{"id":29245,"date":"2015-10-04T22:06:32","date_gmt":"2015-10-05T01:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29245"},"modified":"2015-10-04T22:06:32","modified_gmt":"2015-10-05T01:06:32","slug":"serra-da-mantiqueira-guarda-tesouros-da-arquitetura-e-da-historia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/serra-da-mantiqueira-guarda-tesouros-da-arquitetura-e-da-historia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Serra da Mantiqueira guarda tesouros da arquitetura e da hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/serra_mantiqueira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-29246 size-full\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/serra_mantiqueira.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/serra_mantiqueira.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/serra_mantiqueira-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um estado pode nascer a partir de uma serra? Esse \u00e9 caso de <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/minas-gerais\">Minas Gerais<\/a>, que teve seu territ\u00f3rio incorporado ao pa\u00eds, quando as montanhas da Mantiqueira foram transpostas pelos bandeirantes, no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>A segunda reportagem da s\u00e9rie sobre a Serra da Mantiqueira mostra que muitos fatos importantes da hist\u00f3ria do Brasil aconteceram nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma cadeia de montanhas imponente e bela, onde nascem muitos rios que escorrem pelas encostas. O nome, Mantiqueira, ela recebeu dos \u00edndios, seus primeiros habitantes.<\/p>\n<p>O historiador Marcelo Lemos, explica que os \u00edndios j\u00e1 viviam na serra muito antes da chegada dos portugueses. \u201cPor conta da riqueza e diversidade biol\u00f3gica&#8230; Nessa regi\u00e3o voc\u00ea tinha muita ca\u00e7a. Ent\u00e3o, os \u00edndios j\u00e1 estavam aqui e no Vale do Para\u00edba h\u00e1 nove mil anos\u201d.<\/p>\n<p>Muitas tribos viveram na Mantiqueira, como os Puris, Botocudos e Araris. \u201c[A coloniza\u00e7\u00e3o] ela se faz em torno da busca do ouro\u201d, diz o historiador Francisco Sodero. Ele explica que os bandeirantes foram os primeiros brancos a subir a serra. Eram paulistas que se aventuravam em expedi\u00e7\u00f5es para desbravar o interior do Brasil. Essas viagens eram chamadas de Bandeiras, da\u00ed o nome bandeirante.<\/p>\n<p>\u201cA mais importante foi a de Fern\u00e3o Dias Paes, que em 1674 saiu de S\u00e3o Paulo foi em dire\u00e7\u00e3o a Minas Gerais em busca n\u00e3o s\u00f3 dos metais preciosos, mas das esmeraldas que ele procurava encontrar\u201d, conta Sodero.<\/p>\n<p>A busca do ouro colocou em guerra brancos e \u00edndios. Nos conflitos, muitos \u00edndios morreram, outros foram capturados e escravizados, e assim foram desaparecendo da Mantiqueira. Hoje, deles s\u00f3 restam lendas:<\/p>\n<p>Dizem que certa vez, um chefe da tribo dos Puris se perdeu na mata. Buscando o caminho de volta, ele encontrou uma pedra e percebeu que ao bater nela, ela produzia um som bem diferente.\u00a0 Foi batendo na pedra que ele acabou sendo ouvido pelos companheiros e foi encontrado. A partir da\u00ed os \u00edndios passaram a acreditar que bastava bater na pedra para conseguir prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1694, Garcia Paes, filho de Fern\u00e3o Dias, encontrou o primeiro veio de ouro, na regi\u00e3o de Ouro Preto, em Minas Gerais. Dando in\u00edcio a um novo ciclo da economia da Mantiqueira e do Brasil.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria se passa nas cercanias da chamada Estrada Real, que hoje \u00e9 toda sinalizada por marcos. O primeiro trecho da estrada ligava o porto de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro at\u00e9 a regi\u00e3o de Ouro Preto:<\/p>\n<p>\u201cEsse caminho se torna no in\u00edcio, o \u00fanico caminho em que era permitido o transporte do ouro. Ent\u00e3o, por isso mesmo, recebe o nome de Estrada Real\u201d, conta Sodero.