{"id":29256,"date":"2015-10-05T09:00:57","date_gmt":"2015-10-05T12:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29256"},"modified":"2015-10-04T22:32:57","modified_gmt":"2015-10-05T01:32:57","slug":"quase-concluida-barragem-de-belo-monte-mudara-o-pulso-das-aguas-do-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quase-concluida-barragem-de-belo-monte-mudara-o-pulso-das-aguas-do-xingu\/","title":{"rendered":"Quase conclu\u00edda, barragem de Belo Monte mudar\u00e1 o pulso das \u00e1guas do Xingu"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29257\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Agostinho, juruna da aldeia Muratu. Cobalto, ribeirinho da ilha da Fazenda. Ambos nascidos e vividos na Volta Grande do Xingu. Pescadores n\u00e3o muito chegados \u00e0 prosa, j\u00e1 na casa dos 70, eles conhecem cada bra\u00e7o, cotovelo e largo deste trecho do\u00a0rio. Enquanto remam com a for\u00e7a de canoeiros experientes, revelam a preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro. \u201cAqui \u00f3, \u00e9 igarap\u00e9. Quando enche o rio, os peixes entram para comer fruta&#8221;, aponta um\u00a0para a barranca seca do rio.\u00a0\u201cE quando o rio n\u00e3o encher mais, como vai ser?&#8221;, questiona o outro. Quase\u00a0conclu\u00edda, a usina de Belo Monte mudar\u00e1\u00a0o pulso do Xingu. Como pescar sem cheias? Como navegar o rio seco?<\/p>\n<p>Quando\u00a0sentaram \u00e0\u00a0proa lado lado para remar, os velhos pescadores comentaram com cumplicidade.\u00a0\u201cA gente j\u00e1 anda por aqui faz tempo, n\u00e9?&#8221;, disse Agostinho. \u201c\u00c9&#8221; , concordou Cobalto. Talvez uma maneira de assegurar\u00a0que o Xingu ainda pare\u00e7a o que sempre foi: um dos rios com maior biodiversidade do pa\u00eds, onde vivem 24\u00a0etnias ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Mas nos \u00faltimos 5 anos, \u00a0os dois viram a barragem de Belo Monte erguer-se a poucos quil\u00f4metros de suas vilas e aldeias. Ao contr\u00e1rio dos colegas que vivem \u00e0 montante da barreira, n\u00e3o foram removidos ou receberam largas compensa\u00e7\u00f5es da Norte Energia, empresa que\u00a0constroi, no norte do Par\u00e1, a terceira maior hidrel\u00e9trica do mundo. Eles n\u00e3o foram reconhecidos ou cadastrados como \u201cv\u00edtimas&#8221; de Belo Monte.<span id=\"more-1004\"><\/span><\/p>\n<p>No entanto, se\u00a0<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,ibama-nega-licenca-de-operacao-para-belo-monte,1767184\">o Ibama conceder a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u00e0 hidrel\u00e9trica\u00a0e as 11 comportas da barragem se fecharem, haver\u00e1 80% menos \u00e1gua na Volta Grande. Essa \u00e9 a sombra que paira sobre estes\u00a0moradores do Xingu. \u00a0O\u00a0ciclo natural de cheias e vazantes n\u00e3o\u00a0ser\u00e1 mais o mesmo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42559\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/01102015-canoa-xingu-1024x683.jpg\" alt=\"Canoada ByeBye Xingu: 110km remando pelo rio para ver o impacto de Belo Monte. Foto: InfoAmazonia.org\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, remei com Agostinho e Cobalto a bordo de Altas Horas, uma canoa verde e branca, pesada, s\u00f3lida, cavada em um tronco \u00fanico. Singramos 110km no Xingu junto a outras 10 canoas da <a href=\"http:\/\/util.socioambiental.org\/byebyexingu\/\" target=\"_blank\">expedi\u00e7\u00e3o ByeBye Xingu<\/a>. Por 4 dias, descemos o rio\u00a0na companhia de jurunas, extrativistas e ribeirinhos, partindo da cidade de Altamira at\u00e9 as cataratas na terra ind\u00edgena Paqui\u00e7amba.<\/p>\n<p>A \u201ccanoada&#8221; organizada pelo <a href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\" target=\"_blank\">Instituto Socioambiental<\/a> foi uma oportunidade para ver o Xingu de perto antes do enchimento do lago da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Em Altamira, a cidade mais afetada pelo empreendimento, h\u00e1 obras por todo lado, novas pontes e bairros. Ali, a poeira constante, a movimenta\u00e7\u00e3o intensa de caminh\u00f5es e \u00f4nibus cheios de trabalhadores\u00a0deixam mesmo\u00a0a\u00a0sensa\u00e7\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o acelerada.