{"id":29519,"date":"2015-10-09T17:00:11","date_gmt":"2015-10-09T20:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29519"},"modified":"2015-10-08T21:44:37","modified_gmt":"2015-10-09T00:44:37","slug":"a-acidificacao-dos-oceanos-ja-levou-a-extincao-de-50-dos-recifes-de-corais-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-acidificacao-dos-oceanos-ja-levou-a-extincao-de-50-dos-recifes-de-corais-do-mundo\/","title":{"rendered":"A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos j\u00e1 levou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de 50% dos recifes de corais do mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29520\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cOs oceanos, para as nossas vidas, s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes que as florestas terrestres: mais de 60% do oxig\u00eanio \u00e9 produzido por algas marinhas, embora as pessoas associem a produ\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio somente \u00e0s florestas\u201d, diz a coordenadora do Programa Marinho do WWF.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando se fazem pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil e se olha para a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas terrestres ou marinhas, enxerga-se a conserva\u00e7\u00e3o como um impeditivo ao desenvolvimento. (&#8230;) Quando discutimos especificamente a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/519893-protecao-das-areas-marinhas-como-garantia-da-sustentabilidade-entrevista-especial-com-ronaldo-francini-filho\" target=\"_blank\"><strong>prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas marinhas<\/strong><\/a>, o <strong>Minist\u00e9rio de Minas e Energia<\/strong> alega que a prote\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um impeditivo \u00e0 <strong>explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s<\/strong>, por exemplo, sendo que existem mecanismos e pol\u00edticas desenvolvidas em v\u00e1rios locais do mundo que mostram que \u00e9 poss\u00edvel conciliar a conserva\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas s\u00e3o feitas por <strong>Anna Carolina Lobo<\/strong>, coordenadora do Programa Marinho do <strong>WWF Brasil<\/strong>, em entrevista concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por telefone.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u201cse o governo definir as \u00e1reas de exclus\u00e3o de pesca em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o significa que a pesca ser\u00e1 proibida durante todo o tempo. Ao contr\u00e1rio, essas unidades de uso sustent\u00e1vel definem crit\u00e9rios e per\u00edodos para que a pesca ocorra, o que no longo prazo garantir\u00e1 a abund\u00e2ncia do estoque pesqueiro e a abund\u00e2ncia da subsist\u00eancia da pr\u00f3pria economia\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, <strong>Anna Carolina<\/strong> informa que desde 2011 o <strong>Minist\u00e9rio da Pesca<\/strong> parou de monitorar as <strong>atividades pesqueiras<\/strong> no pa\u00eds, \u201co que significa que n\u00e3o temos a menor ideia de quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo exploradas, quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo extintas, quais est\u00e3o amea\u00e7adas\u201d, frisa. Depois da reforma ministerial, em que o Minist\u00e9rio da Pesca foi substitu\u00eddo por uma Secretaria no Minist\u00e9rio da Agricultura, <strong>Anna<\/strong> enfatiza que a retomada do <strong>monitoramento da costa brasileira<\/strong> ser\u00e1 fundamental para ter acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre a atual situa\u00e7\u00e3o dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/524930-saude-global-dos-oceanos-nota-mundial-e-baixa-entrevista-especial-com-andre-guimaraes\" target=\"_blank\">recursos marinhos<\/a> no pa\u00eds. \u201cO governo precisa usar estudos que j\u00e1 existem e que apontam as \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o ao longo da costa. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso usar esses estudos para avan\u00e7ar no sentido de criar novas\u00a0\u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. De acordo com ela, atualmente, apesar de existirem 62 <strong>Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong> de \u00e1reas marinhas, elas representam menos de 2% de toda a biodiversidade marinha brasileira protegida.<\/p>\n<p><strong>Anna<\/strong> explica ainda quais s\u00e3o as principais causas que est\u00e3o comprometendo a qualidade da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544071-manifesto-pede-protecao-para-475-especies-ameacadas\" target=\"_blank\"><strong>flora e da fauna dos oceanos<\/strong><\/a> e afirma que as expectativas para o futuro n\u00e3o s\u00e3o animadoras. \u201cA estimativa \u00e9 de que at\u00e9 2030, 90% dos recifes de corais do mundo colapsem, ou seja, daqui a 15 anos, e ningu\u00e9m sabe qual ser\u00e1 o impacto disso para as nossas vidas\u201d, adverte.<\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo<\/strong> \u00e9 p\u00f3s-graduada em Gest\u00e3o Ambiental e atualmente coordena o Programa Marinho do WWF.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i58.tinypic.com\/2jdfcas.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Imagem:\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.mundovestibular.com.br\"><em>www.mundovestibular.com.br<\/em><\/p>\n<p><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Segundo informa\u00e7\u00f5es da WWF, menos de 2% de toda a biodiversidade marinha brasileira est\u00e1 protegida. Quais s\u00e3o as principais dificuldades enfrentadas pelo Brasil no sentido de avan\u00e7ar na conserva\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> A principal quest\u00e3o \u00e9 o governo e os principais setores econ\u00f4micos enxergarem na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543388-e-a-vez-de-proteger-os-oceanos\" target=\"_blank\"><strong>conserva\u00e7\u00e3o marinha e costeira<\/strong><\/a> um potencial de impulsionar a economia. Quando se fazem pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil e se olha para a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas terrestres ou marinhas, enxerga-se a conserva\u00e7\u00e3o como um impeditivo ao desenvolvimento, e por isso faz muitos anos que o Brasil n\u00e3o cria novas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o. Quando discutimos especificamente a prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas marinhas, o <strong>Minist\u00e9rio de Minas e Energia<\/strong> alega que a prote\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um impeditivo \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528460-exploracao-das-riquezas-minerais-e-pesqueiras-do-fundo-do-mar-alarma-cientistas\" target=\"_blank\">explora\u00e7\u00e3o<\/a> de petr\u00f3leo e g\u00e1s, por exemplo, sendo que existem mecanismos e pol\u00edticas desenvolvidas em v\u00e1rios locais do mundo que mostram que \u00e9 poss\u00edvel conciliar a conserva\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O <strong>Brasil<\/strong> \u00e9 respons\u00e1vel por 30% da produ\u00e7\u00e3o de pescado mundial, e h\u00e1 uma estimativa de que aproximadamente um milh\u00e3o de pessoas trabalhe com pesca profissional, o que d\u00e1 uma m\u00e9dia de 3,5 milh\u00f5es de empregos. Uma boa parte desses pescadores profissionais s\u00e3o pescadores de pequena escala, o que significa que esse \u00e9 o principal modo de subsist\u00eancia de muitas fam\u00edlias que vivem ao longo da costa, porque \u00bc da popula\u00e7\u00e3o brasileira reside na costa brasileira.<\/p>\n<p>Se o governo definir \u00e1reas de exclus\u00e3o de<strong> pesca<\/strong> em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o significa que a pesca ser\u00e1 proibida durante todo o tempo. Ao contr\u00e1rio, essas unidades de uso sustent\u00e1vel definem crit\u00e9rios e per\u00edodos para que a pesca ocorra, o que a longo prazo garantir\u00e1 a abund\u00e2ncia do estoque pesqueiro e a abund\u00e2ncia da subsist\u00eancia da pr\u00f3pria economia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 poss\u00edvel manter a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Sim, mas tudo precisa ser estabelecido a partir de crit\u00e9rios: como a explora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita, quais s\u00e3o os planos de