{"id":29064,"date":"2015-10-01T10:20:58","date_gmt":"2015-10-01T13:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=29064"},"modified":"2015-10-01T10:20:58","modified_gmt":"2015-10-01T13:20:58","slug":"bolha-de-frio-no-atlantico-norte-desafia-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bolha-de-frio-no-atlantico-norte-desafia-aquecimento-global\/","title":{"rendered":"Bolha de frio no Atl\u00e2ntico Norte desafia aquecimento global"},"content":{"rendered":"<div class=\"compartilhamento-materia\"><\/div>\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Sequ\u00eancia de mapas clim\u00e1ticos mostra persist\u00eancia do frio no Atl\u00e2ntico Norte (Foto: NOAA)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/oNRQcvGxoWkajRboBxpr7VEEKsA=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/09\/30\/bolhaopt.gif\" alt=\"Sequ\u00eancia de mapas clim\u00e1ticos mostra persist\u00eancia do frio no Atl\u00e2ntico Norte (Foto: NOAA)\" width=\"640\" height=\"640\" \/><strong>Sequ\u00eancia de mapas clim\u00e1ticos mostra persist\u00eancia do frio no Atl\u00e2ntico Norte (Foto: NOAA)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o aquecimento global avan\u00e7ando, 2015 tem boas chances de quebrar o recorde de 2014 como ano mais quente da hist\u00f3ria, mas existe uma regi\u00e3o do mundo que desafia essa tend\u00eancia: uma bolha de frio no Atl\u00e2ntico Norte.<\/p>\n<p>Em todos os \u00faltimos 12 meses de registro de temperaturas na regi\u00e3o logo ao sul da <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/groenlandia\/\">Groenl\u00e2ndia<\/a> e da Isl\u00e2ndia, as temperaturas de superf\u00edcie registradas ficaram muito abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica, e em alguns casos bateram recordes de frio.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo na regi\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 algo que coloque em xeque as previs\u00f5es de cientistas sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Pelo contr\u00e1rio, a queda de temperaturas no Atl\u00e2ntico Norte \u00e9 at\u00e9 mesmo um fen\u00f4meno previsto por climatologistas como consequ\u00eancia da influ\u00eancia do aquecimento global sobre circula\u00e7\u00e3o de \u00e1guas oce\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o, cientistas t\u00eam oferecido evid\u00eancias de que uma corrente marinha chamada Amoc (Circula\u00e7\u00e3o de Revirada do Atl\u00e2ntico Meridional, na sigla em ingl\u00eas), est\u00e1 se desacelerando. Esse padr\u00e3o de movimenta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas oce\u00e2nicas, normalmente, leva \u00e1guas quentes dos tr\u00f3picos para perto do \u00c1rtico, mas sua movimenta\u00e7\u00e3o parece estar se desacelerando.<\/p>\n<p>No mundo da fic\u00e7\u00e3o, a Corrente do Atl\u00e2ntico Meridional ganhou fama ap\u00f3s ser mencionada no filme de cat\u00e1strofe clim\u00e1tica \u201cO dia depois de amanh\u00e3\u201d, que menciona o problema do enfraquecimento.<\/p>\n<p><strong>Ciclo desacelerado<\/strong><br \/>\nA Amoc \u00e9 um bra\u00e7o da chamada rede mundial de \u201ccircula\u00e7\u00e3o termoalina\u201d, a macroestrutura de fluxo de \u00e1gua nos oceanos. A Amoc funciona por meio do resfriamento da \u00e1gua salgada perto do \u00c1rtico. Ganhando densidade por causa de sua temperatura baixa, a \u00e1gua afunda e, nas profundezas, \u00e9 \u201cempurrada\u201d de volta para o sul. A aus\u00eancia que ela deixa na superf\u00edcie \u00e9 preenchida ent\u00e3o por \u00e1guas quentes de superf\u00edcie que s\u00e3o \u201cpuxadas\u201d para o norte.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Diagrama global de circula\u00e7\u00e3o termoalina mostra a import\u00e2ncia das correntes do Atl\u00e2ntico Norte em transportar \u00e1gua quente para o norte e levar \u00e1gua fria para o sul (Foto: G1\/NOAA)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/rtJ0IcGKGgJ-VvkLvJtxR587x-M=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/09\/30\/gifamoc_opt.gif\" alt=\"Diagrama global de circula\u00e7\u00e3o termoalina mostra a import\u00e2ncia das correntes do Atl\u00e2ntico Norte em transportar \u00e1gua quente para o norte e levar \u00e1gua fria para o sul (Foto: G1\/NOAA)\" width=\"639\" height=\"357\" \/><strong>Diagrama global de circula\u00e7\u00e3o termoalina mostra a import\u00e2ncia das correntes do Atl\u00e2ntico Norte em transportar \u00e1gua quente para o norte e levar \u00e1gua fria para o sul (Foto: G1\/NOAA)<\/strong><\/div>\n<p>Se algum elemento perturbar esse ciclo, por\u00e9m, a corrente enfraquece. Cientistas acreditam que o que est\u00e1 acontecendo agora esteja relacionado ao derretimento de gelo de \u00e1gua doce na Groenl\u00e2ndia. Menos densa do que a \u00e1gua salgada, o produto desse derretimento compromete o afundamento de massas de \u00e1gua e desacelera a Amoc.