<\/p>\n<p><em>Caminho percorrido pela canoada ByeBye Xingu ao longo da Volta Grande e os pontos de interesse marcados no GPS. Ver <a href=\"https:\/\/a.tiles.mapbox.com\/v4\/infoamazonia.nhmp50cm\/page.html?access_token=pk.eyJ1IjoiaW5mb2FtYXpvbmlhIiwiYSI6InItajRmMGsifQ.JnRnLDiUXSEpgn7bPDzp7g#10\/-3.3434\/-51.7690\">mapa ampliado aqui<\/a>.\u00a0<\/em><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/a.tiles.mapbox.com\/v4\/infoamazonia.nhmp50cm\/attribution,zoompan.html?access_token=pk.eyJ1IjoiaW5mb2FtYXpvbmlhIiwiYSI6InItajRmMGsifQ.JnRnLDiUXSEpgn7bPDzp7g\" width=\"640\" height=\"431\" frameborder=\"0\" align=\"alignright\"><\/iframe><\/p>\n<p>No rio Xingu,\u00a0acima da barragem, a mudan\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel. No primeiro dia de nossa jornada, a cena principal eram grandes pilhas de madeira e ilhas fluviais totalmente devastadas. Por determina\u00e7\u00e3o do licenciamento, todas as terras que ser\u00e3o inundadas, incluindo as centenas de ilhas do rio, devem ser desmatadas.<\/p>\n<p>As\u00a0ilhas que vimos j\u00e1 est\u00e3o desocupadas e a limpeza da cobertura vegetal, avan\u00e7ada.\u00a0Isso, no entanto, n\u00e3o pareceu raz\u00e3o suficiente para o Ibama conceder a aprova\u00e7\u00e3o final ao empreendimento. No \u00faltimo dia 23, a diretoria de licenciamento negou a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o \u00e0 usina Belo Monte apontando o descumprimento de 12 condicionantes. A maioria diz respeito a falhas no reassentamento da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha \u00e0 montante e o atraso na entrega do sistema de saneamento de Altamira. Os\u00a0impactos para quem est\u00e1 na Volta Grande\u00a0n\u00e3o est\u00e3o entre os problemas mencionados. <a href=\"https:\/\/www.ibama.gov.br\/licenciamento\/modulos\/documentos.php?cod_documento=64089\" target=\"_blank\">Veja aqui o parecer completo<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42558\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/01102015-trator-desmata-1024x683.jpg\" alt=\"Por determina\u00e7\u00e3o do licenciamento, antes do enchimento do reservat\u00f3rio, as ilhas do Xingu devem ser desmatadas. Foto: Gustavo Faleiros\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>A Norte Energia promete responder \u00e0s demandas do Ibama e a expectativa \u00e9 que uma vez estabelecido um cronograma de solu\u00e7\u00e3o para as pend\u00eancias, a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o seja emitida. A pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff, <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/09\/150927_dilma_belo_monte_jf_ab\">em coletiva \u00e0 imprensa no \u00faltimo dia 27, ap\u00f3s seu discurso na Assembl\u00e9ia Geral da ONU<\/a> minimizou a negativa do Ibama.\u00a0\u201cTem falha? Ah, n\u00e3o tenha d\u00favida que tem. Mas fato de ter falhas n\u00e3o significa que a gente v\u00e1 destruir esse processo. Pelo contr\u00e1rio, temos de reconhec\u00ea-las e melhorar&#8221;, disse a presidente segundo reportagem da BBC Brasil.<\/p>\n<p>A procuradora do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal Tha\u00eds Santi, baseada em Altamira, prev\u00ea\u00a0que os piores impactos de\u00a0Belo Monte ainda est\u00e3o por acontecer. \u201cOs grandes problemas ainda est\u00e3o por vir. A nossa grande preocupa\u00e7\u00e3o a partir de agora \u00e9 a Volta Grande do Xingu&#8221;, afirmou durante uma encontro com os jornalistas, ativistas e demais participantes da Canoada Bye Bye Xingu. Para ela, o hist\u00f3rico de \u201cm\u00e1 gest\u00e3o do estado e a\u00e7\u00f5es criminosas&#8221; da Norte Energia revela\u00a0que reconhecer os impactos que sofrem os moradores \u00e0 jusante da barragem n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.