explora\u00e7\u00e3o, em quais lugares ser\u00e3o feitas as explora\u00e7\u00f5es. Por meio de um zoneamento e uma an\u00e1lise de <em>trade-off<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel garantir o desenvolvimento e a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos. A <strong>Holanda<\/strong>, por exemplo, h\u00e1 quase um s\u00e9culo garante o desenvolvimento com a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O <strong>WWF internacional<\/strong> lan\u00e7ou um estudo recente, intitulado <strong>Reviving the Ocean Economy<\/strong> (Revitalizar a economia dos oceanos), no qual observaram, por uma s\u00e9rie de estudos, que o PIB torna a economia dos oceanos a s\u00e9tima maior economia mundial. Ou seja, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542225-oceanos-teriam-riqueza-de-us-24-trilhoes\" target=\"_blank\"><strong>PIB dos oceanos<\/strong><\/a> \u00e9 equivalente a 2,5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que colocaria os oceanos acima da economia brasileira, que est\u00e1 em 8\u00ba lugar. Isso demonstra o quanto os oceanos podem contribuir para a nossa economia.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO PIB dos oceanos \u00e9 equivalente a 2,5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que a preserva\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 menos priorit\u00e1ria do que a das florestas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Porque acontece algo como: o que n\u00e3o \u00e9 visto, parece que n\u00e3o existe. Ou seja, o que est\u00e1 embaixo d\u2019\u00e1gua n\u00e3o \u00e9 visto, porque precisa de uma s\u00e9rie de conhecimentos espec\u00edficos para compreender o<strong> impacto<\/strong> da falta de preserva\u00e7\u00e3o dos oceanos. Os oceanos, para as nossas vidas, s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes que as florestas terrestres: mais de 60% do oxig\u00eanio \u00e9 produzido por algas marinhas, embora as pessoas associem a produ\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio somente \u00e0s florestas. A <strong>acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos<\/strong> acontece por conta do despejo de esgoto e agrot\u00f3xicos nas \u00e1guas, e isso j\u00e1 levou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de 50% dos recifes de corais do mundo, que tamb\u00e9m morreram por conta do <strong>aquecimento global<\/strong>. Os recifes de corais s\u00e3o a base para toda a vida marinha, ou seja, s\u00e3o eles que sustentam as vidas marinhas e influenciam diretamente o estoque pesqueiro.<\/p>\n<p>Temos de considerar tamb\u00e9m que a <strong>polui\u00e7\u00e3o dos oceanos<\/strong> impacta diretamente no que estamos consumindo: a fauna marinha consome metais pesados e todo o lixo que est\u00e1 embaixo d\u2019\u00e1gua, e posteriormente n\u00f3s consumimos os peixes contaminados.<\/p>\n<p>O que falta \u00e9 as pessoas terem ci\u00eancia do impacto que a<strong> vida marinha<\/strong> tem na nossa vida, a partir de uma compreens\u00e3o de todo o ciclo da cadeia alimentar, para entender que \u00e9 preciso pressionar os governos e saber mais sobre como o impacto dos oceanos influencia diretamente na nossa vida.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o ambiental da costa brasileira? Quais s\u00e3o as \u00e1reas marinhas em que h\u00e1 mais e menos prote\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> O <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542148-amazonia-azul-a-nova-fronteira-brasileira\" target=\"_blank\">territ\u00f3rio marinho<\/a><\/strong> costeiro brasileiro \u00e9 equivalente \u00e0 metade do territ\u00f3rio nacional da floresta amaz\u00f4nica, ou seja, \u00e9 um territ\u00f3rio muito relevante, com dimens\u00f5es continentais, e que est\u00e1 sendo negligenciado. Al\u00e9m da quest\u00e3o do uso de pesticidas que contribuem para a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, da falta de \u00e1reas protegidas, tem uma quest\u00e3o latente que est\u00e1 sendo discutida entre as <strong>ONGs<\/strong> de conserva\u00e7\u00e3o marinha, os governos e os setores produtivos, que \u00e9 a <strong>quest\u00e3o da pesca<\/strong>. Desde 2011 o <strong>Minist\u00e9rio