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVIII, o governo portugu\u00eas autorizou a abertura uma nova estrada, ligando as minas diretamente ao porto do Rio de Janeiro, de onde o ouro embarcava para Portugal. Ela levou mais de 20 anos para ficar pronta e foi feita por Garcia Paes, com dinheiro pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>\u201cEra uma iniciativa privada. Ele tinha o direito de cobrar o ped\u00e1gio, para recuperar o investimento que ele fez\u201d, Edson Brand\u00e3o, historiador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ped\u00e1gio, quem transportava ouro tinha que pagar imposto \u00e0 coroa portuguesa. Ao longo da estrada real, existiam casas de registro, para recolher as taxas. Uma delas, localizada na cidade de Barbacena, est\u00e1 em restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cData de 1701, Minas Gerais ainda nem existe formalmente. Ainda era um peda\u00e7o de S\u00e3o Paulo\u201d, conta Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ocupar as terras ao redor da Estrada Real e expandir as fronteiras do pa\u00eds, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, o governo portugu\u00eas come\u00e7ou a distribuir sesmarias: imensas extens\u00f5es de terra, doadas pela coroa aos amigos do rei. Assim surgiram as primeiras fazendas e casar\u00f5es da serra.<\/p>\n<p>A Fazenda Borda do Campo \u00e9 considerada a mais antiga fazenda da parte mineira da Serra da Mantiqueira. Ela come\u00e7ou a ser aberta por volta de 1710.<\/p>\n<p>Foi o pr\u00f3prio Garcia Paes quem abriu a \u00e1rea e construiu a casa que resiste at\u00e9 hoje.\u00a0 \u201cEla tem muito do paulista ainda, do bandeirista. Com o alpendre, que \u00e9 a varanda, \u00e9 o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o de Minas Gerais literalmente\u201d, declara o historiador Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>As fazendas da Mantiqueira abasteciam a corte, no Rio de Janeiro, e a regi\u00e3o mineradora. \u201cIsso explica porque n\u00f3s vamos ter potentados, ou seja, fazendeiros muito ricos, muito influentes\u201d.<\/p>\n<p>Sin\u00f4nimos de riqueza e poder, os casar\u00f5es est\u00e3o por toda parte, com suas janelas coloridas, paredes de adobe e telhas de barro. S\u00e3o marcos da arquitetura colonial brasileira. Abrigavam as fam\u00edlias que viviam na Mantiqueira e tamb\u00e9m hospedavam tropeiros e viajantes, por isso as casas t\u00eam muitos quartos e sal\u00f5es. Quase todas t\u00eam capelas, com santos e orat\u00f3rios, esculpidos em madeira, h\u00e1 mais de 200 anos.<\/p>\n<p>A sede da Fazenda Santa Clara, no munic\u00edpio de Santa Rita do Jacutinga, em Minas Gerais, impressiona. A casa levou 25 anos pra ser constru\u00edda e tudo nela faz refer\u00eancia \u00e0 dura\u00e7\u00e3o de um ano. S\u00e3o 365 janelas, 12 sal\u00f5es e 52 quartos, que \u00e9 o n\u00famero de semanas que tem no ano.<\/p>\n<p>Em 1815, o comendador Teresiano, ganhou cinco mil hectares do governo e construiu a casa que s\u00f3 ficou pronta em 1840. De l\u00e1 pra c\u00e1, a fazenda passou por v\u00e1rios donos. Em 1924, parte da \u00e1rea foi comprada pelo av\u00f4 de Ad\u00e9lia Nogueira. \u201cEle pagou em 10 presta\u00e7\u00f5es de 90 contos de r\u00e9is\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ad\u00e9lia conta que, apesar do tamanho, a casa s\u00f3 tinha um banheiro e que ainda ficava do lado de fora. \u201cRealmente o europeu n\u00e3o tinha uma cultura de higiene. Os quartos de fazenda tinham uma mesa, chamada de mesa su\u00edte. Nela ficava um jarro cheio d\u2019\u00e1gua, com uma bacia, para lavar o rosto. Quando queriam ir ao banheiro, tiravam a bacia e logo abaixo estava o vaso. Na parte de baixo da mesa ficava o chamado urinol, que tinha uma tampa para n\u00e3o ficar cheiro. Quando necessitavam usar outra vez, pegavam debaixo da cama o pinico. S\u00f3 que o pinico n\u00e3o tem tampa. Ent\u00e3o, quando usavam, pra n\u00e3o ficar cheiro no quarto, guardavam dentro do criado mudo\u201d, explica Ad\u00e9lia.<\/p>\n<p>A Santa Clara chegou a ter 2.800 escravos, tratados com m\u00e3o de ferro pelo comendador. Como o comendador pertencia \u00e0 ma\u00e7onaria, na capela da fazenda, os santos cat\u00f3licos dividem espa\u00e7o com os s\u00edmbolos ma\u00e7ons.<\/p>\n<p>Na Mantiqueira o que n\u00e3o falta \u00e9 hist\u00f3ria. A segunda parte da reportagem, mostra como a serra contribuiu para o crescimento da agropecu\u00e1ria brasileira. Foi l\u00e1 que come\u00e7ou a cria\u00e7\u00e3o do principal rebanho de leiteiro do pa\u00eds. O Globo Rural mostra tamb\u00e9m porque o caf\u00e9 se espalhou pelas montanhas e conta a saga dos imigrantes que transformaram a Mantiqueira numa grande produtora de queijos finos.<\/p>\n<p>Fonte: Globo Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estado pode nascer a partir de uma serra? Esse \u00e9 caso de Minas Gerais,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um estado pode nascer a partir de uma serra? 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