{"id":29705,"date":"2015-10-12T16:18:33","date_gmt":"2015-10-12T19:18:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29705"},"modified":"2015-10-12T16:18:33","modified_gmt":"2015-10-12T19:18:33","slug":"energia-eolica-um-potencial-cada-vez-mais-explorado-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/energia-eolica-um-potencial-cada-vez-mais-explorado-no-brasil\/","title":{"rendered":"Energia e\u00f3lica: um potencial cada vez mais explorado no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/energia_eolica1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29706\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/energia_eolica1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/energia_eolica1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/energia_eolica1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica est\u00e1 indo de vento em popa. O montante de energia produzido tem contribu\u00eddo para a matriz energ\u00e9tica fornecendo energia, principalmente, no per\u00edodo de seca \u2013 mais cr\u00edtico para o setor. No Brasil, s\u00e3o gerados 100 mil postos de trabalho, 12 milh\u00f5es de resid\u00eancias s\u00e3o abastecidas e a emiss\u00e3o de 12 milh\u00f5es de toneladas de CO2 s\u00e3o evitadas. Atualmente, o Pa\u00eds disp\u00f5e de 262 parques instalados. A produ\u00e7\u00e3o de energia pela for\u00e7a dos ventos, no primeiro semestre cresceu 114%, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2014. No fim de junho do ano passado, essa matriz era respons\u00e1vel por 1,4% do total gerado de energia no ano no Sistema Interligado Nacional (SIN). Hoje, ela representa 3% de toda a energia produzida no Sistema Integrado Nacional.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nos seis primeiros meses deste ano foi de 1.831 MW m\u00e9dios, diante de 856 MW m\u00e9dios alcan\u00e7ados no mesmo per\u00edodo do ano anterior. A capacidade instalada de usinas e\u00f3licas no Brasil chegou a 6.183 MW ao final do primeiro semestre de 2015, quase o dobro em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, quando a capacidade era de 3.106 MW. Esses dados foram divulgados pela C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica (CCEE), no come\u00e7o deste m\u00eas. O Rio Grande do Norte lidera em capacidade instalada da fonte, com 2.243 MW, seguido por Cear\u00e1 (1.233 MW), Rio Grande do Sul (1.300 MW) e Bahia (959 MW).\u00a0 De janeiro a julho de 2015, entraram em opera\u00e7\u00e3o cerca de 1.437 MW de usinas e\u00f3licas, e ainda est\u00e3o previstos cerca de 1.636 MW at\u00e9 o final do ano. Para o ano 2016 j\u00e1 est\u00e3o previstos cerca de 3.100 MW e para 2017 cerca de 1.985 MW.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o dos leil\u00f5es de energia, operacionalizados pela C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica (CCEE), possibilitaram a contrata\u00e7\u00e3o de mais de 15 GW, esperados para entrar em opera\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos cinco anos. Desde 2010, foram negociados mais de 340 projetos e\u00f3licos nos certames realizados no Pa\u00eds. Somente em 2014, os investimentos em energia e\u00f3lica decorrentes dos leil\u00f5es foram superiores a US$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica atendeu 80% do mercado no leil\u00e3o A-3, realizado em 21 de agosto de 2015, para as Fontes E\u00f3lica, H\u00eddrica e Termoel\u00e9trica (biomassa e g\u00e1s natural). A contrata\u00e7\u00e3o total foi de 669,498 MW. A fonte e\u00f3lica contribuiu com a contra\u00e7\u00e3o de 538,8 MW ao pre\u00e7o m\u00e9dio de R$ 181,14\/MWh .\u00a0 A fonte e\u00f3lica ser\u00e1 respons\u00e1vel pela aplica\u00e7\u00e3o de R$ 2 bilh\u00f5es em investimentos e produ\u00e7\u00e3o de, em m\u00e9dia, 270 aerogeradores e 810 novas p\u00e1s. Esse volume de energia ser\u00e1 capaz de abastecer 1 milh\u00e3o de resid\u00eancias mensalmente e evitar mais de 1 milh\u00e3o de toneladas de CO2, por ano. Al\u00e9m disso, a capacidade viabilizada poder\u00e1 criar 8.000 postos de trabalho. O Leil\u00e3o A-3 objetivou a contrata\u00e7\u00e3o de energia proveniente de empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o a partir das fontes e\u00f3lica, biomassa, PCH e g\u00e1s natural. O in\u00edcio do suprimento de energia ser\u00e1 a partir de 1 de janeiro de 2018.