{"id":29297,"date":"2015-10-06T08:17:51","date_gmt":"2015-10-06T11:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29297"},"modified":"2015-10-06T08:18:41","modified_gmt":"2015-10-06T11:18:41","slug":"chernobyl-ausencia-de-seres-humanos-na-zona-de-exclusao-multiplica-a-populacao-de-lobos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/chernobyl-ausencia-de-seres-humanos-na-zona-de-exclusao-multiplica-a-populacao-de-lobos\/","title":{"rendered":"Chernobyl: aus\u00eancia de seres humanos na zona de exclus\u00e3o multiplica a popula\u00e7\u00e3o de animais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29300\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Muito antes de os sovi\u00e9ticos erguerem a <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/energia_nuclear\/a\/1\">central de Chernobyl<\/a> na d\u00e9cada de 1970, os lobos, alces e javalis j\u00e1 percorriam os bosques e pradarias do que hoje \u00e9 a zona de exclus\u00e3o, onde n\u00e3o vivem pessoas desde que em 1986 se produziu <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/08\/06\/estilo\/1438868788_348433.html\">o pior acidente nuclear da hist\u00f3ria<\/a>. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois daquilo, os animais ocuparam o vazio deixado pelas 116.000 pessoas removidas para sempre de um territ\u00f3rio de 4.200 quil\u00f4metros quadrados. Hoje, gra\u00e7as ao desaparecimento do ser humano, h\u00e1 mais grandes mam\u00edferos na zona do que antes da trag\u00e9dia at\u00f4mica.<\/p>\n<p>Um grupo internacional de bi\u00f3logos tem trabalhado na zona, sobrevoando a \u00e1rea e realizando contagem de animais, para saber como a radia\u00e7\u00e3o afetou essas popula\u00e7\u00f5es, essencialmente na <a href=\"http:\/\/www.zapovednik.by\/en\/about\/\" target=\"_blank\">Reserva Radioecol\u00f3gica de Pol\u00e9sia<\/a>, criada pela Belarus na regi\u00e3o mais afetada pelo material radioativo. Partiam de tr\u00eas hip\u00f3teses: que haveria menos animais nas zonas mais contaminadas, que haveria menos grandes mam\u00edferos em Pol\u00e9sia do que em reservas n\u00e3o contaminadas e que depois do acidente se notaria um decl\u00ednio da densidade de mam\u00edferos ao longo do tempo. As tr\u00eas hip\u00f3teses estavam equivocadas: os animais se desenvolvem por toda a reserva, \u00e0 margem dos indicadores de contamina\u00e7\u00e3o, e cada vez s\u00e3o em n\u00famero maior, tamb\u00e9m em compara\u00e7\u00e3o com outras regi\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"sumario_5|foto\" class=\"izquierda\">\n<div class=\"media\">\n<div class=\"foto figure\"><a class=\"posicionador\" title=\"ampliar foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2015\/10\/04\/ciencia\/1443960575_316922_1444061175_sumario_normal.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"446\" \/> <span id=\"capaAmpliarFotoReposo_p2\" class=\"ampliar_foto reposo\"><\/span> <\/a><\/p>\n<p class=\"figcaption estirar\">Lobo na zona de exclus\u00e3o. \/ <span class=\"firma\">Valeriy Yurko<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cNosso trabalho mostra que, apesar dos poss\u00edveis efeitos da radia\u00e7\u00e3o em animais individuais, n\u00e3o se pode detectar um efeito sobre as popula\u00e7\u00f5es de mam\u00edferos\u2019, explica <a href=\"http:\/\/www.port.ac.uk\/school-of-earth-and-environmental-sciences\/staff\/jim-smith.html\" target=\"_blank\">Jim Smith<\/a>, l\u00edder do estudo. E acrescenta: \u201cEste \u00e9 um exemplo not\u00e1vel dos efeitos da presen\u00e7a humana e o uso do entorno: seu desaparecimento na zona de Chernobyl permitiu que os animais prosperassem\u201d. Segundo os dados <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.cub.2015.08.017\" target=\"_blank\">publicados hoje em<\/a> <em>Current Biology<\/em>, a quantidade e densidade de grandes mam\u00edferos \u00e9 semelhante em Pol\u00e9sia e outras reservas n\u00e3o contaminadas da regi\u00e3o. Em alguns casos, a aus\u00eancia de humanos fez com que disparassem: h\u00e1 sete vezes mais lobos do que em reservas pr\u00f3ximas e mais alces do que o normal, com javalis, cor\u00e7as e cervos em n\u00edveis semelhantes.