da Pesca<\/strong> \u2014 que agora ser\u00e1 uma secretaria dentro do <strong>Minist\u00e9rio da Agricultura<\/strong> \u2014 parou de fazer monitoramento das atividades pesqueiras, o que significa que n\u00e3o temos a menor ideia de quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo exploradas, de quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo extintas, quais est\u00e3o amea\u00e7adas etc. Ent\u00e3o, retomar o <strong>monitoramento<\/strong> \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Este ano, pela primeira vez na hist\u00f3ria do Minist\u00e9rio da Pesca, uma boa equipe assumiu esse trabalho de monitoramento e come\u00e7ou a retomar os<strong> Comit\u00eas de Gest\u00e3o Pesqueira<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 ao longo da costa, mas tamb\u00e9m em territ\u00f3rios de \u00e1gua doce. Ou seja, essa atividade acabou de ser retomada e \u00e9 considerada o primeiro passo para recuperar o monitoramento das atividades pesqueiras, mas agora recebemos essa not\u00edcia de que o Minist\u00e9rio vai virar uma secretaria. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que o <strong>Minist\u00e9rio da Agricultura<\/strong>, com essa nova atribui\u00e7\u00e3o, entenda a import\u00e2ncia de ter um bom quadro t\u00e9cnico e mantenha as pol\u00edticas que come\u00e7aram a ser retomadas depois de tantos anos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas protegidas, existem <strong>62 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong> espalhadas pela costa brasileira. Entre elas, destaca-se <strong>Fernando de Noronha<\/strong>, que as pessoas conhecem bem porque \u00e9 um importante destino tur\u00edstico, e um parque de prote\u00e7\u00e3o ambiental marinha; <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/527542-abrolhos-enfrenta-seu-pior-momento-com-perspectiva-de-investimentos-e-lancamento-de-campanha-para-conservacao\" target=\"_blank\"><strong>Abrolhos<\/strong><\/a>, na <strong>Bahia<\/strong>, que conserva as baleias e corais; o litoral paulista tamb\u00e9m \u00e9 protegido por \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental marinha; e existem ainda reservas extrativistas espalhadas ao longo da costa. Enfim, s\u00e3o muitas as \u00e1reas, mas elas ainda representam menos de 2% das \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cA polui\u00e7\u00e3o dos oceanos impacta diretamente no que estamos consumindo\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Do ponto de vista de pol\u00edtica p\u00fablica, o que \u00e9 preciso fazer para garantir o monitoramento da costa marinha na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <strong>\u00e1reas protegidas<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio investir em parcerias com o setor privado, por exemplo, porque nesse momento de crise, alguns setores, como o de meio ambiente, tem menos prioridade nas contas do governo. Ent\u00e3o, uma alternativa \u00e9 a <strong>parceria privada<\/strong> entre empresas e ONGs para garantir a melhor gest\u00e3o das \u00e1reas que j\u00e1 existem, porque embora seja um percentual pequeno de \u00e1reas protegidas, a equipe que faz a gest\u00e3o dessas \u00e1reas carece de recursos humanos, financeiros, materiais e t\u00e9cnicos para garantir a gest\u00e3o desses territ\u00f3rios. Para se ter uma ideia, h\u00e1 pouco tempo o<strong> Ibama<\/strong> tinha tr\u00eas barcos para fazer a gest\u00e3o de toda a costa brasileira, e dois estavam quebrados, ou seja, eles faziam esse monitoramento com um \u00fanico barco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo precisa usar estudos que j\u00e1 existem e que apontam as \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o ao longo da costa. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso usar esses estudos para avan\u00e7ar no sentido de criar <strong>novas \u00e1reas<\/strong> de preserva\u00e7\u00e3o. No ano passado, o Brasil se comprometeu publicamente no <strong>Congresso Mundial de Parques<\/strong>, em Sydney, na Austr\u00e1lia, em aumentar o percentual de \u00e1reas protegidas em 5%. Mas na semana passada, no <strong>Congresso brasileiro de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>, em Curitiba, onde a quest\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas marinhas protegidas surgiu na discuss\u00e3o, o <strong>Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade &#8211; ICMBio<\/strong> afirmou que \u00e9 priorit\u00e1rio ampliar o n\u00famero de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/547172-situacao-das-unidades-de-conservacao-marinhas-e-preocupante-diz-navegador\" target=\"_blank\">\u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o<\/a>, mas alegou que est\u00e1 dif\u00edcil de p\u00f4r isso em pr\u00e1tica e, por isso, \u00e9 preciso o apoio da sociedade civil. Ent\u00e3o, d\u00e1 para perceber, por meio desse depoimento, que h\u00e1 uma press\u00e3o dos setores econ\u00f4micos para a n\u00e3o cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas protegidas. A sociedade tem de ter ci\u00eancia disso e precisa cobrar e mostrar para o governo e os setores econ\u00f4micos que entende o que est\u00e1 acontecendo, e pressionar para que novas \u00e1reas sejam criadas para a garantia da pr\u00f3pria economia e da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A prote\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos aparece como parte das metas da COP-21?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Essa quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mencionada nas metas, embora saibamos que independentemente de citarem ou n\u00e3o, caso haja avan\u00e7os para evitar o <strong>aquecimento global<\/strong>, o impacto disso na conserva\u00e7\u00e3o de corais e da vida marinha ser\u00e1 imediato. H\u00e1 poucos meses morreram mais de 10 mil peixes no aqu\u00e1rio de <strong>Campo Grande<\/strong>, que est\u00e1 sendo constru\u00eddo pelo governo e que depois ser\u00e1, por meio de concess\u00e3o, administrado por alguma empresa privada. Quando foram verificar porque os peixes morreram, descobriram que eles estavam na quarentena, que a obra atrasou e teve um aquecimento de 2 graus nas \u00e1guas do aqu\u00e1rio, o que gerou a morte de mais de 10 mil peixes. Essa situa\u00e7\u00e3o demonstra exatamente qual \u00e9 o <strong>impacto<\/strong> do aumento do aquecimento global para a conserva\u00e7\u00e3o marinha.<\/p>\n<p>Embora o governo n\u00e3o enfatize a <strong>conserva\u00e7\u00e3o marinh<\/strong>a, uma vez que o <strong>Brasil<\/strong> \u00e9 signat\u00e1rio dos acordos clim\u00e1ticos e tem um compromisso em evitar a emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico, essas a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para evitar o colapso que estamos vislumbrando que ir\u00e1 acontecer com os oceanos. A estimativa \u00e9 de que at\u00e9 2030, 90% dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/514277-grande-barreira-de-coral-perde-50-de-sua-cobertura-em-menos-de-30-anos\" target=\"_blank\"><strong>recifes de corais<\/strong><\/a> do mundo colapsem, ou seja, daqui a 15 anos, e ningu\u00e9m sabe qual ser\u00e1 o impacto disso para as nossas vidas. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e oceanos, e esse \u00e9 um tema que mereceria um debate especial.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cH\u00e1 pouco tempo o Ibama tinha tr\u00eas barcos para fazer a gest\u00e3o de toda a costa brasileira, e dois estavam quebrados\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Est\u00e3o sendo realizadas pesquisas no Brasil sobre a situa\u00e7\u00e3o da biodiversidade da costa marinha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Existem v\u00e1rios estudos consistentes a respeito do impacto dos oceanos e no ano passado foi lan\u00e7ada uma publica\u00e7\u00e3o da <strong>Portaria 445<\/strong> do <strong>Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/strong>, que trata das esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no ambiente aqu\u00e1tico marinho. Essa portaria foi derrubada por meio de uma a\u00e7\u00e3o do setor pesqueiro, mas o fato \u00e9 que a pesquisa \u00e9 resultado de mais de cinco anos de investiga\u00e7\u00e3o, que envolveu mais de cem cientistas, que identificaram que temos mais de 400 <strong>esp\u00e9cies amea\u00e7adas<\/strong> de extin\u00e7\u00e3o e v\u00e1rias