\u00a0A procuradora ressaltou\u00a0a import\u00e2ncia do monitoramento nos pr\u00f3ximos anos para garantir que a vaz\u00e3o remanescente na Volta Grande do Xingu permita a sobreviv\u00eancia das comunidades, uma vez que dependem da pesca e da navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42557\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/01102015-canoas-hidreletrica-1024x683.jpg\" alt=\"Canoas chegam \u00e0 barragem no s\u00edtio Pimental. Pronta para fechar comportas. Foto Gustavo Faleiros\/InfoAmazonia.org\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>A \u00a0partir do momento em que comece a operar, Belo Monte criar\u00e1 uma disputa entre a gera\u00e7\u00e3o\u00a0de energia e a manuten\u00e7\u00e3o da ecologia dos 100 km de rio que ter\u00e3o a vaz\u00e3o reduzida. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, o hidrograma (instrumento que determina a quantidade de \u00e1gua que ser\u00e1 vertida pelas comportas), o Xingu poder\u00e1 ter, \u00e0 jusante da barragem, uma vaz\u00e3o\u00a0m\u00ednima de 680 metros c\u00fabicos por segundo (m3\/s) nos per\u00edodos de seca e m\u00e1xima de 8000 m3\/s nos momentos de cheia. A vaz\u00e3o m\u00e9dia da Volta Grande ao longo do ano \u00e9 de 7500 m3\/s podendo chegar a 12000 m3\/s nas cheias mais severas. N\u00e3o h\u00e1 portanto garantia de que a proposta da Norte Energia permita a manuten\u00e7\u00e3o da ecologia deste peda\u00e7o do Xingu<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo os t\u00e9cnicos do Ibama apontaram o problema. \u00a0Na concess\u00e3o da licen\u00e7a pr\u00e9via e de instala\u00e7\u00e3o,<a href=\"http:\/\/www.prpa.mpf.mp.br\/news\/2013\/arquivos\/Recomendacao_Cumulacao_Impactos_Belo_Monte.pdf\" target=\"_blank\">\u00a0os\u00a0pareceres t\u00e9cnicos i<\/a>ndicam\u00a0que n\u00e3o era poss\u00edvel concluir qual seria o impacto da mudan\u00e7a do\u00a0regime das \u00e1guas na biodiversidade e na popula\u00e7\u00e3o da Volta Grande do Xingu. Por isso, uma das condicionantes impostas na ocasi\u00e3o da <a href=\"http:\/\/norteenergiasa.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Licenca-de-Instalacao.pdf\" target=\"_blank\">licen\u00e7a instala\u00e7\u00e3o\u00a0em 2011<\/a> foi\u00a0um monitoramento por 6 anos ap\u00f3s o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o de Belo Monte.<\/p>\n<p><em>A barragem de Belo Monte interrompe o curso do Xingu na Volta Grande, a 40km \u00e0\u00a0jusante\u00a0de Altamira, no s\u00edtio Pimental. Ali\u00a0haver\u00e1 6 turbinas gerando\u00a0233 MW.\u00a0Mas n\u00e3o ser\u00e1 esta\u00a0a\u00a0principal casa de for\u00e7a. Pouco antes do barramento, um canal de 20km desviar\u00e1 a \u00e1gua para um reservat\u00f3rio intermedi\u00e1rio e depois \u00e0 casa de for\u00e7a principal, com\u00a0capacidade instalada de 11.000 MW.\u00a0Abaixo, arraste o ponto branco para ver Belo Monte antes e depois. A imagem vermelha mostra o canal aberto para verter \u00e1gua do Xingu \u00e0 casa de for\u00e7a. Foto Landsat julho 2015 e ferramenta\u00a0preparadas em parceria com <a href=\"https:\/\/astrodigital.com\/\">AstroDigital<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/labs.astrodigital.com\/public\/amazonia\/\" width=\"639\" height=\"529\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>Em nossas rodas de conversa nas noites que acampamos nas praias da Volta Grande, moradores\u00a0da Ilha da Fazenda ou da aldeia juruna Miratu se queixaram diversas vezes de redu\u00e7\u00e3o na pesca j\u00e1 sentida desde o in\u00edcio das obras. \u00a0A captura de peixes ornamentais, uma das atividades mais rent\u00e1veis, j\u00e1 foi afetada pela altera\u00e7\u00e3o na turbidez da \u00e1gua.\u00a0De nossos acampamentos ao longo do\u00a0rio Xingu\u00a0pudemos ouvir os grandes estrondos vindos das\u00a0obras de Belo Monte, mesmo estando a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. \u00a0Funcionando por 24 horas, os canteiros emitiam luminosidade que\u00a0podia sempre ser vista no horizonte, como se houvesse logo ali um est\u00e1dio de futebol acesso para a partida.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-42563\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/01102015-juruna.