<\/p>\n<p>Sinais de que isso est\u00e1 acontecendo v\u00eam sendo apontados por cientistas desde que um estudo alertou para o problema em mar\u00e7o deste ano. Um enfraquecimento da Amoc j\u00e1 havia sido registrado na d\u00e9cada de 1970, mas, depois de 1990, a circula\u00e7\u00e3o recobrou parte de sua for\u00e7a. Uma sequ\u00eancia t\u00e3o grande de meses frios no Atl\u00e2ntico Norte, por\u00e9m, n\u00e3o havia sido registrada em d\u00e9cadas mais recentes.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de resfriamento local no extremo norte do Atl\u00e2ntico \u00e9 consistente com o impacto esperado da desacelera\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o\u201d, disse ao <strong>G1<\/strong> o climatologista Tal Ezer, do Centro Para Oceanografia F\u00edsica Costeira, de Norfolk (EUA). \u201cIsso foi previsto h\u00e1 muito tempo por estudos b\u00e1sicos e simula\u00e7\u00f5es de computador em din\u00e2mica oce\u00e2nica, e parece que j\u00e1 estamos come\u00e7ando a ver algumas dessas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Antes de as temperaturas come\u00e7arem a cair de modo consistente na regi\u00e3o, Ezer j\u00e1 havia conseguido documentar uma liga\u00e7\u00e3o entre o aumento acelerado do n\u00edvel do mar na costa nordeste dos EUA e a desacelera\u00e7\u00e3o da Amoc.<\/p>\n<p>Num estudo publicado na revista \u201cNature Climate Change\u201d em mar\u00e7o, Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa de Impactos no Clima, de Potsdam (<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/alemanha\">Alemanha<\/a>), alertou para o problema. Uma reconstru\u00e7\u00e3o de temperaturas sugere que \u201co enfraquecimento da Amoc depois de 1975 \u00e9 um evento sem precedentes no \u00faltimo mil\u00eanio\u201d, afirmam os cientistas. \u201cUm maior derretimento da Groenl\u00e2ndia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas pode contribuir para um maior enfraquecimento da Amoc.\u201d<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia permanente?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-29065\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Segundo Ezer, n\u00e3o est\u00e1 claro ainda se o atual resfriamento do Atl\u00e2ntico ser\u00e1 um evento permanente, porque existe um componente de variabilidade natural na varia\u00e7\u00e3o de for\u00e7a da Amoc. As consequ\u00eancias de um enfraquecimento dr\u00e1stico e prolongado da corrente para \u00e1reas continentais habitadas ainda s\u00e3o dif\u00edceis de prever, mas como a corrente \u00e9 um fator importante no transporte de calor para a Europa, \u00e9 poss\u00edvel que o clima ali se altere.<\/p>\n<p>\u201cSe a tend\u00eancia de enfraquecimento continuar, essa anomalia pode se tornar uma caracter\u00edstica mais constante no futuro, mas n\u00e3o acho que cientistas consigam prever isso ainda\u201d, afirmou o cientista. \u201cCientistas n\u00e3o esperam que ocorra uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica dr\u00e1stica no espa\u00e7o de poucas semanas, como no filme \u2018O dia depois de amanh\u00e3\u2019, mas a ideia de que correntes do Atl\u00e2ntico afetam o clima da Europa e dos EUA \u00e9 correta.\u201d<\/p>\n<p>Para o ge\u00f3logo Jefferson Sim\u00f5es, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), especialista em clima polar o resfriamento atual n\u00e3o pode ser encarado ainda como uma senten\u00e7a de morte da Amoc, mas \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o que as mudan\u00e7as no \u00c1rtico est\u00e3o muito r\u00e1pidas\u201d, afirmou. \u201cN\u00f3s erramos nossas previs\u00f5es para menos, e pens\u00e1vamos que as coisas que est\u00e3o acontecendo agora, como a diminui\u00e7\u00e3o do gelo marinho e uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as nos h\u00e1bitats, s\u00f3 fossem ocorrer em 2040 ou 2050.\u201d<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Imagem divulgada por um dos pesquisadores mostra corredeira no meio de calota polar na Groenl\u00e2ndia em 4 de julho deste ano (Foto: Ian Joughin\/AP)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IN1ltq0Zbo9qtwXZWbF_1ZTs37k=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2012\/11\/29\/groenlandia.jpg\" alt=\"Imagem divulgada por um dos pesquisadores mostra corredeira no meio de calota polar na Groenl\u00e2ndia em 4 de julho deste ano (Foto: Ian Joughin\/AP)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>Derretimento da calota da Groenl\u00e2ndia pode estar ligado \u00e0 bolha de frio do Atl\u00e2ntico (Foto: Ian Joughin\/AP)<\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sequ\u00eancia de mapas clim\u00e1ticos mostra persist\u00eancia do frio no Atl\u00e2ntico Norte (Foto: NOAA) &nbsp; Com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/groelandia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Sequ\u00eancia de mapas clim\u00e1ticos mostra persist\u00eancia do frio no Atl\u00e2ntico Norte (Foto: NOAA) &nbsp; Com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}