<\/p>\n<p><strong>Licenciamento<\/strong><\/p>\n<p>Conforme analisa o doutor em Engenharia El\u00e9trica e professor da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), Enes Gon\u00e7alves Marra, o licenciamento ambiental das usinas e\u00f3licas \u00e9 muito burocr\u00e1tico e lento. \u201cDiria mesmo que a legisla\u00e7\u00e3o ambiental hoje est\u00e1 no centro da quest\u00e3o energ\u00e9tica. Ela \u00e9 confusa, conflituosa e demanda bastante tempo, recursos materiais e esfor\u00e7os na elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de empreendimentos na \u00e1rea de energia el\u00e9trica, renov\u00e1vel ou n\u00e3o renov\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o professor, a demora pode ser ainda maior se envolver espa\u00e7os que contenham s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, reservas ind\u00edgenas ou ambientais. Ele comenta que os principais impactos das usinas e\u00f3licas s\u00e3o relacionados ao efeito na paisagem, altera\u00e7\u00e3o de uso do solo e relevo, impactos nas rotas migrat\u00f3rias de p\u00e1ssaros e ru\u00eddos.<\/p>\n<p>Deve-se destacar que, al\u00e9m de gerada, a energia precisa ser transmitida por meio de linhas. \u201c\u00c9 mais demora na aprova\u00e7\u00e3o dos estudos de impacto ambiental e autoriza\u00e7\u00e3o dos projetos das linhas de transmiss\u00e3o\u201d, diz Enes. Em 2014, havia 36 parques e\u00f3licos conclu\u00eddos, mas inativos por falta de linhas para transportar a energia gerada, principalmente por atrasos provocados pela impossibilidade de concluir todo processo de licenciamento ambiental em prazos compat\u00edveis com a constru\u00e7\u00e3o das usinas e\u00f3licas.<\/p>\n<p>A presidente executiva da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (ABEE\u00f3lica), Elbia Silva Gannoum, ressalta que todos os parques e\u00f3licos devem ser licenciados pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental do estado onde ser\u00e3o implantados. Os procedimentos tendem a n\u00e3o ser id\u00eanticos, com processos mais ou menos rigorosos, a depender da localidade.<\/p>\n<p>Com a recente publica\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional do Meio Ambiente do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (CONAMA) N\u00ba 462\/2014, que disciplina o processo de licenciamento ambiental de parques e\u00f3licos em solo firme (onshore), Elbia acredita que \u201ca tend\u00eancia \u00e9 que as etapas de licenciamento sejam menos burocr\u00e1ticas e mais \u00e1geis, uma vez que, devido \u00e0s usinas e\u00f3licas terem baixo potencial de impacto ambiental, elas dever\u00e3o ser licenciadas por meio simplificado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Custos<\/strong><\/p>\n<p>O custo m\u00e9dio de instala\u00e7\u00e3o de uma usina e\u00f3lica, de acordo com a presidente da ABEE\u00f3lica \u00e9 em torno de R$ 4,5 milh\u00f5es para cada megawatt (MW) e\u00f3lico instalado. \u201cA fonte e\u00f3lica \u00e9 a segunda mais competitiva entre as demais fontes da matriz brasileira, perdendo apenas para as grandes usinas hidrel\u00e9tricas.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 Enes comenta que \u201cisso a coloca entre as alternativas mais competitivas no mercado, sendo atualmente t\u00e3o ou mais competitiva que as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCHs), cujo custo de implanta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em torno de US$ 2 milh\u00f5es por MW instalado\u201d. Al\u00e9m disso, a opera\u00e7\u00e3o de usinas e\u00f3licas \u00e9 menos onerosa que a opera\u00e7\u00e3o das PCHs, visto que existem normas de uso compartilhado da \u00e1gua que n\u00e3o se aplicam ao caso do vento.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a energia gerada por parques e\u00f3licos tem sido bastante competitiva. No \u00faltimo leil\u00e3o de energia el\u00e9trica, realizado pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL) em novembro de 2014, a energia e\u00f3lica foi comercializada pelo pre\u00e7o m\u00e9dio de R$ 136\/MWh e o pre\u00e7o m\u00e9dio da energia das PCHs ficou em R$ 162\/MWh, enquanto os pre\u00e7os m\u00e9dios do MWh foram de R$ 202 para o carv\u00e3o mineral, R$ 206 para o g\u00e1s natural e de R$ 207 para a biomassa.