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"960\" \/>Cacique Giliarde Juruna: comunidade n\u00e3o sabe qual ser\u00e1 seu futuro com o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o de Belo Monte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pouco antes da realiza\u00e7\u00e3o da canoada, ind\u00edgenas e ribeirinhos da Volta Grande navegaram ao s\u00edtio Pimental para reclamar da lama que est\u00e1 se acumulando no leito \u00e0 jusante da barragem. Giuliarde Juruna, cacique da Aldeia Muratu, afirma que a principal reivindica\u00e7\u00e3o de seu povo \u00e9 que possam manter o modo de vida, pescando e navegando. Mas a incerteza \u00e9 grande. \u201cN\u00e3o sabemos o que vai ser&#8221;, repetiu algumas vezes nas noites em que conversamos.<\/p>\n<p>O Instituto Socioambiental, atrav\u00e9s de um <a href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/isa-publica-dossie-belo-monte-nao-ha-condicoes-para-a-licenca-de-operacao\" target=\"_blank\">balan\u00e7o divulgado em agosto \u2013 o relat\u00f3rio \u201cBelo Monte: n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para a Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a>, tem argumentado que os impactos sobre a pesca n\u00e3o s\u00e3o devidamente reconhecidos. Segundo o documento \u201cexplos\u00f5es, ilumina\u00e7\u00e3o excessiva, redu\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia da \u00e1gua e a dragagem de praias inteiras (\u2026) t\u00eam afugentado e causado a morte dos peixes, inviabilizando \u00e1reas de pesca tradicionalmente utilizadas.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da press\u00e3o para que o Ibama n\u00e3o emita a Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o, o ISA e as outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil querem que o cons\u00f3rcio de Belo Monte se comprometa a monitorar os impactos da usina na popula\u00e7\u00e3o da Volta Grande. \u201cO que est\u00e1 sendo feito aqui \u00e9 um laborat\u00f3rio humano em grande escala&#8221;, ressaltou o coordenador-adjunto do Programa Xingu do ISA, Marcelo Salazar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42556\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/01102015-maquinas-estrada-1024x683.jpg\" alt=\"Canal de 20km desviar\u00e1 a \u00e1gua da Volta Grande do Xingu para a casa de for\u00e7a de Belo Monte\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s 30 bilh\u00f5es do BNDES gastos para financiar a obra \u2013 100% a mais do que a previs\u00e3o original \u2013 e de dela\u00e7\u00f5es de <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/operacao-lava-jato\/noticia\/2015\/06\/camargo-correa-negociou-propina-com-pmdb-em-belo-monte-diz-delator.html\" target=\"_blank\">pagamentos de propina <\/a>por empresas que participam do cons\u00f3rcio, a obra de Belo Monte est\u00e1 pr\u00f3xima de chegar ao fim. Campanhas das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais,\u00a0mobiliza\u00e7\u00f5es de artistas no Brasil e no mundo, nada pode parar o empreendimento. Nem mesmo uma\u00a0acusa\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.cidh.oas.org\/medidas\/2011.port.htm\" target=\"_blank\">Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2012 <\/a>foi capaz de mudar o rumo. Em todas as etapas, mesmo com as ressalvas dos t\u00e9cnicos de que havia problemas que inviabilizavam a obra, os dirigentes do Ibama optaram por emitir\u00a0as licen\u00e7as pr\u00e9via e de instala\u00e7\u00e3o. Agora, fato consumado, a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o parece ser uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p><strong>Veja tamb\u00e9m \u2013 Mapa de Desmatamento<\/strong><br \/>\n<em>Altamira est\u00e1 entre os 10 mun\u00edcipios recordistas de desmatamento na Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/infoamazonia.org\/pt\/embed\/?map_only=1&amp;map_id=6360&amp;width=600&amp;height=400&amp;lat=-3.0417830279332505&amp;lon=-51.48193359375&amp;zoom=8\" width=\"639\" height=\"344\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agostinho, juruna da aldeia Muratu. Cobalto, ribeirinho da ilha da Fazenda. Ambos nascidos e vividos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/belo_monte.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Agostinho, juruna da aldeia Muratu. 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