<\/p>\n<div id=\"sumario_3|html\" class=\"izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<p class=\"texto_grande\">H\u00e1 sete vezes mais nos lobos na reserva contaminada pela radia\u00e7\u00e3o da central que em outras da regi\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>A chamada \u201czona morta\u201d tem mais fauna que nunca e os cientistas veem uma resposta clara: \u201c\u00c9 simplesmente por n\u00e3o haver presen\u00e7a humana\u201d, responde Smith, da Universidade de Portsmouth. \u201cEmbora tenha havido um pouco de ca\u00e7a regulada de lobos para controlar seu n\u00famero, a press\u00e3o humana em outras reservas naturais \u00e9 maior, e por isso temos maior presen\u00e7a de lobos em Chernobyl\u201d, resume.<\/p>\n<p>S\u00f3 no entorno do que agora \u00e9 a reserva de Pol\u00e9sia viviam cerca de 22.000 pessoas e os pesquisadores est\u00e3o convencidos de que agora o n\u00famero de animais ali \u00e9 mais elevado do que na \u00e9poca do acidente. Outros cientistas disseram que at\u00e9 o urso pardo, que desapareceu da regi\u00e3o h\u00e1 um s\u00e9culo, voltou. Mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s aves, por exemplo, foi detectado um efeito negativo nas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"sumario_2|foto\" class=\"centro\">\n<div class=\"media\">\n<div class=\"foto figure\"><a class=\"posicionador\" title=\"ampliar foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2015\/10\/04\/ciencia\/1443960575_316922_1444057228_sumario_normal.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/> <span id=\"capaAmpliarFotoReposo_p5\" class=\"ampliar_foto reposo\"><\/span> <\/a><\/p>\n<p class=\"figcaption estirar\">Alce nada na reserva Pol\u00e9sia, perto de Chernobyl \/ <span class=\"firma\">V. Yurko<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Depois de analisar dados hist\u00f3ricos, os pesquisadores concluem que n\u00e3o houve nenhum decl\u00ednio nos anos posteriores \u00e0 trag\u00e9dia, apenas nos seis primeiros meses depois do inc\u00eandio do reator, nos quais os alt\u00edssimos n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o afetaram a sa\u00fade e a reprodu\u00e7\u00e3o. \u201cMas n\u00e3o em longo prazo\u201d, diz o estudo, que se concentra exclusivamente nas tend\u00eancias das popula\u00e7\u00f5es e n\u00e3o nas afec\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que poderiam afetar cada animal. Os cientistas lembram em seu trabalho que j\u00e1 em meados dos anos noventa foi publicado outro estudo sobre pequenos mam\u00edferos (doninhas, ratos, musaranhos, etc.) com a mesma conclus\u00e3o: sua presen\u00e7a foi mantida, apesar da radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda hoje, quase trinta anos depois, os animais em lugares t\u00e3o distantes da usina como a Alemanha e a Noruega continuam apresentando altos n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o em seus organismos, o que originou pol\u00edticas para evitar o consumo de carne de ca\u00e7a e acompanhar de perto sua condi\u00e7\u00e3o. Os autores desse trabalho estudam agora os poss\u00edveis efeitos reprodutivos e gen\u00e9ticos da radia\u00e7\u00e3o nos peixes de lagos contaminados por Chernobyl, inclusive no tanque de refrigera\u00e7\u00e3o da usina. \u201cEmbora acreditemos que a radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o afeta as popula\u00e7\u00f5es de animais, estamos interessados em efeitos mais sutis sobre os indiv\u00edduos\u201d, esclarece Smith.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito antes de os sovi\u00e9ticos erguerem a central de Chernobyl na d\u00e9cada de 1970, os<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chernobyl.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Muito antes de os sovi\u00e9ticos erguerem a central de Chernobyl na d\u00e9cada de 1970, os","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29297"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29297\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}