<\/p>\n<p>Olhando apenas para o custo de constru\u00e7\u00e3o dos aerogeradores, respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica, o gerente executivo de Regras, Capacita\u00e7\u00e3o e Pre\u00e7os da CCEE, Jean Albino, considera que o investimento \u00e9 alto frente \u00e0s demais fontes. \u201cNo entanto, assim como nas hidrel\u00e9tricas, os custos com manuten\u00e7\u00e3o s\u00e3o baixos e a despesa com combust\u00edvel \u00e9 zero.\u201d<\/p>\n<p>Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Energia E\u00f3lica, o custo m\u00e9dio (em centavos de D\u00f3lar por quilowatt-hora \u2013 kWh) da fonte est\u00e1 no mesmo patamar do g\u00e1s natural e somente atr\u00e1s da energia nuclear e hidrel\u00e9trica. \u201cOutro fator importante \u00e9 o tempo de constru\u00e7\u00e3o dessas usinas (24 meses), bastante r\u00e1pido em rela\u00e7\u00e3o a outros projetos de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, tanto alternativos quanto convencionais, que levam em m\u00e9dia 36 meses para instala\u00e7\u00e3o (fontes t\u00e9rmicas) ou mais, como no caso de hidrel\u00e9tricas e nucleares\u201d, diz o gerente da CCEE.<\/p>\n<p>O professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Odilon Francisco Pav\u00f3n Duarte, faz o seguinte comparativo: o Complexo E\u00f3lico Campos Neutrais, localizado no Rio Grande do Sul, composto pelos parques Geribatu, Hermenegildo e Chu\u00ed, totaliza uma capacidade de 583MW (302 aerogeradores) e pode atender cerca de 3,3 milh\u00f5es de habitantes com um custo de cerca de R$ 2,7 bilh\u00f5es. J\u00e1 a hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, tem investimento em torno de R$ 30,6 bilh\u00f5es, com uma capacidade de 8.040MW, cerca de 14 vezes mais que a capacidade do Complexo Campos Neutrais, podendo atender aproximadamente 20 milh\u00f5es de resid\u00eancias brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cRelacionando os custos de investimentos pelas capacidades de gera\u00e7\u00e3o, o sistema e\u00f3lico apresentou um custo de R$ 4,6 milh\u00f5es por MW e o sistema h\u00eddrico resultou em R$ 3,8 milh\u00f5es por MW. O custo do sistema e\u00f3lico ainda \u00e9 superior ao h\u00eddrico, entretanto seu tempo para constru\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente menor e de f\u00e1cil instala\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Odilon. O alto valor para implantar os sistemas e\u00f3licos se d\u00e1 porque a maior parte dos equipamentos \u00e9 importada, o que encarece na hora da implanta\u00e7\u00e3o. \u201cA presen\u00e7a de empresas especializadas na \u00e1rea poderia reduzir significativamente a principal barreira desse segmento, que \u00e9 o investimento.\u201d<\/p>\n<p>O custo de contrata\u00e7\u00e3o da fonte nos Leil\u00f5es do Mercado Regulado de energia tem sido um dos mais baixos ao longo dos anos. O custo da e\u00f3lica, na m\u00e9dia, foi de R$ 153 por megawatt-hora (MWh), de ordem semelhante ao valor m\u00e9dio de compra de energia em projetos de hidrel\u00e9tricas, R$ 149\/MWh, cujo custo \u00e9 sempre mais baixo que das demais fontes.<\/p>\n<p><strong>Investimentos<\/strong><\/p>\n<p>No contexto mundial, a fonte e\u00f3lica \u00e9 bem colocada, sendo a mais competitiva entre os pa\u00edses gra\u00e7as \u00e0 soma de fatores estruturais e conjunturais positivos. As condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis de ventos, o modelo de leil\u00f5es (que objetiva o menor custo) e a crise econ\u00f4mica no exterior s\u00e3o exemplos dos fatores que permitiram o alcance do patamar \u00edmpar em competitividade para a fonte e\u00f3lica no Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 31 de dezembro de 2011, um total de 119 empreendimentos haviam sido implantados no \u00e2mbito do Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas de Energia El\u00e9trica (Proinfa), institu\u00eddo pelo governo federal por meio da Lei n\u00ba 10.438\/2002. Desses, 41 se tratam de usinas e\u00f3licas. \u201cT\u00e3o importante quanto a pot\u00eancia instalada com recursos governamentais subsidiados \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um mercado nacional relevante composto por ind\u00fastrias competitivas e m\u00e3o de obra qualificada para o setor\u201d, afirma Enes.<\/p>\n<p>Atualmente, a energia el\u00e9trica j\u00e1 atrai investidores privados em fun\u00e7\u00e3o da sua alta competitividade. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) investiu R$ 6,6 bilh\u00f5es em projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica no ano de 2014, correspondendo a 2.600 megawatts de pot\u00eancia instalada. Em 2013 os recursos investidos foram de R$ 3,6 bilh\u00f5es e desde 2003 o apoio do BNDES \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica soma R$ 20 bilh\u00f5es, equivalentes a 7.300 megawatts.<\/p>\n<p>Elbia reitera que a principal institui\u00e7\u00e3o de financiamento do setor e\u00f3lico \u00e9 o BNDES, que financia cerca de 70% do projeto. O restante do investimento \u00e9 financiado por atividades financeiras do tipo equity. \u201cA linha de Financiamento de M\u00e1quinas e Equipamentos (Finame) do BNDES \u00e9 a mais presente no setor tendo grande import\u00e2ncia para o seu desenvolvimento.\u201d<\/p>\n<p>Jean Albino destaca que o Brasil disp\u00f5e de alguns incentivos para fontes alternativas. Entre eles o conv\u00eanio do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Fazenda (Confaz) 101\/97, que isenta do ICMS \u2013 imposto sobre opera\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os de transporte \u2013 as opera\u00e7\u00f5es com equipamentos e componentes de aproveitamento da energia solar e e\u00f3lica, vigente at\u00e9 2021. Tamb\u00e9m h\u00e1 as portarias 274 e 310, que preveem a suspens\u00e3o de PIS\/Confins sobre projetos de infraestrutura.<\/p>\n<p>Nas tarifas de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, a Lei 10.762\/2003, regulamentada pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa 77\/2004 da ANEEL, permite desconto de 50% para empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o por PCH, biomassa, solar e e\u00f3lica. \u201cNa \u00e1rea de financiamento tamb\u00e9m h\u00e1 a incentivadora linha do Finame, mas com exig\u00eancias rigorosas na nacionaliza\u00e7\u00e3o de equipamentos\u201d, diz Albino.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Durante o ano de 2014, o Brasil ganhou um destaque significativo no cen\u00e1rio e\u00f3lico internacional. Foi um ano marcante para o setor, tendo em vista que foram adicionados ao sistema 2,5 GW de pot\u00eancia instalada, recorde brasileiro, o que fez do Brasil o 10\u00ba pa\u00eds do mundo em capacidade instalada e o 4\u00ba que mais acrescentou pot\u00eancia no ano.<\/p>\n<p>Sendo um dos pa\u00edses que mais investe em energia e\u00f3lica no mundo, o Brasil tamb\u00e9m foi considerado em 2014 como um dos pa\u00edses mais atrativos para investimentos em energia renov\u00e1vel, com destaque para o Relat\u00f3rio da Bloomberg New Energy Finance, o Climatescope 2014, que classificou o Brasil como o 2\u00ba pa\u00eds mais atrativo mundialmente e o 1\u00ba colocado neste ranking para a Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>Enes relembra que nos \u00faltimos 15 anos o Brasil avan\u00e7ou significativamente n\u00e3o apenas na produ\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica como tamb\u00e9m na qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e da capacidade industrial no setor. \u201cIsto \u00e9 consequ\u00eancia de uma pol\u00edtica de financiamento, que tem o BNDES como agente, na qual o acesso aos investimentos est\u00e3o condicionados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado de fabrica\u00e7\u00e3o nacional. Atualmente, h\u00e1 no Pa\u00eds profissionais com compet\u00eancia para projetar, montar, operar e realizar manuten\u00e7\u00e3o de usinas e\u00f3licas.\u201d<\/p>\n<p>O professor traz dados de que o Brasil est\u00e1 hoje entre os cinco maiores investidores globais em energia e\u00f3lica e ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o em taxa de expans\u00e3o de pot\u00eancia instalada de energia e\u00f3lica, atr\u00e1s da China e \u00e0 frente da Alemanha. Com refer\u00eancia \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica, o Pa\u00eds ocupa o primeiro lugar na Am\u00e9rica Latina e dever\u00e1 alcan\u00e7ar a 7\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial ao final de 2015, comparada com a 15\u00aa posi\u00e7\u00e3o ocupada em 2013.