.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-636\"><img class=\"img-responsive\" title=\"Concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma Esfera de Dyson (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/BS6cUDXvb9uuPpC6WVAiPrrX7ag=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/10\/15\/eehjnnp3lhathskac1st.jpg\" alt=\"Concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma Esfera de Dyson (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><label class=\"foto-legenda\">Concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma Esfera de Dyson (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p>Isso tudo \u00e9 bem empolgante e n\u00f3s podemos, sim, ficar animados &#8211; afinal, n\u00e3o \u00e9 todo dia que cientistas de verdade incluem em suas hip\u00f3teses a alternativa \u201cciviliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena\u201d. Mas \u00e9 claro que a abordagem deles continua sendo c\u00e9tica, mais no sentido de um \u201cpor que n\u00e3o aliens?\u201d. <strong>\u00c9 mais prov\u00e1vel que algum fen\u00f4meno da natureza esteja causando as varia\u00e7\u00f5es na luminosidade de K, mas a chance de serem ETs \u00e9 concreta<\/strong>.<\/p>\n<p>Tanto que Jason Wright e colegas v\u00e3o publicar um artigo embasando esta hip\u00f3tese &#8211; eles afirmam que o padr\u00e3o de luz da estrela \u00e9 consistente com um \u201cenxame de megaestruturas\u201d projetadas por aliens para coletar a luz estelar e sua energia. Wright e Boyajian est\u00e3o agora em contato com Andrew Siemion, diretor do Instituto SETI, organiza\u00e7\u00e3o que vasculha as ondas de r\u00e1dio do cosmos em busca de vida inteligente.<\/p>\n<p>Eles v\u00e3o escrever uma proposta com a ideia de tentar apontar um radiotelesc\u00f3pio gigante para K e ver se detectam <strong>ondas de r\u00e1dio em frequ\u00eancias associadas \u00e0 atividade tecnol\u00f3gica<\/strong>. Se tudo der certo, a primeira observa\u00e7\u00e3o deve ocorrer em janeiro. At\u00e9 l\u00e1, s\u00f3 nos resta levantar os olhos para o c\u00e9u estrelado e mirar para onde o cisne encontra a lira. Por ora, at\u00e9 as frias evid\u00eancias nos permitem imaginar que talvez, apenas talvez, algu\u00e9m esteja olhando de volta, com seus olhos captando os f\u00f3tons que se desprenderam de nosso sol por volta do ano 500 e viajaram um mil\u00eanio e meio pelo espa\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um ponto no meio das constela\u00e7\u00f5es de Lira e do Cisne, que estampam a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/cometa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em um ponto no meio das constela\u00e7\u00f5es de Lira e do Cisne, que estampam a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29890"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}