em vulnerabilidade. A principal quest\u00e3o \u00e9 como esses estudos consistentes chegam de uma forma traduzida para a sociedade, porque \u00e9 preciso fazer com que o conte\u00fado desses estudos chegue \u00e0 sociedade para que se entenda o que acontece e o que pode ser feito, inclusive, no \u00e2mbito das nossas a\u00e7\u00f5es para mudar essa situa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, antes de comprar um pescado, o consumidor pode saber a proced\u00eancia, onde foi pescado, ou seja, enquanto consumidores podemos contribuir para mudar esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Estudos ou pol\u00edticas de preserva\u00e7\u00e3o dos oceanos de algum lugar do mundo podem servir de refer\u00eancia para o Brasil? Quais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Sim, muitos. A rede <strong>WWF internacional<\/strong> divulgou, al\u00e9m do estudo que mencionei anteriormente, outro sobre a <strong>pegada ecol\u00f3gica<\/strong> global dos oceanos. Esse estudo \u00e9 resultado do trabalho de pesquisa de muitos cientistas e universidades de v\u00e1rios pa\u00edses, e demonstra que 50% da vida marinha j\u00e1 est\u00e1 extinta.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que s\u00e3o iniciativas como a Alian\u00e7a de Alto Mar, uma coaliz\u00e3o de 27 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, para preservar os oceanos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> Trata-se de uma proposta fundamental, porque mais de 50% dos oceanos do mundo est\u00e1 em \u00e1rea que s\u00e3o \u00e1guas internacionais, ou seja, \u00e1reas que n\u00e3o s\u00e3o protegidas por nenhum pa\u00eds, porque nenhum deles \u00e9 respons\u00e1vel por elas. Ent\u00e3o, estamos falando de uma \u00e1rea relevante. Essa coaliz\u00e3o visa fazer uma an\u00e1lise de como est\u00e1 a<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/512738-sobrepesca-um-problema-ambiental-e-alimentar-entrevista-com-henrique-cortez\" target=\"_blank\">sobrepesca<\/a><\/strong> nesses territ\u00f3rios, porque eles acabam virando \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cA estimativa \u00e9 de que at\u00e9 2030, 90% dos recifes de corais do mundo colapsem\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em termos pol\u00edticos, algum pa\u00eds deve se responsabilizar por essas \u00e1reas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anna Carolina Lobo \u2013<\/strong> A ideia da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543898-onu-da-o-primeiro-passo-para-um-tratado-de-preservacao-do-alto-mar\" target=\"_blank\"><strong>Alian\u00e7a de Alto Mar<\/strong><\/a> \u00e9 pressionar os governos para que eles sejam signat\u00e1rios de acordos internacionais na conserva\u00e7\u00e3o dessas \u00e1guas internacionais, e existem protocolos que s\u00e3o priorizados, e que s\u00e3o trazidos da ONU para os governos. No caso do <strong>Brasil<\/strong>, essa iniciativa tenta fazer com que o Itamaraty e alguns minist\u00e9rios possam entender a import\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o. O Brasil, por exemplo, no \u00e2mbito internacional, pode influenciar as a\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses do <strong>BRICs<\/strong>, porque a <strong>China<\/strong> \u00e9 o principal poluidor dos mares do mundo. Nesse sentido, enquanto a <strong>Alian\u00e7a de Alto Mar<\/strong> pressiona o Brasil para ser signat\u00e1rio do acordo, o Brasil tamb\u00e9m pode servir de exemplo para outros pa\u00edses, e ser mais atuante e influente. Tudo isso tem um impacto positivo na <strong>conserva\u00e7\u00e3o dos oceanos<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs oceanos, para as nossas vidas, s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes que as florestas terrestres:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29520,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/oceanos1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cOs oceanos, para as nossas vidas, s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes que as florestas terrestres:","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29519\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}