<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica tem uma posi\u00e7\u00e3o de destaque no Brasil. \u201cConsidero que nos pr\u00f3ximos 10 anos, a energia e\u00f3lica ser\u00e1 a segunda maior fonte renov\u00e1vel da matriz de energia el\u00e9trica nacional, atr\u00e1s apenas da hidroeletricidade\u201d, visualiza Enes.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas do Potencial E\u00f3lico Brasileiro, publicado em 2007 pelo Centro de Pesquisas de Energia El\u00e9trica da Eletrobr\u00e1s, o territ\u00f3rio brasileiro tem capacidade para gerar at\u00e9 140GW e a cada nova prospec\u00e7\u00e3o esse potencial sobe. Atualmente, a pot\u00eancia instalada dispon\u00edvel para gera\u00e7\u00e3o de todo o sistema el\u00e9trico brasileiro \u00e9 de 134GW. Contudo, Enes esclarece que, por quest\u00f5es de estabilidade t\u00e9cnica, a energia e\u00f3lica n\u00e3o pode ser a fonte preponderante de energia do sistema, uma vez que o vento apresenta caracter\u00edsticas sazonais e intermitentes e n\u00e3o pode ser armazenado como a \u00e1gua. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no Brasil dever\u00e1 alcan\u00e7ar uma pot\u00eancia instalada de 25GW e dever\u00e1 representar cerca de 11% da matriz de energia el\u00e9trica nacional\u201d, complementa.<\/p>\n<p><strong>Potencial<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das previs\u00f5es do Atlas E\u00f3lico Brasileiro, Elbia comenta que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica atrav\u00e9s do aumento da altura da torre, principalmente, j\u00e1 permite estimar valores superiores a 400GW. \u201cOs potenciais demonstrados nos atlas e\u00f3licos estaduais mais atuais s\u00e3o extremamente atraentes e j\u00e1 incluem medi\u00e7\u00f5es de potenciais offshore. Conhecido o potencial estimado em 400 GW e atual capacidade instalada de 6,56GW, podemos afirmar que ainda h\u00e1 um parque gerador extenso a ser explorado.\u201d<\/p>\n<p>Especificamente para o Nordeste, a e\u00f3lica tem quebrado recordes de produ\u00e7\u00e3o constantemente. Em junho, por exemplo, verificou-se mais um recorde da no Subsistema Nordeste, 2.779MW, representando 27% da carga deste subsistema com um fator de capacidade de 71%.<\/p>\n<p>O desempenho da fonte e\u00f3lica em 2014 atinge fator de capacidade m\u00e9dio de 41% considerando os parques e\u00f3licos da 2\u00aa fase. Nos pa\u00edses Europeus o fator m\u00e9dio \u00e9 de apenas 30% e nos Estados Unidos, 35%.<\/p>\n<p>Odilon reitera que a participa\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica na matriz brasileira deve continuar em crescimento. Segundo ele, a capacidade e\u00f3lica instalada no Brasil pode alcan\u00e7ar 7.904 MW at\u00e9 o final de 2015. A fonte ter\u00e1 expans\u00e3o de 62% em compara\u00e7\u00e3o ao ano de 2014, com acr\u00e9scimo de 3.016 MW. \u201cA energia e\u00f3lica foi a fonte que mais cresceu em 2015. Entraram em opera\u00e7\u00e3o comercial de janeiro a mar\u00e7o deste ano 781,4 MW em novos empreendimentos e\u00f3licos, o que representa 49% do total de 1.594,2 MW de energia que entrou em opera\u00e7\u00e3o no primeiro trimestre de 2015.\u201c<\/p>\n<p>A matriz el\u00e9trica brasileira, que apresenta uma configura\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel-t\u00e9rmica, iniciou o m\u00eas de junho de 2015 com uma capacidade e\u00f3lica instalada de 6,6GW, a participa\u00e7\u00e3o dessa fonte na matriz \u00e9 de 4,8%, ressalta o professor da PUC-RS.<\/p>\n<p>Jean Albino avalia que o Brasil tem um enorme potencial energ\u00e9tico e o Governo tem trabalho junto \u00e0s entidades do setor para ampliar a matriz energ\u00e9tica, principalmente levando em conta a diversifica\u00e7\u00e3o dessa matriz. Segundo dados do Comit\u00ea de Monitoramento do Setor El\u00e9trico (CMSE), do qual a CCEE faz parte, um total de 2.521MW de energia el\u00e9trica foram adicionados ao parque nacional de gera\u00e7\u00e3o entre janeiro e o in\u00edcio de junho deste ano. Para 2015, a meta \u00e9 adicionar 6.410MW.\u00a0 \u201cQuando analisamos os n\u00fameros de gera\u00e7\u00e3o no acumulado dos \u00faltimos doze meses, a produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica teve um expressivo incremento com 106,8% a mais de energia entregues ao Sistema Interligado Nacional (SIN)\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica est\u00e1 indo de vento em popa. 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